Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




A ler e, como de costume, a esquecer rapidamente

por José António Abreu, em 05.02.16

O Mercado Interno: Um Modelo Esgotado, de Mário Amorim Lopes, n'O Insurgente.

Autoria e outros dados (tags, etc)


7 comentários

Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 05.02.2016 às 16:47

O post de Mário Amorim Lopes parece incompleto. Falta-lhe uma conclusão, uma aplicação às condições atuais.
Além disso, esse post parece baseado num passado que já não existe. Portugal não tem atualmente um défice da balança corrente; tem uma balança superavitária (embora pouco) já há três anos. E, não só não tem défice, como não tem possibilidade de o ter: não há quem esteja disposto a emprestar dinheiro a rodos a Portugal como houve no passado. Portanto, mesmo que Portugal agora se pusesse a consumir em excesso, rapidamente esse excesso seria terminado por ausência de crédito.
Ou seja, Amorim Lopes, como é típico dos políticos portugueses (tanto de direita como de esquerda), foca-se em problemas do passado e não repara que as condições atuais já são diferentes. O problema de Portugal atualmente não é consumir de mais, é ter demasiado desemprego.
Imagem de perfil

De José António Abreu a 05.02.2016 às 17:11

A percentagem de consumo no PIB não é um dado do passado. E, como você diz, se "Portugal agora se pusesse a consumir em excesso, rapidamente esse excesso seria terminado por ausência de crédito". Ou seja, por nova bancarrota. Desconfio que é esse o ponto de Mário Amorim Lopes. É pelo menos o meu.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 05.02.2016 às 17:33

Não, José António. A bancarrota é um assunto do Estado português. O Estado português pode ir ou não ir à bancarrota. Aquilo sobre que o post de Mário Amorim Lopes se debruça não é sobre as finanças do Estado português (e a sua possível bancarrota), é sobre as finanças de Portugal, ou seja, do país como um todo - do Estado, das empresas e dos cidadãos.

A ausência de crédito não é bancarrota. Suponha que o José António deseja consumir mais, comprando um BMW. O José António não tem dinheiro para comprar o BMW e pede um empréstimo ao banco. O banco não lhe empresta. Portanto o José António fica incapaz de aumentar o seu nível de consumo. Quer isso dizer que o José António está na bancarrota, que está falido? Não, significa simplesmente que não tem crédito. Não ter acesso a crédito não é o mesmo que estar na bancarrota.

Portugal (o país como um todo) atualmente está nesta mesma situação: ninguém lhe empresta dinheiro. Os bancos portugueses atualmente governam-se apenas com o dinheiro que os depositantes lá depositam - não pedem empréstimos ao estrangeiro. Os bancos portugueses basicamente já não emitem obrigações (de longo prazo), isto é, já não contraem empréstimos. O que isto quer dizer é que Portugal já não pode consumir a crédito, como fazia há dez anos. Portugal agora governa-se com o dinheiro que tem. Já não pode (mesmo que queira) consumir de mais.

É por isso que o post de Mário Amorim Lopes está basicamente errado.
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 05.02.2016 às 18:18

Que tal criticar o dirigismo económico que está implícito no texto.
Eu estou-me nas tintas se os portugueses vivem melhor por transaccionarem muito entre si ou por venderem ao estrangeiro.

Ora as políticas de todos os partidos socialistas em Portugal (incluí para quem não percebe o CDS e PSD) foi sempre de punir quem faz, cria, cresce.
Imagem de perfil

De Manuel a 05.02.2016 às 19:07

Não há volta a dar. Ninguém no seu perfeito juízo espera que a vida lhe corra bem durante muito tempo quando opta por viver a comprar mais do que vende. Assim para as pessoas, empresas ou países.
Isso de um país passar décadas a comprar mais do que vende é fruto de governos irresponsáveis que tudo fazem para deitar as mãos no poder apenas com a missão de governarem bem as suas vidas e as dos seus amigos.
Países ricos são aqueles que vendem mais do que compram. Desafio a malta cá do sítio a mostrarem-me um país que tenha enriquecido ou crescido através de um modelo comercial deficitário. Treta pura e dura. Com uma balança comercial deficitária o melhor que vamos conseguir fazer é o mesmo que sempre fizemos: continuar a enriquecer os países com balança comercial positiva.
Para haver ricos tem de haver pobres, seja a nível do indivíduo ou a nível dos países - quando vamos ter um governo que entenda isso?
Sem imagem de perfil

De lucklucky a 05.02.2016 às 22:35

"Para haver ricos tem de haver pobres, seja a nível do indivíduo ou a nível dos países - quando vamos ter um governo que entenda isso?"

Ora aqui está mais um mercantilista(seja Comunista, Socialista, Conservador) que tão mal têm trazido ao mundo na sua visão destrutiva da relação entre pessoas.

Imagem de perfil

De Manuel a 06.02.2016 às 13:09

Então talvez não seja bem assim, mas antes que isto fique por esclarecer, peço-lhe um pouco do seu tempo.
Um país rico é também um país que vende/exporta mais do que compra/importa, concorda?
Se não concorda é porque acredita que um país com balança comercial deficitária pode ser tão rico como um país com balança comercial superavitária, certo?
Se não concorda é porque acredita num mundo a funcionar com Homens que trabalham e produzem sem direito à propriedade nem direito à materialização dos seus sonhos e desejos. Porque acredita que um mundo justo e saudável é um mundo onde uns produzem para doar o excedente do produto do seu trabalho a outros que possuem necessidades. Quanto tempo vai funcionar esse modelo de sociedade? Porque vou eu criar excedente quando posso ficar deitado no meu sofá e, porque sou humano e velhaco como todos os humanos são, já arranjei forma de provar que tenho muita necessidade e outros que trabalhem para me sustentar? Onde vou buscar motivação para encontrar o meu talento, a minha vocação, a virtude da criação, se não preciso de dar para receber, ou se sou obrigado a dar o que crio a quem precisa, mas também a quem gosta de simplesmente viver comendo o fruto do trabalho alheio?
De não concorda já chega, vamos agora ao caso de você concordar:
Vamos pegar na minha afirmação " para haver ricos tem de haver pobres" e vamos tentar imaginar que podemos ser todos ricos. Todos os países e todos os Homens a venderem mais do que compram, você consegue conceber um mundo assim? Eu não. Afinal quem comprará/consumirá o excedente de produção de todos os países e de todos os Homens?
De uma forma ou de outra vamos ter sempre o mesmo problema: a exploração do Homem sobre o Homem. A única diferença é que num modelo quem não faz nada é que come o fruto do trabalho alheio e assim sociedade fica desprovida de força que a impulsione para o progresso, fica estática. No outro modelo, temos igualmente de lidar com o problema da exploração do Homem sobre o Homem, mas uma vez que a sociedade glorifica o talento e reconhece o mérito do trabalho, certo que também o trabalho desonesto, mas ao menos ganha inspiração e força para progredir, para evoluir e os Homens ganham força para viver a vida com o direito de trabalharem e lutarem pelos seus sonhos.
O mundo nunca será perfeito, mas uma vez eternamente imperfeito que ao menos esteja vivo.

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D