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A Europa derrotada.

por Luís Menezes Leitão, em 27.03.16

Nesta crónica, Alberto Gonçalves está cheio de razão. Neste momento, trava-se uma guerra contra a Europa e a Europa já a perdeu. O Estado Islâmico pode estar a recuar na Síria, devido ao apoio de Putin a Assad, mas mantém a Europa refém de qualquer atentado, como se viu em Paris e em Bruxelas. E os cidadãos europeus mostram-se incapazes de qualquer resistência. Mesmo uma simples marcha contra o medo em Bruxelas é proibida pelas autoridades do país, para convencer os cidadãos que devem ter é medo e esconder-se em casa. Um simples jogo de futebol, que deveria ter lugar em Bruxelas, é transferido para Leiria, talvez o sítio mais seguro que se conseguiu encontrar no continente europeu.

 

Mas perante esta captura da mais elementar liberdade dos cidadãos europeus, a resposta a que todos assistimos no espaço público é a um discurso desculpabilizador dos atentados e quase sempre culpabilizador do Ocidente. George W. Bush, o petróleo e o capitalismo são os grandes responsáveis pelo surgimento destes terroristas, que de outra forma andariam por aí a cantar loas à harmonia universal. Mas é curioso que, quando se vê os comunicados desta gente, os referenciais são muito mais antigos: há um sonho de restauração do califado e um ódio às cruzadas, que ocorreram há mil anos. Na verdade o seu objectivo é apenas fazer a Europa recuar mais de mil anos. E neste enquadramento, a resposta a que se assiste no espaço público faz lembrar as discussões bizantinas sobre o sexo dos anjos, enquanto Constantinopla era invadida.

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2 comentários

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De JSP a 27.03.2016 às 21:45

Parte da Europa, meu caro. parte dela.
As coisa são "ligeiramente" diferentes na ainda denominada Europa do Leste.
Aí o laxismo cobarde e hipócrita do "pulhìticamente correcto", do relativismo cultural, nunca assentou arraiais.
E, ainda mais a leste, vela a Igreja Cristã Ortodoxa...

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De Vento a 27.03.2016 às 21:52

Sinceramente, não consigo compreender o que o Luís e Alberto Gonçalves preconizam. Compreendo que ambos não gostam das posições contrárias. Mas não encontro uma única solução de vossa parte para o problema em curso.

Não há uma guerra contra a Europa. A Europa está em guerra desde há muito. Aquilo que começou a ocorrer na Síria é o que devia ter ocorrido há mais tempo. Isto é, com a ajuda dos Russos é necessário restabelecer o território e as fronteiras da Síria.
Algo que na realidade o Ocidente nunca quis. Apoiou directa e indirectamente grupos armados com o objectivo de fulminar um estado, à semelhança do que fez na Líbia e no Iraque.

O que está a ocorrer é a tempestade colhida por quem semeia ventos; e negar esta evidência é pretender mascarar a realidade e evitar reconhecer que o Ocidente é incapaz de realizar uma política sólida e eficaz, até mesmo a seu favor, desde a era Thatcher/Reagan; e em particular desde a era Bush (filho).

A Rússia já mostrou como pode ser eficaz, tão eficaz que não se importa de colocar o Ocidente no lugar que lhe compete quando pretendem isolá-la. Deu provas disto na Crimeia e na Ucrânia. Está a fazer o mesmo na Síria.

Que fez o Ocidente? É isto que pretendo que demonstrem.

Eu não vivo com medo, mesmo sabendo que me pode tocar a mim o que ocorreu em Bruxelas.

Quanto ao sonho do califado, o Luís ainda não compreendeu que a propaganda deles se assemelha a essa que critica. Visa dar moral aos seus militantes.

A solução é política e passa por envolvimento global eficaz. Não há-de haver vencedores nesta guerra. E as vitimas, todas elas, serão esquecidas. Os bravos soldados do nosso império continuam esquecidos e até mesmo escondidos. Os bravos soldados do Vietnam continuam esquecidos. Os bravos soldados que tombaram na Argélia continuam esquecidos. Melhor, são incómodos.

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