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A fuga.

por Luís Menezes Leitão, em 30.10.17

Para mim nunca fez muito sentido que a Catalunha não fosse independente e que Portugal o fosse. Os acontecimentos de hoje são, porém, a cabal explicação para esse facto. É que os conjurados portugueses que se revoltaram contra Filipe IV estavam dispostos a morrer pela independência de Portugal. Mesmo a hesitação do rei D. João IV teve a célebre resposta de D. Luísa de Gusmão: "mais acertado de morrer reinando do que acabar servindo".

 

Os líderes catalães, pelo contrário, demonstraram um medo pavoroso das consequências pessoais dos seus actos, fugindo do seu país perante uma simples ameaça de prisão. Nem sequer a presidente do Parlement, Carme Forcadell, foi capaz de dar uma resposta semelhante à que Mirabeau deu ao enviado de Luís XVI, quando este pretendeu evacuar a assembleia nacional: "Ide dizer ao vosso senhor que estamos aqui pela vontade do povo e não sairemos senão pela força das baionetas". Pelo contrário, houve um acatamento geral dos ditames do governo de Madrid, sem um mínimo esboço de defesa da independência recém-proclamada.

 

Muitos catalães estavam dispostos a suportar imensos sacrificios, incluindo no plano económico, a troco da sua independência. Os seus líderes pelos vistos é que não estavam dispostos a sacrifício algum, limitando-se a jogar ao gato e ao rato, o que implica naturalmente fugirem quando o gato investe com mais força. E não me venham com a treta de um governo catalão no exílio. Como bem disse a Rainha D. Amélia quando embarcou com D. Manuel na Ericeira, do exílio não se regressa. A proclamada República Catalã independente acabou esmagada pela invocação de um simples artigo da Constituição Espanhola. Independentemente de isto ser ou não o último acto desta peça, não há dúvida de que o povo catalão merecia seguramente melhor.

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40 comentários

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De Luís Lavoura a 30.10.2017 às 17:44

demonstraram um medo pavoroso das consequências pessoais dos seus actos, fugindo do seu país perante uma simples ameaça de prisão

Ser obrigado a fugir do país não é propriamente um castigo pequeno, é uma consequência pessoal pesada. Não se pode dizer portanto que eles não tenham arrostado com uma consequência pessoal.
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De Luís Menezes Leitão a 30.10.2017 às 17:55

Não é a fugir que se defende a República Catalã.
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De Vlad, o Emborcador a 30.10.2017 às 18:00

Nem morto. Ou encarcerado durante 30 anos. E os filhos e família?
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De Luís Menezes Leitão a 30.10.2017 às 18:03

Dos fracos não reza a história. Olhe para o Ghandi e o Mandela.
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De Vlad, o Emborcador a 30.10.2017 às 18:14

O resultado vê -se no fim. O jogo,
a sério, começou agora

D. João VI na altura acusaram-no de cobardia. Depois viram no exilio uma jogada de Mestre.

E D. Joao IV? Um diletante que posteriormente passou a pai da nova fundação
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De JS a 30.10.2017 às 17:46

Bem analizado e escrito, mas não é de crer que esta novela tenha acabado com este gesto, se é que é o que aparenta ser.
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De Luís Menezes Leitão a 30.10.2017 às 17:57

Se é ou não o último acto, acho que a peça passou rapidamente de tragédia a comédia.
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De Rui Henrique Levira a 30.10.2017 às 21:52

Coisa para a qual, diga-se de passagem, já alguns avisavam desde o início do mambo independentista catalão, com a ressalva de a tragédia nunca ter sido tragédia.
É o que dá o nacionalista amor assolapado: coração que sente, olhos que não veem... o óbvio.
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De Vlad, o Emborcador a 30.10.2017 às 17:58

"Muitos catalães estavam dispostos a suportar imensos sacrificios, incluindo no plano económico, a troco da sua independência."

Tenho imensas dúvidas. Vivemos numa época em que os Direitos são pesados numa balança de mercearia. Os Direitos e os Valores estão hoje à venda pelo mínimo esforço.

"Os direitos não enchem um prato de sopa"

É humilhante para a Espanha, que um país como a Bélgica, fundadora da Comunidade Europeia, aceite um político catalão como exilado político. Diz muito sobre a confiança que este país deposita no sistema de judicial espanhol. Talvez resquícios de uma memória que ainda não desapareceu, quando a Bélgica sofreu as barbáries do Duque de Alba, quando está ainda pertencia ao Império Espanhol. E memória presente quando o governo de castela financiava o GAL.

Também Mário Soares e outros, de fora, fizeram uma eficiente oposição.

Quanto a Mirabeau , era agente do rei. Um grande folião.
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De Rui Henrique Levira a 30.10.2017 às 19:39

E Deus sabe quanto o sistema judicial belga funciona bem...
Bem se compreende que o Sr. Carles Puigdemont escolha (veremos, veremos...) a Bélgica como o seu berço de exílio: afinal de contas, o Sr. Presidente de Coisa Nenhuma está habituado a Estados falhados.
E bem devem lamentar as memórias de elefante belgas as muito recentes tropelias do Duque de Alba, pois, comparadas com elas, as façanhas longínquas dos Belgas no Congo, com os seus 10 milhões de mortos, nada são.
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De Vlad, o Emborcador a 30.10.2017 às 21:42

Recue então até Pizarro e Cortez (genocídio de 2 povos, aztecas e incas) ou até ao Sahara Ocidental , e aos massacres perpetrados por Franco na guerra hispano-marroquina no século xx. Ou ainda aos recentemente realizados no Sahara Ocidental.

Taieb Fassi-Fihri, ministro dos Assuntos Exteriores de Marrocos, numa visita a Madrid, terá anunciado à sua homóloga espanhola, Trinidad Jiménez, a intenção de Marrocos desmantelar o acampamento saharaui, onde se encontravam cerca de 25 mil pessoas, entre as quais crianças e idosos.

Questionado por um deputado do Partido Nacional Basco, o ministro da presidência espanhol veio desmentir a notícia emitida pelo El País.

O jornal El País divulgou esta quarta-feira que o ministro dos Assuntos Exteriores de Marrocos informou a sua homóloga espanhola sobre o ataque ao Acampamento da Liberdade.

Referindo-se ao massacre perpetuado contra o povo saharaui, o porta-voz do secretário-geral da ONU, Martin Nesirky, afirmava esta segunda-feira que "Segundo todos os relatos, e para nossa profunda consternação, há um número indeterminado de mortos e feridos".


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De Rui Henrique Levira a 31.10.2017 às 17:29

Vejo que o caro Vlad é um atento cultor da "leyenda negra", o que, vindo de um português, tem que se lhe diga...
Não se esqueça - pergunto-me por que o terá olvidado - de incluir nesses massacres da guerra contra os guerrilheiros de Abd el-Krim não só Franco, mas também todo o Exército Espanhol do qual faziam parte não poucos oficiais superiores que, posteriormente, lutaram pela República Espanhola. Uns e outros tiveram as mãos tintas do sangue dos patriotas marroquinos. Já a alta burguesia catalã lucrou muitíssimo com as aventuras marroquinas de Primo de Rivera, enquanto mancebos de toda a Espanha deixavam os seus ossos ao sol do Rif, em Annual.
Quanto a essa sua atribuição de coautoria dos recentes massacres marroquinos do povo saharauí a Espanha ela anda um pouco no vácuo de um universo paralelo, não anda?
Já lá dizia o bom do René Pélissier que a malta é boa é a passar pelos pingos da chuva: imperialismo e matanças imperiais é com os espanhóis, pois claro. Tadinhos dos belgas que, depois da invasão alemã da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais o que ainda lembram vividamente é... as carnificinas do Duque de Alba... E angolanos, moçambicanos e guineenses, que lembrarão eles?
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De jerry khan a 30.10.2017 às 18:39

o homúnculo entrou a matar e saíu morto
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De Rui Henrique Levira a 30.10.2017 às 21:43

Para falar a verdade, o homúnculo nunca esteve vivo: foi uma marioneta criada pelo mestre bonecreiro que dá pelo nome de Artur Mas.
Para falarmos do que interessa, o Sr. Puigdemont cumpriu, às mil maravilhas, a sua função de boneco de ventríloquo, pois agora ele e a voz que é a sua dona - um e outra corruptos até à medula da cerviz que não possuem - já podem reclamar o carimbo de "refugiados políticos" ao chegarem ao balcão de estrangeiros e fronteiras de um qualquer ignoto país perdido nos confins do planeta.
Enquanto o dinheirinho tão afanosamente amealhado e guardado a bom recato em Andorra durar, prosseguirá a independentista festa do extraordinário duo Puig e Mas, os reis do mambo.
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De Tiro ao Alvo a 30.10.2017 às 18:45

Fugiu ou foi dar um passeio até Bruxelas? Então essa gente não se apresenta a eleições no próximo dia 21/12? Políticos com medo do povo? Dá-se...
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De Anónimo a 30.10.2017 às 19:08

Quer dizer, Portugal é independente porque os portugueses têm t*m*tes e os catalões não. Esta teoria parece-me francamente exagerada. Poderia também dizer-se que o Reino Unido saiu da União Europeia porque os seus habitantes têm t*m*tes, os portuguese não saem porque não os têm. E têm medo dos sacrifícios com a saída do Euro, etc. etc.
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De Rui Henrique Levira a 30.10.2017 às 19:08

A estas horas está o Harry Potter catalão - na Bélgica, essa libérrima e multissecular república que nunca oprimiu ninguém (os dez milhões de congoleses massacrados pelo bom do rei Leopoldo que o digam do Além) - a atirar a moeda ao ar: cara, e assinará pelo nacionalismo valão; coroa, e teremos acérrimo e virulento nacionalista flamengo. Os Belgas que se cuidem.
Lá está outra vez a sacana da realidade a torpedear vilmente os sonhos mais lindos: queriam um Bolívar triunfante e saiu-lhes uma escorregadia amiba contorcionista. Ele há erros de "casting" que são fatais...
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De João Silva a 30.10.2017 às 19:12

"sem um mínimo esboço de defesa da independência recém-proclamada." Defesa por meios militares, guerrilha, terrorismo, à bomba?
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De Luís Menezes Leitão a 30.10.2017 às 20:59

Não. Resistência passiva e pacífica, mesmo na prisão, seguindo o exemplo de Ghandi e Mandela.
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De Rui Henrique Levira a 30.10.2017 às 21:45

Ghandi?! Mandela?! Ai, minha Nossa Senhora, onde é que isto já vai!
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De Luís Menezes Leitão a 31.10.2017 às 10:11

Isso diziam também os britânicos na Índia e os afrikanders na África do Sul.
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De Rui Henrique Levira a 31.10.2017 às 17:42

Depois de termos o prazer de viver num país onde o nome de Mandela foi inacreditavelmente achincalhado ao atribuírem o patronímico desse Gigante da Humanidade a um cão que seguia para abate, eis que alguém, por sua vez, achincalha o cão (pois só do referido cão se pode tratar ao fazer a aproximação que o senhor fez) pondo-o abaixo de Puigdemont.
Entretanto, fico esperando que me aponte um qualquer similar catalão do Massacre de Amritsar ou do Massacre de Sharpville. Sentado, como é óbvio.
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De Luís Menezes Leitão a 31.10.2017 às 17:56

Não precisa de ficar sentado muito tempo. No massacre de Sharpeville em 1960 morreram 69 pessoas. No massacre de Jallianwala Bagh, também conhecido como o Massacre de Amritsar, em 1919 morreram entre 380 a 1000 pessoas. No bombardeamento de Barcelona efectuado em Março de 1938 morreram cerca de 1300 pessoas. É suficientemente similar para si?
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De Rui Henrique Levira a 31.10.2017 às 18:41

Já engoliu a patranha de que o golpe de 18 de Julho de 1936 foi um golpe contra a Catalunha e não contra a II República Espanhola?
Explique-me, por favor: o quê que um ato de guerra - por mais bárbaro que seja e por mais bárbaro que seja o seu executor - tem a ver com o massacre premeditado de civis desarmados fora de qualquer enfrentamento bélico?
E já que quer jogar com magnos números, lembro-lhe os dois milhões de indianos deixados morrer de fome pelo Império Inglês em data tão próxima quanto 1944. É este número suficientemente significativo na denúncia do triste paralelo que aqui ensaiou?
Mas que estado de alienação cognitiva faz alguém aproximar as realidades do Imperialismo Britânico no Subcontinente Indiano e do Apartheid Sul-Africano com aquilo que é e foi a Catalunha? Já se perdeu o sentido do ridículo, porra?
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De Luís Menezes Leitão a 31.10.2017 às 19:07

Falei no bombardeamento de 1938 e não no golpe de 18 de Julho de 1936. As mortes são sempre mortes, não precisam de distinções especiais para justificar umas num povo e condenar outras noutros povos. Se não gosta da comparação e prefere esquecer os mortos na Catalunha, isso é problema seu. Agora não caia no ridículo de sustentar que civis alvo de bombardeamentos numa cidade são afinal militares armados. E para argumentar não é preciso recorrer ao insulto nem ao palavrão.
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De Rui Henrique Levira a 31.10.2017 às 20:03

Exatamente. Quer Vossa Excelência maior insulto a indianos e a sul-africanos do que a sua anterior analogia entre o imperialismo inglês e o apartheid sul-africano e os heróis nacionais que os combateram e o victimismo catalão protagonizado por um indigente político?
E, por favor, não me venha meter na boca coisas que eu não disse: falar eu em atos de guerra não o autoriza a dar o pulo (i)lógico de me ver transformar civis em militares armados. Chama-se a isso - chame ou não chame o senhor à minha frontalidade insulto ou discurso pouco asseado - desonestidade intelectual.
E não se faça de desentendido: eu bem sei do que o senhor falou, ainda melhor sei o que eu lhe respondi e toda a gente que nos lê sabe do que ambos falamos.
E mais uma vez lhe pergunto: essa sua "afición" catalanista já o fez perder todo e qualquer sentido do ridículo?
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De Luís Menezes Leitão a 01.11.2017 às 08:14

Continue com os insultos. São a melhor demonstração da fraqueza dos seus argumentos.
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De Rui Henrique Levira a 01.11.2017 às 16:33

Pois, já mo tinha dito.
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De Anónimo a 30.10.2017 às 19:46

Acho uma parvoíce demagógica. Comparar épocas separadas de 1000 anos é não entender o mundo de hoje.
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De Luís Menezes Leitão a 30.10.2017 às 20:58

1000 anos? Onde é que isso já vai.
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De V. a 30.10.2017 às 20:47

Aqui estamos de acordo. Pena que não estejamos de acordo sobre a urgência de uma independência que —para não falar de líderes cobardes que votam secretamente com medo de represáloas— está longe de ser unânime ou até maioritária entre os catalães. Para não falar nos absurdos 42% do parlamento. Só esse facto devia fazer gente sensata ver o óbvio. Compreendo melhor o impulso batoteiro dos republicanos (é igual ao impulso batoteiro dos benfiquistas, dos socialistas e do nosso regime) do que o impulso para falsificar descaradamente um juízo popular que não existe.

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