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terror-europe[1].jpg

 Paris, Novembro de 2015

(foto: Charles Platieu, Reuters)

 

1

O terrorismo jiadista combate-se como se combateu o terrorismo extremista na Itália e na Alemanha, na década de 70. Combate-se como se combateu o terrorismo da ETA, como se combateu o terrorismo do IRA.

Como?

Com serviços de informações competentes e organizados em rede, infiltrados nas organizações terroristas e dotados de meios efectivos para desarticulá-las. Quebrando-lhes as células dirigentes, os circuitos informáticos e as vias de abastecimento de armas e munições. E utilizando dissidentes e terroristas arrependidos nessas operações.

Não é preciso inventar a pólvora. A pólvora já foi inventada há milhares de anos.

 

2

Alguns tudólogos com lugar cativo no espaço mediático teimam em "perceber" o "porquê de o serem [assassinos], o que os levou a isso". Estes raciocínios sempre me conduzem àqueles judeus que tentaram "perceber" as motivações dos nazis entre 1933 e 1939. Alguns desses judeus contemporizaram com a barbárie, deixaram que lhes saqueassem lojas e confiscassem propriedades enquanto procuravam mostrar-se bons cidadãos alemães: muitos escutavam Wagner e exibiam orgulhosamente as condecorações obtidas em combate na I Guerra Mundial em defesa do império germânico.

Acabaram nos campos de extermínio e nas câmaras de gás tal como os outros, os que não tinham tentado "perceber" o que levava as hordas hitlerianas a comportarem-se como bestas sanguinárias.

 

3

Rejeito as teses deterministas. Acredito firmemente no livre arbítrio e na responsabilidade individual: ninguém é criminoso antes de praticar um crime.
Mas não recorro a eufemismos para qualificar actos criminosos.
Lamentavelmente, quando ocorre um atentado terrorista, logo surge gente a considerar que os assassinos são vítimas. Da economia, da crise, da sociedade, da discriminação, do capitalismo, do aquecimento global, do planeta Terra, do sistema solar.
Isto para mim é inaceitável.
Um crime é um crime. A barbárie é a barbárie - tenha a cor ideológica que tiver, idolatre os deuses que idolatrar. Ponto final.

 

4

A ladainha da "destruição do Iraque", invocada por sistema quando ocorrem atentados terroristas na Europa, equivale a dizer que as vítimas inocentes destes atentados "estavam mesmo a pedi-las".
Equivale também a considerar vítimas os assassinos. Coitados, argumentam os arautos de tal tese, eles estão apenas a vingar o que os malandros dos ocidentais fizeram ao Iraque.
Essa é a lógica hitleriana do olho por olho, dente por dente. Hitler conquistou metade da Europa, espezinhando-a e escravizando-a, para vingar as humilhações sofridas pela Alemanha no Tratado de Versalhes. Alegava ele. E muitos concordaram.
Quando começamos a chamar vítimas aos assassinos os nossos padrões éticos invertem-se. O passo seguinte, nesta rota descendente, será chamar criminosos às vítimas verdadeiras.

 

5

É um absurdo incorporar um homicida numa categoria étnica, religiosa ou cultural, fixando-o neste rótulo.
Há assassinos em todos os quadrantes, em todas as etnias, em todas as classes sociais.
Este princípio não é de via única. É tão absurdo dizer ou escrever que "os muçulmanos professam uma ideologia assassina" como fazer proclamações genéricas de sentido inverso: "os ocidentais são culpados de terem explorado populações noutros continentes e estão a pagar pelo que fizeram" ou "os americanos foram lançar bombas ao Iraque e agora recebem o troco".

 

6

A vida humana para mim tem valor absoluto em qualquer lado. Em Paris como na Síria. Em Bruxelas como no Paquistão. Sou incapaz de alimentar duas teses sobre o assunto em função das coordenadas geográficas.

A minha posição é clara: não quero "compreender" os terroristas. Que armam meninos na Libéria e os transformam em carne para canhão. Ou que usam meninas na Nigéria como bombas humanas. Ou que investem com demencial fúria apocalíptica contra crianças e adolescentes, como ainda há dois dias aconteceu em Manchester.
Nem conseguiria, mesmo que quisesse.

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78 comentários

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De Barão Marquês a 24.05.2017 às 14:23

A primavera árabe a bater-nos á porta. Uma exportação ocidental mal sucedida para uma encomenda não carimbada. Dos nossos apressados expedidores desaparecidos em parte incerta nem se ouve falar.
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De lucklucky a 24.05.2017 às 19:35

Não tem nada que ver uma coisa com outra.
Foram os Árabes e Muçulmanos que destruíram o Iraque não foram os Americanos.
Quem colocou as bombas nos mercados, quem explodiu em pontes, quem destruiu mesquitas e cortejos? Foram Árabes e Muçulmanos.

A única coisa que tem que ver é os muçulmanos bons não terem armas nem as quererem usar porque os pós-civilizados, E a primeira característica de um pós-civilizado é ser narcisista. Logo recusam as armas e a cultura das armas.

O 25 de Abril hoje teria como consequência Portugal nas mãos do PCP.




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De Nebauten a 24.05.2017 às 21:40

Veja quem lhes vende as armas. Veja como lucram as petrolíferas ocidentais com o caos do Médio Oriente - enquanto existirem atentados e estados de sítio essas empresas e os governos fantoches não têm de prestar contas perante a opinião pública. Aliás muito desse dinheiro assim ganho é aplicado em grupos terroristas para prolongar o caos "criativo"- veja o que se passa na Arábia e os EUA.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 22:15

Arranjar um nexo causal entre o homicida de Manchester e o "caos do Médio Oriente" é o mesmo fio de raciocínio que levou tantas boas almas europeias nos anos 30 a justificar o expansionismo nazi pelas humilhações sofridas em Versalhes.
Nada de novo debaixo do sol.
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De lucklucky a 25.05.2017 às 13:04

De Nebauten O típico Marxista e um Marxista por definição é é Ocidentalista.
O outro, o "escurinho" (CGTP trademark) nunca tem vontade, ideias, poder... não existe, não limpa as armas, não as repara, não se prepara para a guerra, para matar milhar de outros.
É simplesmente um criança grande.
És tal e qual um colonialista do séc.XIX.Só que no Séc.XXI. O espelho.

Petrolíferas ocidentais têm baixado os preços do petróleo.
E fica notado que não fala das petrolíferas Russas um dos maiores países produtores de petróleo.

Como se vê não percebes pevas de industria de armamento, quem fabrica e quem as vende.
Quantas M16/M4 vês em combate por lá?
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De Einstürzende Neubauten a 25.05.2017 às 17:16

M16
Depois de derrotar milícias iraquianas e rebeldes sírios, o Daesh também herdou as armas norte-americanas que estavam em posse daqueles grupos. Além disso, alguns rebeldes sírios, apoiados e treinados previamente por militares dos EUA, acabaram juntando-se às fileiras do grupo terrorista, enquanto muitos outros desertaram, deixando para trás, à disposição do Daesh, as armas que Washington havia lhes fornecido

Heckler & Koch MP5
Com design alemão, a versátil submetralhadora de 9 mm fabricada desde a década de 1960 também figura na lista das armas mais populares do planeta. O modelo é considerado padrão nas principais unidades de operações especiais do mundo, sendo adotado por pelo menos 40 nações. Por meio de várias rotas ilegais, um grande número de submetralhadoras MP5 chegou à Síria e ao Iraque, onde foram rapidamente adicionadas ao arsenal do Daesh.

FN FAL
Popularmente conhecido como “sete meia dois”, o fuzil de assalto ligeiro de 7,62mm produzido pela empresa belga Fabrique Nationale (FN) foi amplamente utilizado pela maioria dos países da OTAN durante a Guerra Fria, com a excepção dos EUA, a tal ponto que a arma foi apelidada de "o braço direito do Mundo Livre". Devido à sua popularidade e uso global, os terroristas do Daesh também não tiveram problemas para conseguir o FN FAL.
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De lucklucky a 26.05.2017 às 13:29

Ah então de repente passámos de quem lhes vende armas para armas capturadas.
Claro que os AT-5 , os AT-3, as AK-47, AKS, RPG's - desde os tradicionais Soviéticos ás variantes Chinesa, Romena, Sérvia...
Todas em muito maior número não contam.

A tua obsessão como em qualquer Marxista é Ocidente.

É a típica poeira para os olhos tal qual a Guerra Fria os maus tratos de um polícia de Ocidental transformam-se n narrativa em equivalência à violência de todo o sistema Comunista.

Também apareceram Mp-44's e o exército Sírio ou os rebeldes ainda operaram FH-18 e até apareceu um Sturmgeschütz III mas ainda não acusaste o tipo do bigode.
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De Nebauten a 24.05.2017 às 21:51

Luck não existiram umas guerras no entretanto. Tempestade do Deserto I e II? O Luck é ainda novo, mas ainda me lembro do Grande Iraque de Saddam (outrora aliado dos americanos ), muito diferente deste Iraque- espécie de país.
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De lucklucky a 25.05.2017 às 13:09

Como era de esperar temos a mentira de Nebauten

Aliado dos Americanos?

Com 50% do exército armado pelo Soviéticos
20-30% pelos Chineses e Franceses
Diversas fragatas,corvetas Italianas que nunca chegaram.
uns 5% pelos Brasileiros e 1% ou menos pelos americanos?

É esse o aliado americano?
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De Einstürzende Neubauten a 25.05.2017 às 17:11

Segundo documentos obtidos pelo jornal britânico The Guardian, revela-se que grande parte do armamento utilizado pelo EIIL veio de grupos armados pelos EUA e cooptados por Abu Bakr al-Baghdadi, líder do Califado Islâmico, que hoje controla territórios na Síria e no Iraque.
https://search.wikileaks.org/?q=%22Islamic+State+of+Iraq%22&sort=2

Sobre o Iraque, consultei a sua fonte predileta:

https://en.wikipedia.org/wiki/United_States_support_for_Iraq_during_the_Iran%E2%80%93Iraq_war

United States support for Iraq during the Iran–Iraq War, against post-revolutionary Iran, included several billion dollars' worth of economic aid, the sale of dual-use technology, non-U.S. origin weaponry, military intelligence, and special operations training.[1][2] At no point, however, did the U.S. directly supply arms to Iraq.[3]
U.S. government support for Iraq was not a secret and was frequently discussed in open session of the US Senate and House of Representatives. On June 9, 1992, Ted Koppel reported on ABC's Nightline that the "Reagan/Bush administrations permitted—and frequently encouraged—the flow of money, agricultural credits, dual-use technology, chemicals, and weapons to Iraq."[4]

A ignorância é atrevida e, de uma forma geral, malcriada e nascida.
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 22:04

http://observador.pt/especiais/estado-islamico-petroleo-refinar-do-medo/
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 22:05

http://www.dn.pt/dinheiro/interior/saudi-aramco-a-petrolifera-que-valera-35-vezes-mais-do-que-a-bolsa-de-lisboa-5175214.html
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 22:12

Oito das 10 principais empresas da indústria de defesa ocidental obtiveram, desde os ataques terroristas contra Paris, ganhos bolsistas entre os 1,67% e os 10,08 por cento. No Médio Oriente, o negócio pode movimentar 110 mil milhões de dólares na próxima década

http://visao.sapo.pt/actualidade/economia/2015-11-24-Quem-ja-lucra-com-a-guerra-ao-Estado-Islamico-
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De Barão Marquês a 24.05.2017 às 22:27

Mesmo nada a ver com nada? O 25 de Abril hoje agora só para o ano, tudo a ver.
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De lucklucky a 25.05.2017 às 13:22

A cultura de uma sociedade moderada tem tudo que ver com os resultados de momentos de tensão e ameaça darão. Se os moderados não têm armas e não há cultura de armas os moderados acabam a prazo.
O 25 de Abril só não acabou numa ditadura Comunista por causa de Eanes, Neves e mais alguns com os inúmeros cidadãos e a Igreja que estavam dispostos a pegar em armas para combater o comunismo. Isso não vem do nada.

Hoje, ao contrário os moderado têm horror a armas mas no entanto mostram um inesperado respeito e consideração pela capacidade militar russa.
Nunca usam as expressões da narrativa como "industria de armamento", "lucros", "complexo militar industrial", "interesses económicos" etc quando se referem à Rússia.
Foi um dos grandes sucessos do jornalismo marxista de inclinação soviética que temos.
O armamento soviético nunca aparece no discurso a não ser para mostrar respeito. Quando o submarino nuclear Kursk afundou não ouvimos nos jornais protestos, criticas etc..
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De Barão Marquês a 25.05.2017 às 18:31

"25 de Abril sempre", não passa nada.
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De Costa a 24.05.2017 às 14:25

"Nem conseguiria, mesmo que quisesse." Nem eu.

Sendo certo que a criminalização da vítima (a extraordinária desvalorização do seu sofrimento, pelo menos, tornada mero sujeito ou veículo expiatório de culpas alegadamente herdadas - donde e sem mais discussão próprias) e a "compreensão" quanto aos terroristas estão de tal forma sedimentadas, nas mentes bem pensantes - é ver considerável número de comentários por aqui de cada vez que o tema é suscitado - que o pior é bem possível, desenha-se bem verosímil no horizonte, para nós. E por nossa própria (in)acção.

Invoca no seu texto Hitler. Quão oportuna essa invocação. Pena que a aliança entre o regime nazi e o grande mufti de Jerusalém, por exemplo, coisa de passado tão recente, seja tão esquecida. Esquecida, decerto, não por acidente.

Costa
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 14:55

Tem razão: nunca é de mais recordar essa miserável aliança, cimentada pelo ódio anti-semita.
Um dia destes abordarei esse tema aqui.
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 18:01

Aproveite e fale do Duque de Hamilton, de Eduardo VIII, de Aleister Crowley e da ligação da sua Aurora Dourada, da qual faziam parte elementos destacáveis da sociedade londrina, e o regime nazi. Fale também da Reichskonkordat. Da Krups e da IG Farben. Também, já agora, na Operação Paperclip...ou no Dr. Bernard Julius Otto Kuehn, etc...

Ou para quem se indigna com Hitler, mas canta loas a Salazar:

A 2 de Maio de 1945, dois dias depois do suicídio de Adolf Hitler no seu bunker em Berlim, Portugal, apesar de ser um país neutral, esteve de luto pelo ditador nazi.
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De lucklucky a 24.05.2017 às 19:25

Salazar também "construiu" navios anti-submarinos/minas para a Royal Navy em plena segunda grande guerra...

Em que álbum coloca isso EN?

https://en.wikipedia.org/wiki/Portuguese-class_naval_trawler

Estaleiros CUF (Lisbon)
Arsenal do Alfeite (Lisbon)
Estaleiros Mónica (Aveiro
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De Nebauten a 24.05.2017 às 21:32

Em que álbum? Num dos Ena Pa' 2000. A diferença reside em que quando Hitler morreu não havia a necessidade estratégica do Estado português declarar um qualquer luto em honra da criatura. E se o fez isso tem mais significado do que os navios que fala. Éramos pressionados pelos aliados a colaborar- veja as Lajes.
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 17:51

Costa, veja a simpatia do duque de Hamilton, ou de Eduardo VIII, e muitos outros políticos britânicos, pela causa nazi. Pegando nas suas palavras " coisa de passado tão recente, seja tão esquecida. Esquecida, decerto, não por acidente."


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De Costa a 24.05.2017 às 23:10

Esquecidos, esses casos? Não me goze... Falados e documentados abundantemente.

Mas onde quer você chegar? A isso dos erros, ou pior, de uns legitimarem a mais repugnante maldade de outros? "Outros" que com larguíssima cobertura mediática berram impunemente um virginal estatuto de ausência de qualquer mal e posse de todo o bem? Ao masoquista dogma de que o mundo ocidental tudo merece de horrores e nunca expiará a sua infinita culpa (até, talvez, isso chegar à sua porta; a um filho seu, a si, aos seus bens)?

Não partilho dessa sua visão daa coisas. Mas é bem possível que ainda, eu os os meus, venha a pagar por ela. O que você achará, pelo menos, muito natural.

Costa

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De Nebauten a 25.05.2017 às 07:40

Meu caro , essa história do mufti também está sobejamente documentada - ex : Jerusalém, de Montefiore - ao contrário das simpatias inglesas, americanas, croatas, ucranianas, romenas pelo nazismo.
O que abomino é a hipocrisia do Ocidente, herdeiro de Pilatos. Nós o somos o par do Oriente num tango de morte.
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De Pedro Correia a 25.05.2017 às 08:02

Nem só jovens "radicalizados" filhos de imigrantes e nascidos já na Europa têm ódio à civilização europeia. Pela sua abertura, pela sua tolerância, pelo seu abraço acolhedor à diversidade, pelo seu cosmopolitismo.
Muitos europeus ancestrais estão na primeira linha do ódio à Europa. Odeiam a democracia liberal europeia e suspiram por um 'big bang' que possa devolver-nos às cavernas.
Esses são os cúmplices morais dos terroristas - os que lhes dão alento e resguardo. Muitos deles acoitam-se sob pseudónimo nas redes sociais, onde dão largas aos instintos mais predadores e primitivos.
A avaliar pelo que escrevem, já regressaram emocionalmente às cavernas. Ou, no fundo, nunca de lá saíram.
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De Nebauten a 25.05.2017 às 08:41

Venero a cultura e os ideais europeus, nascidos no e do Renascimento italiano e Protestantismo - Thomas More, Erasmo, Spinoza, Vico, Bacon, Blake, Voltaire, etc. Abomino no que a Europa se tornou desde o século XVIII à actualidade . Uma Europa estruturada ideologicamente sobre o cadáver do Homem. Uma Europa que nada mais conhece do que colher dinheiro pelo cultivo da ignorância e da guerra. Uma civilização que fez do esgoto moral as suas pias baptismais. Uma civilização que se tem hipertrofiado no e pelo sangue dos outros. E estes, os outros, têm sabido bem copiar-nos.
Outrora veios de Ouro, hoje de escória. Ontem corajosos no desafio ao dogma, hoje hipócritas nas aritméticas mentais.
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De Pedro Correia a 25.05.2017 às 12:31

Caramba, amigo, deixe esse luto pelo Ancien Régime. Não será já tempo de aderir ao século XIX?
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De Nebauten a 25.05.2017 às 12:42

Caramba amigo, ao menos leu? Onde vê uma defesa do velho regime,eu que advogo o derrube das certezas feitas por medida.
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De Pedro Correia a 25.05.2017 às 12:50

Várias certezas, sem aspas, não são feitas por medida.
O valor absoluto da vida humana, por exemplo.
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De campus a 24.05.2017 às 14:34

O Pedro é um lírico. " O terrorismo jiadista combate-se como se combateu o terrorismo extremista na Itália e na Alemanha, na década de 70." AH..ah ah.
Caro, o terrorismo jiadista é a expressão revelada no corão. Os adolescentes mortos não merecem que se esteja sempre a desculpar a ideologia islâmica.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 14:54

Acha "lirismo" dar combate sem tréguas ao terrorismo jiadista como se deu ao IRA, à ETA, às Brigate Rosse ou ao Baader-Meinhof?
Olhe que não, olhe que não.
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De campus a 24.05.2017 às 15:20

Caro Pedro, querer comparar os grupelhos intelectuais burgueses de extrema esquerda com uma ideologia que agrupa cerca de 7 bilhões de pessoas e dizer que se combate da mesma maneira, ou é ignorância ou é necessidade de ter de escrever alguma coisa.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 15:26

Esmaga a minha ignorância com o peso da sua sabedoria, caro Campus.
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De V. a 25.05.2017 às 01:18

Um bilhão deve ser no Brasiu. Por cá é um bilião. Um bilião na Europa quer dizer um milhão de milhões, 12 zerinhos. O bilhão que está a referir (e que corresponde à escala pequena que é usada nos EUA) corresponde a mil milhões, 9 zerinhos. O Planeta tem 7,6 mil milhões (7,600,000,000) de habitantes.
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De Pedro Correia a 25.05.2017 às 12:24

O leitor supra nunca leu o mais acutilante livro de filosofia do Capitão Haddock: 'Mil Milhões de Mil Macacos'.
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De Anónimo a 25.05.2017 às 21:51

Tem razão, como diria o da ONU a matemática não é o meu forte.
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De Pedro Correia a 26.05.2017 às 07:56

Leia as obras de Haddock. Empregará bem o seu tempo.
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De campus a 26.05.2017 às 11:34

Pedro Correia, continua a surpreender-me, agradeço a sua sugestão de leitura mas o livro " Tombo das Terras Municipais" de R.J.Haddock Lobo não fará o meu género de leitura, lamento, leia o Pedro e se quiser faça o resumo numa outra crónica.
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 14:35

A vida humana para mim tem valor absoluto em qualquer lado. Em Paris como na Nigéria.

Ainda ontem estava aqui a dizer que Kennedy foi uma beleza de presidente, quando foi ele que transformou a guerra do Vietname numa guerra de massacre. Pelos vistos, a vida humana para si vale em Paris e na Nigéria, mas não no Vietname. Para si, a boa opinião dos americanos sobre Kennedy vale mais do que a vida dos vietnamitas.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 14:51

Como vai a sua horta biológica, Lavoura? Tem empurrado muitos carrinhos de hipermercado nas maravilhosas ciclovias do doutor Medina?
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De Luís Lavoura a 24.05.2017 às 15:32

Eu não tenho horta nenhuma, nem biológica nem ser o ser. Deixe-se de investir contra esse "moinho de vento".
E a propósito das ciclovias do Medina: nunca mais vi nenhum post da interessante série "postais de Lisboa". Desistiu da apear Medina do seu poleiro?
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 15:43

Nem pense nisso. Vou retomar esse tema - e vai ser muito em breve. Prepare-se pois terá que espadeirar muito em defesa da sua dama.
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De lucklucky a 24.05.2017 às 19:37

Para o Luís Lavoura o Vietcong representa um Vietnamita mas um habitante de Saigão não. Diz muito.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 22:10

Para quem sustenta que Kennedy mandou despejar napalm no Vietname e bombardear o Laos, qualquer delírio é possível.
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De josé F. a 24.05.2017 às 15:20

Prezado Pedro Correia,

Porque os bombistas não são vítimas, não concordo que eles sejam contabilizados quando se fazem a contagem dos mortos.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 15:44

Pois, não são vítimas. Embora alguns falem deles como se fossem.
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 15:24

Todo o problema tem solução desde que as causas sejam substancializáveis. Concretas, palpáveis, materiais e objectivas. Se não determinadas o problema(s) não é eliminado, pois não é isolável. Apenas nos resta actuar conforme a evolução/manifestação do problema. Sem causa o problema(S) não pode ser erradicado - daí a necessidade da sua casuística.

São por demais evidentes as provas que qualquer interferência armada na região não soluciona nenhum problema associado ao terrorismo. As acções preventivas/retaliação apenas deslocam o problema, espacial e temporalmente - Do Afeganistão para a Síria, do Iraque para o Iémen, do presente, para a hora que se segue..

Quanto ao livre arbítrio podemos encarará-lo como o zigue-zaguiar do bêbedo numa estrada. Se isolado temporalmente o movimento do caminhante parece aleatório, mas com o devir este mostra uma padrão, segue o trajecto definido pela estrada que toma.

Fala nos nazis, mas Hitler não foi o "culpado". Hitler não criou a partir do zero. Veja Galton, e o movimento eugenista, na Inglaterra do séc XIX. Veja a Sociedade Thule, veja os Dragões Negros, japoneses, veja as ideias respaldadas por psiquiatras ilustres sobre Higiene Mental, etc

Não acabámos com o nazismo. Nunca acabaremos com xenofobia, racismo, violência, pois as causas não foram determinadas. Pois as causas nunca são simples, nem lineares. Elas continuam no meio de nós, disfarçadas.

Penso que o terrorismo acabará por dentro, como qualquer/grande parte dos sistemas ideológicos, e não por uma qualquer acção tomada de fora - estas apenas deslocarão o problema. E em ultima analise o terrorismo nunca será erradicado, nem o próximo será melhor, uma vez que a maldade faz parte da nossa ontogénese. Há quem diga que a violência e o mal são responsáveis, indiretamente, nas respostas que elaboramos às suas ameaças, pelas grandes conquistas da humanidade. Tenhamos paciência, resiliência e esperança. E coragem!


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De Pedro Correia a 25.05.2017 às 12:35

Nunca conseguiremos erradicar o Mal, inerente à condição humana. Mas podemos e devemos punir os assassinos.
A primeira punição é tratá-los como tal. Não como heróis ou símbolos, com palavras de discreto enaltecimento e suave "compreensão" pelos crimes.
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De Anónimo a 24.05.2017 às 15:40

Pedro Correia parece pensar que tem a solução. A mim parece-me demasiado linear com o seu ar de duro. Falta provar que o que preconiza funciona. Tenho grandes dúvidas. Será que o mesmo método conduzirá ao fim de todas as guerras? Ou só desta? Se conduzir ao fim de todas, é uma grande descoberta com a qual me congratulo.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 15:47

Eu limito-me a estudar História contemporânea. Investigo o que foi o terrorismo na Europa das últimas décadas e as soluções adoptadas para lhe pôr fim.
Em todos os casos - todos mesmo - nunca faltaram vozes a dizer que se tratava de problema impossível de solucionar.
Não era, como os factos comprovam.
Insisto: não há que inventar nada. Já tudo foi inventado.
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De AntónioF a 24.05.2017 às 17:34

Caro Pedro,
sobre este tema permita-me a sugestão de dois títulos (ficção):
ALVES, Clara Ferreira - Pai Nosso. Lisboa : Clube do Autor, 2015.
HOUELLEBECQ, Miche - Submissão. Lisboa : Alfaguara, 2015.

O primeiro, já lhe falei dele, remete, quiçá, para a compreensão das razões deste novo tipo de terrorismo, agora religioso e não politico.
O segundo remete para um hipotético futuro de uma Europa submissa ao islão.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 17:44

Agradeço-lhe as sugestões, António. O segundo livro conheço bem: li-o logo em 2015 e mantém-se na minha lista dos dez melhores romances surgidos nesta década. Uma obra com vários atributos, dos quais destaco estes: lucidez, incorrecção política, desassombro intelectual.
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De Justiniano a 24.05.2017 às 17:52

Caro Pedro Correia, e as declarações de circunstancia com apelos tão vagos quanto o repúdio!? As habituais platitudes vazias, em todos os sentidos! Ele é facebook, twitter e outras plataformas tais. Ditam as mesmíssimas coisas, em texto e valor, do mais anónimo ao mais notório e influente personagem!
Há um efeito de saturação destes eventos, gerando cansaço e uma crescente indiferença (natural na banalização destas coisas). E essa é a verdadeira tragédia! Como questiona Rui Ramos, hoje - Há alguma coisa de novo para dizer sobre o terrorismo?
E para onde se dirigirá politicamente essa indiferença!?
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 22:09

Essas atitudes, amplificadas pelo jornalismo fofinho e delicodoce agora tão em voga, apostado em nunca fazer ondas a propósito de coisa nenhuma, são uma variante da filosofia de candidatas a concursos de beleza: queremos paz e amor em todo o mundo e enviamos beijinhos para toda a gente.
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De Anónimo a 24.05.2017 às 17:54

"Um crime é um crime. A barbárie é a barbárie " E um terrorista é um terrorista.
O problema é que houve muitos terroristas que deixaram de o ser. Exemplo (há mais) os líderes dos movimentos que lutaram contra o colonialismo. Não me refiro só ao colonialismo português, veja-se o inglês (os terríveis Mau-Mau do Quénia ...), o francês, etc. Tudo depende da definição de terrorista. Muitos ocidentais são definidos (agora ou no passado) como terroristas por outros povos. E muitos líderes de outros povos defendem também uma linha dura (género terrorista é terrorista) contra aqueles que eles definem (nós!) como terroristas. Por norma um terrorista que vence é promovido a grande estadista. Por estas e outras razões eu penso que a linha dura defendida por P. Correia não resulta. É preciso compreender (não no sentido de desculpar) e mais subtileza. A teoria de Bush do eixo do mal, meia -bola e porrada neles, parece que não foi grande coisa. Se cada parte considera a outra terrorista só a guerra decidirá. Foi assim com Hitler. E neste caso tivemos a sorte de os maus perderem. Mas nada garante que os maus percam sempre. Mais subtileza precisa-se.
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De Pedro Correia a 24.05.2017 às 18:27

A linha dura, sólida, não resulta?
Tentemos então a via alternativa, líquida: convidamos os terroristas a tomarem chá connosco em Seteais.
Às cinco em ponto.
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De lucklucky a 24.05.2017 às 19:42

Anónimo a 24.05.2017 às 17:54

Ainda não percebeste que basta um lado para considerar que o outro é um Infiel.

E ainda não explicaste porque é a mulheres árabes não se explodem contra a "opressão", o "desespero" e "discriminação"...

"E neste caso tivemos a sorte de os maus perderem."
Não foi sorte, foi trabalho e fazer a guerra.
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De Einstürzende Neubauten a 24.05.2017 às 22:11

"E ainda não explicaste porque é a mulheres árabes não se explodem contra a "opressão", o "desespero" e "discriminação"...

https://en.wikipedia.org/wiki/Monoamine_oxidase_A

Pela mesma razão de a população prisional ser maioritariamente masculina.

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