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A outra é que sabia disto

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.12.17

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É evidente que perante um Governo e uma maioria parlamentar que levou os últimos anos a "comportar-se de forma “irresponsável”, como “um pirómano, deitando gasolina para a fogueira em vez de proteger os portugueses e de colocar o interesse do país acima de tudo” e que "para poder andar mais depressa do que a prudência recomendaria, não só agrava impostos que dificultam a vida à generalidade dos portugueses, e sobretudo às famílias mais numerosas, à classe média e às empresas, como ainda trouxe Portugal para o radar internacional, fragilizando a imagem externa do país", elaborando orçamentos "em confronto com os nossos parceiros europeus com o anúncio de medidas de reversão, não da austeridade, mas de mudanças de natureza estrutural”, o normal seria que à nossa frente tivéssemos um caminho "que já não é de voltar ao défice do ano anterior, é de poder até ficar além desse défice". Era aquilo de que todos estavam à espera.

Por isso, eu compreendo perfeitamente o voto contra em relação ao Orçamento para 2018 por parte do PSD e do CDS-PP. Porque esse documento não servia "do ponto de vista estratégico o interesse cole[c]tivo, não estava orientado para o futuro. Nem esse nem o anterior. O resultado chegou agora. E é perfeitamente compreensível para alguns. Para mim não é.

A parte que a meu ver se torna mais complicada de entender é a de perceber como é que com um pirómano nas Finanças estes estafermos das agências de rating continuam a melhorar o de Portugal. Inacreditável. Agora até os tipos da Fitch, que foram os primeiros a colocar o país no lixo, fazem uma coisa destas. Logo em dois níveis. Uma coisa nunca vista, e numa altura em que os socialistas, sempre os mesmos, estão no poder com o apoio de uma aliança parlamentar de comunistas e radicais de esquerda que nunca teve pernas para andar. Vá lá a gente entendê-los. 

Eu não tenho dúvidas de que acção do anterior governo, de tão má, também contribuiu para este resultado. Mas estes foram incomparavelmente piores. E eles é que ficam com os louros? Uns tipos ao nível do Sócrates?

E, de facto, se isto não é uma morte lenta, penosa e com custos elevados para o país, ainda por cima com um ministro das Finanças a liderar o Eurogrupo, não sei mesmo o que será.

Pelo sim pelo não, no próximo Orçamento o PSD e o CDS-PP deverão voltar a votar contra. É o que os portugueses esperam deles. Por uma questão de coerência com o que escreveram e disseram nos últimos anos. Os tipos das agências que se lixem.  "Uma redução gradual e sustentada do endividamento externo" não é aquilo que mais convém ao país. Nunca foi, dá-nos cabo das finanças dos partidos. Até o Cavaco está calado. Uma desgraça. E se houver alguém que diga o contrário é porque está ao serviço desta gandulagem da "geringonça".

O Centeno, salvo o devido respeito, é um merdas. A outra é que nos enchia as medidas. A outra é que era boa.

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14 comentários

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De José António Abreu a 17.12.2017 às 18:02

Duas dúvidas, Sérgio, que estou convencido responderás de forma absolutamente honesta:
1. Achas mesmo que, com Maria Luís Albuquerque como ministra das Finanças, os resultados dos últimos dois anos - crescimento, défice, dívida, emprego, notação das agências, etc. - teriam sido piores?
2. Achas mesmo que Centeno e Costa estão a preparar o país para o futuro da melhor forma possível - ou, pelo menos, melhor do que o estaria a fazer um governo liderado por Passos Coelho»?
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De Sérgio de Almeida Correia a 18.12.2017 às 02:40

Caro José António,

1. Se formos sérios e levarmos a sério o que foi dito e escrito, sendo a receita muito diferente, pois é isto que justifica as críticas e os chumbos, calculo que os resultados tivessem sido muito piores. De qualquer modo, sobre isso, não coloco as mãos no fogo. A realidade é o que é.

2. Eu faria as coisas de outra forma, provavelmente com outra gente e com outro estilo.

Não sei se respondi como gostarias, mas que Passos Coelho e o PSD voltaram a errar nas previsões, isso parece-me indiscutível. Saiu tudo ao contrário do que afirmaram. Não tivemos segundo resgate, saímos do lixo (pelo menos na perspectiva das agências, não na minha, embora por outras razões), os resultados foram muito melhores do que aquele "afundanço" que se antevia e que no seu íntimo os indefectíveis da coligação PSD/CDS-PP esperavam.

Bom Natal.
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De Vento a 17.12.2017 às 18:57

Tirando as reversões, não vejo que se tivesse feito algo extraordinário em matéria governativa.
Estenderam-se prazos para liquidar dívida. Nada de novo debaixo do Sol:

https://www.dn.pt/lusa/interior/igcp-estendeu-prazo-de-mais-de-1000-me-em-divida-para-2022-e-2027-8967029.html

http://www.jornaleconomico.sapo.pt/noticias/portugal-pagou-mais-mil-milhoes-de-euros-ao-fmi-225581

https://www.publico.pt/2017/12/05/economia/noticia/governo-paga-mais-500-milhoes-ao-fmi-ate-ao-final-do-ano-1794962

https://www.msn.com/pt-pt/news/other/portugal-reembolsa-ao-fmi-mais-278-mil-milh-c3-b5es-antecipados/ar-BBF4Vfw

Significa isto que em 2018 continuarão a ser estendidas as maturidades e haverá mais emissão de dívida.

A questão governativa tem de ser avaliada em matéria interna, tais como: combate à pobreza, criação sustentada - e a sua qualidade - de emprego, saúde, qualidade dos serviços públicos e níveis de investimento.

As reversões foram positivas. Por exemplo, o turismo interno no Algarve cresceu e proporcionou um excelente retorno à economia do país e da região. Entenda-se que o turismo é contabilizado como exportações. Como tal, para a melhoria da economia importa que o aumento do salário mínimo nacional vá para além da timidez que o sector empresarial quer implementar. Mas também é preciso corrigir de forma expressiva os subsídios sociais, pois corre-se o risco de através da inflacção desalinhar a miséria das reversões nestes items. Portanto, o sector público vai ter de se aguentar com os aumentos ao nível da inflacção. Mais nada.
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De Jorge Silva a 17.12.2017 às 19:50

V. Excia acabou de pôr a sua cabeça a prémio com este post... seu perigoso socrático!!!!
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De Sérgio de Almeida Correia a 18.12.2017 às 02:55

A prémio já está há muito. Até no tempo do Sócrates. Já estou habituado.
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De jpt a 17.12.2017 às 21:29

O que eu gosto mesmo é disto dos tipos das agências serem, agora, significantes (credíveis e isso ...).
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De Sérgio de Almeida Correia a 18.12.2017 às 02:45

Não, não são, estás enganado.
Eram "significantes", "credíveis", etc. e tal, para quem tanto apostou neles. Agora, certamente, deverão deixar de o ser.
Não mudei o que penso (e escrevi) sobre eles, mas dá-me gozo ver agora quem tanto apostou nas agências e contava com elas para "enterrarem" este governo, a ter de ler aquelas coisas que a Fitch escreveu. É a vida.
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De jpt a 18.12.2017 às 15:33

Convenhamos que esta é uma posição única. Que todos os falantes públicos que abominavam o neoliberalismo fascizante capitalista das agências de pontuação passaram a mui considerá-las. E vice-versa. Ainda bem que a excepção está no DO.
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De Vento a 18.12.2017 às 21:51

O que o Sérgio refere é correcto, jpt. Além destes que ele refere pretenderem colar-se às agências de rating, estas mesmas agências, usando o condicional (IF ou SE), imaginavam cenários para induzir a crença da fatalidade. Como existe uma infantilidade nestas matérias do papão é natural que agora se surpreendam. Todavia, não há surpresa nenhuma. O caminho em parte era este, a outra parte é que anda a ser mal contada.
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De lucklucky a 17.12.2017 às 21:51

Rídiculo.
O que acontece de bom em Portugal é apesar da religião política, não por causa dela.
São os portugueses que produzem apesar das leis todas que Socialistas de Esquerda e a Direita Socialista tem criado sempre que vai para o Governo.
Centeno tem um défice quando deveria ter um superavite.
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De Beatriz Santos a 17.12.2017 às 22:20

ah, ah, ah....como sátira não podia estar melhor.
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De Anónimo a 17.12.2017 às 23:25

Há um facto que não consigo compreender:

Se Costa, Vieira da Silva, Santos Silva , Capoulas dos Santos ( menciono so estes 4) são tão bons.... tão bons, porque razão deixaram o pais ir para a bancarrota?

Festas Felizes

Amendes
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De Sérgio de Almeida Correia a 18.12.2017 às 02:48

AMendes,

É isso que está no post?

Quando não convém desconversa-se.

Festas Felizes também para si.
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De Anónimo a 20.12.2017 às 15:55

Acertar nas revisões, parece-me que ninguém acertou. Basta ver o que estava escrito nos orçamentos de estado aprovados no parlamento, e depois o que foi executado, e, principalmente, como foi executado.
Se o governo do Passos Coelho teria feito melhor ou pior, nunca saberemos, portanto essa é uma discussão estéril. Quanto à conversa do Diabo que viria e depois não veio, convém recordar o que a partir de junho/julho de 2016, o Ronaldo Centeno teve de fazer diferente do que tinha previsto. Nem vou aqui elencar as medidas extraordinárias a que teve de deitar mão, depois dos vários puxões de orelhas de Bruxelas porque o ilustre autor conhece-as até melhor do que eu.
Quanto ao resto: apetece dizer que apesar deste governo, a economia portuguesa continuou a crescer. Mas convém também dizer que o rei vai nù. Com crescimentos como este e como os que estão previstos para os próximos anos, não vamos lá. Olhando para o que se está a passar em Portugal, é tudo tão parecido com o que se passou entre 1995/2002 e 2005/2011, que até assusta.

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