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Abriu a época de tiro ao Marcelo

por Pedro Correia, em 26.10.17

marcelo_rebelo_de_sousa_noite_eleitoral_presidenci

 

Nada ficará na mesma entre o Presidente da República e o primeiro-ministro depois do trágico 15 de Outubro. Os primeiros indícios estão já aí: Marcelo Rebelo de Sousa vai passar a estar sob a bateria de críticas de alguns destacados apoiantes do Governo no espaço mediático.

Sintomaticamente, o mote foi dado pelo ex-ministro Pedro Silva Pereira faz hoje uma semana, em declarações à TSF. «O Presidente da República está naquela posição fácil de poder alinhar com expressões de indignação e sofrimento do país sem ter que subscrever responsabilidade na solução de problema nenhum», afirmou o antigo braço direito de José Sócrates.

 

A narrativa anti-Marcelo começava assim a ser construída. E nessa mesma noite prolongou-se - em tom mais veemente - numa intervenção feita por Fernando Rosas na TVI 24, acusando o Chefe do Estado de se deixar «atrair pela intriga política» e «exceder o magistério presidencial». Para este fundador do Bloco de Esquerda, e ex-candidato a Belém, não restam dúvidas: «O Presidente quis entalar o Governo.»

Na mesma linha, pronunciou-se Daniel Oliveira, na sua coluna da última edição do semanário Expresso: «O Presidente, uma raposa disfarçada de peluche, aproveitou. Distanciou-se de Costa no tom, o que é fácil para quem apenas tem a parte perfomativa da representação do Estado. (...) Não se enganem: o rei do teatro sensível tem uma frieza invejável no cálculo político.»

 

Hoje a escalada prosseguiu, engrossando o tom. Com "fonte do Governo", não identificada, a confessar-se em estado de choque com Marcelo na manchete do jornal Público. Enquanto Porfírio Silva, membro do Secretariado Nacional socialista, rasgava as vestes perante o «inaceitável aproveitamento politiqueiro de uma enorme tragédia que o País viveu». O alvo continua a ser o Chefe do Estado.

Cereja em cima do bolo: no jornal oficial do PS, há já quem chegue ao ponto de apontar tentações ditatoriais ao inquilino de Belém, lançando o toque a rebate. «A esquerda deve estar unida e coesa, para impedir esta caminhada preocupante e perigosa, combatendo a tentação presidencialista de Marcelo, que ameaça a democracia. E o presidencialismo, é bom ter presente, descamba, por vezes, em ditadura.»

 

Não restam dúvidas: abriu a época de tiro ao Presidente.

São só as linhas iniciais de uma novela que promete ter muitos capítulos. Marcelo estará certamente preparado para ela. Só alguns tontos à direita ainda não perceberam. Mesmo depois de ele ter avisado com todas as letras, na visita que fez a Andorra no mês passado: «Quando viro à direita em Portugal, a direita está distraída a bater na esquerda, não nota. Em vez de aproveitar, não nota.»

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48 comentários

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De Rão Arques a 26.10.2017 às 12:09

Quando cheirou que também estava a arder veio à rua refrescar o penteado.
Armadilhados estamos por dois especialistas credenciados.
O do choque e o chocado.
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De Anónimo a 26.10.2017 às 13:50

Rão Lavoura ?
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De Rão Arques a 26.10.2017 às 15:41

Anónimo sem vergonha?
Rão Arques, identificado sem esconderijos. Basta clicar no nome que anuncio e vai encontrar-me todo descascado.
Aproveito para lhe sugerir que à falta de argumentos vá carimbar carcaças.
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De jerry khan a 26.10.2017 às 12:12

'comeu polada nos cabeça'
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De JgMenos a 26.10.2017 às 12:29

Todo o incréu que recuse a ideia de que todo o mal que o PS possa provocar se trata com tretas e dinheiro, e nunca com censuras, merece as mais graves penas.

A indignação percorre as hostes. A verve inflama-se. E os artistas das ondas mediáticas lançam-se ao trabalho...
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De Cristina Torrão a 26.10.2017 às 12:31

«frieza invejável no cálculo político» é afinal um elogio, ou não?
Não queremos "peluches" como estadistas, queremos gente objetiva, capaz de analisar com frieza, quando é preciso.
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De Vlad, o Emborcador a 26.10.2017 às 13:11

Quero frieza no meu cirurgião. Não no meu primeiro ministro. Quero que ele seja capaz de se pôr no lugar dos outros que governa. Não quero um psicopata no mando do meu país ( se o quisesse ia para a Coreia do Norte)
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De Anónimo a 26.10.2017 às 15:45

"de se pôr no lugar dos outros que governa." E que distribua muitos beijinhos? Se fosse uma primeira ministra eu concordava. Acho até mal que as mulheres tenham direito a beijo e os homens não.
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De Vlad, o Emborcador a 26.10.2017 às 16:13

Empatia:

Na psicologia e nas neurociências contemporâneas a empatia é uma "espécie de inteligência emocional" e pode ser dividida em dois tipos: a cognitiva - relacionada com a capacidade de compreender a perspectiva psicológica das outras pessoas; e a afetiva - relacionada com a habilidade de experimentar reações emocionais por meio da observação da experiência alheia.

O transtorno de personalidade antissocial (TPA):

O distúrbio é caracterizado, principalmente, pela ausência de empatia com outros seres humanos (quando não pertencentes à família), resultando em falta de interesse com o bem-estar do outro e sérios prejuízos aos que convivem com eles.


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De Vlad, o Emborcador a 26.10.2017 às 16:34

Em França os homens dão beijos. Chamam -se beijos à francesa. Já experimentou?
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De Anónimo a 26.10.2017 às 17:13

Não, da-se.
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De Terry Malloy a 26.10.2017 às 12:36

Mudou o ciclo. Não por causa dos incêndios de 15 de Outubro, nem por causa das eleições, mas por causa da saída de PPC da liderança do PSD.

O Presidente conseguiu (finalmente) assistir à morte política daquele que não aceitava como líder da oposição e já não precisa de carregar o governo ao colo.

O governo, afastado PPC, já percebeu que deixou de contar com o colinho do Presidente e prepara-se para a guerra.

Estão bem um para o outro, e o ódio jacobino da esquerda, que precisa sempre de uma piñata, será, eventualmente, uma pequena parte do castigo que Marcelo merece.

Ao carregar o governo nas palminhas das mãos após Pedrógão – com o exclusivo propósito de o escudar da oposição do PSD/PPC e fragilizar/não fortalecer este –, escolheu ter sangue nas mãos.

Tudo o que lhe elogiam agora era devido em Junho. E não precisavam de morrer algumas dezenas mais de portugueses.
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De Anónimo a 26.10.2017 às 13:58

A notícia da morte política de A. Costa parece-me francamente exagerada. Seria excelente a sua morte política uma vez que o diabo não compareceu em Setembro. Mas o que desejamos nem sempre acontece.
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De Pedro Correia a 26.10.2017 às 15:15

O diabo compareceu em 17 de Junho. E em 15 de Outubro.
Se isto não é o diabo, não imagino como será.
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De Anónimo a 26.10.2017 às 15:47

tem razão e penso que esses dois diabos (de 17 de Junho e 15 de Outubro) já o deixam feliz. Mas eu acho que convinha era um de ordem económica ou financeira. Vamos todos fazer por isso.
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De Pedro Correia a 26.10.2017 às 15:56

Só um imbecil pode pensar que a tragédia dos incêndios que foi notícia em todo o mundo - com 110 mortos, mais de 520 mil hectares de floresta e áreas de cultivo destruídos, dezenas de milhares de animais mortos, centenas de habitações devoradas pelas chamas, largas dezenas de pequenas e médias empresas reduzidas a cinzas e mais de mil milhões de euros de prejuízos globais avaliados por baixo não tem consequências no plano económico - designadamente para o interior do País. Precisamente a zona mais pobre, envelhecida e desertificada.

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De Anónimo a 26.10.2017 às 17:15

"por baixo não tem consequências no plano económico -" Ai tem? Sorte para si, dou-lhe os meus parabéns.
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De Pedro Correia a 26.10.2017 às 18:01

"Dou-lhe os meus parabéns" é uma expressão pleonástica. E chega quatro meses atrasada: fiz anos em Junho.
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De Rão Arques a 26.10.2017 às 15:33

Não posso ficar indiferente a um retrato tão bem tirado.
Assino por baixo mas permita que sublinhe:
"Mudou o ciclo", mas o velho montador de circos passará a nova cena na pista ao lado com farpela renovada e cirúrgicos retoques de camarim.
"Estão bem um para o outro", quase gémeos inseparáveis diria eu.
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De Pedro Correia a 27.10.2017 às 11:34

Convém não esquecer: quem entronizou a "geringonça" foi Cavaco, não Marcelo.
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De Rão Arques a 27.10.2017 às 12:00

Questionei-me desde logo como foi ou como poderia ter sido.
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De am a 26.10.2017 às 12:47

Já tardava o PS mostrar a verdadeira face e especialidade...

"Quem se mete com o PS".... Ainda mais com costas quentes dos renegados BE /PCP e o filhote PAN.

Habituem-se.
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De Vlad, o Emborcador a 26.10.2017 às 17:59

pm se tiver pachorra, explique-me a diferença entre PS e PSD?....mas só se tiver pachorra. .....

A: “É preciso olhar para o futuro, de modo que se definam objetivos de médio prazo capazes de orientarem uma ação política consistente e duradoura. Ser claro nas opções de fundo, valorizando os nossos recursos, isto é, as pessoas, o território, a língua portuguesa e o espaço lusófono, a posição de Portugal no Mundo; modernizando a atividade económica e o Estado; investindo no futuro através da ciência e da cultura; reforçando a coesão social através das políticas de segurança e solidariedade social e de saúde. No curto prazo, é necessário definir um programa de urgência, nas áreas críticas do relançamento da economia e do combate ao desemprego e à pobreza. E mobilizar nesta base toda a sociedade portuguesa, em direção a um futuro de qualificação e de progresso, e de modo que se construa um acordo de concertação social estratégico e plataformas alargadas de entendimento político, para vencermos juntos os problemas e aproveitarmos juntos as oportunidades da próxima década”

B: “Há um conjunto de desafios que se afiguram especialmente relevantes e que são assumidos neste programa como prioridade. É o caso, desde logo, da necessidade de responder ao “inverno demográfico” em que o nosso País está a cair há mais de três décadas (…) É caso da valorização das pessoas, quer pelo relevo que assume enquanto elemento estruturante no combate à pobreza e na promoção da mobilidade social (…) É o caso da defesa e do reforço do Estado Social, assegurando plenamente as condições da sua viabilidade e tendo como preocupação primeira o combate, sem tréguas, às desigualdades sociais. É o caso da promoção da competitividade da nossa economia [com] um modelo assente no crescimento do investimento privado e na inovação, nas exportações e nos bens transacionáveis e na reposição gradual do poder de compra. Um modelo em que a parcela de investimento público será seletiva e focada em pequenas e médias obras necessárias, não em projetos faraónicos ou sumptuosos. É o caso, por fim, da promoção da eficiência do Estado, de forma a torná-lo mais próximo dos cidadãos e mais amigo das empresas”.

O excerto A é do programa do PS e o excerto B é do programa da coligação PSD/CDS.


Arrotam banalidades. Podiam chamar-se PS, PSD , AEIOU, FdP, Sporting C.P, Leixões FC.....tudo vacuidade.
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De Vlad, o Emborcador a 26.10.2017 às 12:52

Tem razão Pedro!
Se há coisa que detesto é a partidarite aguda, uma inflamação dos neurónios, responsável pelo pensamento formulado, não pela razão e bom senso, mas pela emoção irracional de um dualismo conflituante - de um lado nós, donos absolutos da verdade. Do outro lado, o Outro, encarnação da desrazão.

É por isso que pactos de regime são neste país pactos de Regina. E tem sido essa incapacidade uma das causas do declínio quer da República, quer do país.

Considerando o Daniel Oliveira um dos mais interessantes e inteligentes comentadores políticos (acima dele só Pedro Marques Lopes, e Ricardo Paes Mamede ) ficou-lhe muito mal a afirmação que um PM não tem de pedir desculpas, mas apresentar soluções. Porque não fazer as duas coisas? Antes de se ser politico ou PM é -se pessoa.

Costa anda agora a tentar apagar a imagem péssima que deu no seu discurso visitando as áreas devastadas, distribuindo as chaves das futuras casas. Poderia ver-se nesta posição, contrastante , um aproveitamento político.


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De Vlad, o Emborcador a 26.10.2017 às 13:01

-Imbecil, eu também sou um patife como tu, como todos, e não há um homem decente neste mundo. Não existe pessoa decente em lugar nenhum.
_ Finalmente você adivinhou. Será que até hoje o senhor não compreendeu Kirílov, com a sua inteligência, que todos são iguais, que não existem nem melhores e nem piores, apenas mais inteligentes e mais tolos, e que todos são patifes?

Os Demónios, de Dostoievski
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De Maria Dulce Fernandes a 26.10.2017 às 13:37

Era de esperar.
Enquanto tomou o pulso, deixou andar, foi flexível e tolerante, era bestial.
Assim que manifestou contrariedade , firmeza e assertividade passou a besta.
Políticos no geral, políticos da Gerinconça em particular, what else?

Como se previa , os detractores e os que não conseguem separar o trigo do joio, estão aí , armas, bagagens, unhas e dentes.
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De Vlad, o Emborcador a 26.10.2017 às 14:05

https://www.msn.com/pt-pt/noticias/incendios/marcelo-sabia-de-medidas-planeadas-discurso-chocou-governo/ar-AAu3WU7?li=AA4REe&ocid=spartandhp

Marcelo sabia de medidas planeadas. Discurso chocou Governo

Se sabia, então o governo deveria ter-se adiantado, logo no discurso do PM, antes daquele do PR

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