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A verdadeira espiral recessiva

por José António Abreu, em 16.09.16

Mas quem decide o que é um “pobre” ou um “rico”? É o poder político que decide o que somos. Amanhã, um apartamento de 150 mil euros na Amadora pode bem tornar-se, para fins fiscais, um “palacete de luxo”. Basta as finanças precisarem. E talvez precisem. A propriedade nas grandes fortunas é complexa. Os maiores investidores imobiliários vão retrair-se. Não é por isso improvável que o fisco, para arranjar receita, ainda tenha de descer mais uns degraus na escala patrimonial. Nesta roleta russa fiscal, a pistola está apontada à cabeça de todos.

O governo vive para a meta do défice, de que depende o financiamento europeu. Se o Estado gasta mais e a economia não gera mais receita, há que recorrer à “justiça fiscal”. Mas quanto mais impostos o governo aumenta, menos a economia cresce, e mais impostos precisa de aumentar. É assim a espiral recessiva por via fiscal. E o que vai acontecer à classe média, com esta carga tributária, quando o petróleo se tornar mais caro e os juros subirem? Sob este regime fiscal, Portugal pode estar a caminhar para uma despromoção social maciça, sem paralelo na nossa história. Noutros países, a classes médias podem estar a morrer; aqui, vão ser assassinadas.

Rui Ramos, no Observador.

 

A verdadeira espiral recessiva ocorre quando os sectores menos produtivos de uma sociedade são privilegiados em detrimento dos sectores produtivos, conduzindo os segundos a uma asfixia que faz cair investimento e receitas fiscais. É em grande medida por isto que, durante a governação PSD/CDS, a espiral recessiva (tantas vezes anunciada) nunca chegou a acontecer: por entre a voracidade fiscal que também caracterizou esse governo, houve uma mensagem coerente, que levou à retoma do investimento, e uma aposta clara - teimosa, até - nos sectores capazes de fazer entrar dinheiro no país. Hoje, o discurso varia consoante o momento e o local, e a aposta é na protecção (em parte ilusória, certamente temporária) dos sectores menos produtivos, à custa do crescimento económico. Se o BCE continuar a ajudar, Portugal poderá manter taxas de crescimento ligeiramente positivas durante alguns anos. Mas as sementes da recessão estão a ser plantadas com um entusiasmo suicidário.

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7 comentários

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De amendes a 16.09.2016 às 11:42

O milagre aconteceu:
Finalmente os ricos pagam a crise

Por falta de clientes o Banco Alimentar encontra-se em pré-falência; a emigração virou imigração, deixou de haver meninos que vão para escola em jejum, hospitais às moscas por falta de doentes ( são curados antes de adoecerem)

Papa pensa canonizar o Costa& Centeno!
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De jo a 16.09.2016 às 13:26

Fico satisfeito que tenha visto a retoma do investimento que ocorreu com o anterior governo.
É que como mais ninguém a viu, andam aí a dizer que não existiu.
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De lucklucky a 16.09.2016 às 14:54

Portugal é um país que está impedido de aprender por causa da sua classe jornalista-politica.
Como Portugal está impedido de aprender por causa da ideologia dos seus jornalistas comete sempre os mesmos erros.

Esta Legislatura e Presidência é aliás o apogeu do poder cultural do jornalista.
Marcelo alguém que esteve sempre no Jornalismo de uma maneira ou de outra. Costa um produto do jornalismo com o irmão com poder na área.

Cada vez mais o regime está a afunilar-se e a tornar-se numa elite cada vez mais incestuosa da torre de marfim do jornalismo.

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"por entre a voracidade fiscal que também caracterizou esse governo, houve uma mensagem coerente, que levou à retoma do investimento, e uma aposta clara - teimosa, até - nos sectores capazes de fazer entrar dinheiro no país."

Não me parece que mensagem tenha sido clara excepto em como o PSD e CDS estão de acordo com o totalitarismo socialista fiscal do PS, BE e PCP muito mais opressivo que o correspondente do Estado Novo e a sua Ditadura.

Nem tudo o que acontce acontece por causa do Governo.
E ainda menos as coisas boas.
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De M.M. a 17.09.2016 às 09:53

A opressão e a ruína não tardam, é uma questão de tempo, e/ou fugimos dela enquanto o espírito democrático nos alenta ou caminhamos para o surgimento de um país em ditadura.

Rui Ramos com uma pertinente observação da actualidade.
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De lucklucky a 17.09.2016 às 13:19

Já temos em Democracia Socialista a Ditadura da maioria.
Por exemplo hoje em termos fiscais a Democracia do 25 de Abril é muito mais opressiva e tirânica que a Ditadura Salazarenta.
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De ariam a 17.09.2016 às 22:39

"Se o BCE continuar a ajudar, Portugal..."
SE, os políticos continuarem a obedecer, talvez ajudem mas, a ideia nem é essa.

Primeiro era só, criar um espaço comum europeu e facilitar as trocas comerciais.

Criaram a moeda única, deixando os países sem ferramentas, principalmente, os países com as economias mais fracas .

Endividaram os Países, era tudo fácil, dinheiro a rodos, inventavam-se todo o tipo de investimentos ruinosos, foi mesmo esbanjar dinheiro, "encher as algibeiras de uma minoria" porque, o povo só ganhou umas "migalhas" à conta de uma dívida incomensurável, totalmente impagável mas opressora.

Conseguiram pôr os países completamente dependentes "da dose", completamente drogados, com uma droga chamada dinheiro.

Claro que emprestar em doses maciças, para eles, era quase vital, a única maneira para a dependência eterna.

Só assim, cada vez que pressionam, conseguem impor as suas próprias leis que passam por cima das Constituições e, leis essas que os eurodeputados não podem vetar.

As Guerras exteriores têm, também, a sua finalidade, o êxodo para a Europa e, principalmente, um êxodo previsível, sabendo que não eram só refugiados de guerra mas, a intensão era mesmo essa.

As vozes discordantes, sempre foram atacadas de todas as maneiras, desde uns sem coração, até serem da extrema direita.

Nada como uns ataques terroristas para, a Europa, em vez de polícias, passar a ter militares armados nas ruas.

Pelo que nos informaram, a construção de muros, vem a caminho.

Juros negativos que só servem para os Bancos Centrais comprarem bens reais com fiat money. O BCE já chegou ao ponto de não ter mais nada para comprar. Mas compram ou ajudam as Corporações "que lhes interessa". Os Países, continuam a "espremer" os cidadãos. Se ainda não perceberam, para imporem o que eles querem, é necessário nivelar por baixo, o resto da conversa, é só para ir entretendo os europeus.
Basta ver como, desde a crise de 2008, o fosso entre ricos e pobres aumentou. Os mais ricos estão cada vez mais ricos mas, curiosamente, também são, cada vez menos.

Os Bancos mais pequenos, além do crédito mal parado, não vão sobreviver com juros negativos e os pequenos investidores ou as poupanças, vão acabar completamente arrasadas. Há Seguradoras e Fundos de Reforma a estourar mas, não é por acaso. Até o Banco Suíço na aflição, por falta de investimento comprou acções do Facebook, o preço caiu e ele ficou com muito "papel" e muito prejuízo. A intensão, de acabar com os Bancos e concentrar tudo, num só Banco, começa a ser mais do que óbvia.

Leis que já controlam a net onde, certos resultados da pesquiza, são omitidos.
Google informa no final, sobre as leis europeias mas, muitas palavras que resumidas, é, apenas, Censura.

Hoje, li no theguardien "France to set up a dozen deradicalisation centres" que também irão ser criados noutros pontos da Europa.
https://www.theguardian.com/world/2016/may/09/france-to-set-up-a-dozen-deradicalisation-centres

Campos de Desradicalização? Se quem era contra esta migração que Soros quer obrigar a continuar, numa proporção nunca antes vista, se lhes chamavam extremistas da direita, onde muitos já foram presos ou despedidos do emprego, o melhor será pensar se, não radicais mas, os anti políticas europeias, não irão acabar nesses tais campos que quase lembram outros, acabados em ão... concentração.

Esta Europa "cheira" cada vez pior e, passo a passo, parece mais uma concentração de poder, nunca antes vista e, como anda o sistema financeiro, com Bancos a desmoronar, se ainda não conseguem ver a "parede" e, pelas costas, "as grades a fechar", estão a precisar "de óculos".

Quando certos políticos estrangeiros, falam sobre "The New World Order", se falam, não é conspiração, se não começam a perceber os contornos deste globalismo "maravilhoso", para mim, podem chamar-lhe o que quiserem mas, lembra muitos governos passados, só que, desta vez, não se pode fugir do Planeta nem, ninguém, nos virá salvar. O Poder corrompe mas, Um, a nível Global, com um só Governo, um só Exército, um só Banco e uma só Religião... vai acabar muito mal, para a maioria, nesta autêntica pirâmide de Poder. Neste momento, o que os políticos querem... é não acabarem "esborrachados" na base.
IMI? No Final, passarão a morar onde o 1% ordenar.
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De ariam a 18.09.2016 às 14:38

Para quem não acredita no verdadeiro caminho deste globalismo, bastaria saber interpretar as notícias que vão saindo diariamente. Por exemplo, os que falam da Banca nacional não cair em mãos estrangeiras, quando já caiu.

"Solução de Bruxelas custa 100 milhões de euros, Por Ano, à CGD"

Quanto tempo poderá durar esta solução? Somos 10 milhões de Portugueses, uma CGD, custar-nos 100 milhões por ano?
Nota-se a aceleração do Processo, notícias diárias que comprovam o caminho para a escravização da Humanidade, só agora possível, com a componente tecnológica.
Está mais do que visto que, a intensão, nunca foi, nem nunca será, melhorar as economias e, nesta transição, 1º foi o dinheiro a "cair do céu" para os países, agora, com a conversa do desemprego dos jovens, já se fala "numa espécie de ordenado" para todos, sem ser preciso trabalhar (uma nova esparrela) e, curiosamente, só se fala de subsídios:

"Repor o complemento social de inserção, o complemento solidário para idosos, o abono de família, não, não é a procura interna que queremos servir", disse Costa em Coimbra"

Servir? Não há dúvida que sai "bem treinado" das "reuniões" porque, depois de todos ficarem muito contentes em receber, novamente, dinheiro "caído do céu", em troca de nada, o dia chegará e, o subsídio (ou o que lhe resolverem chamar) que, tanto pode ser dado como tirado, na altura prevista, com a desculpa de caos climático, perda de culturas (o motivo que lhes apetecer), bastará desvalorizar esse dinheiro, chegando ao ponto de uma Venezuela, onde uma dúzia de ovos passou a custar mais de 150 euros e, novamente, as populações aceitarão qualquer coisa, como trocar o dinheiro, por uma ração diária garantida, e, a partir daí, viver ou morrer, ficará nas mãos do 1%.

Basta ouvir, a constante repetição de que a população mundial é demais, causadora de todos os males climáticos, uma consumidora de recursos, mostra uma vontade latente, em conseguir alcançar o número aconselhado nas Pedras Guia da Geórgia (Georgia Guidestones), uma espécie de "sonho", de um número muito restrito de pessoas que, com demasiado dinheiro e nada que fazer, de geração em geração, vão ficando uns psicopatas, cada vez, mais obstinados, sem qualquer empatia pelos restantes seres humanos.
De 6,7 bilhões, passar para menos de 500 milhões de pessoas, parece impossível ou improvável mas, com guerras e conflitos permanentes, comida geneticamente modificada, pulverizados, envenenados com químicos, na comida, no ar e na água e, acrescentando, doenças fabricadas em laboratórios, começo a pensar que, os "diabinhos", ainda vão acabar por conseguir a proeza.

Somos mesmo uns carneirinhos acomodados e, mesmo que todos "acordem", quem estará preocupado com o Futuro da Humanidade? Uma minoria, facilmente silenciada e impotente, aqueles com filhos e netos que não façam parte da nova elite, a dos "capatazes das quintarolas".
Portanto, se também conseguirem, o mais difícil, passar por cima da Constituição americana, será, nessa altura que passará a ser impossível fugir, de um Futuro inevitável.

Quando, agora, Merkel fala de "um Novo Rumo para a Europa", como sempre, nada será novo e, o rumo "deles", será sempre na mesma direção, apenas e só, mais uma representação Teatral que se divide em Atos e Cenas. Os Atos, uma série de cenas interligadas por uma subdivisão temática. As cenas divididas conforme as alterações no número de personagens, actores que vão entrando e saindo do palco.
O público fica atento aos diálogos entre os personagens, porém, o Roteiro contém mais do que isso, através das Rubricas e das Indicações, ele traz sempre as determinações indispensáveis para a realização do drama e, assim, orienta os atores e a equipa técnica, sobre cada cena da representação mas, com o poder total de ir alterando, conforme as reações do público mas, são os únicos que sabem, antecipadamente, o final predefinido.

Parece que tudo corre mal e todos opinam sobre, soluções ou como resolver, este ou aquele problema, uns até chegam a pensar que a UE está entregue a incompetentes mas, isso, só acontece, por não saberem nada sobre o tal "final predefinido", aí, tudo encaixa, fazendo todo o sentido e, neste momento, com tantas dependências e um caos que se aproxima, não lhes podia estar a correr melhor.

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