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A importância de ouvir quem sabe

por Pedro Correia, em 26.07.17

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Ocorreu ontem à noite na SIC Notícias um bom debate sobre a tragédia dos incêndios que tem devastado Portugal nestas últimas semanas e já consumiu mais de 75 mil hectares de terreno rural e florestal. Um debate para o qual gostaria de vos chamar a atenção: nele não escutámos a habitual ladainha de lugares-comuns e clichês ideológicos que é costume ouvirmos debitar por parte daqueles que, sem nunca terem saído de Lisboa, se atrevem a dar receitas sobre o "reordenamento florestal" do País.

Um debate que juntou António Gonçalves Ferreira, produtor florestal e presidente da União de Floresta Mediterrânica, Henrique Pereira dos Santos, arquitecto paisagista e presidente da Associação da Conservação da Natureza, António Rosa Gomes, especialista em segurança contra incêndios e ex-chefe do comando de bombeiros da Amadora, e Nelson Mateus, jornalista da SIC sediado na zona centro e já com vários anos de experiência em reportagens sobre incêndios agrícolas e florestais.

 

Aqui deixo algumas frases que fui registando:

  • «[Em Portugal há] condições geográficas para termos um crescimento dos matos muito rápido. Aquilo que conta na frente do fogo não são as árvores mas os combustíveis que têm até seis milímetros de espessura: o que conta são as ervas, os matos, as folhas, os ramos finos... Como temos Invernos muito amenos, a vegetação não pára de crescer no Inverno, e temos Verões relativamente húmidos, o que faz que continue a crescer no Verão. E é por isso que arde [sobretudo] a norte do Tejo, tal como em Espanha 50% dos fogos são na Galiza.»
  • «O fogo é uma inevitabilidade. Não vale a pena pensar que é uma probabilidade. E nós temos de aprender a conviver com ele. (...) O fogo é um elemento tão natural como a água, como o vento ou como a terra.»
  • «Não podemos estar a apostar sempre na resolução do problema pondo na medida reactiva aos incêndios todo o esforço, de forma desproporcionada e pouco inteligente. A gestão da emergência não deve ser confundida com a gestão das operações de emergência. A gestão da emergência começa na pré-emergência. Não podemos esperar resultados diferentes se fizermos sempre as coisas da mesma forma.»
  • «Em muitas destas aldeias [ameaçadas pelas chamas] aquilo que encontramos são pessoas idosas, já com poucas forças, já com problemas de saúde. Aí é perfeitamente compreensível que surjam essas queixas sobre a falta de meios. (...) Quando existem vários grandes incêndios coloca-se a questão da gestão de meios. Esta queixa da falta de meios em Mação, quando existem grandes frentes de incêndio em locais muito distintos, é um aspecto que merece uma reflexão dos responsáveis operacionais.»
  • «Devíamos separar fogos urbanos de fogos florestais. A forma de os combater é diferente. O que se faz [nos florestais] é retirar combustíveis da frente de fogo. (...) Os grandes fogos levam-se à extinção, combatem-se nas laterais e de trás para a frente.»
  • «É necessário estruturar devidamente as carreiras de bombeiros, as suas especializações, e construir um edifício que permita que o voluntariado corresponda a uma verdadeira profissionalização da acção por melhoria de competências. (...) O actual modelo formativo está absolutamente desadequeado.»
  • «Esta "reforma da floresta" [em curso] torna-a menos competitiva e em nada contribui para a diminuição do risco de incêndio. Aponta para o eucalipto como principal culpado de todos os males da floresta quando nós sabemos que uma das principais defesas da floresta é a sua rentabilidade. (...) É um conjunto de medidas desgarradas que não responde nem às necessidades da floresta nem às preocupações de todos os agentes a ela ligados.»

 

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39 comentários

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De Anónimo a 26.07.2017 às 09:17

Bom dia Pedro Correia. Não tive oportunidade de ver o programa, o que irei fazer com o recurso à tecnologia de andar para trás. Tenho registos fotográficos do horror dos incêndios nas zonas entre VVROdão, Mação, Sertã, tiradas com uma 150/ 500, a partir aqui da aldeia. Quanto ao que refere não tenho qualquer problema em concordar excepto quanto à inevitabilidade dos incêndios. A menos que nessa inevitabilidade se meta o que continua por explicar como por exemplo, sim ou não há negócio com as aeronaves, com material de incêndios, com madeireiros etc. gostava de perceber porque não arde o pinhal de Leiria, creio, e outras zonas. António Cabral
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De Pedro Correia a 27.07.2017 às 20:28

Estarei atento a essas imagens. São um documento, seguramente.
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De Luís Lavoura a 26.07.2017 às 09:33

Em muitas destas aldeias [ameaçadas pelas chamas] aquilo que encontramos são pessoas idosas, já com poucas forças, já com problemas de saúde.

Pois. O que coloca a questão de, porque é que não se força ou, pelo menos, estimula essas pessoas a irem viver para a vila, em lares ou mesmo em habitações sociais, o que permitiria poupar meios na defesa dessas aldeias contra as chamas.

Andam bombeiros a gastar água e tempo a defender aldeias onde só há três ou quatro casas de férias e mais duas ou três casas habitadas por idosos que cultivam couves. Mais valia deixar o fogo queimar as casas todas e mandar os idosos ir viver para a vila.
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De Costa a 26.07.2017 às 11:05

O Lavoura manda, ou pelo menos - talvez para se livrar de incómodos que o retirem da sua suave rotina entre a agradável rua onde habita (obra de Medina, fundada na ideia de Costa) e a horta urbana para onde vai, ciclovia abaixo, assistir a doces auroras e delicados crepúsculos, enquanto enternecido testemunha a milagrosa criação do repolho - manda mandar, a transferência forçada de populações. Repare-se no vocabulário: ideal seria forçar, estimular já é uma penosa cedência. Sonha ser um Estaline, mas, coitado, à medida portuguesinha, tem que se contentar não com milhões de desgraçados mas com dúzias de aterrorizados. Uma lástima.

Nem se pensa, para lá de questões de direito (dos fundamentais e dos outros), em questões de recursos - que em Portugal, país de torrencial legislação, dotada de preâmbulos de gesta heróica ou inflamada literatice - nunca existem. Force-se a sua ida para as cidades e vilas principais e que se amanhem!

De resto, dado mais este preclaro passo na senda da desertificação, é de supor que o Grande Líder Lavoura, parece, de anteriores textos, que proprietário de eucaliptais, cuidaria de prontamente mandar demolir as casas e tudo transformar em, quem sabe, eucalipto (as restantes espécies são, para uma mente lavoural, anacronismos de bucolismo e romantismo, elementos de uma pintura e literatura velhas e que nada, seguindo o brilhante exemplo chinês - o horizonte é vermelho! - como o Lavoura revelou, interessam já).
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De Luís Lavoura a 26.07.2017 às 12:22

Não lhe parece interessar nada que nós estamos a subsidiar o modo de vida anacrónico destas pessoas. Como contribuintes, pagamos os bombeiros que protegem as suas casas no meio da floresta; e como benevolentes doadores, damos dinheiro para que após o incêndio elas possam reconstruir as suas casas no meio da floresta (talvez para que voltem a arder daqui a alguns anos).
Eu, por mim, não gosto de andar a pagar o modo de vida que os outros escolhem.

Já quanto à desertificação, isso é um disparate. A Espanha há muito que fez aquilo que eu aqui preconizo (eliminou a pouplação dos campos e concentrou-a nas vilas) e nem por isso tem menor densidade populacional que Portugal. Nem ninguém diz que a Espanha esteja desertificada.
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De Javardoura a 26.07.2017 às 13:28

O Lavoura, um autêntico engenheiro social. Não sabia que em Espanha se tinham esvaziado as aldeias em nome do desenvolvimento social. Acaso Estaline era espanhol ?
Veja, eu não estou disposto a financiar as forças de segurança e a rede de esgotos e saneamento das cidades pois são nestas onde se produzem mais desperdícios e violência Quanto a si, já que estamos numa de mandar, punha-o em Sete Rios a tocar o sino, a bem do Progresso
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De Costa a 27.07.2017 às 01:21

A Espanha fez então o que você protagoniza: eliminou (cito) a população dos campos. Não é o que me parece ver por lá, mas fico a saber que o Reino de Espanha, é uma monarquia estalinista. Seja, então.

De resto, a si não lhe apetece financiar o modo de vida dos outros: de duas uma, ou você não paga impostos, ou esse financiamento é o que você constantemente faz (e vista a rapina fiscal que se pratica em Portugal, você paga-o e paga-o bem). Sendo bem menos escandaloso - a usar o seu critério - o que nos custa o anacronismo aldeão, do que o pesporrento arrivismo urbano da classe de apaniguados novos-ricos que este regime criou e estremecidamente sustenta. Esses e as outras clientelas.

E quem acha você que financiaria a "eliminação" da população das aldeias? Ou o que tem em mente é mesmo eliminação, sem mais, e já agora com o custo da bala a pagar pelo eliminado (ou isso ou muito benevolamente despejá-los nas cidades e vilas e ordenar-lhes que façam pela vida...)?

Costa
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De Costa a 27.07.2017 às 08:39

Na primeira linha deveria ser "preconiza" e não "protagoniza", claro. Estas modernidades ditas "automáticas" e "inte!igentes" (e em acordês, claro; mas isso o Lavoura aplaude)...

Costa
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De Luis a 27.07.2017 às 09:45

Mas o homem já não tem direito a viver onde bem quer e lhe apetece?

"Eu, por mim, não gosto de andar a pagar o modo de vida que os outros escolhem".

Para que saiba, muitas dessas pessoas das aldeias são sócias dos bombeiros das zonas onde habitam, isto é, contribuem monetariamente para a manutenção dos mesmos e, por consequência, PAGAM, se assim preferir, os serviços que lhes são prestados aquando de um incêndio.

Ora se a grande devastação que os incêndios causam se deve em muito, por quanto dizem os especialistas, ao facto de os campos e florestas não serem limpos, expoliando as aldeias das pessoas que lá habitam (e se há alguma limpeza, esta é efectuada por muitos desses idosos que ainda vão aos seus campos e fazendas), a devastação causada tornar-se-ia ainda maior, crescendo os matos sem controlo algum.
Eu até propunha que o Luis fosse então um "benevolente doador" (e os benevolentes doadores, se verdadeiramente fazem os actos com verdadeira caridade, nada devem esperar em troca) e desse do seu tempo para ir por esse Portugal afora limpar os matos, os campos, as serranias, e assim pouparia os seus impostos.

Então, corrija-me: acha que estas pessoas que vivem em aldeias, não pagam impostos? Se pagam, têm elas de o fazer para pagar o modo de vida que o senhor escolheu?

A sua intransigência está a poucos passos da arrogância.
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De Bombeiro apeado a 27.07.2017 às 15:01

Eu vi logo que eras um cunho español, um ressabiado, um grunho, um monte de m#rda. Já agora, manda para cá o teu nome e nº de contribuinte para se ver o que é que andas a subsidiar. Quanto tal, és mais um a comer à custa do erário e dos subsídios
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De MM a 27.07.2017 às 20:22

Seria interessante investigar as propostas de 'negócios' que surgem depois destes grandes incêndios. Os habitantes locais que vêm em cinzas todas as suas vidas, muitas vezes idosos, são assediados por uns 'interessados', em nome próprio e/ou em nome de outrém, em comprar por tuta e meia terras e casas. Será que os senhores jornalistas poderiam investigar isso? Era só estarem em contacto com os habitantes/proprietários dessas zonas e/ou verificar nos registos as mudanças de proprietário.
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De Pedro Correia a 27.07.2017 às 20:28

Acha que se isso acontecesse não seria motivo de diversas reportagens, locais e nacionais?
Nenhuma floresta ardida vale mais do que uma floresta por arder. Como é óbvio. O valor comercial da lenha queimada cai a pique.
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De MM a 27.07.2017 às 20:40

Refiro-me a terra, hortas, casas. Os proprietários em desespero sem saber para onde se virar são assediados e pressionados a vender ao desbarato. Não é só a lenha que se perde nestes incêndios, e seria interessante saber quem 'lucra' com estas situações. Talvez se encontrassem outras razões para tanto incêndio criminoso, pois só isso justifica que 1/3 da área ardida na Europa seja em Portugal.
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De IO a 26.07.2017 às 13:02

e mandava-se o sr Lavoura pqra o hospital psiquiatrico!
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De V. a 27.07.2017 às 00:04

O Estado já rouba tudo às pessoas — o socialismo merdoso já nos é imposto à força e com batota — por que não também roubar-lhes as casas, a sua freguesia e os seus sítios e passarem a viver no centro de dia até morrerem a ver a merda do Domingo Desportivo e o Benfica, c*****o.
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De Bombeiro apeado a 27.07.2017 às 14:54

Ó Luisinho, era para te mandar às couves, mas talvez seja melhor mandar-te às urtigas e passa-as bem pelo focinho. Vais ficar a arder, mas ninguém se vai ralar com isso, já que gastar água não é contigo. Tás a topar, ó estúpido.
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De Alain Bick a 26.07.2017 às 10:10

sou químico orgânico
com post-graduações e trabalho fora do rectângulo desde 1957

fui produtor florestal com várias espécies
plantadas e lavradas

ardeu tudo

inclusivé olival de 20 mil litros de azeite anual

já disse a um que me desmentiu que isto é
teoria de cadeira de rodas
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De Pedro Correia a 26.07.2017 às 11:05

Nunca se fala dessas questões porque se fala apenas da "área florestal" ardida, sem alusões às áreas de cultivo. Ainda agora, em Alijó, uma grande parte do que ardeu foi área de cultivo - pomares, vinha, olival.
Isto nada tem a ver com a "desorganização do território" nem com a "monocultura do eucalipto", como alegam alguns, fazendo uso dos chavões mais recentes. Como antes apontavam os "madeireiros" como cérebros dos fogos. Nunca mais ninguém falou em madeireiros.
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De Manuel Costa a 26.07.2017 às 22:37

Na verdade, a razão são mesmo os eucaliptos. É que anteriormente (aqui há 20-25 anos atrás) as vinhas, olivais e outras árvores de fruto, tinha uma secção de 100 a 250 metros a separá-las dos pinheiros, normalmente com carvalhos ou castanheiros ou cerejeiras. Devido ao abandono desse tipo de culturas, as zonas produtivas perderam os anéis de protecção. As árvores não produtivas foi tudo removido e plantaram-se eucaliptos até aos muretos das vinhas e dos olivais. Depois do fogo de 2003, a zona de Mação recebeu dezenas de milhões de eucaliptos para ocupar as áreas que tinham sido destruídas. Nalgumas regiões até árvores de fruto foram arrancadas porque o eucalipto demora 5 a 8 anos a estar pronto para vender e não precisa de manutenção. Existem aldeias que tem eucaliptos até ás casas, para aumentar a produção de madeira. Está-se a ver o resultado... E os planos directores municipais são muito bonitos mas, as câmaras colocam desenhos de pinheiros e outras árvores, sabendo que só lá estão eucaliptos e nunca se importam que sejam cortados, rebentam e continuam os 300 hectares a aperecer como pinheiro manso, sem que lá exista algum.
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De Pedro Correia a 27.07.2017 às 20:37

Lamento contrariá-lo, mas depois dos gravíssimos incêndios de Mação em 2003 foi ali desenvolvido um projecto-piloto elogiadíssimo em toda a parte.
Se o jornalismo não tivesse a fraquíssima memória que tem, alguém já teria recuperado por estes dias os elogios feitos precisamente a esse projecto de Mação:
«A visão integrada de Mação, que "já foi dada a conhecer a dezenas de ministros e secretários de Estado portugueses", tem merecido a atenção de entidades internacionais e, inclusive, recebeu prémios como o "Batefuegos de Oro", em Espanha, além de outras distinções e convites de entidades ligadas ao desenvolvimento rural espanholas, da Universidade de Santiago de Compostela, da Hungria e Sérvia, entre outros.»
http://www.dn.pt/lusa/interior/incendios-exemplo-florestal-em-macao-elogiado-em-todo-o-mundo-mas-em-portugal-falta-coragem-politica-8587724.html
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De Psicogata a 26.07.2017 às 12:41

Os eucaliptos são um problema, não são o único, mas são um problema, os eucaliptos e todas as monoculturas, com a agravante que os eucaliptos secam os solos.
O problema maior da nossa floresta são as espécies não autóctones, o problema do clima ameno não se coloca se a floresta tiver sobreiros, carvalhos e outras árvores similares, debaixo destas pouco mais cresce que tufos de erva.
É claro que ardem áreas de cultivo, estando próximas de áreas não controladas o fogo alastra e com condições atmosféricas favoráveis tornam-se impossíveis de parar em tempo útil.
É preciso diversificar a rentabilidade da floresta, penso que o maior problema se prende com o abandono dos terrenos, não existem animais a comer o combustível, não se rapam terrenos para colocar nos estábulos, para fazer estrume, a agricultura e a pecuária estão intimamente relacionadas com a floresta, mas não vejo ninguém falar disto.
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De Vlad, o Emborcador a 26.07.2017 às 13:20

O problema dos fogos como de qualquer problema em Portugal não são os diagnósticos nem a falta de especialistas. A nossa carência é a da acção. Entendo que os fogos são uma inevitabilidade, o que não entendo é a dimensão repetitiva dos incêndios .Às tantas os bombeiros preocupam-se em exclusivo com a protecção de bens e gentes e não com o património florestal que se perde durante gerações. E isso está absolutamente errado.
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De Maria Dulce Fernandes a 26.07.2017 às 13:28

Eu vi o debate e gostei muito. Fez sentido. Teve lógica. Esclareceu.
Foi muito bem transformado em post pelos mesmos motivos.
Eu falo por mim quando digo que desconto há 40 anos para ter direito à velhice que mereço. Se é anacrónica ou não, só a mim diz respeito, porque trabalhei uma vida para chegar lá.
Pedro, tem dias que penso se algumas pessoas são gente. Mesmo.


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De V. a 26.07.2017 às 19:56

Concordo em absoluto com HPS. Tenho dito aqui várias vezes que "os bombeiros já não apagam fogos": quando um fogo atinge uma determinada dimensão —o que é comum porque a metodologia está desajustada do problema—já não o conseguem parar e normalmente os fogos vão apagar-se ao fim de dois dias e quando muda a paisagem e já não há mais nada para arder. Muitas vezes deixam-no arder por montes e vales e tentam guiá-lo inutilmente com uma ou duas aeronaves (by the way, "aeronaves" podem enumerar-se, "meios aéreos" não). Ao final do dia e durante a noite, quando o arrefecimento natural começa a deslocar grandes massas de ar, o fogo arde ao sabor dos ventos e salta encostas com facilidade. Isto não é uma teoria, é o que eu vejo das minhas janelas.

A única solução para fogos que ultrapassam o tamanho do pinhal onde começa é contra-fogo (queimar áreas onde o fogo vai passar), um método que por motivos que me ultrapassam os bombeiros já não utilizam. É aqui que a política deveria entrar e legislar APENAS para que se possa utilizar uma área como travão de uma
desgraça maior e com a devida moderação — e não produzir legislação infinita e merdosa sobre o que se deve plantar o não.
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De IsabelPS a 26.07.2017 às 20:34

Montis - Associação de Conservação da Natureza
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De Anónimo a 27.07.2017 às 09:29

Do alto da minha ignorância, permita-me discordar na tentativa de justificar as inevitabilidades. Desafio qualquer um a visitar um eucaliptal e procurar esse "mato" que supostamente alimenta os fogos. De mato, vão encontrar zero, pois nenhuma planta consegue viver próximo de eucaliptos. O que vão encontrar e muito, é a biomassa gerada pelos eucaliptos (casca, folhas e afins) e isso sim é um combustível altamente inflamável. Nos pinhais é exactamente o mesmo, basta pensar que as pinhas secas são a "acendalha" mais antiga e natural que utilizamos tal como as "palhas" do pinheiro. Tudo o resto sobre as aldeias com populações envelhecidas é folclore mediático. Para quem defende que a floresta não é rentável sem a utilização destas espécies, basta afectar os custos de combate aos incêndios nestas florestas e percebemos que a rentabilidade só existe porque andamos TODOS a pagar e muito caro (inclusive com vidas humanas), para que ela possa existir. Voltando ao inicio, mais que palavras, nada como levantar o rabo da cadeira e ir conhecer no terreno, a realidade sobre a qual tantos especialistas falam e escrevem mas só conhecem no papel.
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De Tiro ao Alvo a 27.07.2017 às 13:37

Desconfio que este anónimo nunca se deslocou a uma floresta,quer seja um eucaliptal , quer não. Digo isto porque ele escreveu que num eucaliptal não crescem matos ou outras ervas "daninhas", pois, diz ele, "nenhuma planta consegue viver próximo de eucaliptos". Ora, quem isto escreve, ou é desonesto, ou nunca foi ao terreno ver como as coisas se passam numa floresta de eucaliptos. E quem diz de eucaliptos, diz de pinheiro, diz de carvalhos, diz de oliveiras: em todas elas os matos atacam e são um perigo para os incêndios.
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De Bombeiro apeado a 27.07.2017 às 15:06

Exactoqual, isto é, exactissimamente tal e qual.
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De s a 27.07.2017 às 10:12

o titulo é enganador (já lá vou ) , o PC (pedro correia ) persiste no trauma lisboa, apetece dizer que lisboa seja suspensa e que as populaçoes sejam simplesmente entregues a si proprias, com os seus meios locais e meios exclusivamente sustentados por si proprios.

Alias esta é uma questao que o PC ou nao extraiu ou nao foi colocado no tal debate: a culpa da populaçao é tabu, o populismo nao se descaiu, prefere atirar-se a lisboa, é popular.

Ainda assim, o grosso do post, , nao condiz nem com o titulo nem com o PC tem dito por aqui.

De todo o modo ( e devo confessar que todos os dias e horas ouço entendidos, já estou habituado no tocante a treinadopres de futebol, todos habeis de tacticas bla bla bla, mas nao podem ganhar todos ) até as vitimas de incendios nao sao coxos de palpites, e continua a nao haver noticias de casas despidas, livres de matagais, a arderem.

eu vir para aqui falar em floresta mosaico e outras santidades, nao passa de visoes.

Pelo contrario : os fogos sao inevitaveis, todo o esforço deve ser concentrado em, fora da epoca dos fogos, tornar as aldeias ilhas, imunes ao fogo. Por isso já disse, talvez aqui, que o governo deveria declarar o estado de excepçao, e faze-lo, limpar tudo em redor das aldeias, protegendo-as. Os lesados, a treta da propriedade privada, que recorressem a tribunal contra o estado...

as televisoes mostram, todos os anos, pessoas de mangueira e baldes, nao mostram as populaçoes com motoserras e maquinas de arrasto, tratarem de impedir que o fogo entre nas aldeias.

Tem mais : claro que isto é como os grandes acidentes em cadeia, mas em resultados dos incendios nenhumas populaçoes, salvas ou nao, e proprietarios, pagaram os milhoes aos serviços que no terreno combateram o fogo. Populaçoes essas cotidianamente habituadas a subsidios por da ca aquela palha... apesar e que em lisboa estao uns quantos que entendem que as mulheres FERTEIS deveriam ficar em casa com o estado a pagar-lhes o ordenado

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