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Ainda tão cedo para dizer adeus

por Pedro Correia, em 09.04.17

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 Carme Chacón (1971-2017)

 

Há menos de uma década era uma das mais promissoras políticas de Espanha. Ministra da Defesa, primeira mulher a assumir tais funções, a sua imagem a passar revista aos soldados já grávida de sete meses deu volta ao mundo.

Bonita, inteligente, talentosa, Carme Chacón quase ascendeu à liderança do PSOE no fim do mandato de Rodríguez Zapatero, quase ascendeu ao posto máximo dos socialistas catalães, a região de onde era natural, quase teve a maioria da esquerda moderada espanhola a seus pés.

Tempos irrepetíveis: do fulgor da fama à penumbra do esquecimento foi um curto passo, antes impensável. Bem demonstrativo de que como é ilusória e transitória a espuma da política.

Ex-ministra, ex-deputada, ex-personalidade promissora da política espanhola, Carme morreu hoje, na solidão do seu apartamento madrileno, com apenas 46 anos - "insuportavelmente jovem", na certeira definição do obituário do El Mundo. A sua última aparição pública ocorrera há precisamente duas semanas, presença discreta num comício de apoio à candidatura de Susana Díaz na campanha interna para a liderança do Partido Socialista. Há três candidatos em liça, ela ficou à margem. Irremediavelmente arredada dos holofotes.

Tanto prometia, tanto deixou por concretizar. Parte quando era ainda tão cedo para dizer adeus. E há neste momento espanhóis de diversos quadrantes a chorar a sua morte, atordoados com a brutal notícia. Tudo é tão fugaz e desconcertante nesta álgebra incerta a que chamamos vida.

 

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 Grávida de sete meses, passando revista às tropas enquanto ministra da Defesa (2008)

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16 comentários

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De Luís Menezes Leitão a 10.04.2017 às 08:04

Uma mulher de extraordinária personalidade e, para além disso, lindíssima. Mas passou fugazmente de mais pela vida política, vencida pela doença.
A este propósito, recordo-me de uma citação de um filme que fui ver ontem, o Médico de Província: "A Natureza é uma barbárie. Passamos a vida toda a lutar contra ela, mas no fim a barbárie vence-nos sempre".
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De Pedro Correia a 10.04.2017 às 08:14

É uma frase bem verdadeira, Luís.
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De Luís Lavoura a 10.04.2017 às 09:27

vencida pela doença

Qual doença? No artigo lincado não diz do que ela morreu.
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De Anónimo a 10.04.2017 às 13:04

"e, para além disso, lindíssima." Machismo. Para 50% (mulheres, etc.) da população isso não significa nada
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De Pedro Correia a 10.04.2017 às 15:19

Vê-se que não conhece as mulheres. Faz bem em manter-se no anonimato.
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De Anónimo a 10.04.2017 às 23:53

Linda mesma. E calorosa, inteligente, generosa
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De Anónimo a 11.04.2017 às 00:13

Não conheço as mulheres nem quero, sou homo. Neste local, é claro que faço bem em manter-me no anonimato. Fácil de prever.
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De sampy a 10.04.2017 às 10:09

Mais que ter morrido jovem, doi-me que tenha morrido sozinha.
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De Pedro Correia a 10.04.2017 às 10:23

Foi precisamente esse pormenor - "pormaior" - que me impulsionou a escrever estas linhas.
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De Luís Lavoura a 10.04.2017 às 11:16

Pelo menos tinha amigos ou familiares que, pelos vistos, contactavam com ela regularmente e puderam alertar rapidamente a polícia para a sua falta. A contrário de muitos idosos em Portugal, que não somente morrem sozinhos como também ninguém dá pela falta deles e os cadáveres só são descobertos muitos dias mais tarde.
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De JSP a 10.04.2017 às 13:50

Tocante artigo, vindo de quem vem, de Angel Exposito, no ABC de hoje.
www.abc.es
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De Joao Sousa a 10.04.2017 às 14:48

Estou muito triste pela morte de Sra. Carme Chacón. Era uma jóvem na idade. Deus lhe tenha a alma em paz.
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De e a 10.04.2017 às 17:24

Amén
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De Anónimo a 10.04.2017 às 17:13

Realmente tão jovem, mas é estranho, e o filho(a)? Já nem falo no pai da criança:(((

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