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A defesa da normalidade

por Diogo Noivo, em 22.03.16

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A morte chegou entre as 7h37 e as 7h41 da manhã. Em plena hora de ponta, os assassinos detonaram 10 dos 13 engenhos explosivos colocados em 12 carruagens de 4 comboios. Há avaliações que estimam o custo mínimo directo dos danos produzidos em cerca de €211 milhões. Porém, nada foi mais impressionante do que o estrago contabilizado em sangue: 191 mortos e mais de 1800 feridos. Na sua maioria, as vítimas cumpriam a rotina de entrar na cidade para ir trabalhar. Refiro-me evidentemente aos atentados de 11 de Março de 2004, em Madrid, cujo 12º aniversário se assinalou este mês. Creio ser ainda o atentado mais devastador ocorrido na Europa Ocidental – superado em vítimas mortais apenas pelo atentado de Lockerbie, em Dezembro de 1988, com 270 mortos.


Choraram-se os mortos, cuidaram-se os feridos, apoiou-se o luto das famílias e até foram tiradas consequências políticas (se justa ou injustamente é um assunto que, embora interessante, pouco importa agora). Não houve marchas onde Chefes de Estado e de Governo se atropelaram para aparecer na fotografia. Não houve tão pouco movimentos e ondas de indignação do tipo Je Suis. Sobretudo, não houve estados de excepção de razoabilidade dúbia, não houve cessação de liberdades fundamentais, nem derivas legislativas securitárias. Habituada à chaga terrorista, Espanha combateu a barbárie sendo irredutível na defesa da normalidade democrática.


Como escrevi em tempos aqui no DELITO, é objectivo declarado de todas as organizações terroristas forçar o Estado a abdicar da sua superioridade política e moral. Por outras palavras, um dos propósitos da acção terrorista é o de obrigar o Estado visado a prescindir dos valores e procedimentos nos quais se funda e, dessa forma, faze-lo descer ao nível de quem comete actos terroristas. Se a ameaça terrorista constitui um perigo que não pode ser desvalorizado, também a forma como as sociedades e os Estados democráticos respondem à ameaça representa um desafio que não se deve prestar a ligeirezas nem a bravatas.

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7 comentários

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De AntónioF a 22.03.2016 às 18:39

Caro Diogo,
permita-me que sublinhe a sua última frase, a qual, em meu entender deve merecer uma profunda reflexão.
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De Pedro Correia a 22.03.2016 às 19:01

Plenamente de acordo, Diogo.
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De WW a 22.03.2016 às 19:29

O autor esqueceu-se de mencionar que na altura havia eleições e o governo de momento (Aznar) (e que liderava as sondagens) tentou atribuir o atentado á ETA mas depois soube-se a verdade...
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De Vento a 22.03.2016 às 21:44

As guerras são intermináveis, a solução é política. Mas para que possa ser política é necessário que a política de interesses instalados se vire para os interesses comuns. Mas isto só pode ser mudado se as mentalidades mudarem.

A II Guerra mundial não terminou com as guerras. Logo de seguida surgiu a divisão da Europa, a anexação de Estados, a guerra da Coreia, Vietnam e outras mais. Todos esses que se opunham aos que consideravam invasores também eram considerados terroristas. Mas, tipo abracadabra, passaram a ser homens e mulheres comuns logo que a alteração ocorreu. Em Angola, Guiné e Moçambique também eram terroristas. Mas agora são chefes de Estado e cidadãos legítimos. Na Argélia também eram terroristas, mas agora são cidadãos comuns. Quer mais exemplos?
Dou mais uns quantos: o ataque de Munique, perpetrado pela OLP de Arafat, também foi considerado um acto terrorista. Posteriormente transformaram-se em cidadãos normais.
Mandela também foi considerado um terrorista, depois virou chefe de Estado. Os Ingleses também malharam forte e feio na Índia; e os que lutaram pela independência desta deixaram de ser vistos como eram.

Eles são terroristas e pretendem forçar os Estados a tudo isso que afirma. Acontece que muitos desses perderam os seus Estados com ofensivas legitimadas por um não sei quê.
Quer exemplos? Iraque, Líbia, Síria e etc e tal.

Para conclusão da reflexão, gostaria de deixar uma questão: Que relatos nos trás sobre o que pensam a respeito de tais ofensivas e mortes geradas os cidadãos desses países, sem Estado? Sim, sem Estado porque esse não funciona em benefício de seus cidadãos, ou seja, nada lhes pode ser garantido a não ser a guerra, a fome e a morte.
Não existem guerras justas. Existe, isto sim, injustos que iniciam guerras.

Por fim, se queres compreender e evitar tua dor olha a dor que causas ao outro.
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De Pedro Christensen a 23.03.2016 às 12:39

Seguramente que D Teresa de Urraca achou o mesmo do seu próprio filho, Afonso Henriques, um verdadeiro terrorista, quando este inicio o processo de independência do condado Portucalense, mais tarde vindo a ser mais do que um cidadão comum, mas o nosso primeiro e ilustre rei de Portugal.
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De Vento a 23.03.2016 às 23:05

Deu-lhe uma boa achega. Obrigado. Não só D. Teresa de Leão. Também Afonso VII pelo seu protesto junto da Santa Sé perante o facto do Papa Lúcio II ter aceite vassalagem do posterior D. Afonso I (carta Claves Regni), apesar de ter considerado Portugal terra e não reino e ter tratado Afonso I por "ilustre duque portucalense". Mais tarde o reino de Portugal veio a ser reconhecido pela Santa Sé.
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De lucklucky a 23.03.2016 às 12:08

"Como escrevi em tempos aqui no DELITO, é objectivo declarado de todas as organizações terroristas forçar o Estado a abdicar da sua superioridade política e moral. Por outras palavras, um dos propósitos da acção terrorista é o de obrigar o Estado visado a prescindir dos valores e procedimentos nos quais se funda e, dessa forma, faze-lo descer ao nível de quem comete actos terroristas. "

Ou seja não entende o que é o Terrorismo.
Não sequer entende que está em Guerra.

A reacção ao terrorismo como em qualquer guerra depende da quantidade de baixas. Detona-se uma arma nuclear em Bruxelas e a sua conversa vai pelos ares. Quando ver rockets lançados dos subúrbios a atingir Bruxelas - lá chegaremos- também.

O que os terroristas têm mais medo é precisamente de deixarmos de estar com mãos atadas. Destrói uma mesquita de Bruxelas por cada bomba e já vão começar a pensar.
Caso ainda não se tenha apercebido, guerra é punição colectiva.

Não se ganhou a Segunda Guerra mundial com esta conversa. Ganhou-se querendo vencê-la e fazer tudo o necessário para tal acontecer.

Inclusive tendo como aliados assassinos como Estaline.

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