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As coisas são o que são

por Pedro Correia, em 13.10.15

Se a lógica que alguns socialistas defensores da "unidade de esquerda" para entronizar o derrotado António Costa em São Bento tivesse sido levada à prática nas quatro décadas de vigência da Constituição de 1976, Mário Soares e António Guterres - eleitos sem maioria absoluta - nunca teriam sido primeiros-ministros. É quanto basta para se perceber até que ponto a prática constitucional ameaça ser distorcida por estes dias.

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48 comentários

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De Anónimo a 13.10.2015 às 19:11

O mudo avança, o homem evolui e a política não é excepção. Ainda bem, é sinal que o homem não adormeceu ao sabor dos tempos, mas também evoluiu e procura tudo para garantir o bem estar do seu povo.
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De Pedro Correia a 13.10.2015 às 20:09

A metáfora do mudo está certíssima. Podia ser a do mouco também.
Sem escutar e sem falar podem avançar, mas às arrecuas.
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De Anónimo a 14.10.2015 às 00:27

Às arrecuas andámos nós. Está à vista do mundo que Portugal não avançou.
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 01:15

Às arrecuas? Ó diabo, já vi que você não aprecia a democracia. Deve ser daqueles que jura qu' isto só lá vai com a dita dura.
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De Anónimo a 14.10.2015 às 02:52

Aprecio a democracia no seu todo, mas também vi e vejo que durante quatro anos puseram-na doente. Ficou tão doente que se não a curam a doença, tornar-se-á crónica ou incurável, levando-a à morte.


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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 10:00

Se você acha que a democracia por cá "ficou à morte" há quatro anos, imagine só o que não sentiria se fosse cubano, chinês ou norte-coreano e visse a democracia morta há várias décadas.
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De Anónimo a 14.10.2015 às 16:48

Não sou Norte Coreano nem esse país serve de exemplo para nada nem ninguém. Não diga que aquilo é comunismo porque se o diz incorre num erro gravíssimo. Como jornalista que é devia de ler os princípios das ideologias e ver que em lado nenhum obrigam a fazer o que lá se faz. É um louco parecido com outro louco, chamado Hitler, a quem todos obedecem, até um dia. Os chineses agora já são comunistas! Mas o comunismo desses é só para quem trabalha para os outros é só dinheiro e nós até nos damos muito bem com esses comunistas, tão bem que é só negociatas. Os Cubanos quando lá estive e falei com eles sobre como viviam e sem medo algum de falarem sobre o regime, disseram-me, vocês nunca estão bem nem felizes porque querem sempre mais, nós somos felizes com o que temos. É vê-los quando trabalham cantam, dançam e se estão piores deve-se ao embargo que lhes fizeram.
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 19:07

Os cubanos estão felicíssimos, "cantam e dançam" com um salário médio mensal de 16 euros, partido único, géneros alimentícios racionados, proibição do direito à greve, proibição do direito de manifestação, detenções arbitrárias por delito de opinião, corrupção impune e sistema judicial submetida ao comité central comunista. Tão felizes que até espanta como é que, desde que o actual regime lá vigora, quase 1/3 da população emigrou para os Estados Unidos.
Basta a defesa que você aqui faz da ditadura cubana para se perceber qual é o seu modelo político. Infelizmente para si os defensores desse modelo em Portugal só valem 8% nas urnas. E perderam todas as eleições legislativas a que se candidataram.
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De Anónimo a 14.10.2015 às 21:35

Vá lá e fale com eles. Tem como hábito não ler e interpretar tudo à sua maneira. Proibição de direito a manifestações? Tem piada que quando lá estive, ainda no tempo de Fidel, assisti a uma manifestação em Havana. Em tudo que referiu esqueceu-se de falar do embargo de que têm sido vítimas que não lhes tem proporcionado, certos bens e que com poucos recursos, abriram as portas a portugueses, para irem ser operados a cataratas porque cá, nesta débil democracia, não os operavam. Também se esqueceu que são dos melhores a nível de fisioterapias e não só e que são um dos povos mais cultos do mundo, senão o mais culto. Há muitos cubanos que emigraram para Estados Unidos, como em Portugal emigraram e emigram a mando de Passos, como nunca emigraram e não está aqui o partido comunista. É pena que se tenha esquecido do exemplo
da Guiné Equatorial, país de direita e que é um exemplo de maldade pura. Eu não me identifico com o partido comunista, mas isso, não me dá o direito de dizer mal, mal e não reconhecer que o que temos, está cheio de vícios e que em nada tem beneficiado os povos, tem-nos sim, feito cada vez mais pobres, mais mendigos e cada vez com menos direitos e só deveres.
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De Pedro Correia a 16.10.2015 às 16:32

Eheheh. Notável. Você "assistiu a uma manifestação em Havana". Só podia ser mesmo a favor do Governo. São as únicas autorizadas por lá.
Mas se é a favor da ditadura cubana também deve ser a favor da ditadura da Guiné Equatorial. Ou há ditaduras boas e ditaduras más em função da ideologia de cada um?
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De Pedro Correia a 16.10.2015 às 16:36

Ah, é verdade: na Guiné Equatorial também "cantam e dançam". E manifestam-se muito (sempre a favor do governo, por coincidência). E não há prostituição, aliás tal como em Cuba: há só "gente amiga".
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De Orlando a 13.10.2015 às 19:38

Pedro, esse argumento da " tradição" para mim não colhe. O fato de já termos vivido situações de governos minoritários não significa necessariamente que tenhamos que as vivenciar novamente. Podemos estar num momento de mudança, e por esta razão, todas as forças que defendem essa mudança de politica, podem perfeitamente encontrar uma alternativa viável constitucionalmente, que leve à formação de um governo com apoio maioritário. Assim se consiga chegar a um consenso sólido entre as forças de esquerda, unidas num propósito comum, secundarizando divergências que são reais como sabemos, mas que em certos momentos históricos poderão passar para segundo plano, com o objetivo principal de mudar de politica e afastar de vez do poder esta direita conservadora quer no plano económico quer no plano social, que mais não faz do que defender os interesses de uma pequena minoria de priveligiados ligados aos grandes intereresses economicos nacionais e internacionais. De uma vez por todas tem que haver a coragem necessária para executar politicas alternativas nos mais diversos planos, que possam dar um novo rumo ao país, para que possamos sair do marasmo em que estamos atolados, colocando de lado o conformismo e a ideia da inevitabilidade de uma politica que está mais que comprovado não defende o interesse da maioria dos portugueses.
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De Pedro Correia a 13.10.2015 às 20:13

Orlando, por algum motivo algumas das vozes mais críticas dessa pseudo-solução vêm do próprio Partido Socialista. Seria frágil, efémera e ajudaria a correr o PS.
São vozes críticas de quem sabe muito bem que o PCP só pretende entalar o PS e reduzir-lhe margem de manobra e influência social. Sempre foi assim nos últimos 40 anos, foi assim na recente campanha eleitoral, não há nenhum motivo para pensar que possa ser diferente no futuro próximo.
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De Orlando a 14.10.2015 às 01:59

Pedro, por essa ordem de ideias, também podemos ver a coisa ao contrário. O PS também tentou ao longo dos anos esvaziar os partidos à sua esquerda, particularmente o PCP, com o argumento do voto útil, para se manter a rotatividade amorfa, enfandonha, de falsa alternativa que não passa de mera alternância entre o PS e a direita, ficando tudo na mesma no essencial. Só que nunca conseguiram esse propósito, porque o eleitorado verdadeiramente de esquerda esteve sempre bem atento para não cair em contos do vigário. Pela primeira vez em muitos anos, o PS abre-se ao diálogo com os partidos à sua esquerda, fazendo cair o muro existente entre PS e PCP desde o PREC, como muito bem disse António Costa, e esses partidos têm demonstrado também uma enorme abertura, inevitávelmente fazendo cedências conjunturais, mas que são necessárias para que exista um consenso. Com certeza que da parte do PS também existiram algumas concessões sem colocar em causa as suas principais linhas de força, particularmente no que diz respeito à UE e aos nossos compromissos essenciais. Existe uma franja da população portuguesa com muito peso na nossa sociedade, extremamente conservadora, amorfa e mesmo algo fatalista, totalmente avessa a qualquer vento de mudança, facilmente manipulável, que se deixa intimidar e coagir com relativa facilidade pelo sistema em que vivemos. Este é um dos motivos que pode justificar o fato deste povo ter suportado uma ditadura fascista durante quase 48 anos!
Da minha parte pugno com toda a convicção por uma mudança de paradigma, que rompa de forma clara com esta politica de direita, dando um novo rumo ao país. Não é apenas uma questão económica, mas sim também uma questão de valores, de abertura mental a novas experiências, para gradualmente nos libertarmos do espartilho formado pelas ideias convencionais, ortodoxas, amorfas e gastas da direita. É hora de mais uma vez não darmos ouvidos aos "velhos do restelo", que por curiosidade sempre surgiram em momentos cruciais da nossa história.
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 10:03

A Grécia é precisamente a melhor prova de que a velha dicotomia esquerda/direita deriva de um quadro mental ultrapassado e não serve para descrever ou explicar a realidade dos nossos dias. Mal venceu as eleições, o Syriza - que se reclama da esquerda radical - foi coligar-se com os Gregos Independentes, um partido da direita radical onde se acoitam diversos ex-apoiantes da ditadura dos coronéis.
Estamos no século XXI, Orlando.
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De Viriato a 13.10.2015 às 21:34

Costa continua a repetir uma falácia à frente dos microfones sem que ninguém o desminta ou procure confrontá-lo com a sua interpretação repugnante dos resultados do escrutínio. Diz que o governo "perdeu a maioria". Não perdeu a maioria, concluiu-a. As legislaturas e os "governos constitucionais" são independentes uns dos outros e estas eleições correspondem a um novo ciclo legislativo. A maioria concluiu (ou está a concluir) o seu exercício legislativo no termo designado. Foram os partidos e não o governo que se apresentaram a novas eleições.

Com esta aldrabice de que a maioria "perdeu" é possível não só diminuir a vitória dos partidos que sustentaram o governo anterior mas permite-lhe também dissimular a sua própria derrota — e por uma cínica inversão de valores garantir que a "esquerda" (que não existe como força política) tenha "ganho". É uma absoluta falácia.

Mais do que impedir o absurdo que partidos não-coligados previamente possam governar trata-se de impedir que uma abjecta falácia intelectual possa vencer. Para mim é uma questão de princípio, muito antes de ser ou não um problema constitucional.
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De Pedro Correia a 13.10.2015 às 23:06

Quem ganha, com maioria absoluta ou não, deve governar. E só abdicará desse direito por vontade própria, esgotadas todas as hipótese nesse sentido.
Foi assim com Soares em 1976, foi assim com Guterres em 1995 e 1999, foi assim com Sócrates em 2009.
O PS, principal beneficiário desta prática constitucional portuguesa em quatro ocasiões, não pode agora subverter as regras do jogo já decorrida a segunda parte. Isso teria um nome muito feio. Isso seria fazer batota.
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De Joaquim a 14.10.2015 às 16:28

"Mais do que impedir o absurdo que partidos não-coligados previamente possam governar..."
Suponho que esta afirmação só vale em 2015, ou só se aplique à esquerda, porque em 2011 a coisa já funcionava certo?
Ou tivemos 4 anos de governo absurdo?
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De William Wallace a 13.10.2015 às 21:42

Tem então de se mudar a constituição ou governar contra ela ou mudar os juízes.

O que sair desta palhaçada não será muito pior do que o continuar do caminho que vinha sendo trilhado que se fazia em absoluto desrespeito pelas pessoas fossem novos, velhos, pobres ou assalariados, etc.

A direita (que de direita não tem nada) perdeu mais uma oportunidade de sanear Portugal e não se pode queixar de mais nada a não ser dela mesmo.
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De Pedro Correia a 13.10.2015 às 23:01

A democracia tem uma regra em Portugal: compete ao partido mais votado apresentar uma solução governativa. Ganhar na secretaria o que se perde em campo é inaceitável. Em política como no futebol.
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De William Wallace a 14.10.2015 às 03:31

Pois terá a sua razão o Pedro Correia e eu partilho da mesma, compete a quem ganha apresentar uma solução governativa e a mesma terá de ser aprovada ou rejeitada mas parece que já passamos essa fase e para muito contribuiu o PR ao propor de imediato Passos para fazer o trabalho que lhe competia ou pelo menos a encenação do mesmo.

Quem apunhalou um camarada de partido, pode fazer muito mais como se está a ver mas olhe Pedro Correia é a vida como dizia o outro que deixou o pantâno.

Mas eu (como muitos mais) estamos a adorar ver os lideres Paf a serem humilhados em toda a linha, parece que depois do significado de irrevogável ter mudado, agora quem perde ---- ganha, é mais uma novidade, lá diz o dito que um Homem até morrer está sempre a aprender.
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 10:05

Você e outros que "adoram" a situação actual devem gostar também de ver as taxas de juro a subir, o mercado de capitais a cair e os investidores a saltar do barco. Todos sabemos como acabam filmes de acção deste género. No fim nem sobra um tusto para comprar pipocas.
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De William Wallace a 14.10.2015 às 12:20

( Leve gargalhada )

O que o Pedro Correia omite (assim como muitos) é que este ano que passou foi um interregno na politica que irá ser seguida pois não existe alternativa, esconder isso ás pessoas em geral através de muito marketing foi o que PS e PAF fizeram.

Pessoalmente estou-me nas tintas para o Paf e o PS, mais até para o Paf porque teve a oportunidade de sanear o País e fazer politica (e politicas) de VERDADE mas preferiu humilhar os fracos e contentar-se com as migalhas dos "fortes".

Pensava que seria após esta vitória do PAF que finalmente se partiria a espinha ao PS mas eu (como muitos) enganaram-se.
Como Portugal está na mão de ladrões e bandalhos há 40 anos nada melhor (para já) que vê-los fazerem as figuras tristes que fazem.

" A Nação não se confunde com um partido, um partido não se identifica com um Estado. "

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De Pedro Correia a 16.10.2015 às 16:34

Hum. Já percebi quem é o seu 'maître-penseur' de cabeceira. Daí a alusão aos 40 anos de "ladroagem e bandalheira".
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De Costa a 13.10.2015 às 22:56

Avançam por aqui, imparáveis, as vozes da demagogia mais elementar e descarada. Na esteira de bem estabelecidas correntes de ar, gongoricamente cheias de si, aliás. Não resta senão acolhê-las e dar-lhes réplica respeitosa. Mandará admissivelmente a decência, que elas aliás inflamadamente reclamam, mas, podendo (e talvez venham a poder), expeditamente removeriam, que assim seja.

A máquina está a funcionar. À vante (avante?) e a todo o gás.

Costa
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De Pedro Correia a 13.10.2015 às 23:03

As coisas são o que são.
Quem perde as eleições deve ir para a oposição. Se o PS fizesse um acordo pós-eleitoral com dois partidos com que não se identifica e em relação aos quais nunca se aproximou durante a campanha isso configuraria uma fraude política.
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De José Manuel Faria a 13.10.2015 às 23:59

Quem é que disse que só daria posse a um governo de maioria? Cavaco Silva. Ironia do destino. Cavaco estava calado e, Passos Coelho era Primeiro - Ministro. Simples!
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 00:15

Mas existe alguma outra maioria funcional no Parlamento maior do que aquela que é formada pela soma dos deputados do PSD e do CDS, José Manuel?
Tanto quanto sei, a soma dos deputados do PS e do BE é inferior. E nem o solitário deputado do PAN serve para isso.
Os deputados do PCP mais o seu apêndice-melancia jamais se somarão aos do PS: os comunistas portugueses, meu caro, ainda hoje têm pesadelos com o abraço de urso que o Mitterrand deu em 1981 ao Partido Comunista Francês, oferecendo-lhes quatro pastas ministeriais no efémero e contestadíssimo governo Mauroy. Nunca mais o PCF voltou a ser o mesmo. Estava confirmada, a partir daí, a hegemonia dos socialistas à esquerda após décadas em que os comunistas duplicavam a votação da chamada esquerda moderada.

É uma falácia supor que o PCP e o seu braço sindical - a CGTP - abdicariam do terreno do protesto, único que lhes interessa.
Quem imaginar o contrário não conhece nem a natureza nem a vocação estratégica do PCP. Nós conhecemos, José Manuel. E sabemos muito bem que os votos comunistas não irão somar-se aos do PS.
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De Costa a 14.10.2015 às 09:43

Perfeitamente de acordo. Partidos com que o PS supostamente não se identifica e pelos quais foi metodicamente "mimoseado" durante a campanha eleitoral. Mas se dúvidas houvesse quanto à fluidez de princípios do Partido Socialista, os últimos dias afastaram-nas. A menos que não se queira ver.

Sucede que a (ir)responsabilidade e a fraude políticas, por cá, nada relevam. Cá estaremos para, uma vez mais, pagar as consequências.

Costa




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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 10:10

De um ciclo político que começa com a punhalada a um "camarada" pelas costas não seria de aguardar nada de bom.
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De Fernando S a 13.10.2015 às 23:49

A esquerda tem um problema com a moral.
As dividas não são para pagar.
A virtude não está na poupança e em viver dentro das suas possibilidades mas sim no consumo e na despesa.
A pratica constitucional que consiste em que o partido que ganha as eleições, mesmo que sem maioria absoluta, governa, e da qual a esquerda por diversas vezes beneficiou, é agora desdita para para permitir que quem perdeu as eleições chegue ao poder.
A esquerda tem um problema com a moral.
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 00:17

Não há esquerda: há esquerdas. Imaginar que a esquerda é unívoca é um equívoco. Porque as esquerdas não são somáveis.
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De Fernando S a 14.10.2015 às 00:30

Não digo que não ...
Então, se preferir, substitua sff "esquerda" por "esquerdas".
Um dos denominadores comuns (porque existem) entre as diferentes esquerdas é justamente um mesmo problema com a moral (mesmo que em graus e em modos diversos).
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 01:25

Percebo o seu ponto, embora eu prefira fazer a distinção entre forças radicais e extremistas, por um lado, e forças moderadas, por outro. Esse é o realinhamento a que estamos a assistir na Europa: a dicotomia esquerda/direita cada vez explica menos e pior a realidade que nos circunda.
Não por acaso, convém lembrar, um dos mais entusiásticos apoios internacionais recebidos pelo Syriza foi o da Frente Nacional francesa.
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De Orlando a 14.10.2015 às 02:58

Pedro, essa sua teoria de que a dicotomia esquerda/direita já não explica a realidade que nos circunda, é no mínimo surrealista para não lhe chamar outra coisa. Eu sei que essa é a velha teoria que a direita nos tenta impingir, mas desmentida pela própria realidade. Para corroborar essa sua teoria, socorreu-se de um exemplo que considero no mínimo caricato e demasiado simplista. A Frente Nacional Francesa congratulou-se com as posições do Syriza,( com o qual, diga-se de passagem, nem tenho afinidade politica), apenas pelo fato deste defender uma politica com maior independência e soberania face a Bruxelas. Como sabemos, independencia e soberania são dois valores básicos defendidos fanáticamente por qualquer movimento nacionalista. Só que a concepção de soberania e independencia destes movimentos de extrema direita assentam essencialmente num nacionalismo exacerbado, chauvinista e mesmo racista, que nada tem a ver com o conceitos de independencia e soberania defendidos pelas forças verdadeiramente de esquerda. Estas pretendem no essencial uma independência e soberania em face do capital e dos grandes interesses economicos internacionais, para salvaguardar os interesses dos países mais fracos como a Grécia e o nosso, perante as maiores potências, pugnando ao mesmo tempo pela existência de uma verdadeira solidariedade entre os povos respeitando as suas diferenças. Comparar o incomparável, misturar alhos com bugalhos, é uma técnica manhosa que só poderá enganar os incautos.
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 10:08

Já lhe respondi mais acima, Orlando.
O que tem de "simplista" mencionar-lhe um facto concreto, inquestionável, como a entusiástica declaração de apoio da Frente Nacional francesa ao Syriza?
E quer maior mistura de "alhos com bugalhos" do que o actual Governo grego?
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De Orlando a 14.10.2015 às 20:13

Pedro, também já lhe respondi no essencial a essa questão no meu comentário anterior. Às vezes as aparências iludem, o que faz com que meros acordos conjunturais pareçam aquilo que não são. Em certas circunstâncias podem surgir acordos meramente conjunturais entre forças diametralmente opostas, mas que no fundo mantém interesses e objetivos completamente diferentes. No caso específico da Grécia, e sem querer de modo algum arvorar-me em advogado de defesa do Syriza, com o qual aliás como já afirmei noutro comentário, não tenho afinidade politica, o que aconteceu foi apenas um acordo conjuntural pelo fato do Syriza precisar de outra força para ter apoio maioritário no parlamento. Chegaram a acordo, focando-se basicamente no objetivo comum de salvaguardar uma maior independência e soberania da Grécia, ainda que tenham concepções diferentes sobre essas duas realidades. Se reparar, as pastas ministeriais mais importantes que têm a ver com os campos económico e social, estão nas mãos do Syriza. Para os nacionalistas sobrou básicamente a pasta da defesa. Fica assim demonstrado de forma sintomática, quais as verdadeiras razões que levaram a esta coligação improvável.
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De Fernando S a 14.10.2015 às 10:34

Eu também distingo entre forças extremistas e forças moderadas.
A esquerda como à direita.
E sei que os extremos muitas vezes se tocam, e teem muito em comum.
E sei que os moderados de direita e de esquerda partilham, para além da moderação, muitos valores : democracia, economia de mercado, etc.
Mas a distinção entre a direita e a esquerda não desapareceu e continua a ter algum significado.
Os extremistas e os moderados podem estar ou mais à direita ou mais à esquerda.
Os moderados, que são aqueles que teem tido mais possibilidades de governar, dividem-se em dois campos, um à direita e outro à esquerda, o confronto e a competição politica principal faz-se entre estas duas áreas.
É o caso em Portugal, com o PSD e o CDS à direita e o PS à esquerda.
A direita moderada muito raramente faz alianças com a extrema direita. No caso português, esta praticamente não existe. Felizmente. Mas, noutros paises, nomeadamente nos europeus nordicos, algumas alianças pontuais e até de governo teem vindo a acontecer cada vez mais à medida que uma direita populista (que não é bem a extrema-direita tradicional) tem vindo a ganhar votos.
Já a esquerda moderada não tem tanto pejo em aliar-se com a extrema-esquerda quando isso lhe convém, para derrotar a direita e até para formar maiorias de governo. Ao contrario do que alguns teem dito nestes ultimos tempos, as alianças à esquerda, as "maiorias de esquerda", não são assim tão raras na Europa. Em particular, os partidos comunistas foram muitas vezes incluidos nestas maiorias para formar governos nacionais e administrações locais. Os casos mais conhecidos são os da Franca e da Italia. Mas há outros. Mesmo em Portugal, sabemos todos que a maior cidade e capital do pais é governada por uma "maioria de esquerda".
Nada disto acontece por acaso.
Existem efectivamente certas afinidades ideologicas entre uma parte da esquerda "socialista" e uma parte da extrema esquerda "comunista" que permite e facilita que umas e outras se juntem para confrontar a direita moderada e para conquistarem e partilharem o poder.
Quando isto acontece, podemos talvez interrogar-nos sobre o grau de "moderação" da esquerda ... moderada !...

Relativamente ao Syriza, é verdade o que diz do apoio da FN francesa.
Bom, mais do isso, o proprio Syriza até está aliado no governo com uma força da extrema-direita grega.
O que os aproxima é a hostilidade à UE e ao Euro e o anti-liberalismo radical que lhes é comum.
Mas não nos esqueçamos que todas as esquerdas radicais também apoiam o Syriza e que, no seio das forças moderadas, foram e teem sido as de esquerda aquelas que mais teem procurado satisfazer pelo menos uma parte das exigencias do Syriza. Na UE é claramente o caso do governo socialista frances.
E, no que diz respeito a Portugal, "the last but not the least", sabemos todos que o PS e Antonio Costa tiveram e teem tido posições fortemente ambiguas relativamente ao Syriza e ao seu discurso anti-austeridade.
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De Fernando S a 14.10.2015 às 11:52

Orlando : "Só que a concepção de soberania e independencia destes movimentos de extrema direita assentam essencialmente num nacionalismo exacerbado, chauvinista e mesmo racista, que nada tem a ver com o conceitos de independencia e soberania defendidos pelas forças verdadeiramente de esquerda."

Tirando a questão da imigração, não há grandes diferenças entre a extrema-direita e a extrema esquerda em matéria de "nacionalismo".
Em particular na economia : ambas são contra a abertura dos paises ao mundo, o comércio internacional, o investimento externo em paises com escassez de recursos e know-how, etc.
É o que uns e outros chamam "patriotismo economico".
São forças reaccionárias, que se opõem ao progresso economico que permite a melhoria das condições de vida das populações.
A "verdadeira esquerda" apenas se reclamava e se reclama do "internacionalismo" quando se trata de reduzir a independencia e a soberania de paises que estão ou podem vir a estar sob dominação comunista.
Quanto ao mais, é tão (ou mais) "nacional-socialista" quanto a extrema-direita mais radical.
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De Orlando a 15.10.2015 às 01:56

Fernando, não concordo minimamente com essa sua comparação. Sou de esquerda, conheço muito bem os valores da esquerda, que são completamente opostos aos movimentos de extrema direita, que como sabemos são nacionalistas exacerbados, chauvinistas, xenófobos, racistas, etc. Não respeitam por isso outros povos nem as diferenças culturais e outras. O nacionalismo e patriotismo que defendem é no sentido de se considerarem superiores aos outros, impondo a sua supremacia. Contrariamente, quando a esquerda fala em patriotismo, é apenas e somente para defender a nossa soberania, nomeadamente a nível económico perante os grandes interesses económicos intenacionais, ou por outras palavras, para não sermos subjugados pelas grandes potencias económicas. Quanto ao resto, a esquerda está sempre na linha da frente no combate à discriminação, seja ela racial, étnica, social, etc, promovendo a solidariedade entre os povos em termos de igualdade, rejeitando por inteiro a subjugação de uns povos por outros, ao contrário do que defendem e preconizam os movimentos nacionalistas de extrema direita. Não há comparação possivel. Seria o mesmo que comparar o dia e a noite! Há que ter algum cuidado com análises demasiado superficiais e simplistas que podem levar ao equívoco pessoas menos informadas sobre estas questões....a não ser que a intenção seja mesmo essa...equivocar.
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De Fernando S a 15.10.2015 às 15:20

Orlando,

Quanto a "análises demasiado superficiais e simplistas [com] a intenção [de] levar ao equívoco pessoas menos informadas ..." obviamente que é como diz : eu sou superficial e simplista e tenho a intenção de equivocar as pessoas menos informadas.
Já o Orlando, como qualquer outro aderente ou simpatizante da esquerda comunista, faz analises profundas e complexas com o unico e sincero objectivo de esclarecer e mostrar a luz às massas alienadas !...

Quanto a "nacionalistas exacerbados, chauvinistas, xenófobos, racistas, etc." não foi um dirigente da "direitista" CGTP que se referiu a um técnico da "troika estrangeira" como "o escurinho" ??!...
A esquerda, em particular a mais ortodoxa e extremista, nunca se privou da técnica intimidatoria do ataque a pessoas e populações com base na sua origem étnica ou social. A historia dos paises comunistas está repleta de casos de discriminação e perseguição deste tipo.
Para além da retorica "internacionalista", a desconfiança do estrangeiro e do que vem de fora sempre foi, e continua a ser, uma marca da esquerda comunista.

É verdade que a extrema direita se diferencia da extrema esquerda no que diz respeito à imigração e aos direitos das minorias estrangeiras.

Mas quanto ao resto, a extrema esquerda é tão "nacionalista" e hostil à abertura dos respectivos paises ao resto do mundo quanto a extrema direita.

Não é por acaso que estes dois extremos partilham a oposição à globalização, à liberdade de coméricio, ao investimento estrangeiro, às multinacionais, aos mercados unicos e às uniões monetárias (de adesão voluntária, naturalmente), à UE, ao Euro, ao FMI, etc.
Não é por acaso que o esquerdista Syriza se aliou a um partido de extrema-direita para governar.
Não é por acaso que os extremos europeus concordam no apoio a esta aliança vermelho-castanha que, no fim de contas, até é bastante logica !
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De Orlando a 15.10.2015 às 19:53

Fernando, eu argumentei, você argumentou e fica tudo como de início. Eu penso da forma que já explicitei e você da forma que o fez recorrendo a coisas pontuais que nada têm a ver com os valores coletivos da esquerda. Nem eu o convenço nem você a mim. Ficamos assim.
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De Fernando S a 15.10.2015 às 23:23

Orlando,
Como acrescenta que eu argumentei "recorrendo a coisas pontuais que nada têm a ver com os valores coletivos da esquerda" tenho de lhe responder recordando que a esquerda arvora sempre valores "colectivos" à primeira vista muito nobres
("liberdade", "democracia", "paz", "cosmopolitismo", "igualdade", "solidariedade", "povo", etc)
mas que não teem nada e ver com a prática e com os resultados da sua acção.
Nas inumeras "coisas pontuais" é que se vê o que é efectivamente a esquerda.
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De Orlando a 16.10.2015 às 01:42

Fernando, quando me referi a questões pontuais focadas por si, esqueci de acrescentar diversas distorções e interpretações erróneas da realidade feitas por si. O debate sobre esta temática tem pano para mangas.
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De Fernando S a 16.10.2015 às 11:24

Orlando,
Efectivamente, o debate tem pano para mangas.
Mas, normalmente, para a esquerda, o debate apenas interessa quando é ela a criticar os podres e as contradições da direita e do capitalismo.
A esquerda prefere estar sempre ao ataque e nunca quer justificar-se sobre aquilo que foi e é.
Denunciar o suposto racismo e chauvinismo dos "direitistas" está muito bem mas, quando se trata de declarações que na boca de uma pessoa de direita seriam imediatamente classificadas como racistas pela esquerda, já é uma "distorção" ou uma uma "interpretação erronea" da realidade.
Denunciar eventuais e pontuais possibilidades de alianças politicas entre a direita moderada e alguma força da extrema direita, nomeadamente para fazer face a frentes de esquerda onde a esquerda moderada se alia com as esquerdas comunistas e extremas, está bem mas, quando se trata de convergencias sistematicas e importantes das extremas esquerdas com as extremas direitas na defesa do "nacionalismo" economico contra a UE e no apoio a uma aliança de governo "vermelho-castanha", já é uma "distorção" ou uma uma "interpretação erronea" da realidade.
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De Fernando S a 16.10.2015 às 15:26

Uma frase acima ficou incompleta.
Aqui a seguir já completa :
"Denunciar o suposto racismo e chauvinismo dos "direitistas" está muito bem mas, quando se trata de declarações (que na boca de uma pessoa de direita seriam imediatamente classificadas como racistas pela esquerda) feitas por uma pessoa de esquerda, por sinal militante do PCP e Secretario Geral da CGTP, já é uma "distorção" ou uma uma "interpretação erronea" da realidade."
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De Susana a 14.10.2015 às 14:13

Como assim, nunca teriam sido eleitos? em 1983 os partidos da direita somavam 39,8% (105 deputados) da assembleia contra 54,18% (145 deputados) da esquerda. Em 1995, 43,17% (103 deputados) eram da direita e 52,33% (127 deputados) da esquerda, sendo que neste caso só o PS teve mais que o PSD e CDS juntos (43,76%).
Pode, por favor, explicar as suas contas?

Agradecida.
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De Pedro Correia a 14.10.2015 às 19:10

Você está a somar batatas com feijões. Soma o PS aos partidos que votaram contra a formação dos governos do PS!
Garanto-lhe que nunca ganhará o Nobel da Matemática. Mas candidata-se seriamente a vencer o Nobel da Demagogia.

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