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A semente totalitária

por Pedro Correia, em 30.03.17

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Vivemos já de algum modo num cenário pós-orwelliano. George Orwell preocupava-se com a tecnologia enquanto instrumento de um estado totalitário. A questão é que a tecnologia pode ser totalitária por si própria - e, nessa óptica, induzir derivas totalitárias no mais democrático dos sistemas.

Muitos apregoam os direitos humanos, havendo-os para todos os gostos e feitios, reais ou imaginários - e não falta até quem queira estendê-los aos animais e aos vegetais. Mas quanto mais se fala, menos se faz: alguns direitos fundamentais vão sendo comprimidos sem surpresa ou escândalo de ninguém. Refiro-me ao direito à privacidade e ao direito à reserva da vida íntima, hoje ameaçados de modo quase irreversível numa sociedade que elege o narcisismo exibicionista acima de tudo o resto.

O incentivo à exposição pública dos mais diversos pormenores da vida privada através das chamadas "redes sociais" funciona como uma droga dura. Todos os dias assistimos a novos recuos no direito à intimidade, lesado por contínuas cedências voluntárias ao domínio público.

 

Um misto de apatia, hedonismo e alheamento cívico caracteriza muito do comportamento dominante no mundo ocidental. E ajuda a explicar esta permanente sensação de crise larvar, que ultrapassa em larga escala o plano económico. É uma crise de valores, que o fundamentalismo islâmico procura colmatar à sua maneira apelando ao instinto gregário e aos códigos tribais em decomposição nas chamadas sociedades "evoluídas".

Isto tem uma capacidade de sedução que ultrapassa largamente o círculo de convertidos, seduzindo novas hordas de fanáticos em potência desprovidos de valores alternativos.

 

Quem não perceber isto nada percebe de essencial.

Como há-de o Estado - mesmo o Estado democrático - respeitar aqueles direitos se os próprios cidadãos parecem desprezá-los? A todo o momento somos filmados, fichados, gravados, inscritos, registados e vigiados nos mais diversos locais. Sem que ninguém pareça escandalizar-se.
Infelizmente estas questões só raras vezes são debatidas. Como se fossem irrelevantes. Como se a semente totalitária não estivesse já no meio de nós.

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46 comentários

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De Einzturzende nebauten a 30.03.2017 às 07:31

Presumo que grande parte dos que não leram 1984 se o lessem não iriam achar nenhum mal nas politicas do Grande Irmão . Existem conceitos morais que nos dias de hoje as pessoas deixaram de perceber o que significam. Estão dispostas a tudo se as deixarem e facilitarem os seus consumos. O consumo passou a ser o principal factor moral. Ou melhor, o Prazer é hoje tudo o que importa
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 10:59

Exactamente: "Grande parte dos que não leram 1984, se o lessem, não iriam achar nenhum mal nas políticas do Grande Irmão. Existem conceitos morais que nos dias de hoje as pessoas deixaram de perceber o que significam."
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De Justiniano a 30.03.2017 às 11:22

Eu entendo, caro Eins, o contrário.
Existem conceitos morais que perderam imanência. Foram afectados pela erosão analítica e o que acontece é que as pessoas tomaram um hiper entendimento (estamos na era dos hiper, super, mega...) sobre os conceitos morais e seus limites imanentes (ou falta de limites). As pessoas percebem o que estes significam. Percebem-no, até, bem demais. E todos os conceitos se tornam moralmente polissémicos!
A verdade é que mata, não a mentira, como já explicava o J. Amado nos seus romances (e todas as farsas antes dele. Foi o exemplo expressivo que me apareceu)! O hiper esclarecimento (lá está novamente o hiper. Também não gosto, mas não me vem melhor termo) deturpa o entendimento, retira densificação aos princípios e, por fim, espeta-se no vazio!
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De Einstürzende Neubauten a 30.03.2017 às 12:12

Sim e não. Os valores morais não são para ser analisados, à luz da razão. São para ser aceites, tal como a fé e a religião. Aceitar porque são belos, na forma e na acção, tendo, nós, como modelos do bem agir, não o comerciante, mas o herói clássico - Júnio Bruto, Séneca, Catão, Sócrates, Péricles, Marco Aurélio.

Devemos ter o dever de agir de determinada forma. Mas para isso, para essa coragem na acção, de sacrifício/dever, falta-nos a edificação que surge da contemplação da morte, da sua omnipresente presença (Memento mori).

Mao, mandou engenheiros para os campo, porque se desviavam dos "princípios". Eu, mandava-os para o cemitério, para saberem o que verdadeiramente conta.
A vida de nada conta, apenas a forma escolhida de se viver. A forma, essa sim é sagrada, não a Vida.

Ser-se recordado pelo exemplo, pelo epitáfio, - Como Mirabeau, disse - Não durmam descansados, apaziguados, felizes de consciência, pois o acordar poderá ser terrível.

Ou como V, vendetta:

A prisão mais insidiosa é a felicidade

https://www.youtube.com/watch?v=ig9IKQpu50o

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De Justiniano a 30.03.2017 às 12:36

O meu caro Eins intriga-me! O que me desdizia ontem, afirma-o hoje, com igual eloquência e convicção!! Mas eu aprecio personagens heterodoxos!
No meu comentário posterior há alguns elementos que o secundam!
Um bem haja,
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De Einstürzende Neubauten a 30.03.2017 às 13:00

Para acreditar antes a Sinceridade que a verdade

Abraço
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De Justiniano a 30.03.2017 às 12:14

Note-se que este fenómeno de hiper esclarecimento relativizador não se traduz em qualquer forteza moral ou argúcia de espírito, pelo contrário! Infantiliza, no sentido em que erode qualquer réstia de vigor moral e espiritual! A bússola moral aponta nortes em todos os sentidos! As auto restrições a direitos e liberdades transaccionam-se por um punhado de lentilhas ou por uma mão cheia de nada, e não por dever moral ou constrangimento da consciência ética (com tal moeda seriam intransaccionáveis. São sofisticados mercadores, estes nossos jovens. Tolerantes, a roçar o indiferente, desde que a moeda tenha valor e seja verdadeiramente fungível - O Debord versou sobre isto, o mercantilismo avançado arranja mercado para tudo - Oh there goes Bill (bill hicks) for the angry dollar, huge market!)! A perspectiva é puramente utilitária, como bem aponta o caro Eins. E se um princípio de equivalência reina é, como diria Nietzshe depois da morte de Deus, bem mais avisado puxar a brasa à minha sardinha!
E, deste modo, a verdadeira tragédia do cotidiano, como diria o Mário Sá Carneiro, é, exclusivamente, o grau zero da conta bancária, ou da algibeira!!
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De Einstürzende Neubauten a 30.03.2017 às 09:07


A transparência, de Jacques Tati. Se não temos nada a esconder, se somos honestos, quem não se deixa "espreitar" é porque tem algo a esconder. Certo?


https://www.youtube.com/watch?v=xI2Mhlw1W1w
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De isa a 30.03.2017 às 21:35

Ai Neubauten!... Neubauten!

Jacques Tati nada tem a ver com honestidade e transparência, tem a ver com com a domesticação do olhar, tal como turistas que passeiam nos centros comerciais olhando as montras das lojas.
Uma automatização, uma certa dessensibilização do olhar que fica, ele próprio, esvaziado pelas inúmeras e constantes reproduções de tudo e mais alguma coisa, algo que sempre quiseram instaurar no imaginário global, esse tipo de vivência através de um "olhar turístico".

Um ser humano é muito mais do que uma mercadoria em exposição. Montras, uma espécie de encantamento efémero mas, a vida, não se pode resumir a um shopping center.
Se considera isto uma opção normal para a transparência, a sua vida espiritual deve ser muito vazia ou então terá o fetiche de passar a vida a espreitar a vida dos outros, como se fossem, apenas, mais umas montras numa qualquer exposição de produtos. O olhar acaba por ficar de tal maneira preso ao que se passa fora que as pessoas até se esquecem de olhar para dentro.
Você não vem ao mundo para seguir, olhar ou policiar as experiências dos outros, vem para vivenciar as suas próprias experiências e aprender alguma coisa com elas. Senão, nasce e morre, sem nunca descobrir o que veio cá fazer
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De Einstürzende Neubauten a 31.03.2017 às 11:01

Ai Isa, isa .... não entendeu a ironia. Leia menos no que escrevo e mais no que não digo.

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De isa a 31.03.2017 às 22:27

Ai Einstürzende, Einstürzende... quando for ironia ponha umas carinhas ou mais qualquer coisa porque, como quer que se adivinhe se só perguntar: Certo?

Ainda não recebi o meu Canudo de Bruxa mas, estou quase a receber o de Vidente
Certo?
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De Luís Lavoura a 30.03.2017 às 10:17

Excelente post. Muito bem.

A propósito, reparei que na apresentação do livro do Luís Naves não havia nenhum fotógrafo a tirar fotografias indiscretas aos presentes, o que muito me agradou.
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 14:37

"Fotografias indiscretas" é o quê? Nu artístico?
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De Luís Lavoura a 30.03.2017 às 14:44

Fotografia indiscreta é toda aquela que mostra uma pessoa de forma reconhecível e que é tirada sem a autorização dessa pessoa.
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 14:48

Mas que chatice. Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa e Cristiano Ronaldo, só para mencionar estes três, não farão mais nada o dia inteiro senão conceder (ou negar) "autorizações", já que são fotografados a todo o momento, mal põem um pé fora de casa.
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De Luís Lavoura a 30.03.2017 às 15:37

são fotografados a todo o momento, mal põem um pé fora de casa

Pois são, mas não deviam ser. Essas pessoas, como todas as outras, têm direito à sua privacidade. E à sua imagem. Ninguém tem o direito de fotografá-las, a não ser em ocasiões em que a sua presença é pública.

A minha presença, essa, não é pública em ocasião nenhuma.
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 16:03

As figuras públicas têm direito à privacidade nos espaços privados.
Nas sessões públicas a que comparecem diariamente não se põe sequer o direito à privacidade, que só por absurdo poderia ser invocado.
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De Luís Lavoura a 30.03.2017 às 16:38

As figuras públicas têm direito à privacidade nos espaços privados.

Também têm o direito à privacidade nos espaços públicos, desde que não estejam no exercício das suas funções públicas.

Eu uma vez encontrei-me com Carlos Carvalhas (na altura, secretário-geral do PCP) num Continente. Estava a fazer compras como qualquer cidadão. Eu não teria o direito nem de ir meter conversa com ele nem (muito menos) de o fotografar. Porque ele estava na sua vida privada, não na sua vida pública.

Nas sessões públicas a que comparecem diariamente não se põe sequer o direito à privacidade

Certo.

Mas no meu comentário em referi-me a pessoas não-públicas (eu e outros) que compareceram a uma sessão de apresentação de um livro. Tratando-se de pessoas não-públicas, ninguém tem o direito de as fotografar, de forma reconhecível, nessa ocasião, nem noutras quaisquer. Porque não são figuras públicas. (Podem, naturalmente, ser fotografadas de forma não-reconhecível, de costas por exemplo.)
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 17:01

Era o que faltava limitar o direito à fotografia em espaço público. Inversão do princípio liberal, que autoriza tudo quanto não é expressamente proibido.
Uma vez mais, como aludi no texto, o discurso dominante - como o seu - funciona no sentido da compressão e até supressão dos direitos em vez de funcionar no sentido oposto.
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De Justiniano a 30.03.2017 às 17:07

A coisa é tão mais lavourada quanto, por força de leis, tais personagens têm restrições funcionais quanto ao direito à sua imagem (prescindem por princípio, e não só pelo conflito de direitos, ao direito à imagem)! O Sr PR tem a obrigação estrita e legal de ver exposta a sua imagem! O mesmo, embora em menor grau, para o Sr PM!
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De Luís Lavoura a 30.03.2017 às 17:27

Era o que faltava limitar o direito à fotografia em espaço público.

Ele conflitua com o direito à imagem, que é um direito de personalidade.

Agora você pode equilibrar os direitos conflituantes da forma que melhor entender. Eu entendo que o direito à imagem prevalece. (Li algures que recentemente os juízes de um tribunal superior português entenderam o mesmo. Não me peça detalhes.) Você pessoalmente tem o direito de entender o contrário, que toda a gente tem o direito de fotografar toda a gente na rua. Estamos em desacordo sobre este ponto.

Mas admira-me que uma pessoa que ataca o Big Brother defenda que todos têm o direito de fotografar todos na rua.
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 17:30

O "direito à imagem prevalece"? Extraordinária jurisprudência, que acaba de inventar agora.
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De Justiniano a 30.03.2017 às 17:03

É, portanto e apenas, mais uma Lavourada!!
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 22:19

Não faz o menor sentido, a absurda teoria dele.
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De Einstürzende Neubauten a 30.03.2017 às 10:18

Peço desculpa de responder às pingas. Mas chegámos aqui, a este novo totalitarismo, através da total liberdade. A liberdade de se ser feliz, em nome, apenas do prazer. De um prazer material, físico, que se compra (o único verdadeiro, segundo as Marcas). E não aquele que acompanha a reflexão, o sacrifício, a autodisciplina

Tudo é legitimo em nome da liberdade e do prazer, inclusive a ignorância se ela nos trouxer a felicidade. Quem hoje se ruboriza em mostrá-la?

Não querendo ser ideólogo demais, penso que isto resulta do capitalismo, do marketing, associado aos bens de consumo (compra=felicidade), do excesso de informação, que mais que informar tem o intuito de vender (vejam-se os livros escritos por especialistas que se contradizem) - ser-se o primeiro é mais importante que dizer a verdade

Onde pára a verdade? Até eu tenho já dificuldade em saber onde ela está, pois em tantas leituras, sobre os mesmos temas, perco-me.

Vive-se no chamado pós ideologismo, é isso que eles nos querem fazer crer, para através dessa ideologia (pós ideologismo) nos conduzirem pela nossa ignorância.

"A História é um conjunto de mentiras sobre as quais se chegou a um acordo."


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De lucke a 30.03.2017 às 10:40

" penso que isto resulta do capitalismo," Não, resulta do marxismo.
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De Einstürzende Neubauten a 30.03.2017 às 12:00

Eu não sou demoliberal, simpatizando, eu, com movimentos ditos "fascistas/autocráticos" e anticapitalistas. Poderia dizer que sou um defensor das virtudes da Republica Romana, personificado em Junio, Catão, etc.

Para nos entendermos, o Luck é o quê?
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De isa a 30.03.2017 às 11:02

Vivemos num Mundo que não será pós mas, pró-orwelliano que está praticamente ao virar da esquina, não só com a Inteligência Artificial, como outras tecnologias, com as quais a grande maioria nem sonha, mesmo vendo todos os filmes de ficção científica. Quando em 2013, li um trabalho do MIT, "How Smart Dust Could Spy On Your Brain", o cérebro poder ser controlado com a inalação de algo que não se vê, se não fosse saído de uma Universidade como o MIT e, mesmo nessa altura, pouco ou nada me surpreender, confesso que demorei a engolir a realidade e, ainda perdi um tempinho a investigar, na esperança que fosse uma falsa notícia que só "come" quem quer, porque a maioria tem o equipamento necessário, só não o usa por preguiça ou por ser mais cómodo "comer" notícias pré-digeridas (pior que pré-mastigadas) ou do tipo fast food.

"Voltando, à vaca fria" Tudo o que seja Concentrar Poderes, retirando-os ao indivíduo e fomentando a ideia que os indivíduos, queiram ou não queiram, nascem e morrem para servir o Colectivo, só serve para conseguir controlar. Esta será, mesmo, a única maneira e, assim, algures, uns poucos gerem grupos e até é fácil, "Comprar" alguns para, todos eles, lhes fazerem o resto do "Serviço", não só taxando como, localmente, ditarem as leis necessárias para "A todo o momento sermos filmados, fichados, gravados, inscritos, registados e vigiados nos mais diversos locais", como meros rebanhos.

Imagine um pastor com ovelhas individualistas, voluntaristas, anarquistas... completamente donas do seu destino, impossível ter um pastor para cada ovelha e, pode crer que o céu não caía, nem as ovelhas começavam a matarem-se umas às outras porque esta, é outra ideia falsa encascada, premeditadamente, pelos que sempre quiseram e continuam a querer o Controle Total, os totalitarismos de Esquerda ou de Direita. Por ser a nível Global, não deixa de ser o mesmo apetite insaciável de uma minoria em querer controlar a maioria.

Tem toda a razão na semente totalitária, no desprezo que os cidadãos dão aos seus direitos e até noutros assuntos dos seus postes como: "violência, extremismos, nas aberrações como a do acordo ortográfico, assuntos que não são debatidos em tempo de antena, preenchido com intermináveis blablablás sobre futebol, coerência", como vê, leio os seus postes
Mas, como se pode ter a solução se, a maioria, nem sequer souber qual é o verdadeiro Problema, a causa de todos esses males?
Confesso que a melhor metáfora para eu descrever os seus postes, será a de um médico que reconhece no doente, todos os sintomas:
Indigestão
Gases
Desconforto na região abdominal
Dor na região abdominal superior
Falta de apetite
Refluxo
Fraqueza
Enjoo
Arrotos
Emagrecimento
Vômito ou ânsia de vômito
Dor de cabeça

Só não consegue enxergar a doença que os provoca a todos mas, mesmo que até consiga chegar à Gastrite, a solução nem sequer está à vista, pode ser crónica ou aguda e, neste caso, eu aposto na crónica porque começa a ser visível andarmos de mal a pior. Até na Educação, Costa já nem quer Disciplinas, apenas Temas, o supra-sumo para a etapa final de estupidificar as massas, naturalmente com o Amen da UE.

Vê muitos sintomas, no entanto, nem se apercebe que isto de Estados democráticos, nem sequer existem, já falei muito sobre este assunto, já o tentei explicar de várias maneiras e, enquanto não tentar perceber aquilo que me farto de repetir do, deliberadamente, nos algemarem a dívidas, para os Parlamentos obedecerem ao exterior, onde euro-deputados não podem propor ou vetar leis de que Democracia estará a falar se, verdadeiramente quem manda não é eleito por cidadãos?

Naturalmente, haverá alguns que concordarão comigo mas, tal como a Catarina, só querem substituir uma Ditadura externa por outra interna porque a chave estará sempre nos direitos e liberdades individuais, nunca em grupinhos que rodam no poder, sendo eleitos por uma minoria da população e, aqui, não me vou repetir e, está explicado com números no final deste meu comentário
http://delitodeopiniao.blogs.sapo.pt/pensamento-da-semana-9129517

Mas se a Catarina quiser viver com aqueles que concordam com ela, a sua visão da vida, serei a primeira a defender os seus direitos desde que não me obrigue a mim ou quem não queira, a viver à maneira dela
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 14:41

De facto, "ovelhas individualistas, voluntaristas, anarquistas" seriam o pesadelo de qualquer pastor. E exigiriam o cão de guarda particularmente vigilante.

A nunca resolvida relação entre a liberdade e a segurança é um assunto recorrente nos meus textos. E um tema cada vez mais premente no mundo actual.

Não acompanho, de todo, a sua tese de que não existem Estados democráticos. Então a democracia existe onde? Nas aldeias aborígenes do interior australiano? Nas tribos bosquímanas? No arquipélago dos Bijagós?
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De isa a 30.03.2017 às 16:11

Mesmo imaginando que estamos os dois a falar de Democracia, como cada pessoa ter um voto, não nota que já estivemos mais perto e agora, cada vez mais longe?

Uma minoria que cria dinheiro baseado em nada, basta-lhes imprimir papel ou teclar números e que, assim, o podia enviar a rodos para os países, conhecendo bem a ganância do ser humano mas, tinha um objectivo muito específico e, aqui, repito, exactamente a mesma pergunta:
"deliberadamente, nos algemaram a dívidas para os Parlamentos ficarem a obedecer ao exterior, onde euro-deputados não podem propor ou vetar leis, de que Democracia estará a falar se, verdadeiramente, quem manda não é eleito por cidadãos?"

E é precisamente aqui que entra a velha e bafienta Ditadura, esquerda ou direita, as duas são exatamente o mesmo, existiram separadamente dentro dos próprios países mas, desta vez, querem ir mais longe, uma minoria, algures, quer pensar e decidir por si, por mim, por nós todos.
Quem for este tipo de globalista está, precisamente, a apoiar esta situação.
Mesmo escolhendo alguém que possa gerir assuntos comuns, localmente, ou seja uma população que, está por perto, nem esta deverá dar Poder ilimitado a ninguém porque, só não há corrupção onde não há Poder total nas decisões e, pior do que tudo o que a Humanidade já viveu e sofreu, é passarmos para o nível de não retorno, nunca mais ter poder nenhum, sobre gente que passa a controlar-nos de longe.

"Então a democracia existe onde?"
Se calhar, nunca existiu porque, como uma vez lhe disse, o que nasce torto nunca se endireita mas, nasceu torto porque convinha a "alguém". Primeiro, foram interesses caseiros agora são interesses a nível global mas nunca das populações.

Se chegamos à conclusão que algo está mal (alguns fingem não ser possível melhor do que isto) aqueles que pensam que há maneiras de corrigir e até acreditam ser possível ninguém mandar em ninguém e, facilmente, até se consegue que a função dos Governos nunca passem por cima do Estado (que somos todos nós), pode crer que sou toda ouvidos e quanto mais sei mais apelativo se torna.
Envio-o directamente para os princípios e pilares da verdadeira Liberdade, se quiser saber mais, por lá, há muito que ler, para pensar e meditar.
O que as pessoas precisam saber é que há várias saídas do pântano, naturalmente, não convém a uma minoria que elas saibam disso, para se acomodarem à ideia que para além disto não existem mais alternativas e eu, para não confundir ninguém, hoje, deixo apenas uma.

https://freedomforceinternational.org/creed-of-freedom/

O mais interessante é que seguindo estes princípios e, ao alargá-los conforme os povos as adoptassem, acabaríamos por viver sem serem precisas fronteiras mas, sem manipuladores, fabricantes de dinheiro, corruptos e paus mandados porque, sem Poder, nunca teriam hipótese de criar pantanais. Neste momento, as fronteiras são inevitáveis porque há gente com Demasiado Poder que quer subjugar ou tirar, o Poder de todos os outros... para sempre.
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 16:20

Globalista? O que é um globalista?
Lamento, mas sou pouco entendido em novilíngua.
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De isa a 30.03.2017 às 16:35

Nessa não caio há muito tempo, fez-me a mesma pergunta e, não ficando esclarecido com a minha resposta, até lhe mandei um vídeo, com uma menina muito simpática que explicava tudo, até ao mínimo pormenor.
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 17:03

"Meninas muito simpáticas", por cá, só às sextas-feiras de manhã.
Já falta pouco.
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De Maria Dulce Fernandes a 30.03.2017 às 17:28

No tempo em que a rádio imperava e em que a TV tinha apenas um canal com programas criteriosamente escolhidos, ver fotos dos meninos do Biafra nos jornais liquidificava qualquer alma , por muito empedernida que fosse. O sexo era tabu e até as anedotas mais "picantes" tinham que ser subentendidas. Fora da santidade do lar não se discutia a família , tampouco a religião. Íamos ao cinema, ao teatro, fazíamos piqueniques na praia e no campo, passeava-se de norte a sul, Europa adentro, a cantar... Ler era um escape fantástico, mas apenas nos alheava da realidade . Tenho saudades de mim e da simplicidade em que ser feliz se traduzia.
Em menos de 30 anos fomos do 8 ao 80. Tirámos as ligaduras que nos cegavam de uma só vez e deixámo-nos afogar num mar de luz. A novidade. A novidade pode tóxica, mas que raio, é novidade ... e tornámo-nos sedentos de tudo quanto era inovação, de tudo quanto era mecânico, de tudo quanto era eléctrico, electrónico, com fios, sem fios, pequeno, grande, à distância, basta um clique.
As sociedades evoluídas deixaram de ser gregárias. Quantos não moram num prédio de 20 andares sem conhecerem sequer o nome dos rostos que com eles se cruzam nos elevadores e a quem dão o educado bom dia da praxe.
A tecnologia robotizou-nos. Fez-nos alheados e indiferentes, não pela falta de informação, mas pelo excesso da mesma. E seria necessário ser eremita para a radiação dos media não nos atingir directa ou colateralmente.
As influências de falsa pureza proliferam com a falta de propósito. E procriam como hidras numa incubadora de falsos ideais.
Já não estamos oprimidos e condicionados , mas escolhemos ser condicionados e oprimidos.

Excelente o seu texto Pedro . Nota 10. Pena quem toda a gente o saiba ler

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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 17:32

Agradeço-lhe as suas palavras, que muito valorizo, Dulce. Devo cumprimentá-la também pela qualidade do contributo que aqui traz. É urgente reflectirmos sobre este tema, tão crucial no mundo contemporâneo.
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De Anónimo a 30.03.2017 às 18:21

São temas como estes que tirarão o Delito da letargia dos últimos tempos.
Como se pode ver, a qualidade dos textos alavanca(?!) a qualidade dos comentários.
Se reparem, escrevi "... temas como estes...", porque, na realidade, o texto aborda dois, qualquer deles de suma importância e oportunidade: o direito à privacidade e o vazio de valores.
No mundo atual, estranhamente dito civilizado, a privacidade é um não-valor ou até um "antivalor". O que vale é a imagem, a exposição. Sem elas não há marketing e sem marketing não há consumo. Assim, quem não tiver imagem não vale nada.
E, desgraçadamente, quem não tem imagem, seja ela qual for ou seja falsa, não vale nada num mundo onde vale tudo. E vale tudo, porque tudo se faz, tudo se compra, tudo se vende e tudo se consome... desde que transporte ou seja transportado por uma imagem qualquer.
E o mundo acaba aí. Não há princípios, não há causas, não há céu nem inferno... não há verdade nem há mentira!
Algo me diz que todos os impérios terminaram assim...
Nota: A informação nunca é de mais. A formação é que é de menos.
João de Brito
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De Pedro Correia a 31.03.2017 às 00:06

Essa frase é muito boa: "A informação nunca é de mais. A formação é que é de menos."
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De Pedro Correia a 31.03.2017 às 00:06


Quanto à suposta letargia, meu caro, não será certamente por falta de empenho da minha parte.
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De Einstürzende Neubauten a 31.03.2017 às 11:07

A formação é hoje de menos porque a informação é demais. E para haver uma formação é necessária uma especialização (reduzir os temas), o que implica uma informação de menos (limitar a informação, ao tema de especialidade).

E assim a especialização conduz, paradoxalmente, ou não, a uma formação menos universalista. Menos de conjunto, menos holística, menos complexa, e por isso menos "informativa".
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De V. a 30.03.2017 às 20:54

Mais do que a exposição às redes sociais, que ainda é voluntária, preocupa-me a exposição à máquina fiscal, que é involuntária. No primeiro caso, do outro lado estão apenas idiotas; no segundo caso, do outro lado estão filhos da puta extorsionários convencidos de que são donos do que é dos outros.
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De Pedro Correia a 30.03.2017 às 22:24

Quem domina a tecnologia, sobretudo a tecnologia que funciona na órbita do aparelho estatal, torna-se mesmo dono disto tudo.
O problema é mesmo esse.
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De Pedro Correia a 31.03.2017 às 00:05


Um problema, melhor dizendo. Por não ser o único.
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De V. a 31.03.2017 às 10:49

Sem dúvida. O Estado reúne demasiada informação sobre as pessoas. Num plano ideal não me parece nada legítimo. Não seria preocupante se as instituições do estado não fossem permeável às chefias políticas. Mas são. E por vontade das esquerdas serão ainda mais.
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De Pedro Correia a 31.03.2017 às 16:08

O Estado e as grandes corporações. Com a diferença de que o Estado, em democracia, ainda se rege por normas legais escrutináveis. As grandes corporações, só vagamente cumprem e respeitam a lei.

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