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Agora é a minha vez

por Sérgio de Almeida Correia, em 21.02.17

 

centeno.jpg

 (foto economia online)

Afastado como estou das confusões da política à portuguesa, tenho-me limitado a acompanhar à distância o que por Portugal vai acontecendo, fazendo fé nos relatos que me vão chegando, no que me é oferecido pela RTPI e, em especial, pela imprensa. E sobre o que tenho ouvido, visto e lido bem posso dizer que não estou nada satisfeito porque os anos passam e quase tudo continua na mesma. Em particular no que diz respeito ao comportamento dos partidos e dos agentes políticos.

Mas antes disso, convém dizer que resolvi fazer uma visita até aqui para vos dizer o que penso do "affaire" CGD/Centeno. A novela já vai longa e é tempo de se colocar um ponto final na bagunçada. Chafurdar na lama normalmente não acrescenta limpeza aos intervenientes, nem claridade ao que que lá se busca.

Não haverá português que ao ouvir falar da CGD, para todos os efeitos o maior banco nacional e uma entidade que faz parte de um grupo empresarial em que o Estado tem um papel determinante, que não pense logo no que há décadas vem acontecendo com aquela casa em matéria de distribuição de lugares a correligionários políticos e empresariais, contribuição para algumas reformas chorudas e atribuição de créditos para negócios mais do que duvidosos que depois acabam sendo pagos por todos os portugueses e enrodilhados nos meandros das investigações do Ministério Público. Gente ligada ao CDS/PP, ao PSD e ao PS, pelo menos estes, que me lembre, tem passado pela CGD como se o banco fosse uma sucursal dos próprios partidos onde é necessário colocar capatazes, amigalhaços e compadres para agradecer os respectivos favores políticos e garantir financiamentos a afilhados que de um momento para o outro resolvem ser "empresários". À nossa custa.

O que recentemente aconteceu com o ministro das Finanças e António Domingues nunca deveria ter acontecido, e não é pelo facto do Primeiro-Ministro se chamar António Costa ou o PS ser governo que existe atenuante para o que aconteceu. O caso é revelador de uma inépcia política inqualificável por parte do ministro das Finanças, só justificável pela sua própria inexperiência e voluntarismo. Mário Centeno quis resolver um problema, dar uma gestão mais profissional à CGD, só que fê-lo da forma mais desastrada possível de que há memória.

Dou de barato que o ministro não é um político de carreira, que a sua experiência político-partidária era igual a zero, e que apenas estava preocupado com a situação do banco e a obtenção de uma solução que servisse os interesses da instituição e dos portugueses. Quanto ao escolhido, o banqueiro Domingues, como é normal quando se convida qualquer pessoa para mudar de um emprego para outro, procurou obter as melhores condições remuneratórias possíveis, mantendo o sigilo que lhe parecia conveniente e assegurando uma equipa da sua confiança. Até aqui tudo normal. O que aparentemente se tratava de uma situação corriqueira complica-se, daquilo que me foi dado perceber, quando Domingues resolve fazer exigências que à partida deveria ter tido o bom senso de nem sequer pensar nelas. Domingues saía de um pequeno banco para uma entidade de muito maior dimensão, pelo que presumo que curricularmente, mesmo para um banqueiro, não seja coisa despicienda. Quando se passa de um estaminé de bairro para um empório peninsular as responsabilidades aumentam e a projecção é outra. Isto também tem um valor. Em todo o caso, não me parece que as condições remuneratórias oferecidas pelo banco público fossem más, nem pareceu que fosse essa a razão da disputa.

Onde parece que as coisas se desalinham é quando o banqueiro pretende obter para si um regime de excepção, claramente à margem do legalmente aplicável, e o ministro, vou admiti-lo em função do que veio a público e do que referiu Lobo Xavier, resolve dar-lhe trela em vez de liminarmente cortar a direito e dizer ao senhor Domingues que tivesse juízo, directamente ou através de um dos seus secretários de Estado. Não o fez quando o devia ter feito e foi por essa razão que chegámos ao ponto onde estamos. Domingues esteve muito mal quando se lembrou de propor ao ministro a desobrigação da entrega das declarações de património como uma das condições para aceitar o desafio de liderar a gestão da CGD e convidar os restantes membros dos órgãos sociais. Domingues sabia quais eram as condições vigentes para liderar o banco público e devia ter tido a vergonha, já que do ponto vista cívico não deixa de ser uma vergonha, mais a mais vinda de quem está na sua posição, de alguém que faz parte de uma elite nacional, de não propor isso ao ministro. Como se sabe, a educação, o dinheiro e a excelência do desempenho profissional nem sempre dão bom senso e qualquer um de nós está sujeito a ter um momento menos feliz. Ele teve ali o seu.

Posto isto, o que veio a seguir já é do domínio da chicana política, em que são useiros e vezeiros alguns dos nossos maiorais partidários. Aquilo que sucedeu não serve para desqualificar tecnicamente Mário Centeno, cujos resultados são incontornáveis (não obstante o crescimento da dívida, mas este é mal que quem o precedeu também não conseguiu controlar em tempos de austeridade), mereceram aplauso em Bruxelas, declarações encomiásticas dos comissários Moscovici e Carlos Moedas, pelo menos destes, e o silêncio de Wolfgang Schäuble, o tal que dizia que Portugal estava no bom caminho até entrar o actual governo e que até agora, perante o défice mais baixo da história da democracia portuguesa e os números que foram conhecidos, mantém um envergonhado e comprometido recato.

O Primeiro-Ministro protegeu o seu ministro, como faria qualquer outro no seu lugar, e isso não lhe pode ser censurado. Não é a mesma coisa, convenhamos, que proteger quem tem licenciaturas de favor, usou a política para se promover e enriquecer ou andar a promover vistos gold. Nem é a mesma coisa que andar de braço dado com os Duartes Limas, os Loureiros e a maltosa do BPN e da SLN para depois só andar preocupado com as mentiras de um tipo como o Sócrates, a ponto de ter necessidade de lhe dedicar uma sebenta.

O Presidente da República fez o que lhe competia. Ficou zangado. Eu também ficaria, mas como o próprio sabe, no lugar em que está, por vezes, também tem de dar alguns mergulhos e engolir alguns sapos. Nessa matéria também não é nenhuma virgem e ele sabe como se há-de proteger.

Mal, muito mal, estiveram os partidos da oposição. E sobre o que Passos Coelho, Assunção Cristas e a sua malta andaram a dizer, e a sua preocupação em divulgarem os sms trocados entre Centeno e Domingues, gostaria de dizer uma coisa. Eu, como todos os portugueses, temos todo o interesse em conhecer o conteúdo dessas comunicações. Considero-as de interesse público e penso que são relevantes por razões de transparência e higiene da nossa democracia. 

Convirá, porém, dizer que considero perfeitamente aceitável a posição do PS e dos partidos que apoiam o Governo, tendo presente o passado próximo e aquilo de que a Oposição já se esqueceu. Não foi assim há tanto tempo como isso que Passos Coelho, quando confrontado com os pagamentos da Tecnoforma e a trapalhada das suas deslocações e das despesas de representação veio dizer, também perante factos de relevante interesse público, que não estava disposto a autorizar o "striptease" das suas contas bancárias, querendo à viva força que se confiasse na palavra de quem já fora apanhado em diversas "inverdades" e mentira descaradamente aos portugueses quando andou a convencê-los para lhe darem o seu voto. Foi a própria Assunção Esteves, ao tempo presidente da Assembleia da República, quem protegeu Passos Coelho e impediu o acesso do PCP aos documentos que clarificariam a situação do então primeiro-ministro, a qual até hoje, pelo menos para mim, continua por clarificar e envolta em muitas dúvidas. É bom recordá-lo.

E também que o PSD e o CDS/PP enquanto foram poder inviabilizaram todos os inquéritos em que a sua gente esteve envolvida. O caso mais escandaloso foi aquele que dizia respeito à ex-ministra das Finanças. Agora fazem-se de virgens ofendidas, esquecendo que em Julho de 2013, a audição que tinha sido requerida com carácter de urgência pelo Bloco de Esquerda (BE) fora por eles chumbada. Em causa estava, recordo, a acusação de que Maria Luís Albuquerque faltara à verdade e eram públicas informações de que recebera informação por escrito, designadamente do Director-Geral do Tesouro e Finanças, sobre a situação das perdas potenciais dos swaps. Em 25 de Julho de 2013, o Público referiu que "os emails enviados pelo ex-director-geral do Tesouro e Finanças, Pedro Felício, à agora ministra das Finanças em Junho e Julho de 2011 já continham informação sobre swaps e indicavam uma perda potencial de 1,5 mil milhões", acrescentando-se que "a troca de emails diz respeito aos dias 29 de Junho, 18 de Julho, 26 de Julho e 1 de Agosto". Até hoje estou para ler esses emails e para saber se Maria Luís Albuquerque mentiu, como acredito que aconteceu, ou se fez o que devia.

Que agora não seja possível ter acesso aos sms e às respostas que terão sido dadas por Mário Centeno a Domingues é mau para as nossas instituições e para a nossa vida democrática. Não concluo que tudo do que foi dito e veio a público seja verdade, pelo que importa por isso mesmo lembrar que aqueles que vêm agora armar um escarcéu por causa dos sms trocados entre Centeno e Domingues – sendo certo que não é o facto de um tipo escrever a um ministro a dizer o que quer que permite retirar qualquer assentimento do destinatário quanto às exigências que fez se nada for dito nesse sentido –, são os mesmos que no passado protegeram Dias Loureiro no Conselho de Estado e Miguel Relvas no Governo, e que inviabilizaram o esclarecimento das situações envolvendo Passos Coelho e a Tecnoforma e Maria Luís Albuquerque e os swaps.

É uma chatice ter de vir falar nisto nesta altura, só que perante tudo o que se tem escrito sobre este assunto e o circo que se montou, talvez seja altura de dizer que se o PSD e o CDS/PP tivessem tido então uma atitude decente, talvez agora estivéssemos todos, a começar pela Oposição, em posição de exigir, com outra autoridade, o conhecimento público das comunicações trocadas entre Mário Centeno e António Domingues.

Para mal dos nossos pecados, não têm agora de que se queixar. É pena, mas depois do que fizeram também não merecem outra coisa.

Quanto ao futuro, presente o sucedido, o que sugiro é que os partidos se entendam em sede parlamentar e acautelem a forma como deverão amanhã proceder perante situações idênticas. Não é só no futebol, em relação aos árbitros e aos artistas da bola, que devemos ser lestos a exigir responsabilidade, respeito e fair play. Temos obrigação de também os exigir na política e aos partidos. Isto se não quisermos que as futuras gerações tenham vergonha de nós. E se tivermos vontade de nos corrigirmos, evidentemente.

De outro modo, pode ficar tudo na mesma. Como sempre. Como até aqui. Entregue à gandulagem que medra encostada aos partidos e à democracia. Ninguém estranhará. Talvez um dia.

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39 comentários

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De Einzeturzende Neubaten a 21.02.2017 às 08:13

Exactamente o que penso. Obrigado pelo primeiro sorriso da manhã. Cumprimentos. Já agora falta também esclarecer a aquisição / venda das acções do BPN por Cavaco Silva e a questão do IMI, da casa da Coelheira...do Algarve.
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De hclc a 21.02.2017 às 08:46

LOL.
João negoceia com Sorrisofeio (empregado de Balão e Selfie).
Sorrisofeio aceita condições de João (Ganda sacana o João ao atrever-se a propor condições).
(Balão e Selfie nunca souberam nada, são bons e inocentes)

A culpa disto tudo é do João, da Jacinta e daquele que não podemos dizer o nome.

WOW
A desonestidade intelectual deste post é verdadeiramente esmagadora.


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De Sérgio de Almeida Correia a 21.02.2017 às 09:50

Um bom sapateiro e um oftalmologista resolvem-se esses problemas. E uns sais de frutos também. Num instante livra-se do incómodo do sapato, da miopia e da azia.
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De Marco Antunes a 21.02.2017 às 10:48

O espectro eletromagnético visivel, tal como o politico, tem mais cores que o laranja e o azul cueca.
Os problemas de visualização do primeiro resolvem-se no oftalmologista, já com o segundo é necessário honestidade aliada a inteligência q.b.
Afinal é só querer, e conseguir ver.
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De Jorg a 21.02.2017 às 13:57

Excelente malha!
Mas este "spin" - coitados, até a Tecnoforma, Assunção Esteves e Maria Luís metem ao barulho, quando a sucessão das presentes rábulas é repleta de xuxas geringonços a tropeçar nos próprios atacadores e a espetar as trombas no chão.... :-)) - ignora a causalidade deste aperto na indução de desinteria de positivos "spin-offs" do (des)governo xuxa- por exemplo, na semana passada, os gerigonços multiplicaram-se em diarreisa de *boas novas* - o défice "desce" para 2.1%, o "crechimento" afinal é 1.4, vamos ter novo aeroporto nos suburbios de Lx, já pagamos divida ao FMI, e até aquele ministro Cabrita disfarça a sua reiterada postura de "verbo d'encher"e destrezas de sacar microfones em plenário, abrindo a boca para apregoar "regionalização, regionalização"...
Por mim, é continuar a apertar com a tralha geringonça, que ainda vamos ter nos próximos dias, o anuncio que o Estado, estupidificantemente gerido pelo Xuxa Costa e pelo Cemtino y sus muchachos, afinal 'tá com "superavits" e que a Tesla vai já a seguir mudar a sede de Palo Alto para as "promenades" da Trafaria....


Outra "narrativa", assim mais para o "coltoral", descobre inspiração e referência literária para a concisão d' "os erros de percepção mutua" na literatura do fim do Século XVIII, nomeadamente em Bocaje que, porventura em reflexão bucólica em passeio pelas Arcádias de sadinos laranjais d'antanho poetizou "o traque que aquela senhora deu, não foi ela, fui eu".
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De Anónimo a 21.02.2017 às 17:35

Por muitos spin's que indique já se notou que segue "Tecnoforma, Assunção Esteves e Maria Luís" como exemplos de honestidade e sinceridade.

Só assim se explica o que escreveu.
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De Luís Lavoura a 21.02.2017 às 10:08

Domingues esteve muito mal quando se lembrou de propor ao ministro a desobrigação da entrega das declarações de património

Discordo. Domingues aceitou entregar essas declarações, desde que tivesse a garantia de que elas não eram tornadas públicas. Eu teria feito o mesmo. Qualquer indivíduo tem o direito de manter o seu património e rendimentos sob segredo, pelo menos cá em Portugal (na Noruega as coisas são diferentes). Lá por uma pessoa ser gestora de uma empresa pública, não deve ter que oferecer os seus rendimentos e património ao olhar invejoso da escumalha.

Domingues atuou muito bem nesse sentido. Infelizmente, o ministro não lhe pôde oferecer o que ele pedira.
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De Sérgio de Almeida Correia a 21.02.2017 às 11:25

E essa era proposta que se fizesse? Melhor seria dizer logo que não aceitava.
Ele conhecia as regras, é banqueiro. E o ministro nem sequer tinha que discutir esse assunto. Muito menos oferecer-lhe ou prometer-lhe alguma coisa nesse sentido. Estiveram os dois muito mal.
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De Luís Lavoura a 21.02.2017 às 11:34

E essa era proposta que se fizesse?

Claro que é. O ministro convidou-o para um lugar. Ele respondeu, "eu aceito, se a lei fôr mudada neste e naquele sentido". O ministro ou aceitava (e conseguia) mudar a lei, ou não aceitava.

Se você é convidado para certa posição, tem o direito de impôr condições. Quem o convidou ou aceita as suas condições, ou não as aceita. É simples.

No caso de Domingues, ao que parece, ele colocou a condição de não ter que declarar os seus rendimentos e património. Ou, pelo menos, de os declarar mas eles permanecerem ocultos da opinião pública. É uma condição perfeitissimamente legítima, e que eu concordo totalmente que ele tenha colocado. O ministro não pôde aceitar essa condição, azar.
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De Vento a 21.02.2017 às 16:05

Pois é, Luís, mas, ao que me é dado ler e observar, todo mundo fala e escreve sobre os sms (como se todos já conhecessem seu conteúdo. De onde surgiu a informação sobre a existência dos ditos?) e ninguém fala e escreve sobre os rendimentos ou declaração de rendimentos de Domingues. Eu também entendo útil, a par da divulgação dos sms, a divulgação dos rendimentos e da declaração. Afinal Domingues, ainda que de forma breve, foi gestor da CGD.

Se tiver informação sobre este facto, agradeço-lhe que me elucide. Pois se a questão actual se coloca por via da dita declaração, também é normal que se saibam os dados da mesma a par dos sms. Quero saber porquê hipoteticamente evitar-se a declaração ou o tornar público tal declaração, pois a lei assim o define. E define para todos. Obriga a todos, também a Centeno e a Domingues.

Na minha imodesta opinião, pedir uma CPI para os sms sem incluir os dados e os rendimentos da declaração demonstrará que o sentido da mesma é outro e não interessa em absoluto à nação. Presumo que aqui, na CPI, se deva aplicar a regra da causalidade.
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De Sérgio de Almeida Correia a 22.02.2017 às 02:39

Eu nunca a faria. Além de que pessoalmente a considero desonesta num Estado de direito democrático. Cada um é como é.
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De João Fernando Rodrigues a 21.02.2017 às 16:49

Que eu saiba o Sr. Domingues não foi bater a porta do Sr. Centeno a pedir emprego, parece-me ter sido ao contrario. Logo também me parece normal se me procuram para assumir uma posição dentro das minhas competências profissionais eu coloque as condições que entender me servirem, e quem me procura ou as aceita ou então procura outra pessoa que lhe possa resolver o problema. Neste caso á luz daquilo que se sabe, não só o Sr. Centeno, mais o Sr. Costa aceitaram essas condições como até indicaram aos advogados do Sr. Domingues que indicassem as alterações a lei necessárias para tornar possível a aceitação, com a fatura de tal estudo a ser pago por todos nós. E acho que nem vale a pena falar da maneira como essas alterações legislativas foram promulgadas e publicadas em DR.
Outra coisa engraçada nesta cronica é começar por um assunto e terminar noutro ao melhor nível de qualquer ação de propaganda em que como não dá para desculpar o indesculpável, se fala do que o vizinho fez de mal para justificar as nossas ações.
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De Einstürzende Neubauten a 21.02.2017 às 20:29

Sr, para aqui sr. para ali. João rodrigues, um dr?
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De Sérgio de Almeida Correia a 22.02.2017 às 02:41

É melhor ler outra vez. Se foram essas as conclusão que extraiu, lamento, mas não percebeu nada do que leu.
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De Makiavel a 22.02.2017 às 00:04

Acho que está equivocado.
A bronca só estoirou porque "descobriram" uma lei de 83 que tinha precedência sobre a aprovada recentemente.
Normalíssimo que António Domingues exigisse que o seu património não fosse parar ao correio da manha e afins.
Quanto à divulgação dos SMS's, bem sei que Portugal esteve 4 anos em sucessivas tentativas de aprovar decisões ilegais, mas exigir a divulgação de comunicação privada sem que os intervenientes estejam a ser alvo de um qualquer processo crime, é uma violação básica da lei.
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De Luís Lavoura a 22.02.2017 às 09:16

Normalíssimo que António Domingues exigisse que o seu património não fosse parar ao correio da manha e afins.

100% de acordo. Aliás, nem entendo como é que há gestores que aceitem tais condições. E é ttalmente inaceitável que o Estado imponha tais condições.

exigir a divulgação de comunicação privada sem que os intervenientes estejam a ser alvo de um qualquer processo crime, é uma violação básica da lei

100% de acordo.
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De Vento a 22.02.2017 às 11:49

Isso que afirma diz que a CPI transforma-se numa farsa. E esta questão só vem a público para que se tente marcar uma agenda política sem nexo.

Interessante é o facto dos sms trocados serem notícia, e pretender-se que sejam alvo de uma CPI, e não ser notícia os rendimentos de Domingues e também não serem alvo dessa CPI.

Se se deve preservar os rendimentos dos olhares dos mirones também se deve fazer o mesmo aos sms. Correcto?

Mas a existir CPI eu gostaria de ver os dois temas tratados. Porque esses temas, por estarem no âmbito da coisa pública e envolverem questões públicas, e se relacionarem, deixam de ser privados.
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De Luís Lavoura a 22.02.2017 às 16:20

Se se deve preservar os rendimentos dos olhares dos mirones também se deve fazer o mesmo aos sms. Correcto?

Corretíssimo. Aliás, os SMS que o primeiro-ministro troca com os ministros não são divulgados. Tal como os SMS que os diretores-gerais trocam entre si e com os seus subordinados, e os SMS que os deputados trocam entre si, etc etc etc. Só agora é que deu à direita esta estúpida e inaceitável ideia que SMS que não envolvem qualquer atividade criminosa possam ser investigados.
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De João Mateus a 21.02.2017 às 16:52

Este caso está cheio de equívocos a começar por Domingues e sus muchachos terem "olvidado" a lei 4/83 e terem ficado convencidos de que bastava retirá-los do estatuto do gestor público (aliás quando denunciou o caso até Marques Mendes disso estava convencido!).
Agora quanto à entrega das declarações (de Domingues e não só) desde que não fossem tornadas públicas. Porque havia de ter Domingues algo que não cabe aos outros (lá está...como nos ordenados a mania das grandezas.

PS: Só mais uma "notinha" de rodapé, porque não teve Domingues o mesmo procedimento em relação à divulgação dos SMSs que pelos vistos ainda só não leu quem não quis?
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De Jorg a 22.02.2017 às 13:42

Quem se deveria lembrar, e entender, a lei 4/83 são os governantes.

E terem dito não a banqueiro, coisa que, por exemplo, fez Passos Coelho a Ricardo Salgado, pelo que não deveria ser díficil de fazer.

Pelos vistos, até que o xuxa Costa, o pobre Cemtino e o tareco Felix sabiam da sua existência, mas não fosse o Marcelo 'tar a ser chato, eles até faziam como o actual presidente da Assembleia da Republica em relação ao Segredo de Justiça - borrifavam-se (note-se o eufemismo) para tal. A julgar pelos 'timings' até tentaram ver se 'safavam' com a publicação em Agosto, com as maltas a banhos. Correu mal, não apenas porque toparam a cena - principalmente correu mal porque os geringonços, como a seu tempo os Socretinos, acham que "accountability" é para os outros....
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De Paulo Alexandre a 21.02.2017 às 10:53

Bom dia,

No meio desta novela "mexicana" das SMS, pela primeira vez leio alguém com bom senso e mostrando a sensatez necessária para falar sobre o "não assunto", pois no meio disto tudo o PSD e o CDS estão mais preocupados com as tais SMS do que propriamente o défice mais baixo de Portugal dos últimos tempos. Sinais de que as SMS são bem mais importantes que o défice, bem sempre é uma maneira alternativa de efectuar oposição.



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De Costa a 21.02.2017 às 14:52

O défice mais baixo (afinal o défice é importante e sem se questionar os valores impostos pela malvada Merkel, os mercados e seus lacaios; e eu a pensar que só a "direita" pensava assim...), à custa das receitas extraordinárias de um plano especial de submissão ao fisco - besta tão mais insaciável quanto mais à esquerda estiver quem nele mande (veja-se a "novidade" de ontem, a respeito da neutralidade do imposto sobre os combustíveis) - e da negação militante das promessas eleitorais em matéria de consumo e investimento.

Quanto ao mais, voltamos ao mesmo: a pulhice de uns justifica a pulhice de outros, tornando-os com pleno mérito seres acima da lei. A todos, em tal caso, como manda a mais elementar equidade (que nos sai cara, mas assim se impõe). E assim sendo, a coisa não tem fim, o nó não se desfaz. E ai de quem ousar invocar a lei. Ou - antes e depois dela, e independentemente dela - a mais elementar decência.

Mas desde que, por turnos, as clientelas de uns e outros andem satisfeitas e se aceite o dogma da superioridade moral da esquerda (coisa elevada a dogma há mais de quarenta anos e que já se suporta sem pestanejar, desde que a vida se faça sem que nos chateiem muito), parece que está tudo muito bem.

Seja, então.

Costa
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De Anónimo a 21.02.2017 às 11:32

"Quanto ao futuro, presente o sucedido, o que sugiro é que os partidos se entendam em sede parlamentar e acautelem a forma como deverão amanhã proceder perante situações idênticas."
Não precisa de sugerir: eles, os partidos, entendem-se sempre.
Mas nunca a favor da transparência.
Sempre contra ela, como o post confirma.
No dia em que tudo fosse transparente, os partidos, tais quais os entendemos, deixariam de existir.
Perdão: teriam deixado de existir, porque, enquanto existirem, a transparência será sempre uma miragem.
O ludíbrio é condição sine qua non à sobrevivência dos partidos!
Porque, sem o segredinho, a corrupção tem vida difícil.
E sem benesses, desde a cunha aos milhões, não há quem cole cartazes.
Simples!...
São assim os partidos.
Tais quais os entendemos, rerrepito (ortografia criativa).

João de Brito
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De Catarina a 21.02.2017 às 11:47

Bom dia.
Concordo com as linhas gerais: CGD está envolta numa grande trapalhada, Domingues não esteve brilhante, Centeno não é (claramente) politico, PSD/CDS também já fizeram das suas.
Agora, a conclusão que daí tira é que portanto PSD/CDS não podem exigir nada ao governo? Não têm de que se queixar? A sério? Então estamos bem tramados, mais vale fechar já o país e o último que apague a luz.
Se a oposição não se queixar, não fizer o que lhe compete, então é impossível que um dia algum politico decente (oximoro?) se digne a quebrar o ciclo. Sei que pode ser vã esperança, mas se até o povo entra na lógica "não tem autoridade para pedir porque fez igual ou pior", então aí é que a esperança é nula. Acho esse argumento um perigo em democracia. E continuo à espera de que alguma decência possa aparecer na vida política de Portugal - ficaríamos todos a ganhar.
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De Sérgio de Almeida Correia a 22.02.2017 às 02:32

Compreendo o seu ponto de vista.
Eu também gostava que houvesse uma oposição que fizesse o que lhe compete, mas não por mero oportunismo e tacticismo político, e de uma forma coerente. Quem nos dera ter uma oposição com autoridade política e moral para fazer oposição digna desse nome. Quanto mais capaz e exigente for uma oposição, mais competente terá de ser a resposta de quem governa. Como estamos é que não vamos lá.
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De am a 21.02.2017 às 12:53

A pergunta lógica (acho) a fazer à Geringonça:

Se a CGD fosse um banco privado o seu conceito de ética seria o mesmo? *

Parece que já se esqueceram da metralhadora-falante Mortágua a metralhar (bem) o Salgado ( BES) e a calar-se sobre Banif....

* Sei que o privado rege-se por moldes diferentes, mas a honra e honestidade é igual para todos.
.....
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De Jorg a 21.02.2017 às 15:53

"Se a CGD fosse um banco privado o seu conceito de ética seria o mesmo?"

Não se podem fazer perguntas destas neste Tempo Novo do Xuxa Costa y sus geringonços - isto é participar no achincalhar da CGD para mais tarde a poder privatizar, como recorda o empáfio César, aka. versátil empregador da própria familia na "causa Pública" :-)))
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De Anónimo a 21.02.2017 às 17:31

É o mesmo que fazer pergunta similar relativamente ao publico aos laranjas e aos azuis beatos.
Mas há quem não consiga ver.
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De AB a 21.02.2017 às 20:53

Ora bolas, mas assim com essa teoria de que todos fazem o mesmo nunca mais saímos disto. Algum dia terá de haver transparência, e ontem já era tarde.
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De Sérgio de Almeida Correia a 22.02.2017 às 02:35

Concordo. Mas se bem reparar não aplaudo o que aconteceu, bem pelo contrário. O que entendo é que quem o exige hoje não tem autoridade moral nem política para o fazer.
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De José Neto a 21.02.2017 às 22:34

Um postal lúcido e corajoso.
Parabéns.
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De s o s a 22.02.2017 às 00:50

Excelente, embora longo (extenso ).

Referencias como a Sebenta (da feira, digo eu ) e a proteçao do loureiro no conselho de estado, sao tiro certeiro.

Foi o melhor que li sobre o assunto. Se bem lembro do que agora li, O domingues é que fez exigencias ao ministro. Sim, e o que se consta é que o ministro concordou ou foi adiando.

Admitemos que a vitima é o Domingues, pois que recorra aos tribunais, ou seja, a CGD e os portugueses nao resultam lesados, se o ministro traiu o domingues.

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