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Em que ficamos? (6)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 16.03.12

Quanto mais depressa, sabemos todos, mais devagar. E a galinha, a que enche o papo grão a grão, sabe disso?

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Em que ficamos? (5)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 14.03.12

Se a justiça tarda, mas não falha, porque é que a culpa, segundo consta, morre sempre solteira?

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Em que ficamos? (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.03.12

A cavalo dado, já se sabe, não se olha ao dente. Mas não é de desconfiar quando a esmola é grande?

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AMN Memória (10)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 11.03.12

 

A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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Em que ficamos? (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 10.03.12

Longe da vista está perto do coração ou, querem lá ver, olhos que não vêem, coração que não sente?

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AMN Memória (9)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 09.03.12

 

A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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Em que ficamos? (2)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 08.03.12

O seguro morreu de velho ou, afinal, para petiscar é preciso arriscar?

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AMN Memória (8)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 07.03.12

 
A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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Notas à margem (2)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 07.03.12

De um ponto de vista literário, a felicidade não é o mais interessante dos estados. A não ser, claro está, se dela duvidarmos e a quisermos desmascarar, o que já nos afasta da própria. Mas o mesmo não pode dizer-se das pessoas felizes, que as há literatura fora, e que gosto de perseguir. Não é contradição: as pessoas felizes não vivem em felicidade. É por isso que, se me tivesse sido dada a oportunidade, gostaria de comentar com o Graham Greene essa coisa de 'Mostrem-me um homem feliz e eu mostrar-vos-ei amor próprio, egoísmo, maldade ou então uma absoluta ignorância', que o Scobie diz no Nó do Problema.

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Em que ficamos? (1)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 06.03.12

Quem espera, desespera ou sempre alcança? 

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AMN Memória (7)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 05.03.12

 

A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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Vocabulário (até aos 34): D

por Adolfo Mesquita Nunes, em 05.03.12

Devassa

 

Quem espreita gavetas procura mais do que a imaginação permite. A suspeita serve apenas de pretexto para descobrir o que nem sequer se conhece ou concebe. A suspeita, nesta busca, é apenas uma desculpa, que muitas vezes sai cara.  

 

Até que a água corra há tempo de abrir e fechar, desviar e corar. As mãos a tremer, o coração a apressar, o infantil temor a sangrar. O pulso dá conta dos segundos, mais rápidos, enquanto os fios líquidos desfazem a espuma que vai descobrindo o corpo.

 

Acentua-se a vontade. Por detrás do que se encontra. Debaixo do que se mostra. Camuflado pelo que se viu. Em alguma parte terá de estar o que se quer e não quer ver.

 

Quando a água denuncia o silêncio, termina o tempo. A toalha já se enrola ao corpo e tudo o que resta do banho são gotas distraídas pelo calor. Poucos segundos protegem a imperícia da busca. O flagrante pode acontecer.

 

Nesse momento. Nesse fim de tempo. O papel. O postal. O brinquedo. O desejo. A gaveta fecha-se, sem barulho. E depois dela, a porta. Na mão, fechada, o segredo. Para tocar depois. Usar depois. Vingar depois.

 

O triunfo é breve. A verdade não permite. Afinal há muito mais. E o que há a mais deveria estar fechado, onde estava. Não se volta a trás. A gaveta, apesar de fechada, ficou aberta.

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AMN Memória (6)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 03.03.12

 

A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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AMN Memória (5)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 01.03.12

 

A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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AMN Memória (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.02.12

 

 
A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço.

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Modo de Vida (31)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 28.02.12

Uma grande decisão é sempre precedida, e detesto rimas mas tem de ser, de uma enorme solidão. Podemos partilhá-la, pedir ajuda para sobreviver-lhe ou até esconder-nos em quem mais nos protege. Mas a solidão está lá, naqueles instantes em que nos decidimos, a lembrar que somos quem, não o quê.  

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AMN Memória (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.02.12
 
A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço.

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Notas à margem (1)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.02.12


 

Ganhei o dia a ler o 'Trabalhos e paixões de Fernando Assis Pacheco', do Nuno Costa Santos. Sobre o livro, desde ele valer a pena até ao rigor da escrita, falarei outro dia. Agora, que o fechei, apetece-me ficar a pensar num conselho dado pelo Assis a uma das filhas: uma pessoa tem de parecer-se com aquilo que ela é. São tantos anos a ouvir aquela coisa da mulher de César que quase nos esquecemos de que o parecer, ou vem do ser, ou então não interessa para muito. E isto é só o começo. Cheira-me que vou andar com esta frase por uns tempos.

(a imagem é retirada daqui)

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AMN Memória (2)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 24.02.12
 
A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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AMN Memória (1)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 22.02.12
 
A minha memória é caprichosa, não se deixa enganar ou seduzir pelas minhas instruções. Guarda o que lhe apetece, algumas vezes em segredo, muitas vezes contra a minha vontade. É ela, não eu, que escolhe o que me faz regressar ao ouvir o primeiro acorde ou ao ver primeira imagem. Esta é uma série que lhe é dedicada. Não à minha memória, que não merece, mas ao sítio para onde regresso quando lhe obedeço. 

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Coisas da minha geração (4)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 22.02.12

Sabíamos, era assim e fazia parte da coisa, que Portugal não ganhava nem os europeus nem os mundiais nem as eurovisões nem as misses nem as otis... Mas tínhamos outra consolação.

 

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Cadáver Esquisito (1)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 20.02.12

1

UM LIVRO

 

Foi quando acordou que Cosme sentiu o livro pousado no lado onde nunca ninguém dormia. Os lençóis, de uma cor de terra enxuta de chuva, camuflavam a capa. Mas a presença de um objecto naquele espaço foi quanto bastou para que Cosme desse por ele. Agarrou-o com as duas mãos para ter a certeza do que encontrara. Ali estava, num quarto sem livros, numa casa quase sem livros e na cama de um ex-analfabeto, aquilo que viria a descobrir-se ser a edição inglesa do 'Wise Blood' da Flannery O'Connor.

Que o livro ali fora deixado a meio da noite foi conclusão imediata. Não que a coisa tivesse lógica mas todas as outras explicações, e Cosme calcou-as uma a uma com mãos de artesão, pareciam ainda mais absurdas. Não só aquele livro nunca tinha sido visto naquela casa, e muito menos naquela cama na noite anterior, como ninguém ali tinha estado, que ele tivesse percebido, que não fosse a Vivelinda, analfabeta de verdade.

O livro, que Cosme nem começou por tentar ler, tinha pois aparecido durante a noite. E tinha ficado ali, umas horas ou uns momentos, à espera de ser encontrado. O céu e o inferno em paz, pensou Cosme, quando imaginou o sono partilhado com um livro que não conhecia. E foi assim que tudo começou. Ou, se quisermos ver as coisas pelo outro lado, que o há, foi assim que tudo terminou.

 

(Este é o início do nosso 'cadáver esquisito', explicado aqui. A próxima mão a embalar o cadáver é a da Ana Cláudia Vicente.)

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Coisas da minha geração (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 20.02.12

A fúria, depois a impaciência, quando, aos Domingos, os desenhos animados nunca mais começavam porque isto estava a dar:

 

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Modo de Vida (30)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 18.02.12

Gostar de alguém é também um exemplo de alteridade. Mas antes do outro, do que lhe queremos ou do que por ele estamos dispostos, está o bem que ele nos faz.

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Modo de Vida (29)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 14.02.12

29 é o meu número. Faço anos a 29, o que ajuda muito, mas não é só por isso. O meu pai faz anos a 29. A minha mãe fazia anos a 29. Os meus pais casaram a 29. A minha irmã nasceu a 29. E isto, que já basta, pode não encerrar a coisa. Com tantos 29 por chegar, quase tantos como os meses que aí vêm, sei lá eu que outros motivos me esperam para continuar a ter o 29 como número.  

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Iron Lady

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.02.12

O jornal Expresso pediu-me que escrevesse umas linhas sobre o filme Iron Lady. Presumi, acho que bem, que o objectivo seria ter a leitura do filme por quem se identifica, e muito, com o legado político de Margaret Thatcher. Foi nesse pressuposto que escrevi o texto que se segue, e que foi publicado na edição de Sábado do suplemento Actual do Expresso -  e que não corresponde, por isso, a uma crítica de cinema (coisa aliás, como já aqui disse, que não sei fazer).

 

 

Um filme sobre Thatcher sem Thatcher

 
‘Iron Lady’ não é um filme sobre Margaret Thatcher. A sua figura é instrumental para os objectivos do filme: divagar sobre a perda (de poder, de faculdades ou de aliados) e moralizar acerca da irrelevância da carreira na hora da morte (ainda que, através dela, se tenha mudado a face do Mundo).

O filme é assim uma oportunidade perdida porque esgota a possibilidade de vermos, neste tempo de crise, o percurso e legado de uma mulher que chegou ao poder quando a Grã-Bretanha atravessava uma das maiores crises da sua história (o FMI, esse mesmo, tivera de entrar no país pouco antes).

Seguindo Hayek e não Keynes, Thatcher retirou o país da decadência e tornou a economia inglesa numa das mais poderosas do Mundo: derrotou a inflação, transformou os tecidos industrial e empresarial, elevou substancialmente o nível de vida, reduziu a opressiva carga fiscal e criou um novo modelo económico (que nem Blair repudiou) favorável à geração de novos empregos e à mobilidade social.

Mesmo para os seus detractores, a importância de Thatcher reside na forma como, com esse modelo, conseguiu transformar económica e socialmente a face do país, contribuindo decisivamente para a queda do muro de Berlim.

Sobre isto, que é tudo, o filme nada diz. Não assistimos a tomadas de decisão política de Thatcher, não conhecemos qualquer linha do seu modelo económico, não sabemos por que razão foi eleita três (!!) vezes, não percebemos o seu papel na queda do muro de Berlim, não vemos os (in)sucessos dos seus governos, e muito menos entendemos porque é que a sua profética desconfiança face à moeda única e ao modelo de governação europeia contribuiu para a sua queda.

De Thatcher fica apenas o retrato demasiado ambíguo de uma mulher que nunca deixou que a percebessem e que agora não é dona da sua vida, o que é coisa pouca para quem paradoxalmente tanto lutou para que os indivíduos e famílias pudessem ter maior controlo sobre as suas vidas.

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Modo de Vida (28)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 04.02.12

Não sei escrever sobre a morte. Não falo da morte oficial. Falo daquela que se instala devagar, sem ninguém ver, e depois se vai revelando sem que alguém a possa registar. Dito de outra forma: não sei escrever sobre a morte que é morte antes de ser morte. Sei que essa morte tem outros nomes, mas nenhum desses nomes consegue ser tão preciso quanto a palavra morte. Porque há de facto quem morra antes de morrer. Quem se apague, e nos apague, sem querer e sem saber. E é sobre isso que eu, querendo, não sei escrever.    

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Modo de Vida (27)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 02.02.12

A estação do frio é uma estação para pessoas felizes. Digo-o muitas vezes, não só porque gosto de aforismos. E agora que, segundo parece, vem aí uma vaga de frio, apetece-me voltar a essa ideia, que nem sempre consigo explicar. E nem tento, para não perturbar a pretensão aforística.   

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Blogue da Semana

por Adolfo Mesquita Nunes, em 29.01.12

Não sei quem é, acho!, o Mr. Brown que escreve n'Os Comediantes, o blogue que escolhi para ser blogue da semana. Sei apenas que gosto das análises políticas que faz (nem sempre - e bem! - favoráveis ao governo que apoio): quer na forma, muito clara e precisa, quer no conteúdo, desconfiado do bem intencionado estatismo que nos tem governado. É, por isso, um blogue que leio com regularidade e que é surpreendentemente pouco citado ou linkado pela blogosfera que se dedica à política. Para além disso, e já basta, desconfio que partilho com ele (e, ao que parece, com a Clara Ferreira Alves) um gosto especial por Graham Greene.

  

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Modo de Vida (26)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 22.01.12

O Sol no Inverno, como cantava a Simone, não tem calor. Mas se pensarmos bem o melhor que o Sol tem para nos dar não é o calor: é a luz. Não há por isso, como cantava a Simone, um Sol de Inverno. Há Sol, ponto.

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Modo de Vida (25)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 04.01.12

 

Um dia, sem mais nem porquê, percebi que o limão reunia o meu cheiro favorito, a minha cor favorita e, como se já não bastasse, o meu sabor favorito. Com tanto favoritismo, habilito-me a acabar afogado num copo de gin tónico na minha próxima reencarnação.

(post republicado, com adaptações; imagem retirada daqui)

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Modo de vida (24)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 03.01.12

Gosto muito da noção de recomeço. A coisa talvez me venha da educação católica ("a santidade é oferecida a cada pessoa de novo cada dia, e por isso aqueles que renunciam à santidade são obrigados a repetir a negação todos os dias" escreveu Sophia) mas ficou para além dela. É por isso que aproveito todos os pretextos para ensaiar, ou legitimar, um recomeço. A passagem de ano é apenas um deles, e o menos original.

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Natal

por Adolfo Mesquita Nunes, em 21.12.11

Obrigado por tudo, Avó.

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O que ando a ler (14)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 19.12.11

Quando a Teresa me reencaminhou o desafio de revelar o que ando a ler pensei imediatamente em mentir. Não por vergonha mas tão simplesmente porque a revelação não só desviará a atenção para a política como me afastará do meu género de eleição, que é a ficção.

Ponderei por isso em falar da Flannery, que me enche as medidas, ou da Agustina, que merece que se fale dela. Uma e outra poderiam dar bem conta do que me apaixona na leitura. Mas tenho a leve sensação de que a Flannery não gostaria que mentisse, ainda que a Agustina, aposto, se divertisse com a coisa. Para não deixar uma vencer sobre a outra, optei pela verdade. Se não ficam a conhecer os meus gostos literários, ficam com certeza a conhecer os meus gostos políticos (venham de lá as pedras).

O que estou a ler é isto:

 

 

Não é possível descrever esta obra sem falar de Thatcher, a líder política que mais inspira, talvez porque se tenha inspirado, como eu, nas ideias de Hayek. E falar de Thatcher afasta-me um pouco dos meus propósitos neste blogue e, parece-me, da intenção desta série de posts. Sobretudo porque, apesar da recente reabilitação dos seus discursos e ideias, gostar de Thatcher ainda requer muitas explicações e gera alguma controvérsia. Ela não beneficiou nunca de uma complacência que se tem por quem vem de outros quadrantes políticos em que a bondade e a sensibilidade social são pressupostas e não têm de ser demonstradas. Mas isso é toda uma outra discussão que fica para outros plenários. Para quem a quiser conhecer melhor, antecipando o filme que aí vem, é uma boa proposta de leitura.

 

E tu, Ana Cláudia, o que andas a ler?

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Coisas da minha geração (3)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 10.12.11

pom, pom, pom, ai-á, pom, pom, pom, ai-á

 

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Coisas da minha geração (2)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 09.12.11

Provavelmente todas as gerações se sentem cobaias. Não sei, no entanto, se conseguem, como a minha geração consegue, identificar com precisão quem as sujeitou a experimentalismos.  

 

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Coisas da minha geração (1)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 07.12.11

Aos 35 anos somos profissionalmente encarados como crianças, mesmo por aqueles - ou sobretudo por aqueles - que, gerações idas, estavam profissionalmente instalados aos 30.

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Modo de vida (23)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 05.12.11

Não sei de onde me vem esta cansativa necessidade de a tudo reagir com bom humor, coisa que muitos tomam, naqueles momentos em que a aparência parece contar muito, com ligeireza. Mas nasci assim, de riso ágil e piada fácil. Mas é uma arma, senhores. Não é um refúgio.   

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Modo de Vida (22)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 04.12.11

Uma casa vazia não me desafia. Fecho a porta sem sequer perder tempo a imaginar o que poderia fazer com e naquele espaço. O mesmo se passa com uma página em branco. Se a encontro em branco, em branco fica sem que me ocorra qualquer coisa de consistente para a preencher. Mas tudo muda se naquela casa, ou naquela página, existirem vestígios de ocupação. Um candeeiro ou um primeiro parágrafo podem, esses sim, convocar-me ao desafio.

Não sei se esta circunstância tem algum nome, daqueles nomes que hoje se dão a tudo e a nada para descrever tudo e nada. Mas deve ter um nome qualquer, a dar para o patológico. Se esta circunstância estivesse em branco e por classificar eu nem sequer me interessaria por ela. 

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Modo de Vida (21)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 02.12.11

Cheguei atrasado ao fado, um pouco como quem se encontra na religião depois de a ter negado. Não dou grande importância ao atraso, até porque permitiu a boa sofreguidão na descoberta, mas não o nego. Não entendo por isso aqueles que, de uma década para a outra, fingem nunca ter desdenhado a coisa. E desdenhado é favor, que houve quem fosse saneado ou esconjurado ou relegado só por, na linguagem de agora, ter dado voz ao sentir português.

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Modo de Vida (20)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 01.12.11

Por quem sofremos primeiro quando abraçamos um grande amigo que acaba de perder o pai? Por ele, que enfrenta a morte e chora no nosso abraço, ou por nós, que somos chamados a enfrentá-la de novo?

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Modo de Vida (19)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 09.11.11

Hoje de manhã, num corredor, encontrei um livro da Flannery O' Connor pousado numa mesa. Se alguém um dia me quisesse fazer seguir um trilho seria assim, pensei eu, com vários livros, todos da Flannery, a indicar o caminho (os livros teriam de ser repetidos, claro, que ela por cá deixou poucos). Mas não havia mais livros por ali e fiquei à espera para saber a quem pertencia. E não esperei muito até perceber que, afinal, a vida nem sempre é mais interessante do que a ficção: que não, que não conhecia a autora; que não, que ainda não tinha começado sequer; que não, que ainda não tinha nada para dizer.  

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Modo de Vida (18)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 18.10.11

Não custa perceber que uma canção (ou um artista ou um livro ou um quadro, não interessa agora) tenha a capacidade de se colar a nós até a fazermos nossa. O que custa a aceitar é que a vida seja pequena demais (ou circunstancial em demasia, vá) para nos deixar descobrir todas, ou pelo menos algumas, dessas canções. Quantas aí estão, escondidas num álbum qualquer, tão nossas, sem que sequer saibamos da sua existência? Esta, por exemplo, que vos deixo porque o senhor vai estar em Sintra já depois de amanhã, chegou até mim pelo acaso que reservamos à ficção; não esperou anos para vir até mim mas todos os anos que esperasse teriam sido perdidos.

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Modo de vida (17)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 12.09.11

Não consigo precisar qual a minha primeira memória da infância, se é que não é mais importante conseguir coleccionar umas quantas. Mas consigo, com notável precisão, identificar a música que mais facilmente me transporta até lá. Não sei se isso acontece convosco, e se acontece não posso senão convidar-vos a partilhá-la connosco, esta coisa de ter uma música que nos mergulha nos cheiros, texturas e afectos de um tempo que passou mesmo. Eu tenho essa sorte, que nem sempre traz alegrias, de conseguir recuar apenas porque a ouço. Mais do que uma sorte, é uma benção. Aqui está ela, pois.

 

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Modo de Vida (16)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 09.09.11

Já por aqui falei da minha capacidade de chegar pontualmente ao local combinado: nem antes, nem depois, mas à hora marcada. Trocava de bom grado essa capacidade, que tenho de sobra, pelo talento, que me falta, de chegar pontualmente às pessoas: nem antes, nem depois, mas no momento certo. 

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Modo de vida (15)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 06.09.11

Não sei se acontece convosco mas eu tenho aí umas quatro ou cinco profissões que gostaria de experimentar apenas por um mês ou, vá lá, um ano. Guia turístico é uma dessas profissões. Bastava-me um mês, se tivesse de passar todos os dias pelos mesmos lugares, ou talvez me deixasse ficar mais uns meses se pudesse perder-me, eu próprio, em roteiros ao acaso.

 

Não tendo ainda concretizado a coisa, e não estando para breve a sua concretização, aproximo-me tanto quanto possível da sensação disponibilizando-me para acompanhar estrangeiros que visitam amigos ou oferecendo o meu sofá a estrangeiros desconhecidos que querem saber algo mais sobre Lisboa. Isso mesmo: eu ofereço o meu sofá para que alguém, que eu não conheço senão de perfil web, possa não só dormir em Lisboa sem pagar como também conhecer uma outra Lisboa que não vem nos guias (quem estiver interessado em saber algo mais, aqui fica o endereço: http://www.couchsurfing.org/).

 

Nunca tive qualquer problema com os estrangeiros que recebi lá por casa, já que a segurança deve ser, de certezinha, aquilo em que estão a pensar. Antes pelo contrário, todos, sem excepção, foram de uma correcção notável. E através desses estrangeiros, que tento acompanhar ou, pelo menos, aconselhar, vou descobrindo (mais até do que ajudar a descobrir) uma Lisboa que nos espera, mesmo que não seja Agosto.

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Modo de vida (14)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 05.09.11

Há quem encha gavetas com primeiras páginas e se esgote em esboços de uma história que não virá. Há nesse esforço uma qualquer noção de expectativa que sempre ambicionei: a minha imaginação conduz-me sempre para o desenlace de histórias que nunca vieram.   

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Modo de Vida (13)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 31.08.11

 

Não é a primeira vez que refiro aqui o céu de Jerusalém, uma das mais impressionantes cidades em que estive. Junto agora um vídeo que pode ilustrar o que então tentei descrever. E se acomodo este vídeo na série 'modo de vida' é porque há muito me deixei fascinar por Israel.

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Modo de vida (12)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 26.08.11

É raro atrasar-me. Corrijo. É raro fazer esperar alguém. Quando percebo que vou atrasar-me, e isto não acontece dez minutos antes da hora mas muito antes, aviso atempadamente para que não me esperem. Sou por isso obsessivamente pontual. E deveria esquecer-me disto mais vezes: em vez de esperar por opção, dou por mim a esperar por estupidez.  

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Modo de vida (11)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 25.08.11

Ter um olfacto, como dizer?, quase inexistente pode ser uma bênção numa ou outra circunstância, mas fico sempre com a sensação de que boa parte da vida me passa ao lado. Não teria essa sensação se o olfacto estivesse completamente desligado, mas não está. Há cheiros, poucos, que sinto com intensidade (e segundo sei nem sequer serão cheiros especialmente fortes quando comparados com outros que me passam ao lado).

 

 

E são esses poucos, com as sensações raras que me permitem, que me deixam a pensar no tanto que não vivo. Se o Verão me é trazido pelo cheiro das alfarrobeiras, se a frescura me é recordada pelo limão, se o amor dos meus avós me é lembrado pelo cheiro dos bolos no forno, quanto não me está a ser roubado pela insensibilidade olfactiva? Ou talvez não. Talvez esta minha incapacidade me ofereça a vantagem de ter os cheiros, poucos é certo, como parte importante da minha geografia sentimental.   

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