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A fantochada da Venezuela.

por Luís Menezes Leitão, em 13.08.17

Acho que não houve ninguém que tenha descrito melhor o golpismo numa república sul-americana do que Hergé, com a sua inesquecível figura do General Tapioca. Mas a Venezuela chegou a um estado tal, com aquela assembleia constituinte, que já nem Hergé a conseguiria descrever num dos seus álbuns. Na verdade a tal "assembleia constituinte" deveria elaborar uma nova constituição, mas faz tudo menos isso, estando antes preocupada em legitimar a todo o custo a ditadura de Maduro. É assim que primeiro destitui a procuradora-geral do país e agora pretende alterar o calendário eleitoral das eleições regionais, antecipando-o em relação a uma data já marcada e com a qual os partidos já contavam. Mas o curioso é que o faz por unanimidade (!). Ou seja, naqueles 545 pseudo-deputados dessa pseudo-assembleia constituinte não se encontra uma única alminha que discorde das propostas que lá são apresentadas. Chamar-lhe assembleia de fantoches seria mais adequado. E, sinceramente, quando é que esta fantochada na Venezuela irá terminar?

 

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3 comentários

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De Vlad, o Emborcador a 13.08.2017 às 09:16

Deve estar para breve. Os EUA, contra a vontade dos países do Mercosul, falam já na hipótese de uma intervenção militar. Imagino que depois serão empresas Norte americanas a reconstruir os danos causados e a gerir os "poços " petrolíferos.....embora cá para mim seja outra fantochada de Trump, como as ameaças ao "rebelde" Kim.
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De Vento a 13.08.2017 às 17:22

Eu penso que Maduro cairá de maduro. Todavia permita que sublinhe aqui alguns aspectos de um seu xará, que é Luiz (com z) mas não Menezes; é Moreira.
Aqui vai:
"Há um consenso tanto no Direito quanto na Ciência Política que os impasses profundos das sociedades modernas são resolvidos com a convocação pelo poder político originário de uma Assembleia Constituinte. Na Constituição da Venezuela há expressa previsão que permite ao presidente da República convocar, via eleições, o poder constituinte. Então, não há que falar em fraude nem em ilegitimidade do processo constituinte. A avaliação é do professor universitário, doutor em Direito Constitucional e integrante do Conselho Nacional do Ministério Público entre 2009 e 2015, Luiz Moreira, que foi um dos 47 observadores internacionais que acompanharam a eleição constituinte realizada no dia 30 de julho, quando os venezuelanos foram às urnas para escolher 545 membros de uma Assembléia Constituinte, que serão encarregados de formular uma nova Constituição para o país.

Em entrevista ao Sul21, o jurista fala sobre o que viu na Venezuela, aponta a profunda divisão política no país e defende que a Constituinte pode ser uma oportunidade para firmar um novo pacto político no país. Luiz Moreira, porém, considera improvável que a oposição venezuelana, apoiada pelos Estados Unidos, caminhe nesta direção.

“O capital não se sujeita à democracia. É improvável que os interesses do capital, dos quais a oposição venezuelana é portadora, se submetam a algum tipo de Estado de bem estar social. A tática utilizada caminha para o confronto entre perspectiva inconciliáveis: um tipo de constitucionalismo popular, cujo projeto político dialoga permanentemente, através de eleições, etc., com a soberania popular, e um outro, cujo submissão aos interesses das empresas petrolíferas é evidente”.

A percepção sobre o que está acontecendo na Venezuela, acrescenta, “é profundamente distorcida pela mídia internacional, alinhada à determinação do governo do Estados Unidos de derrubar os governos populares na América Latina”."
No original, aqui:
http://www.ocafezinho.com/2017/08/07/luiz-moreira-observador-internacional-da-constituinte-denuncia-imagem-do-que-ocorre-na-venezuela-e-distorcida-pela-midia/

Portanto, estou em crer que Trump tem de tomar algum juízo no pronunciamento que faz sobre a Venezuela, sob pena de lhe cair em cima uma grande desgraça caso continue com as ameaças de uma possível intervenção militar neste país. Ele pensa que lidar com a Venezuela, Irão e Coreia do Norte é o mesmo que controlar o quintal da Casa da Branca.

E os comentadores ou os jornalistas europeus deviam ser um pouco mais letrados no que se refere ao direito constitucional na Venezuela. Espero que a oposição Venezuelana saiba tirar partido desta prerrogativa, para que em matéria de direito possa legitimar suas acções.
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De Vento a 13.08.2017 às 17:30

E por falar em fantochada, no comentário anterior passou-me anexar este link:
http://www.ocafezinho.com/2017/08/08/janot-o-trump-demitiu-sumariamente-46-procuradores-incluindo-a-procuradora-geral/

É caso para perguntar: Vai um cafezinho?

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