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A Europa derrotada (2).

por Luís Menezes Leitão, em 28.03.16

Este post do João André demonstra bem o estado em que a Europa vive. Contra os terroristas, não se combate, informa-se. Para além disso, é preciso tomar "medidas excepcionais", que "não adianta[m] muito", para "tentar transmitir a imagem de se estar a fazer alguma coisa". Quanto ao resto, o que interessa é ir buscar razões. As razões para a explosão não são um bando de criminosos ter-se decidido pura e simplesmente fazer explodir, matando uma série de vítimas inocentes. Não. "As razões para esta explosão se encontram no nosso presente e no nosso passado. Encontram-se nos cruzados de há mil anos e nos modernos (ou pelo menos percebidos como tal) que estupidamente ignoraram o xadrez geopolítico da região. Estão na pobreza de quem sofre todos os dias e na riqueza de quem lhes dá os meios para se irem explodir. Estão em muitos mais pontos que muita gente bastante mais informada e inteligente […] já apontou". 

 

E enquanto a gente bem informada e inteligente discute, o controlo de fronteiras foi reinstituído. Não há problema, pois há sempre o Google Maps. O direito à manifestação também desapareceu. Mas quem é que poderia esperar que a polícia fosse capaz de proteger 100.000 manifestantes, quando "ainda existirão terroristas não identificados, activos e livres"? Não interessa que a população pague impostos para poder dormir descansada. O que interessa é discutir profundamente o problema do terrorismo nas suas raízes milenares. Até lá, vivamos felizes, sequestrados na nossa Europa, sem direito à deslocação ou à manifestação, devendo mesmo permanecer fechados nas nossas casas. Tout va bien dans le meilleur des mondes.

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13 comentários

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De Costa a 28.03.2016 às 10:34

Eu diria que o autor - João André - sentiu uma irreprimível necessidade de manifestar quanto lhe é hostil e manifestamente intolerável a figura e o pensamento do cronista que (ele) tanto cita e tão empenhadamente ridiculariza.

Hostil, intolerável e na verdade indigno do estatuto de ser pensante (veja-se que nem lhe atribui a qualidade de pensamento, dedica-se longamente a desconsiderar liminar e aprioristicamente: não há raciocínio, não há ponto de vista - diferente, mas credor de consideração - mas iniquidades largadas por um mentecapto). Tem ele (João André) aqui, e felizmente, essa liberdade. Neste blogue e nesta nossa tão imperfeita sociedade.

O resto é o inesgotável masoquismo da "inteligência" europeia, sôfrega de flagelamento e em permanente adoração de culpas históricas, assim tomadas sem um esforço elementar de contextualização, eternamente passadas de geração em geração e jamais expiadas. Um pecado original, laico e republicano, afirmado, batendo sonoramente a mão no peito, no mais devoto fervor de dogma religioso.

A Europa derrotada, de facto.

Costa

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De lucklucky a 30.03.2016 às 20:59

Fantástico como meu post the resposta a este foi censurado quando diz o mesmo por outras palavras.
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De João André a 31.03.2016 às 10:22

Informação da minha parte:
1) os seus comentários nos meus posts sou eu quem decide se aprovo ou não. Nos do Luís Menezes Leitão são da responsabilidade dele.
2) Os seus comentários no meu post eram ainda mais ofensivos. Por ter repetido a gracinha vezes a mais mesmo sendo avisado, decidi que não lhe aprovo mais comentários nos meus posts, independentemente do que digam.

Chame-lhe censura se quiser, mas é disparate. Pode publicar as opiniões onde quiser (inclusive nos posts de outros autores) e até criar o seu próprio blogue, conta de Twitter, etc. Pode também contactar-me pelo meu mail (vá à página de pergil e verá um contacto). Eu chamo-lhe simplesmente arejamento do meu espaço.
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De jo a 28.03.2016 às 10:51

Não sei se reparou na contradição do que escreve.

Para si não é necessário tentar descobrir o que leva alguém a tornar-se terrorista. Basta prender ou matar os terroristas que se fazem explodir. Mas como eles estão mortos não os pode prender nem matar.
Como é uma perda de tempo compreender o que leva os terroristas a agir só os consegue castigar depois deles agirem, o que no caso de terroristas suicidas é capaz de ser um bocado tarde.
A segurança das pessoas deve ser garantida contra o terrorismo, mas a polícia deve proteger ajuntamentos de multidões sem poder estudar quem são os terroristas, isto sem beliscar os direitos dos que podem ser terroristas e não são.

Na minha opinião está demasiado focado na noção de Bem e Mal absolutos. Se isso o satisfaz diga cem vezes: "O terrorismo é o Mal e é errado". No fim disse cem vezes uma verdade evidente e não resolveu porra nenhuma.

Talvez se pensar no terrorismo como uma doença o ajude. Se tiver tuberculose não vai pensar que o bacilo é a encarnação do Mal. Trata a doença com remédios e procura evitar que as condições que a favorecem se repitam. Também não tem a veleidade de pensar que conhece a cura final para a tuberculose no mundo. Nem vai chamar idiotas aos que procuram saber o que faz com que a doença apareça com mais intensidade.
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De Anónimo a 28.03.2016 às 10:59

Mas é tão óbvio, tão óbvio, que só pode haver grandes e sinistros interesses a forçar a atual situação.
Como em muitas outras áreas.
A educação, por exemplo.
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De jo a 28.03.2016 às 11:47

Não sei se reparou na contradição do que escreve.

Para si não é necessário tentar descobrir o que leva alguém a tornar-se terrorista. Basta prender ou matar os terroristas que se fazem explodir. Mas como eles estão mortos não os pode prender nem matar.
Como é uma perda de tempo compreender o que leva os terroristas a agir só os consegue castigar depois deles agirem, o que no caso de terroristas suicidas é capaz de ser um bocado tarde.
A segurança das pessoas deve ser garantida contra o terrorismo, mas a polícia deve proteger ajuntamentos de multidões sem poder estudar quem são os terroristas, isto sem beliscar os direitos dos que podem ser terroristas e não são.

Na minha opinião está demasiado focado na noção de Bem e Mal absolutos. Se isso o satisfaz diga cem vezes: "O terrorismo é o Mal e é errado". No fim disse cem vezes uma verdade evidente e não resolveu porra nenhuma.

Talvez se pensar no terrorismo como uma doença o ajude. Se tiver tuberculose não vai pensar que o bacilo é a encarnação do Mal. Trata a doença com remédios e procura evitar que as condições que a favorecem se repitam. Também não tem a veleidade de pensar que conhece a cura final para a tuberculose no mundo. Nem vai chamar idiotas aos que procuram saber o que faz com que a doença apareça com mais intensidade.
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De Luís Menezes Leitão a 28.03.2016 às 12:35

Comparar o terrorismo a uma doença e procurar investigar as razões por que aparece é elucidativo. É a desresponsabilização total do indivíduo. O homem é naturalmente bom e a sociedade é que está doente. A sociedade está de facto doente porque procura culpabilizar-se pela doença em vez de a combater com remédios eficazes.
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De Grande Oriente a 28.03.2016 às 13:27

Alá é grande, e Luís Leitão compreende a essência que une uns e outros.
Uns nascem maus, outros nascem bons.
Os maus devem ser eliminados!
- oh! Que plena comunhão de filosofias.
A pequena diferença é que os os maus no Oriente são os bons do Ocidente, e os maus do Ocidente são tidos como bons no Oriente.
Que se queiram ambos eliminar, parece ponto de concórdia.
Ah! Como é simples, o mundo destes novos Westerns spaghetti, made in GW Bush.
Nada como a mente simplista do jurista para com penas dividir o mundo entre certo e errado.
É uma pena...
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De lucklucky a 29.03.2016 às 16:34

Para Esquerda explodir-se numa estação de comboios - seja na Europa seja no Bali - para matar o máximo de transeuntes não permite distinguir o Bem do Mal.

Mas nunca têm semlhantes pruridos quando falam de capitalistas, mercados e grandes grupos económicos. Sem esquecer que ao mesmo tempo que criticam a sua existência protestam os "embargos" dos mesmos.

Já chamar uma "esganiçada " é o mal personificado.
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De João André a 29.03.2016 às 16:06

Além de (obviamente) não concordares com o meu post (lógico, uma vez que começo por discordar do teu ) não percebi muito bem onde quererias chegar.

Talvez eu não me tenha expressado correctamente no meu post (perfeitamente possível e provável), mas penso que não compreendeste alguns dos aspectos (não que tenhas de concordar mesmo que os percebas).

Eu fiz uns comentários sobre as medidas extraordinárias, não lhes pretendi dar muita caução. A mim incomodam-me parcialmente e são essencialmente ineficazes para apanhar terroristas que já demonstraram ser capazes de se mover bastante bem sem serem detectados. Por outro lado não sou um especialista em segurança e até pode ser que se estejam a efectuar controlos fronteiriços nuns pontos para obrigar os terroristas a entrar por outros que são controlados mais discretamente (provavelmente isto são delírios de quem viu demasiados filmes de espionagem).

Aquilo que não se pode negar é que os governos têm sempre a tendência para a seguir fazer subir o aparato para demonstrar que levam a segurança da população a sério. Independentemente da eficácia das medidas, é muito possível que as populações se sintam assim mais seguras - e de facto o estejam. Não sei se assim é. Deixei apenas esse comentário.

Agora o teu comentário «As razões para a explosão não são um bando de criminosos ter-se decidido pura e simplesmente fazer explodir, matando uma série de vítimas inocentes».
Nele dás a sensação que, na tua opinião, os terroristas (criminosos, claro, nem discuto) simplesmente decidiram rebentar-se para matar gente apenas e só porque são criminosos, uns facínoras da pior espécie.

Isso quase dá a sensação que um deles iria no metro, viu que não havia nada de jeito no cinema e pensou: "OK, já que não tenho planos para esta noite mais vale rebentar este colete e fazer finalmente aquilo que ando a planear há tanto tempo".
Isto é um óbvio disparate. Se assim fosse poderiam ter-se rebentado em qualquer sítio e não escolheriam quem matar. Escolheram o sistema de transportes e uma das principais estações de metro para o Parlamento Europeu. Fizeram-no porque não queriam simplesmente matar gente: queriam enviar uma mensagem e causar terror (sendo terroristas, e tal).

Compreender a mensagem ajuda a compreender os seus motivos. Compreender os seus motivos ajuda a perceber de onde vêm. Compreender de onde vêm ajuda a que se possa combater a má mensagem com uma boa mensagem. Em Molenbeek isso não foi feito. Noutros bairros ou subúrbios (de Bruxelas ou outras cidades) sim.

E não vale a pena esconder a cabeça na areia e ignorar as responsabilidades ocidentais. No final da I Guerra Mundial as potencias (especialmente a Inglaterra) traçaram fronteiras pelo Médio Oriente a régua e esquadro sem ligar a tribos, religiões, etnias, etc. A incapacidade de condicionar políticas israelitas de opressão dos palestinianos (que o resto dos países árabes, a propósito, na realidade desprezam) ajuda a criar um ponto de identificação que facilita a radicalização. O apoio a um regime déspota e igualmente radical na família Saud (que financia directa ou indirectamente muitos dos grupos terroristas da região) não ajuda.

Não vou recuar às cruzadas porque é parvoíce. Os cruzados eram filhos do seu tempo, tal como os árabes o eram. Guerras religiosas serão sempre sangrentas. São no entanto mais uma forma de motivar aqueles que estariam à partida mais dispostos ao "martírio".

Agora, começar um artigo, como AG, com a afirmação que "terrorismo islâmico" é um pleonasmo é apenas burrice, ignorância ou pulhice. Pessoalmente, no caso de Alberto Gonçalves, não o conhecendo, inclino-me para a última hipótese. A minha hipótese é que ele tem ódio aos muçulmanos (e tudo a que ele não tenha amor, pelo que me fui apercebendo pelos seus textos) e escreverá tudo o que seja que o sublinhe, nem que seja mentir, distorcer, inventar, etc.

Por isso lamento que o cites Luís. Por ti tenho imenso respeito (as tuas opiniões ão bem pensadas e fundamentadas, mesmo que eu discorde), mas por Alberto Gonçalves: nenhum.
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De João André a 29.03.2016 às 16:07

Desculpa lá a extensão, mas não quis fazer disto um post.
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De Luís Menezes Leitão a 29.03.2016 às 16:15

Eu cito quem entendo que devo citar. Que eu saiba em Portugal ainda não há ninguém que esteja no índex. E não tenho por hábito procurar responder a textos de que discordo desqualificando o seu autor. Chama-se a isso jogar o homem e não a bola.
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De João André a 29.03.2016 às 17:12

Neguei-te esse direito em algum lado Luís? Se quiseres citar o Mein Kampf, o Caminho à Vitória, a Riqueza das Nações, a Bíblia ou o Caminho da Servidão, estás no teu direito.

Eu lamentei-o, porque considero Alberto Gonçalves um péssimo cronista/comentador (e estou a ser agora simpático na forma como apresento a minha opnião). Penso que dei as razões para a ter. Se não concordas, mais uma vez estás no teu direito. Não jogo ao homem porque não conheço Alberto Gonçalves. Poderã ser uma pessoa simpatiquíssima e capaz de se atirar em frente de um comboio por outro ser humano. Não o sei. Sei o que escreve e apontei coisas que escreve. Isso é jogar à bola, na minha opinião. Não tenho tempo nem estômago para dissecar cada linha do que ele escreveu. Se é disso que necessitas para considerar que se "joga à bola e não ao homem", então prefiro ficar com a fama de caceteiro que não tenho tempo para esse jogo limpo. Gostaria no entanto de apontar que praticamente não argumentaste em nada no teu post em relação ao meu.

Aquilo que não esperava era essa pose agora de virgem ofendida: "cito quem entendo citar", como se eu te tivesse negado o direito. Considerar que é uma má escolha limita-te o direito em alguma coisa? Não me parece que o faça (e se acaso o fizesse poderias sempre ignorar-me). Não coloco nada no índex (e até fiz o link para o texto original) e ninguém me pode acusar disso, tanto quanto sei. Espero que não sejas tu, infundadamente, a fazê-lo.

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