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A calamidade

por Luís Naves, em 07.06.14

Um dos mitos mais curiosos dos três anos de resgate coincidiu com a decisão do governo de aumentar o IVA da restauração, com efeitos a partir de 2012. Na altura, a Imprensa repetiu à exaustão a notícia da perda iminente de 120 mil empregos. Milhares de pequenos estabelecimentos iriam à falência e a receita fiscal até seria perdida. Ainda recentemente, no parlamento, a oposição afirmava que o aumento do IVA da restauração provocara o desaparecimento de 70 mil empregos. Não foi referida a fonte da informação e ninguém contestou. Na internet encontram-se centenas de artigos sobre a calamidade e basta falar com alguém na rua para ouvir sobre isto a sentença imediata: foi mau terem aumentado o IVA da restauração e houve muitos trabalhadores que perderam o emprego.

O mito é persistente e ninguém na comunicação social se deu ao trabalho de observar os factos. Os restaurantes continuam teimosamente abertos e repletos. E bastava comparar o número de empregos no sector do alojamento, restauração e similares, ao longo de vários anos, para perceber que o aumento do IVA não produziu nenhum colapso. Aliás, de acordo com os dados do INE, não houve efeitos no emprego.

No quarto trimestre de 2009, trabalhavam no sector 283 mil trabalhadores; no quarto trimestre de 2011, quando foi tomada a decisão de aumentar o IVA para 23%, o sector empregava 281 mil pessoas; ora, dois anos mais tarde, no quarto trimestre de 2013, o número total de trabalhadores no sector era de 299 mil. Em vez de cair 120 mil, o valor até aumentou em 18 mil.

Onde estão os 120 mil postos de trabalho perdidos? E os 70 mil? Na realidade, o sector do alojamento e da restauração pouco mudou em dez anos. O emprego manteve-se relativamente estável, com picos de Verão acima dos 300 mil.

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12 comentários

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De Alexandre Carvalho da Silveira a 07.06.2014 às 12:55

Contra factos não há argumentos. Já agora, também nos podia ter informado em quanto é que aumentou a receita do IVA da restauração, mesmo deduzindo o impacto do aumento da taxa: cerca de 180 milhões de euros!
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De Carlos Cunha a 07.06.2014 às 13:15

conclusão: grande medida, o aumento do iva para os patamares actuais. admira que outros não a sigam, para estes patamares, admira ainda mais que aquele magoo das finanças, o gaspar, não tenha ido por aí logo-logo, em vez de andar a chatear o pessoal e o tc com cortes nos salários e prestações sociais e outras tretas. nesta senda, qual é o problema de aumentar o iva um xóxózinho?
ganda naves, pá...já agora, recorda-se porque é que o magoo das finanças foi por aí?
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De da Maia a 07.06.2014 às 13:46

Sim, é importante salientar isso, a restauração soube sobreviver ao ataque filipino.
Muito bem.
Agora explique-me que sentido tem cobrar o mesmo IVA ao rissol e ao importado mármore de Carrara. Por que razão se aumenta o IVA nas transacções das pastelarias, e se mantém o IVA nas transacções das ourivesarias?

O facto da restauração ter sobrevivido ao ataque de governação, não esconde a sua protecção sistemática aos artigos importados de luxo.

Quando o governo sistematicamente protege e ataca sempre os mesmos, qual será a palavra mais indicada para o classificar?
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 07.06.2014 às 19:31

Então como é que classificamos os empresários das cafetarias e dos restaurantes, que se locupletavam com o dinheiro do IVA que os clientes lhes pagavam, quando não lhes era exigida a respectiva factura? benfeitores sociais, ou fugitivos ao fisco?
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De da Maia a 08.06.2014 às 00:24

Ui... esses?
Que tal naquela vasta classe de esquecidos do fisco, ungidos pelo Espírito Santo, mas aqui de orelha só. É que esquecimentos de milhões não é para qualquer salgadinho, é preciso linhagem... nem que remonte a negreiros.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 08.06.2014 às 16:02

As atitudes de uns não justificam as dos outros: tão ladrão é o que entra na horta, como o que fica à porta. Ou então temos de inventar um ladrãometro, para medir quem são os pequenos ladrões, os medios ladrões e o grandes ladrões.
Uma coisa assim parecida com a caixa de ferramentos do canalizador, que tem uma chave de fendas pequena para os parafusos pequenos, uma chave de fendas média para os parafusos médios, e uma chave de fendas grande para os parafusos grandes...
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De da Maia a 08.06.2014 às 19:04

Pode não distinguir entre roubar um pão ou roubar uma casa, mas eu distingo.
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De Alexandre Carvalho da Silveira a 09.06.2014 às 15:25

Eis o tipo de argumento que nos leva a lado nenhum. Mas no assunto em apreço o "roubo do pão" vale 180 milhões. Olhe que é muito pão...
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De William Wallace a 07.06.2014 às 15:45

Não confundir restauração com hotelaria, são duas realidades empresariais diferentes, com públicos alvo diferentes e ainda por cima com fiscalidades diferentes.
Quanto aos empregos criados ou perdidos é impossível o INE ou alguém em Portugal saber o número de postos de trabalho ganhos ou perdidos pois muito do trabalho efectuado em hotelaria e restauração é pago á jorna e não declarado á Segurança Social isto nas empresas que operam o ano todo pois nas que abrem sazonalmente (como muitos hotéis e restaurantes o caso ainda é pior).
Se você é daqueles que considera que quem assina um contracto de 1 dia a recibo verde para fazer um serviço de casamento de 14 horas de trabalho é um emprego então sim o desemprego na área não desceu e se assim for não vale a pena escrever mais nada.
Se você pensa (como já revelou no post sobre o RiR ) que situações esporádicas de consumo feitas na sua imensa maioria por privilegiados são o espelho do actual estado económico de Portugal então eu convido-o a sair de casa e visitar o País real.
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De cristof a 07.06.2014 às 16:21

Ligar as calamidades de quem faz politica com os pés é sair desacreditado ou desanimado. Calculo que o efeito do maior controle fiscalsobre umsector que pagava 3% de impostos ainda vao demorar uns anitos a ver-se = porque a fiscalização é à portuguesa,porque os cidadãos não pedem fatura com NC e que enter os pigos de chuva muitos vão sobrevivendo. Tenho pena se perdermos uma das caraccteristicas boas de Portugal; que um trabalhador mesmo que com salario poucoelevadopode ir almoçar ao restaurante -facto que se torna muito penoso nos paises desenvolvidos do norte. Mas para que isso se continue a verificar nãosão as politicas destes laranjinhas que se babam perante a imagem de sacar mais impostos aos cidadãos, semcuidarem de trabalhar a sério e com eficiencia.v Se continuarmos por aqui acredito que veremos muitos estabelecimentos a fecharem em serie coma natural desrtificação laboral.
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De lucklucky a 07.06.2014 às 21:39

Mais um Socialista a elogiar como se deve ainda dar mais poder para o Estado.

Incapaz de ver quantos empregos deixaram de ser criados.
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De José Moreira a 07.06.2014 às 23:40

Iva a 30% em tudo e não se fala mais nisto... quantos pseudo-empresários já foram apanhados entretanto?

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