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A Europa insegura.

por Luís Menezes Leitão, em 22.03.16

Por razões profissionais viajei para Bruxelas na quinta-feira passada, regressando na sexta-feira. O avião da TAP das 7h05m é extremamente usado por quem tem assuntos a tratar em Bruxelas e é habitual encontrarmos políticos e gente conhecida no avião. A quinta-feira passada não foi excepção. No meu avião viajavam também Passos Coelho e António Vitorino. No aeroporto de Bruxelas ainda encontrei Marinho e Pinto e tivemos tempo para uma breve conversa no aeroporto.

 

Nesse dia havia a cimeira entre a União Europeia e a Turquia e Bruxelas parecia uma cidade em estado de sítio. Logo à saída do avião fomos identificados por funcionários do aeroporto, o que foi a primeira vez que vi acontecer dentro do espaço Schengen (ainda existirá?). No aeroporto encontravam-se soldados sempre de metralhadoras empunhadas. Apanhando um táxi para o centro da cidade, o espectáculo era o mesmo: todos os edifícios públicos estavam guardados por soldados em posição de combate. Uma simples cimeira parecia afinal justificar que uma cidade se preparasse como se fosse para receber a invasão de um exército inimigo.

 

Lá consegui deslocar-me ao sítio da minha reunião de trabalho, apesar de várias ruas estarem cortadas. No regresso ao hotel, tentei apanhar um táxi, mas o motorista convenceu-me a desistir da viagem, dizendo que levaria horas com os engarrafamentos. Optei por isso por ir a pé, apesar de a distância ser enorme. À volta, a cidade parecia habituada a este sistema. As pessoas faziam as suas corridas pela rua, as esplanadas e os restaurantes estavam abertos e a cidade, com a sua magnífica Grand Place, resplandecia ao pôr-do-sol. E permanecia a habitual arrogância dos habitantes flamengos, recusando que na sua capital um estrangeiro se lhes dirigisse em francês. Mas não deixava de se sentir um medo latente nas pessoas, como que esperando um ataque a propósito da cimeira.

 

No dia seguinte à noite regressei a Lisboa, mas estava ainda no aeroporto de Bruxelas quando ouvi a notícia da prisão de Salah Abdeslan, o principal responsável pelos atentados de Paris. Apesar do tom triunfalista do anúncio, que a televisão procurava repetir, não me pareceu que as pessoas tivessem ficado minimamente tranquilas. Pelo contrário, o ambiente que se sentia era de que essa prisão poderia ser apenas um rastilho para novo ataque, como agora se verificou.

 

A principal função de um Estado é proteger e garantir a segurança da sua população. É manifesto que a Europa está a falhar rotundamente nessa função. Neste momento, necessita de pagar à Turquia para recolher os refugiados que todos os dias aqui chegam, e apesar de todos os meios de vigilância que coloca no terreno, não é minimamente capaz de proteger algo tão vital para a segurança das pessoas como o aeroporto e o metro no seu principal centro político. O que mais será preciso acontecer para que a segurança dos europeus seja protegida?

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35 comentários

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De V. a 22.03.2016 às 11:14

A culpa é da Esquerda. E andam a importar mais para substituir os que se fazem explodir.
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De Luís Lavoura a 22.03.2016 às 11:30

Salah Abdeslan, o principal responsável pelos atentados de Paris

Não sei com que fundamento se afirma isso. Tenho sérias dúvidas de que isso seja verdade. Provavelemente terá havido muitos responsáveis, ele terá sido apenas um entre muitos.
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De V. a 22.03.2016 às 14:23

Eu também acho que são eles todos. Ainda bem que concorda comigo.
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De Luís Lavoura a 22.03.2016 às 11:33

a habitual arrogância dos habitantes flamengos, recusando que na sua capital um estrangeiro se lhes dirigisse em francês

Não é arrogância nenhuma. A língua internacional na Europa é o inglês, não é o francês. Eles apenas querem que as pessoas se lhes dirijam na lingua franca habitual. Se o Luís Menezes Leitão fala com um checo ou um holandês em inglês, por que raio há de pretender falar com um flamengo em francês?
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De Luís Menezes Leitão a 22.03.2016 às 11:56

Porque gosto de falar na língua do país onde estou, se tiver condições para o fazer. Por isso na Alemanha falo alemão, na França francês e na Inglaterra inglês. A Bélgica é oficialmente bilingue, pelo que não vejo qualquer razão para não falar em francês, já que não sei flamengo. E neste momento a maioria da população de Bruxelas é de maioria francófona, apesar de ser a capital da Flandres. Não há por isso razão nenhuma para os flamengos não aceitarem falar francês. Uma vez num jantar uma senhora flamenga contou-me (em inglês) que tinha feito uma cena porque num restaurante em Bruxelas a empregada lhe falava em francês e não em flamengo, dizendo que assim não poderia estar a servir à mesa num restaurante de Bruxelas. Só aceitou ser servida por essa empregada depois de perceber que não era belga. Achei a atitude de que ela se gabou absolutamente inacreditável. E por isso faço questão de falar francês em Bruxelas.
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De Luís Lavoura a 22.03.2016 às 12:06

na Alemanha falo alemão, na França francês e na Inglaterra inglês

Disparate. Se você estiver na Alemanha com um sueco, fala-lhe em inglês. Eu, mesmo em Portugal, falo frequentemente inglês quando vejo que o interlocutor (estrangeiro) domina melhor essa língua que o português.

Tem que entender que para um flamengo o francês é uma língua estrangeira, que ele fala frequentemente pior do que o inglês. O inglês é mais próximo do flamengo, e mais fácil para ele.

A Bélgica é oficialmente bilingue

O "oficialmente" não interessa nada. O que interessa é fazermo-nos entender de forma mutuamente agradável.

Não há razão nenhuma para os flamengos não aceitarem falar francês.

Há uma razão simplicíssima - não querem que o francês passe a ser lingua franca do seu país, nem da Europa. E fazem eles muitíssimo bem. em meu entender. A lingua franca da Europa, e portanto também da Bélgica, é o inglês.
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De João Pedro a 03.04.2016 às 03:27

Começa por dizer que o inglês é a "língua franca da Europa", embora as instituições europeias tanto adoptem o inglês como o francês ou o alemão, e depois diz que o "oficialmente" não conta nada. Afinal em que é que ficamos? Uma comunidade linguística é maioritária num país que adopta a sua língua e têm de falar no idioma de outro país só porque aos outros lhe é "menos agradável"? Então se um flamengo se dirigir a um valão em inglês, este, por maioria de razão, pode-he virar as costas?

Para mim é mais agradável falar em francês do que em inglês. Se um estrangeiro, qualquer que ele seja, me vier interpelar no meu país, pelos seus critérios, posso falar apenas em francês porque me é mais agradável. É isso?
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De Luís Lavoura a 04.04.2016 às 09:25

O inglês é a "lingua franca" da Europa, não porque as instituições europeias o adoptem, mas sim porque é a língua que toda a gente fala com estrangeiros. Trata-se de uma convenção da sociedade, não de uma questão oficial. As línguas oficiais contam pouco ou nada, o que interessa são as línguas que as pessoas efetivamente falam umas com as outras.
O João Pedro pode falar francês com quem o entenda e esteja disposto a falar consigo nessa língua. Mas a maior parte das pessoas hoje em dia ou não entende o francês ou não se quer dar ao trabalho de o falar.
Eu ainda recentemente estive numa casa de hóspedes no estrangeiro na qual havia pessoas finlandesas, italianas, russas, holandesas, etc. Eu não andei a examinar os conhecimentos ou preferências linguísticas de cada um dos hóspedes - automaticamente, todos nós comunicávamos uns com os outros em inglês. Não porque o inglês fosse língua oficial nesse país (que não era), mas sim, precisamente, porque o inglês é a lingua franca.
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De João Pedro a 05.04.2016 às 00:58

Se o francês é língua oficial por alguma razão será. Aliás, tem mais falantes nativos na europa do que o inglês. E não é assim tão incompreendida como quer fazer crer. Será compreensível num país onde haja uma língua pouco falada, ou na situação que descreve, entre vários estrangeiros. Mas se numa cidade onde o francês é não apenas uma língua oficial mas também a maioritária alguém se recusar a responder a alguém por se dirigir nessa mesma língua, isso é não só uma má-educação mas um total desrespeito total pela maioria linguística. Ninguém tem que falar inglês só porque os srs flamengos não respeitam uma das línguas usadas no próprio país. É em boa parte por causa dessa incomunicabilidade que se têm dado tantos problemas ao nível da segurança.
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De João André a 22.03.2016 às 12:36

Caro Luís, na minha opinião todas essas atitudes (a tua, a da senhora e a de alguns flamengos - não são todos) são semelhantes.

Coloquemos as coisas de outra forma: o país pode ser bilingue (na realidade trilingue, o alemão também é língua oficial), mas isso não quer dizer que todos os habitantes falem as línguas igualmente ou que o queiram fazer. Se fores a Liège boa sorte tentar falar flamengo (neerlandês, ou holandês, é a mesma língua) com os habitantes. Um estrangeiro em Portugal, pela mesma lógica, poder-se-ia indignar se não lhe respondessem em mirandês. Ou um português em Espanha com uma das múltiplas variedades entre castelhano, catalão, basco, galego, etc.

A verdade é que todos temos a liberdade de escolher a língua em que falamos. Se não quiseres ser atendido por quem não fale francês (nem todos os flamengos o falam, embora o falem mais que os valões falam flamengo), podes sempre mudar de lugar.

Em Bruxelas eu até costumo ter o problema oposto: se quiser falar em holandês pedem-me habitualmente para mudar para francês, mesmo quando se trata de belgas.
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De Luís Lavoura a 22.03.2016 às 14:34

se quiser falar em holandês pedem-me habitualmente para mudar para francês

(1) O holandês só é a mesma língua que o flamengo quando escrito. Na pronúncia é totalmente diferente. Pelo menos, é o que me diz (e já me demonstrou, pronunciando um texto nas duas versões) um colega meu que foi emigrante na Holanda. Portanto, para um flamengo o holandês é uma língua estrangeira.

(2) Há uma grande inimizade entre flamengos e holandeses. Salvo erro por flamengos serem católicos empedernidos e holandeses serem protestantes. Para um flamengo, um holandês é ainda pior que um valão.
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De João André a 22.03.2016 às 16:31

1) Não vejo as coisas da mesma maneira mas pode ser percepção. Um português de Lisboa tem frequentemente problemas em entender alguém de Guimarães, Olhão ou Ponta Delgada (tenho a memória de a adaptação televisiva do Mau Tempo no Canal ter necessitado de legendas).
As séries flamengas levam frequentemente legendas quando passam na televisão holandesa, por outro lado vejo os holandeses e flamengos a conversarem entre si sem problemas. As pronúncias são diferentes, mas apenas em geral. A pronúncia de Brugges é essencialmente incompreensível mas também para outros flamengos. A de Limburg (a província holandesa) está tão próxima da genérica flamenga que é por vezes confundida com esta.
Falar em pronúncias dessa forma é o mesmo que referir a pronúncia de Lisboa como sendo representativa para o resto do país. Como sabemos, não é o caso.

2) eu não diria que há inimizade. Seria o mesmo que dizer que há inimizade entre portugueses e espenhóis. Há uma certa rivalidade, é certo, mas habitualmente é bem humorada. Gozam uns com os outros, mas não se pode dizer que haja hostilidade real. Está mais presente entre flamengos e valões que entre flamengos e holandeses. Não é por acaso que os holandeses, não qualificados para o Europeu de futebol, se andam a organizar para apoiar a Bélgica. O campeonato da hostilidade holandesa é para com os alemães e suleuropeus em geral. O dos belgas é caseiro, entre as comunidades.
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De Luís Menezes Leitão a 22.03.2016 às 17:30

Também me parece que o neerlandês e o flamengo são a mesma língua. É apenas uma questão de pronúncia. A separação entre a Flandres e os Países Baixos resulta essencialmente da questão religiosa. E da vontade da Inglaterra em criar um estado-tampão junto às suas costas.
Não obrigo ninguém a falar a língua do vizinho. O que pretendo salientar é que há uns anos na Bélgica ainda tínhamos a sensação que estávamos perante um único país, e em que falar a língua da outra comunidade não era mal visto. Hoje em dia parece-me que é. E é uma mudança que eu não aprecio.
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De V. a 22.03.2016 às 20:27

"Um português de Lisboa tem frequentemente problemas em entender alguém de Guimarães, Olhão ou Ponta Delgada"... Não exageremos, caraças.
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De Luís Menezes Leitão a 22.03.2016 às 15:01

Por acaso já fui a Liége de carro a partir de Bruxelas. Ia-me perdendo porque na estrada a cidade era designada apenas por Luik em flamengo e só à entrada da Valónia é que passou a ter o nome por que é conhecida. Fará algum sentido que um estado bilingue —o alemão é completamente residual — adopte este tipo de procedimento?
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De Luís Lavoura a 22.03.2016 às 15:52

Espetacular! Se você está em Portugal e quer ir para Espanha, lê nas estradas a palavra "Espanha" e nunca "España". Se você estiver em Genebra e quiser ir para Berna, vê nas estrada a indicação "Berne" e não "Bern". É evidente que nas estradas as cidades e direções estão indicadas na língua local! Ou julga que na Suíça todas as cidades estão indicadas por todo o lado nas três línguas do país?
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De Luís Menezes Leitão a 22.03.2016 às 16:04

Vou à Bélgica há muitos anos e sempre me habituei a ver tudo escrito nas duas línguas oficiais. Desde há uns anos para cá deixei de ver isso, o que coincidiu com a tentativa de dissolução do país. Se os flamengos não querem viver com os valões, têm bom remédio: separem-se. Agora que num país oficialmente bilingue se use apenas uma das línguas e se interdite o uso da outra é que não me parece que se justifique.
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De João André a 22.03.2016 às 16:37

É verdade que é residual, mas referi-o para indicar que o estado é oficialmente trilingue. Se vieres de outro lado da Bélgica para Liège precisarás de saber que a cidade que procuras se chama Lüttich, caso contrário ainda te arriscas a andar às aranhas.

Mas é verdade que pode ser confuso. Também já reclamei em guichets de estações por me terem vendido um bilhete para Anvers quando eu queria ir para Antuérpia e fiquei confuso quando me mandaram para Mechelen quando eu procurava Malines. Também passo tempo a explicar que trabalho em Leuven às pessoas que conhecem a cidade como Lovaina/Louvain.

Isso não quer dizer que as pessoas sejam obrigadas a falar o outro idioma. Mesmo que o país seja bilingue, não significa que as pessoas o sejam. E se nós temos a guerra que temos por causa de um acordo ortográfico que não mudou verdadeiramente a língua, como podemos queixar-nos de outros não quererem falar a língua de outra comunidade, a qual nem sequer é da mesma família?
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De BELIAL a 22.03.2016 às 11:42

COM TOLERÂNCIA - É SEMPRE A ((ri)BOMBAR.

A culpa é da sociedade.
E das más companhias.



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De BELIAL a 22.03.2016 às 11:45

Não tem graça nenhuma.
Mas fica no ouvido e olhar.

"Uma explosão foi ouvida esta terça-feira perto da Rua de La Loi" - avança o jornal belga Le Soir.
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De Anónimo a 22.03.2016 às 12:00

O terrorismo é difícil de controlar como sabe e dificilmente o será, pois basta um louco se fazer explodir e nunca saberemos, onde e como estão. Não venha com a história dos refugiados serem a desgraça do que está a acontecer porque os refugiados, fogem dos mesmos loucos que nos atormentam e a resposta que a Europa lhes dá é a negociata com a Turquia que em nada vai adiantar. Os loucos estão cá dentro e bem organizados. Antes de tudo deveriam aqueles que destruíram o Iraque, pedirem desculpas a eles e ao mundo, pelo erro que cometeram e a partir daí conversarem e tomarem-se medidas sérias e eficazes contra esta loucura que nos amedronta constantemente. Tony Blair já pediu desculpa, "desculpa esfarrapada" que soube a pouco, os outros nem isso conseguiram. Quem estragou que assuma as consequências e aceitem aqueles, a quem tudo destruíram. Temos de os receber porque também nós estivemos bem representados no começo de toda esta desgraça. Os desgraçados dos refugiados têm de abandonar tudo porque um dia, alguém se lembrou de lhes destruir, tudo, na base da mentira. Hoje resta-lhes a fuga para escaparem à morte e quando chegam à Europa são tratados como animais.
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De V. a 22.03.2016 às 20:21

Explique-me lá por que motivo não fogem eles para os países árabes ricos da península arábica onde com certeza seriam bem tratados. Ou por que razão esses países não levantam um dedo para os ajudar os seus irmãos de ideologia.
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De Anónimo a 23.03.2016 às 18:44

Diga-me lá onde tinham esses países sítio para albergar toda essa gente? Iam para o deserto? Essa pergunta terá de lhes fazer a eles, é que só eles, lhe poderão responder.
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De JSP a 22.03.2016 às 12:01

Uma sociedade permissiva, acobardada e domesticada pelo relativismo cultural , o infame "pulhìticamente correcto".
Uma sociedade que , aparentemente, não percebe que está em guerra , que se deixa embalar pelos "noticiários-espectáculo" e que encara a realidade através do filtro do"entertainment".
Uma sociedade que não entende que, se não destrói, é destruída - coisa que os países do leste europeu têm mais que assimilado.
Com a Rússia à cabeça...
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De Anónimo a 23.03.2016 às 11:07

A JSP:
Boa ideia, vamos começar a destruir tudo. À Bush, que tão bons resultados teve.
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De Cristina Torrão a 22.03.2016 às 12:28

Tenho saudades do espaço Schengen, pois faço muitas vezes a viagem de carro entre a Alemanha e Portugal. Desta vez (há cerca de uma semana), não notámos tanta diferença como estávamos à espera. A fronteira entre a Alemanha e a Holanda (perto de Venlo) e entre a Holanda e a Bélgica (em Maastricht) estavam abertas, mas, ao entrarmos em França, perto de Valenciennes (vindos da Bélgica), deparámos com uma fila de outros tempos, devido ao controlo. Na passagem de França para Espanha (País Basco), havia controlo no sentido contrário, mas penso que por outras razões, que não o perigo islâmico. Por outro lado, quem sabe... Pode bem ser que a França controle todas as entradas no país, sejam elas quais forem.

Estava habituada a atravessar cinco fronteiras sem notar (não fossem as placas com o nome do país onde se entrava). Numa situação destas, há uma certa revolta, a mesma revolta que alimenta as demagogias dos partidos da extrema-direita. É triste.
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De jo a 22.03.2016 às 12:48

A segurança absoluta dificilmente será atingida. Haverá sempre um equilíbrio difícil entre os direitos das pessoas e a segurança.

Talvez se comecem a tratar os atentados na Europa como se tratam os do resto do mundo. Se há um atentado no Iraque ou no Paquistão, as notícias dão uma nota de rodapé, pensa-se que só acontece aos cafres e segue-se em frente.

Ou talvez se mentalizem que está tudo ligado e que financiar grupos extremistas e governos duvidosos no estrangeiro pode ter um efeito boomerang.

Fechar a porta aos refugiados mais fracos é que não serve, comprovadamente para ter mais segurança.
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De lucklucky a 22.03.2016 às 14:56

Fala quem apoiou e apoia os atentados no Iraque e no Paquistão.
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De V. a 22.03.2016 às 20:34

Explique-me lá essa atracção pelos refugiados, você que provavelmente acha horrorosos os saloios mal-cheirosos de boné em Vila Franca de Xira. É assim um fazer bem abstracto, não é? Expiar uma culpa que nunca ninguém teve mas que aprendeu no currículo marxista das escolas públicas geridas pela Fenprof?
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De Vento a 22.03.2016 às 14:37

Antes de tudo o que pretendo escrever, deixe-me informar que não tenho jeito para indignações; e volto a repetir o que aqui afirmei: a carnificina é tanta ao longo dos tempos que ela se torna banal. Não significa isto que não compreenda a dor das vitimas e de suas famílias.

Porém, acredito que um acto de compaixão (sofrer com) passa por uma análise de tudo quanto envolve esta problemática.
Na realidade a Europa não tem garantido a segurança de seus cidadãos. E não a tem garantido porque existem alguns países europeus, juntamente com outros fora da Europa, empenhados numa guerra que possui uma matriz duvidosa.
Esta guerra tem provocado imensa dor e ódios fora das fronteiras europeias.

Aqui chegados, é necessário compreender que estamos em guerra, mas essa guerra vira-se precisamente contra aqueles com ela mais comprometidos. Por se estar em guerra, compreenda-se que à falta de meios convencionais (aviação, exército e marinha) eles usarão aquilo que a história nos tem revelado: a guerrilha.
Este tipo de guerrilha, que sempre se chamou terrorismo, possui hoje uma capacidade de mobilização e recrutamento que pode infligir sérios danos no território contrário.

Portanto, pensar na segurança da Europa sem pensar nas causas que determinam tal insegurança é meter a cabeça na areia como a avestruz. Significa isto que a vertente da solução é política e não securitária como se tem vindo fazendo ineficazmente, julgando-se que os discursos para serem ouvidos internamente resolvem o problema.

A causa desta guerra tem culpados externos e internos e a solução passa por levar a Justiça aonde ela falha. Quando se fala em justiça compreenda-se que se esta não abranger o respeito por alguns usos e costumes das populações, quer na Europa quer fora da Europa, não se está a ser justo, mas impositivo. A impositividade gera um efeito semelhante.

A Europa compreenderá agora que o securitismo e a invasão da privacidade de outrem é um mero acto de voyeurismo, com plena ineficácia no terreno. As armas nunca resolveram guerras, foi a dor e os destroços de todas as sociedades que fizeram compreender a acção política.

Não se caia nos mesmos erros e mimetismos.

A guerra continuará até que as políticas mudem, e ninguém pense que haverá vencedores. Para mudar políticas é necessário que a mentalidade de novos e velhos evolua.
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De lucklucky a 22.03.2016 às 15:22

As "armas nunca resolveram guerras" diz alguém que elogia o combate dos soviéticos contra os nazis e outras guerras revolucionárias.

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