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Afinal, o que se passa com o Metro?

por Teresa Ribeiro, em 01.06.17

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Sempre que passo nas escadarias rolantes da estação Baixa-Chiado e sou barrada a meio do percurso por baias a anunciar trabalhos de manutenção, lembro-me do suplício que era trepar aqueles degraus, às vezes em dias de pressa, quase diariamente. Durante dois anos, entre 1999 e 2001, foi essa a minha pena, só porque tive a desdita de trabalhar ali perto. Passados mais de 15 anos é extraordinário como a situação se mantém. 

O Metro sempre foi isto. Uma relação desigual e displicente com os utentes. Mas agora temos também as avarias nas linhas. Todos os dias! Intriga-me. Durante décadas uma avaria era uma situação de excepção, nos tempos que correm tornou-se rotina. Ainda esta semana houve em dias seguidos avaria na linha amarela "devido a problemas na sinalização". Se é o que imagino, pode ser grave. Começo a perguntar-me se é seguro andar de metro. E a pensar que já era tempo de exigir à empresa explicações públicas sobre a razão de ser de tanta anomalia. 

Na "cadeia alimentar" deste país os consumidores sempre estiveram ao nível mais rasteiro, mas já era tempo de mudar esta cultura, tão cómoda para as autoridades, tão conveniente para as empresas.

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16 comentários

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De Luís Lavoura a 01.06.2017 às 16:08

os consumidores

O problema é que a Teresa não é uma consunidora do metropolitano, mas apenas uma utente do metropolitano.

A diferença é a seguinte: o consumidor paga o serviço na totalidade, o utente apenas paga uma pequena parte. Como não paga, também não tem o direito de pedir muito.

O problema é que a Teresa apenas paga uma pequena parte do custo real de uma viagem de metropolitano. Como tal, não tem o direito de pedir um serviço de qualidade. Serve-se daquilo que lhe é dado, e é se quer!
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De Einstürzende Neubauten a 01.06.2017 às 17:54

Bom pelo seu raciocínio quando alguém morrer num hospital publico não se queixem, os familiares, pois não paga os serviços que lhe foram prestados. É utente. Se o dinheiro do contribuinte é la posto, deve haver como contrapartida, que o serviço seja efetuado de acordo com as boas práticas do sector. De contrário é fraude!

Raio de raciocínio...
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De Teresa Ribeiro a 01.06.2017 às 21:11

Usei o termo "consumidor" em lato sensu, Lavoura. Eu pago um serviço que é suposto funcionar em segurança e em condições. E o nível de serviço de há tempos para cá é miserável.
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De Luís Lavoura a 02.06.2017 às 10:41

Eu pago um serviço

O problema, repito, é que a Teresa só paga para aí metade, ou menos, do custo real do serviço.

o nível de serviço de há tempos para cá é miserável

Não exagere. Miserável era o serviço de metropolitano há 40 anos. Hoje em dia ele é muito razoável. As carruagens estão pouco cheias. Sabe-se antecipadamente quanto tempo o próximo comboio demorará a chegar. Há ar condicionado nas carruagens. É uma beleza. A Teresa havia de ver como era o serviço em 1970.

E o ponto, como eu digo, é que o nível do serviço ainda é muito melhor do que o nível do pagamento.
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De JgMenos a 02.06.2017 às 10:08

Essa é das idiotices mais bem estruturadas na defesa de empresas públicas.
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De Luís Lavoura a 02.06.2017 às 10:37

É que há dois tipos de empresas públicas, aquelas que fornecem bens que os consumidores pagam na íntegra (por exemplo, as empresas de fornecimento de água), e aquelas que fornecem bens que os consumidores não pagam, ou só muito parcialmente pagam. Eu certamente tenho o direito de exigir qualidade das primeiras. Já das outras...
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De Costa a 02.06.2017 às 11:41

Das outras tem o direito (claro que se a sua gestão for directa ou indirectamente socialista, nada há para si a exigir-lhes; há sim que lhes cantar fervorosos hinos) de lhes exigir o cumprimento, com padrões de verdadeira qualidade, do serviço público para que foram criadas e que justifica afinal a sua condição de "públicas" (de outra forma seriam naturalmente privadas, guiando-se - de acordo com a liturgia vigente - por esse horrível objectivo de gerar lucro, certo?).

Cumprir o serviço público com qualidade, gerando - a ter que ser assim - perdas perfeitamente justificáveis à luz desse serviço e de uma gestão responsável, prudente, realista, onde cada cêntimo está escrupulosamente aplicado e explicado. E sem planos de expansão ao sabor da mentira ou do delírio de que se lembre o irresponsável político de turno, no poder ou na oposição.

Costa
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De A. Vieira a 02.06.2017 às 17:18

O Sr Luís Lavoura, gosta de tudo o que é empresa pública..... mas não frequenta transportes de Kátias Vanessas ou Donaldos de boné de pala para trás....

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De ruisdb a 01.06.2017 às 16:52

Moro no Porto. Mas por trabalho vou a Lisboa, em transportes públicos, uma ou duas vezes por mês.
Pode ser casualidade, mas está-se a tornar um hábito apanhar uma anomalia qualquer no Metro. Sem falar das composições reduzidas.
Mas se calhar sou só eu que tenho azar.
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De Einstürzende Neubauten a 01.06.2017 às 17:48

Não se intrigue. É uma questão de cadeia alimentar, como diz. Veja também as telecomunicações (box´s encravadas, falha de sinal, etc), a energia (tarifas/botijas), hipermercados (produtos expostos com bolor, frequente)...não há mercado, não pode haver, para grandes negócios, em virtude da pequenez do mercado...excepto para as PME, cujos empresários são heróis.

Já saí de LX há 7 anos, não era assim no meu tempo...aquilo já foi privatizado??...investiguem as empresas que prestam assistência técnica ao Metro -alguém do Metro anda a facturar, alegadamente...pelo Porto, tomei conhecimento, que a PJ andava a investigar o excesso de avarias dos carros das Juntas - alguém andava a facturar (mecânicos x funcionários), alegadamente
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De M.M. a 01.06.2017 às 20:50

Completamente verdade o que afirma, Teresa. No "antigamente" era gratificante viajar de metro, mas de há largos meses para cá causa imenso desconforto. Também os autocarros não resolvem o problema; em algumas linhas brindam-nos com 28 minutos (e mais) de espera passando a não ser opção para muita gente.
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De Luís Lavoura a 02.06.2017 às 09:40

No "antigamente" era gratificante viajar de metro

Eu, pelo contrário, quando andava de metro habitualmente era há 40 anos atrás. Hoje em dia raramente ando e acho que é hoje muitíssimo mais gratificante do que nesse tempo. Há 40 anos viajava-se, literalmente, como sardinha em lata - tinha que se empurrar com toda a força para conseguir entrar na carruagem. Hoje em dia, mesmo em hora de ponta, viaja-se bem, sem contacto físico com mais ninguém, e em carruagens com ar condicionado.
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De Costa a 02.06.2017 às 11:29

"Há 40 anos viajava-se, literalmente, como sardinha em lata - tinha que se empurrar com toda a força para conseguir entrar na carruagem. Hoje em dia, mesmo em hora de ponta, viaja-se bem, sem contacto físico com mais ninguém, e em carruagens com ar condicionado."

Lavoura, você dê graças aos malvados automobilistas que no seu imenso comodismo recusam os transportes públicos. Será também graças a eles que você flutua docemente por estes dias nas climatizadas carruagens do metropolitano de Lisboa (mesmo que por questões orçamentais andem com velocidade reduzida, sistemas de travagem desactivados, acumulem avarias, etc., etc.).

Mas tome cuidado e exerça já a sua preclara influência sob a sua bem amada gestão autárquica actual: nada de planos de expansão da rede para a periferia! Imagine o inferno nas carruagens se essa imensa massa de criminosos sobre rodas, que a cada manhã invade a cidade - e a sua pacata rua, Lavoura! -, a partir desses subúrbios deprimentes de onde nunca deveria poder sair, e onde ocupa em dormitórios o que deveriam ser hortas (sub)urbanas, passa a ter uma alternativa de facto realisticamente utilizável para consumar essa diária invasão de bárbaros.

Para vir trabalhar, gerar receitas, pagar impostos, imagine você!!

Costa
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De M.M a 03.06.2017 às 23:52

"Hoje em dia, mesmo em hora de ponta, viaja-se bem, sem contacto físico com mais ninguém, e em carruagens com ar condicionado." Está a brincar, sr. Luís! Experimente a linha azul em hora de ponta (tanto de manhã como de tarde) até ao J. Zoológico e surpreenda-se ... Verá como está redondamente enganado.
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De Vento a 02.06.2017 às 09:15

Posso, então, concluir que os projectos de investimento para o alargamento do metropolitano de Lisboa estão aí para aumentar as dores de cabeça.

Estou convencido que esse problema que reporta tem que ver com a percepção das dimensões. Provavelmente esse metro deve ter 15 cm. Há quem diga que as dimensões não são passaporte. Mas também não se pode fazer publicidade enganosa. Se se anuncia metro, tem de se oferecer o metro.
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De AntónioF a 02.06.2017 às 11:00

Sim, cara Teresa,
«Afinal, o que se passa com o Metro (Mondego)?»
A resposta é óbvia.
Um Portugal de 1ª e um Portugal de 2ª.

«O país pequenito!

Metro Mondego: 21 anos depois, Coimbra vai apanhar o autocarro na paragem do comboio em 2021.
2 de Junho de 2017, 6:12

A história do Metro Mondego é anedótica e paradigmática. Começou há 21 anos com a criação de uma empresa destinada a lançar uma linha de metro ligeiro de superfície no Ramal da Lousã, para substituir a ligação ferroviária entre Coimbra e a sua periferia. Tantos anos depois, não há comboio, não há metro e a ligação foi substituída por autocarros. O que hoje o ministro do Planeamento e das Infra-estruturas irá anunciar é a chegada do autocarro eléctrico, que circulará no ramal de onde foram retirados os carris, cujo custo está estimado em cerca de 90 milhões de euros, para acrescentar aos 130 milhões que a Sociedade Metro do Mondego já despendeu em estudos, obras, salários, viagens e tudo mais que se possa imaginar. Desses 130 milhões, 100 mil euros terão sido gastos por ex-administradores em despesas pessoais pagas com cartões de crédito da empresa. Um ex-presidente da administração foi absolvido e a acusação a um ex-vogal prescreveu após uma “alteração da qualificação jurídica”. Mais: fizeram-se expropriações em nome do interesse público, demoliram-se várias casas que alteraram a fisionomia da Baixinha de Coimbra (para abrir passagem ao metro), fizeram-se obras de reconstrução da linha e venderam-se habitações ao longo do percurso com o pretexto do metro à porta de casa. Uma anedota que não dá vontade de rir.
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Ao mesmo tempo, esta história é paradigmática: a febre saloia do metro de superfície e o preconceito contra o comboio travou o investimento ferroviário, arrancou os carris ao país e alimentou a expectativa de que poderíamos sonhar com estações de metro à porta de casa, numa multiplicação de matrioskas caras e desnecessárias. Teria sido mais rápido, mais barato e eficaz substituir as velhas automotoras por comboios mais rápidos e modernos, aproveitando as infra-estruturas existentes? Talvez. Resultado: as promessas de construção do metro nunca serão cumpridas, as populações e autarcas sentem-se legitimamente enganadas e mal servidas, o investimento de milhões foi um desperdício negligente e sucessivos governos foram incapazes de reparar o erro. O facto de este Portugal dos Pequenitos se erguer no Ramal da Lousã, e não na linha de Sintra ou da Póvoa, ajuda a que o caso seja menosprezado pública e politicamente. Vinte e um anos depois, Coimbra vai apanhar o autocarro na paragem do comboio em 2021. E o país vai continuar pequenito!»

in: https://www.publico.pt/2017/06/02/local/noticia/o-pais-pequenito-1774293

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