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a ver se me ralo

por Patrícia Reis, em 11.11.17

Há muitos anos, aprendi com a Inês Pedrosa, e depois com outras pessoas, que é muito fácil levar porrada quando se escreve publicamente, se dá rosto e nome, se tem opiniões e, enfim, estamos disponíveis para as partilhar. Não se trata de ganhar palmadinhas nas costas, disse-me ela, o que é importante para ti, pode ser para outras pessoas. E depois falou-me da porrada que iria levar, da quantidade de fel que as pessoas destilam, e tantas vezes no anonimato, mas que isso não tinha qualquer importância.

A Inês é minha irmã e poucas pessoas têm levado pancada como ela. Vive com uma dignidade incrível, uma cabeça genial, uma capacidade excepcional de ser excepcional. É uma lição para mim. Há quase trinta anos que aprendo com ela e, muitas vezes (mesmo muitas vezes!), concordamos que discordamos, mas respeitamos a opinião de cada uma. Ela continua a levar porrada de forma idiota por pessoas que não pretendem construir nada, apenas destruir. E eu estou na mesma situação.

E serve o presente texto para dizer que podem continuar a ser assim, a ver se me ralo. Creio que ela tão pouco se rala. Tragam lá os vossos archotes e as vossas acusações, o vosso moralismo e preconceitos, descrevam a minha ignorância ou o que vos aprouver, vivemos em democracia, podem fazê-lo à vontade, mas depois não me digam que serve para estimular debates, porque a troca de ideias implica respeito e o respeito implica educação e a educação implica elegância. Na minha opinião, claro.

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23 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 11.11.2017 às 14:25

Patrícia, não se rale. "Cagando e andando".

Parta do princípio que a falta de carácter é já castigo suficiente. E não há melhor presente, do que uma consciência lavada. Claro que falhamos. Mas o remorso indica-nos que não nos perdemos. E desculpamos. E desculpamo-nos. E pedimos desculpa. Contudo nunca afastemos da nossa ideia que os outros podem ter razões nas suas críticas . As auto-avaliações pecam sempre por defeito. Assim como os julgamentos que fazemos do outro tendem a ser exagerados. Penso que a melhor atitude é nunca nos considerarmos modelos para ninguém. Mas para lá chegar precisamos de exercitar a introspecção, sem medo do que possamos encontrar. Conhecer-se é castigo imposto. Mas também é exercicio para nos corrigirmos.

Hoje levei a minha filha à música. Um sol do caraças . Uma luz linda. Como dizia o Miguel Esteves Cardoso: Como é linda a p.... da Vida!
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De Aurélio Buarcos a 11.11.2017 às 14:51

É difícil lutar contra moralismos e preconceitos mas é fácil apontar factos, por exemplo, quando escrevemos:
«O senhor é o 45º presidente de um país que nasce dos ideais da revolução francesa, que calculo ser uma referência que o ultrapasse e que eu não tenho como explicar nos 140 caracteres do Twitter, a plataforma da sua eleição. Liberdade, Igualdade e Fraternidade»
Temos de ter humildade suficiente para alguém nos recordar que a independência dos Estados Unidos da América foi em 1776 e a Revolução Francesa em 1789.
Eu sei que era isso (os americanos foram inspirados pelo iluminismo francês) que se aprendia em Portugal noutros tempos mas que diabo, as datas não mentem.
Isso, na minha opinião, não tem a ver com ignorância, tem a ver com escrita pouco pensada e aprofundada.
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De Vlad, o Emborcador a 11.11.2017 às 23:29

Eu diria que os americanos foram inspirados pelos franceses. E os franceses pelos americanos. E os americanos ,antes de o serem, pelos ingleses. ....quem pensou o quê primeiro? vá -se lá saber. Ainda sou do tempo em que se ensinava ter sido Gutenberg o inventor da imprensa com caracteres móveis. ....e Colombo, o descobridor da América. E Vasco ds Gama, o descobridor do caminho marítimo para a Índia. Mas Voltaire, Rousseau, Diderot, D'Alembert, Montaigne, Montesquieu continuam franceses ou não?
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De Aurélio Buarcos a 12.11.2017 às 14:06

Sr. Vlad,
Vamos ver se nos entendemos.
A sra dona Patrícia, afirma «Trump é o 45º presidente de um país que nasce dos ideais da revolução francesa»
1. é questionável a contabilização dos presidentes dos USA, como sabe.
2. é questionável que os USA sejam um país, são uma união de Estados.
3. é questionável que estes USA de 2017 sejam o "mesmo país" que se tornou independente em 1776.
4. é questionável que uma revolução em 1789 tenha influenciado uma independência em 1776.
5. é questionável que estas questões tenham preocupado a sra dona Patrícia quando escreveu o manifesto, repito-me, foi uma escrita pouco pensada e aprofundada.
Agora se o sr. Vlad concorda com a afirmação citada, está no seu seu direito, se a sra dona Patrícia também se sente entrunfada quando lhe apontam incoerências factuais, também está no seu direito.
«Voltaire, Rousseau, Diderot, D'Alembert, Montaigne, Montesquieu continuam franceses ou não?»
Sim. Franceses falecidos, ainda assim, franceses.
(continuo a pensar que somos nós, os vivos a termos de respeitar, factualmente, o acontecido)
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De Vlad, o Emborcador a 13.11.2017 às 13:05

Meu caro, quantos, dos agora vivos, se sacrificam, e vivem, pelas ideias dos mortos?

E depois essa da sr.dona.....vossa mercê é mais um desses que o que pretende é despejar ácido pelo teclado....as razões, a verdade, o debate, são-lhe subprodutos....
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De Vlad, o Emborcador a 12.11.2017 às 00:07

O espírito das leis (l'esprit des lois) e o Federalista (the federalist papers): Características correlacionais em ambas as obras e as influências de Montesquieu sobre os pensamentos de Alexander Hamilton, John Jay e James Madison

http://www.egov.ufsc.br/portal/conteudo/o-espírito-das-leis-lesprit-des-lois-e-o-federalista-federalist-papers-características-corr

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De Redondo a 12.11.2017 às 07:01

O iluminismo francês não começou com a revolução francesa: precede-a
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De Vlad, o Emborcador a 12.11.2017 às 14:43

A sério? Pensando. A Revolução Francesa foi uma aula prática dos principios teóricos do Iluminismo.
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De Pedro Correia a 11.11.2017 às 14:55

Muito bem, Patrícia.
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De s o s a 11.11.2017 às 19:33

agora é tarde, para rever o comentario que deixei. Mas ver o Pedro aplaudir o texto da patricia, cria-me um mar de reservas. claramente : se a patricia for parcial como o Pedro, so se perdem as que caem no chao. O tempo ate esteve bom, ate este momento...
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De Aninhas. a 11.11.2017 às 15:27

Ó Patrícia, eu costumo dizer. Deixem que digam, que falem, eu sou mto eu e ponto! Quem gosta, gosta, quem não gosta afasta-se! E seja bem vindo quem vier pr bem!
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De Weltenbummler a 11.11.2017 às 18:48

'cunpadre!!!! cadacal mija cassua!!!'
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De Vlad, o Emborcador a 11.11.2017 às 23:30

Ficaram sequelas. É evidente
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De lucklucky a 11.11.2017 às 19:03

Então o texto sobre o Trump, sem sequer alencar o que fez ou não fez era para "estimular" o "debate"...isto quando ao mesmo tempo se usa expressões não- falsificáveis , logo anti-científicas, como "alterações climáticas" cujo o propósito é precisamente destruir o debate. Fantástico.
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De passante a 11.11.2017 às 21:55

"Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas as margens que o comprimem."

Como dizia o camarada Brecht, que era alegadamente comunista, mas tinha olho.

Que faz negócio de ser margem não pode ter grande queixa do rio.
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De Vlad, o Emborcador a 11.11.2017 às 23:34

Como pode haver debate com um dogmático que não acredita que a acção humana têm influência nas alterações climáticas? É o mesmo que estarmos a comer uma banana e dizerem- nos que o que estamos a descascar é um morango.
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De V. a 11.11.2017 às 19:26

Na net não há filtros porque não há a presença física que modera e modula a interacção presencial e por isso os debates são mais violentos. Mas também são impessoais. I wouldn't worry.
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De Vlad, o Emborcador a 11.11.2017 às 23:35

Bem verdade
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De s o s a 11.11.2017 às 19:28

a primeira acusaçao vai para o sapo, que colocando em cartaz ( evidencia ) este post, pode pois e assim ser incriminado como potenciador e cumplice da porrada que houver.

Confundo nomes, talvez a ines pedrosa seja a que ouço na antena 1, com o julio. Se for o caso, nao me lembro de alguma vez me motivar porrada. Se for a mesma pessoa que as noticias associaram a tribunal na fundaçao fernando pessoa, acho, nao sei bem, que nao foi condenada.

Da Patricia, zero, nao sei nada. So posso elogiar, aqui, a garra e ate o termo " nao me ralo ". , sinal de que "os tem no sitio ".

Este tema, da democracia, discussao e insulto, esta estafadissimo, mermo que nao tenha levado a nada.

Existe aquele exemplo do trolha que batia na mulher porque o seu clube perdeu mas tambem batia , pois de alegria e tambem bebado, se o clube ganhasse.

Ou seja a vou chamar-me incorreçao de leitores é , afinal , parte da coisa. Diria ate hereditario.

Mas tambem é ate necessario que quem escreve nao se ponha a jeito, concretamente ofendendo a historia. Uma coisa é a opiniao, que pode ate ser maluca,. e os leitores encolhem os ombros e desligam, outra a falsidade.

Patricia, nao te rales, se é o que gostas de fazer (escrever ) . Se a irma é a minha Ines, um beijinho para ela.
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De Anónimo a 11.11.2017 às 21:26

Além do mais, a Inês nasceu em Tomar, como eu, e escreve livros muito bonitos (aqui, infelizmente não tenho arcaboiço para tanto...). Felicidades às manas! (Também tenho uma irmã :-)).
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De Anónimo a 11.11.2017 às 21:43

Não percebo as desculpas. Quem anda à chuva molha-se. Desde que escreva coisas sensatas ninguém lhe vai ao pé.

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