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As contas erradas de Centeno

por Pedro Correia, em 12.09.16

2015-05-08-Mario-Centeno-Conferencia-Presidencia[1

 

O XXI Governo Constitucional andou mal ao decretar normas de procedimento interno só quase dez meses após ter tomado posse: devia tê-las aprovado logo no primeiro dia. Andou ainda pior ao não incluir nesse código de conduta a proibição absoluta, sobretudo por parte do titular da pasta das Finanças, de aludir à expressão "segundo resgate".

Se o tivesse feito em tempo útil, seguramente o título da entrevista que Mário Centeno concedeu à televisão norte-americana CNBC teria sido bem diferente do que foi.

 

Ao garantir que "fará tudo para evitar tal cenário", o ministro admite afinal, implicitamente, que ele é equacionado pelo Governo de António Costa. Mandam as boas regras da comunicação política que uma negativa não deve ser demasiado enfática, sob pena de equivaler à afirmação subliminar daquilo que se pretende desmentir. Em 17 de Novembro de 1973, já acossado pelo escândalo Watergate, o Presidente norte-americano Richard Nixon fez uma alocução televisiva em que declarou categoricamente: "I'm not a crook" ["Não sou vigarista"] Ninguém tomou esta declaração pelo seu valor facial, mas pelo seu oposto. Nove meses depois, Nixon era forçado a demitir-se.

"Segundo resgate", pelos vistos, não é tabu para Centeno. Mas devia ser. Sobretudo estando o nosso destino financeiro dependente da avaliação positiva de uma única agência de notação, a  DBRS canadiana, e de o Banco Central Europeu continuar a proporcionar respiração assistida a Portugal com a compra de títulos de dívida - medida excepcional que terminará em 2017.

 

Ou seja, estamos presos por arames.

Com níveis de crescimento anémico, incapazes de fazer face ao montante da despesa pública, a balança de pagamentos a  agravar-se e o investimento manifestamente  incapaz de puxar pela nossa economia, além de pairar a expectativa de um  aumento dos preços do petróleo no mercado internacional, Centeno faria melhor em mudar o discurso, sobretudo quando fala aos media norte-americanos. Apele aos investidores, acene-lhes com um sistema fiscal moderado e previsível, torne Portugal apetecível ao capital estrangeiro. Precisamos dele como de pão para a boca.

E, acima de tudo, demonstre que é exímio em operações aritméticas. Se houver um novo resgate internacional de emergência a Portugal, não será o segundo. Será o quarto. Como dizia o outro, professor Centeno: basta fazer as contas.

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8 comentários

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De amendes a 12.09.2016 às 18:23

Quatro e todos Made IN PS!

Nota: Valha a verdade lembrar, que foi a entrevistadora que falou em 2º regaste!
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De Manuel a 12.09.2016 às 19:14

Em matéria de falências este PS é um Ás!
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De Pedro Correia a 12.09.2016 às 23:10

Atenção aos valetes do baralho: não devem ser menosprezados.
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De cristof a 12.09.2016 às 20:56

Estará com medo que os 58% dos que pretendem votar neste governo, nas próximas eleições o venham a chamar de aldrabão ?
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De Pedro Correia a 12.09.2016 às 23:12

Não deve ter receio disso. Ele está habituado a desmentidos de todo o género. Incluindo aqueles com que o primeiro-ministro já o brindou:
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/este-par-nao-sabe-dancar-o-tango-8211255
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De Anónimo a 13.09.2016 às 10:40

"um sistema fiscal moderado e previsível"

Hahah!
Um sistema fiscal mais opressivo e tirânico que o correspondente da Ditadura do Estado Novo.
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De Pedro Correia a 13.09.2016 às 11:20

E vêm aí mais impostos. Claro que só conseguirão afugentar ainda mais o investimento.

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