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A fraqueza dos presidentes

por Luís Naves, em 17.04.16

kriby_captain_america_vintage_by_waitedesigns.jpg

 

As transições dos presidentes americanos bem sucedidos costumam corresponder a tempos um pouco mais instáveis. O último ano de Barack Obama não está a fugir a esta regra, muito visível desde o fim da Guerra Fria, mas que já se verificava nos ciclos anteriores. No seu oitavo ano de poder, o presidente não pode ser reeleito e é politicamente débil. Muitos congressistas também vão a eleições e estas viragens de ciclo costumam fazer muitas vítimas, pelo que ninguém quer correr riscos. Claro que o primeiro ano do novo presidente também pode ser instável, mas os líderes populares tendem a encurtar esse período problemático.

O fenómeno talvez possa explicar parte dos desafios que estão a surgir à liderança americana do mundo, por exemplo a aparente agressividade russa no Báltico, os ensaios de mísseis da Coreia do Norte, o aumento das rivalidades no Mar da China, o interesse de Moscovo no Médio Oriente. Neste último, o verdadeiro motivo será a tentativa de limitar a produção de petróleo, sem ligação aos ciclos americanos.

Com a América menos envolvida em questões externas e mais atenta às suas próprias eleições, é natural que os poderes rivais tentem fazer testes de vontade política. O próximo presidente será provavelmente Hillary Clinton, com grande experiência internacional, o que contribuirá para uma rápida acalmia, mas existe a possibilidade de  tudo correr de forma diferente. Os outros três candidatos com possibilidades (Donald Trump, Ted Cruz e Bernie Sanders) são populistas com ideias que levarão ao isolamento da América e ao recuo da sua política externa. Trump representa um fenómeno novo e fez promessas eleitorais que darão origem a conflitos com aliados e a mudanças estratégicas imprevisíveis. Se vencer, será testado sem quartel por todos os poderes que contestam a hegemonia americana. Veremos mísseis a voar, incidentes de fronteira e retórica bélica.

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16 comentários

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De do norte e do país a 17.04.2016 às 12:46

Há sempre alguém pronto para a aproveitar os momentos de fraqueza dos outros. Obama tem dado imagem de fraqueza do EUA (sendo-o ou não) aos olhos de certos países. O resultado começa a tornar-se visível.
Quanto aos candidatos, apenas a Hillary (que nem aprecio particularmente) tem algum nível. O trump é no mínimo estranho e o sanders é o rei da hipocrisia. Este último se fosse Português seria do bloco de esquerda ou amigo do acosta.
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De lucklucky a 17.04.2016 às 13:22

Fantástico este texto. Os factos não contam, só conta a pretensão de normalidade do establishment.

Se há uma coisa que se pode dizer de Hillary é que tem uma experiência internacional desastrosa:

Pela retirada prematura do Iraque
Emma Sky
http://www.ibtimes.co.uk/hillary-clinton-barack-obama-failings-played-role-iraq-collapse-says-ex-british-diplomat-1496494

http://www.telegraph.co.uk/news/worldnews/hillary-clinton/11536590/Ex-British-diplomat-accuses-Hillary-Clinton-of-role-in-meltdown-of-Iraq.html

Pela Rússia:
Lembram-se do "reset" com botãozinho e tudo nas relação com a Rússia?

Os resultados estão à vista de todos. Ucrânia atacada.
E as promessas de defesa por troca da entrega de armas nucleares não cumpridas.
Mais um caso de "Western betrayal"
https://en.wikipedia.org/wiki/Western_betrayal

Entretanto os Suecos, Finlandeses e Noruegueses correm a armar-se...
Sweden brought back the option Thursday of using reservists to boost its military force, citing "Russian rearmament" as one of the reasons for the decision.
"We see how the world around us has changed in a negative way: partly the Russian rearmament, partly Russia's annexation of Crimea and the armed conflict in Ukraine," Swedish Defence Minister Peter Hultqvist told public broadcaster SVT.
The government decision reversed a 2010 vote by parliament that ended compulsory military service and suspended the possibility of calling up former conscripts and volunteers for compulsory re-training."

Intervir na Líbia para perder um embaixador assassinado num ataque Islâmico
e colocar as culpas num filme do Youtube.
Mas o autor prefere ignorar.

Só alguns exemplos da irresponsabilidade e incompetência de Hillary.

Poderíamos ir ainda às doações de Governos estrangeiros para a Fundação Clinton por exemplo.

E que tal ignorância básica de um Secretário de Estado? Para a Hillary um Conservador e um Tory pertencem a partidos Ingleses diferentes: "It doesn't matter in our country whether it's a Republican or Democrat, or frankly in your country whether it's a Conservative or a Tory. There is a level of trust and understanding. It doesn't mean we always agree because of course we don't."

É claro que coisas destas não são ditas na SIC, no Expresso e no New York Times...E isso é o que conta.
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De Luís Naves a 17.04.2016 às 15:19

Acho bem que os leitores venham para aqui contestar opiniões com as quais não concordam. Já considero completamente desproporcionado alguém vir para aqui fazer esta figura triste. Hillary Clinton foi secretária de Estado, chefiou a diplomacia americana, talvez perceba alguma coisa do assunto.
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De Anónimo a 17.04.2016 às 15:33

Tem razão mas o Senhor lucklucky é um profissional de "fazer esta figura triste".
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De Anónimo a 17.04.2016 às 15:48

A diplomacia americana está na origem do apoio aos movimentos independentistas no ultramar português (Kennedy) com os resultados que estão à mostra - e eram os americanos nossos «amigos», o JFK um grande presidente, faria se não fossem...
O melhor presidente americano dos últimos anos (Reagan) está na origem do estado islâmico através da intervenção no Afeganistão.
Do que a diplomacia americana - da qual a Sr.a Clinton é uma distinta representante - é capaz, estamos conversados...
Vale também a pena referir que aquilo começa a parecer um regime feudal: ao pai segue-se o filho e ao marido a mulher, qualquer semelhança neste aspecto com Cuba ou a Coreia do Norte é «pura coincidência»...
Da condescendência com o Gulag ver por exemplo «Stalin's Slave Ships: Kolyma, the Gulag Fleet and the Role of the West».
Os EUA precisam de um violento abanão para mudarem de vida e voltarem a princípios saudavelmente capitalistas e democráticos. Dos candidatos que referiu só o Donald Trump está próximo de poder personificar um abanão. O resto é mais do mesmo à esquerda, e tudo muito politicamente correcto.
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De lucklucky a 17.04.2016 às 15:57

Que tal argumentar com factos em vez de recorrer à retórica de Argumento de Autoridade?

"Hillary Clinton foi secretária de Estado, chefiou a diplomacia americana, talvez perceba alguma coisa do assunto."

Isto é o seu argumento.

Se há alguma coisa aqui desproporcionada é entre elogios e nada para os suportar.


-------
E se os EUA mandarem chamar os reservistas será retórica bélica nos jornais, já os Suecos não...
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De Luís Naves a 17.04.2016 às 16:51

Estou um bocadinho farto de comentários de pessoas que não leram o post e começam a discutir o que não está no post. O minha afirmação é que "a senhora Clinton tem experiência internacional". Não há nada para discutir. Não há comparação com os outros três candidatos que têm hipótese de vencer. Isto não é um argumento, é um facto, mas o comentador pede-me para "argumentar com factos". O que quer que lhe diga? Leia o post e faça o favor de discordar do argumento do post, não da constatação óbvia, que nada tem para discutir.
O meu argumento de autoridade é tão simples como o daqueles polícias que dispersam a multidão de mirones: "vamos andando, não há nada para ver".
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De José7 a 17.04.2016 às 17:48

Não leve a mal mas o argumento: "a senhora Clinton tem experiência internacional" aplica-se ao José Sócrates, ao Lula, à Dilma, aos Castros, e por aí fora.
E então?...
Parece que isso vale tanto como dizer «a Sr.a Clinton tem experiência de viver com um marido que não sabe ter a braguilha apertada». Só se o efeito que pretende ilustrar se refere à diplomacia ser a «arte» de viver com a realidade sórdida como se ela fosse virtuosa...
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De Luís Naves a 17.04.2016 às 18:19

Tem razão, mas isto não é argumento, é facto. De resto, a questão é de lana caprina. A discussão do post está noutro assunto. No texto, procurei referir que cada final dos segundos mandatos de um presidente americano costuma ser abalado por alguma instabilidade externa e que o próximo inquilino da Casa Branca será testado nos primeiros meses pelos mesmos rivais da América que estão agora a aproveitar esta debilidade temporária. Os testes serão mais complicados para quem tiver menos experiência externa ou problemas de falta de popularidade. Nem sequer é uma tese muito controversa ou difícil de argumentar. Os méritos da senhora Clinton são de outro post, não deste. Essa é uma questão que não vem ao caso.
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De José7 a 18.04.2016 às 12:58

Os finais de mandato são problemáticos é um facto; e são tanto mais problemáticos, quanto maior tiver sido a fraqueza revelada nos tempos que os antecederam...
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De lucklucky a 17.04.2016 às 22:30

Que tal citar a frase que escreveu completa em vez de ficar a meio?

"O próximo presidente será provavelmente Hillary Clinton, com grande experiência internacional, o que contribuirá para uma rápida acalmia"

Estas foram todas as palavras que escreveu.

O que é que é isto senão um juízo de valor sobre as capacidades de Hillary?

Logo eu apresentei factos para demonstrar a falta de capacidade de Hillary para o lugar.

-Iraque
-Rússia
-Líbia

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De Luís Naves a 18.04.2016 às 00:26

Isto é mastigar no nada. Céus! expliquei no texto e num comentário mais acima: Hillary tem experiência, se vencer será mais resistente a eventuais testes de início de mandato, cometerá menos erros e os adversários da América vão arriscar menos. Não é uma valorização sobre a sua actuação como secretária de estado, mas como presidente (será menos isolacionista, etc.). O post é sobre a debilidade dos presidentes no final e início dos mandatos. Repetir isto três vezes é uma perfeita loucura. Se estivesse a argumentar que não, não há qualquer debilidade presidencial, compreendia a insistência, mas sendo isto totalmente ao lado não há discussão possível.
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De JSP a 17.04.2016 às 15:56

A "América" do texto é a "América" entre 45 e 65, plus chose, moins chose, a América ainda WASP e orgulhosa de o ser.
Hoje em dia , a deriva demográfica e o "relativismo cultural", para o designarmos de alguma forma,(polìticamente correcto, marxismo cultural,etc., também serve - trata-se , em última análise, da mesma aldrabice envolta noutro papel de embrulho...) fazem com que essa "América" pura e simplesmente tenha desaparecido.
Em contrapartida, existe mais de um milhar de milhões de seres humanos - dotados de armamento atómico e detentores, igualmente, de uma quantidade verdadeiramente dissuassora de "certificados de aforro" do Tesouro americano.
Além do mais esta gente possui um cão de guarda (que coexiste em boa harmonia com dois amáveis canídeos de regaço, que respondem aos nome de Hong Kong e Macau ) , Coreia do Norte, que pessoas bem intencionadas consideram, erradamente, um rafeiro vadio...
Ah! E "last but not the least", a Rússia eterna, eternamente coerente em questões de geopolítica,estruturalmente imune a quaisquer cantos de sereia ( deve ter ficado vacinada quanto ao virus comunista inoculado pelo Bund , mas isso são terrenos proscritos - pelo menos por enquanto...) por muito esganiçadamente modernaços que pareçam...
Por exemplo,consegem imaginar, naquelas paragens, um ministro "gay-friendly" como o da nossa ditosa pátria?...



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De Octávio dos Santos a 17.04.2016 às 21:43

Ted Cruz não é populista nem isolacionista.
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De Octávio dos Santos a 18.04.2016 às 11:35

«Republicano» (nos EUA) não é sinónimo de «populista e isolacionista». Estas duas características podem ser encontradas, em diferentes momentos históricos, em personalidades dos dois principais partidos norte-americanos.

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