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A guerra contra o terror

por Luís Naves, em 14.01.15

À primeira vista, a brutalidade dos terroristas radicais islâmicos sugere uma ameaça existencial para o Ocidente e os seus valores. A barbárie também se manifesta em zonas de guerra onde reina o terror, como no norte da Nigéria, na Síria/Iraque, na Líbia e Somália ou em territórios substanciais do Afeganistão. E, no entanto, quando temos uma visão mais abrangente do conflito, são os radicais que enfrentam uma óbvia ameaça existencial. As principais potências do mundo (EUA, Europa, Rússia e China) concordam entre si num único ponto, a necessidade de combater o radicalismo islâmico, seja na sua forma de grupos terroristas ou de movimentos separatistas. Os islamitas são perseguidos em todos os países estáveis do mundo muçulmano e estão a ser presos ou eliminados em todas as regiões onde existam grupos extremistas. As zonas dominadas pelos radicais são pobres ou palco de intermináveis guerras civis.

O extremismo islâmico combate os valores ocidentais e todas as suas manifestações, das caricaturas aos bonecos de neve, das representações divinas às taxas de juro, do cinema à educação das mulheres. Os radicais islâmicos dizem que não são precisos mais livros, pois o que não está no Corão é inútil ou errado. A vida quotidiana dos ocidentais, que se infiltra em todos os países, vai conquistando as pessoas para ideias diferentes, do casamento por amor à libertação das mulheres, que até começam a conduzir automóveis. A banal televisão ou uma simples canção na rádio representam o horror e um ataque à interpretação fundamentalista da religião. Para estes fanáticos, o ocidente está todo errado, não apenas a sua laicidade e o direito à blasfémia, mas também os valores da liberdade, dos direitos humanos e da convivência de culturas. Ou seja, o conflito entre radicais islâmicos e civilização ocidental não tem qualquer espaço para a reconciliação. Os extremistas só têm a opção de radicalizar o seu movimento, o que produzirá uma reacção cada vez mais violenta e concertada das potências do mundo contra grupos que serão isolados, caçados e destruídos.

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3 comentários

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De jo a 14.01.2015 às 20:48

Desde que a supina inteligência que foi George W Bush crismou a frase não têm faltado golpes no terror. O resultado tem sido um aumento exponencial do islamismo.
Se for comparar o poder dos islamitas radicais no mundo e a sua capacidade de desferir golpes nos países democráticos os últimos anos, verá que tem aumentado e muito.
Não digo que os países não se devam defender destes doidos, mas o caminho da repressão pura e simples só consegue provocar pilhas de mortos - sem contar com o cercear da liberdade de cidadãos inocentes.
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De Vento a 14.01.2015 às 21:47

Os fundamentalistas islâmicos não têm força suficiente para se impor ao ocidente, mas são capazes de fazer recuar as grandes potencias no seu terreno.

Desde os ingleses, passando por russos e americanos (os financiadores dos afegãos e a outros que se lhe juntaram na guerra contra a URSS), no Afeganistão, e noutras partes do médio oriente, assistimos ao recuo de todas estas potencias. Ainda hoje a guerra iniciada por Bush filho no Iraque não está concluída, e não se concluirá, assim como a que ocorre na Líbia e outras partes.
Também sabemos que esses povos não só travavam uma luta contra o agressor como também pretendiam salvaguardar os seus costumes e tradições.

É necessário questionar se o fundamentalismo islâmico não é resultado de um interesse ocidental, e não só, nessas regiões, procurando argumentar com padrões culturais os interesses energéticos e geopolíticos que todos sabemos existirem.

Os fundamentalistas islâmicos não necessitam de pretextos para levar a efeito acções como as conhecidas, pois os fundamentos de suas acções são os mesmos desde a metade do século passado (momento do grande surgimento dos grupos independentistas em várias regiões do mundo).

Boko Haram continua a perpetrar perseguições e mortes sem que haja uma efectiva protecção das populações do sul da Nigéria, país composto por mais de 500 grupos étnicos. Pergunto-me se a Nigéria tivesse o mesmo interesse estratégico que os países do médio oriente não seria mais fácil para o ocidente, com a ajuda das populações do sul deste país, contrariar o facínora (?).

Já agora:
http://www.publico.pt/mundo/noticia/boko-haram-a-nigeria-e-uma-nacao-em-guerra-1635390
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De Marco a 27.04.2015 às 02:36

Artigo bem redigido e pertinente.

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