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Bellles toujours

por Pedro Correia, em 17.03.17

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 Alison Brie

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RH Music Box (411)

por Rui Herbon, em 17.03.17

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Autor: Juana Molina

 

Álbum: Un Dia (2008)

 

Em escuta: Los Hongos De Marosa

 

 

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It’s not the economy

por Alexandre Guerra, em 16.03.17

Na campanha presidencial de 1992 contra Bush pai, o staff de Bill Clinton tinha como uma das mensagens-chave a famosa expressão “the economy, stupid”, forjada pelo estratego James Carville (ex-CNN e actual FOX News). Mais tarde, quando esse conceito transbordou para a esfera pública, a frase foi usada e abusada ao longo dos anos na sua versão mundialmente conhecida: “It’s the economy, stupid”. Ainda hoje aquela expressão é utilizada vezes sem conta por comentadores e opinion makers nas suas colunas de jornais e revistas. A questão é que além daquela frase ser completamente datada, o seu conteúdo (que na verdade nunca terá sido bem interiorizado por muitos que ainda hoje a utilizam), pouco ou nenhum sentido faz nos dias que correm se olharmos com atenção para as realidades políticas e eleitorais de alguns países, nomeadamente os Estados Unidos ou o Reino Unido.

 

Na altura, o ainda governador do Arkansas colocou a economia como tema central da campanha, talvez não tanto pela questão do estado real dessa mesma economia americana (que embora não sendo famosa, não era dramática), mas porque, no fundo, Carville sabia que era necessário encontrar um factor de contraste evidente com o mandato de George H. W. Bush que, pela força das circunstâncias, foi dominado pela política espectacular dos grandes acontecimentos mundiais e das grandes cimeiras. Para quem se recordará desses tempos ou tem algum conhecimento das relações internacionais, dificilmente encontrará um período da História recente tão “político”, interessante e entusiasmante como aquele que Bush pai viveu enquanto Presidente entre 1989 e 1993.

 

Foi aquilo a que os especialistas chamam de período de transição sistémica. Hoje é um assunto arrumado de que o século XX acabou ali. Para trás, ficaram décadas de Guerra Fria, onde a economia jamais tinha suplantado a política enquanto tema de campanha ou de topo de agenda mediática. Em quatro anos, e apesar dos problemas da economia dos EUA, o mundo assistia à morte do comunismo, à queda do Muro de Berlim, à implosão da União Soviética, às reformas na China, à primeira Guerra do Golfo, à intervenção americana no Panamá e na Somália, já para não falar na Guerra da Bósnia. Aliás, já antes, Ronald Reagan tinha ficado para a História como o homem que vencera a Guerra Fria.

 

Poder-se-á dizer que os acontecimentos de política externa pouco ou nada interessavam aos americanos perante as dificuldades que enfrentavam no seu dia-a-dia. Pois, mas a questão é que nem os problemas da economia americana eram assim tão dramáticos, como alguns desses acontecimentos internacionais entraram no quotidiano dos americanos de uma forma bastante intensa. Além disso, é preciso notar que a América já tinha vivido períodos bem mais difíceis em termos de economia em décadas anteriores, bastando referir, por exemplo, o processo de desindustrialização nos anos 70 e 80, nomeadamente no sector automóvel, com o surgimento da concorrência asiática.

 

A verdade é que olhando para os tempos de Guerra Fria não havia grande “espaço” para a prevalência da economia sobre a política na condução dos Estados e muito menos para os comentadores económicos e para as análises económicas híper-amplificadas nos media (os canais também eram diminutos, note-se). A política pura e dura dominava e os tempos que se viviam eram deveras muito interessantes. É certo que a partir do início dos anos 90, com o advento da globalização e com as teorias do Fim da História e outras, a política vai perdendo relevância para dar lugar à economia enquanto móbil da História. Os grandes líderes e estadistas foram desaparecendo e surgiram os tecnocratas ou os dirigentes orientados por critérios quantitativos. Começa-se a criar uma ideia (errada) de que a política acabou e as sociedades ocidentais entram num Fim de História, dominadas pelo capitalismo e democracias liberais.

 

A euforia durou até 11 de Setembro de 2001, que foi uma espécie de “wake up call”, mas foram precisos vários anos e muitos acontecimentos geopolíticos para se perceber que, afinal, o mundo está longe de ser “plano” e que a política impera naquilo que é a história dos Estados e as Relações Internacionais. Aliás, olhando para os fenómenos eleitorais mais recentes, com resultados que muitos consideraram de “protesto”, como foram os casos dos EUA, com a eleição de Trump, e do Reino Unido, com o referendo ao Brexit, constata-se que as motivações da maioria do eleitorado pouco ou nada tiveram a ver com economia, pelo menos numa lógica directa, já que ambos os países apresentam índices bastante satisfatórios nestas matérias, quer em crescimento do PIB, quer em taxa de desemprego.

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O livro que não nos deixa mentir

por Pedro Correia, em 16.03.17

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 Otelo Saraiva de Carvalho e Vasco Gonçalves em 1975

 

A História é feita de grandes e pequenos homens. E também é feita de pequenas e grandes frases. Do "Alea jacta est", de Júlio César, ao "Nunca nos renderemos", de Churchill. Sem esquecer o incentivo que em 1640 D. Luísa de Gusmão terá deixado ao marido, o futuro D. João IV, para se unir aos conjurados: “Melhor morrer reinando do que viver servindo.”

Este livro traz-nos uma sugestiva panorâmica da história recente de Portugal, condensada em cerca de 1500 frases proferidas por protagonistas vários desde 1973 até ao final do ano passado. O título diz logo ao que vem: são “43 anos e seis meses de má política”.

É um título controverso, reconheça-se. Porque no fundo aqui nem tudo é mau. E a todo o momento somos confrontados com este paradoxo: temos excelentes frases de péssimos políticos e medíocres declarações de políticos que se notabilizaram por serem mais aptos a mostrar obra do que a falar.

 

Por opção editorial, o livro começa por recolher declarações registadas nos últimos meses do chamado Estado Novo, em 1973. Foi uma decisão acertada, para que se perceba bem como ao longo dos últimos 43 anos tivemos três países muito diferentes, com reflexos inevitáveis no discurso político.

Refiro-me ao país da ditadura, ao país da revolução e ao país da chamada “normalidade democrática”. Que é – felizmente – aquele em que vivemos agora.

 

O país mais antigo era o da censura oficial e o da supressão das liberdades.

Um país repleto de retórica balofa e vazia, muito adjectivada, cheia de gongorismos e salamaleques.

Um país com um chefe do Governo que chamava “conversa” ao monólogo.

Um país com um Presidente da República que no discurso do Ano Novo de 1974 declarou o seguinte: “Com o galopar incessante do tempo, vai encurtando a distância que separa a Humanidade do século XXI, vai ficando cada vez mais distanciado o século XIX e vão sucessivamente desaparecendo da vida aqueles que nele nasceram.”

La Palice não diria melhor…

 

Seguiu-se o país da erupção da liberdade logo ameaçada pelos delírios revolucionários com a sua linguagem de recorte bélico, cheia de verbos como “lutar”, “esmagar” e até “matar”. Este é um período interessantíssimo – para mim o mais fascinante de toda a obra, e não por acaso preenchendo quase um terço do livro.

Um período que exigiu certamente do organizador, Luís Naves, uma exaustiva investigação para apurar com exactidão e rigor quem disse o quê, à margem do boato que com o passar dos anos tantas vezes se torna lenda.

E, sim, é verdade que Otelo Saraiva de Carvalho disse mesmo que talvez tivesse sido melhor “encostar à parede ou mandar para o Campo Pequeno umas centenas ou uns milhares de contra-revolucionários, eliminando-os à nascença”.

Este Robespierre de trazer por casa, quando afirmou isto em Junho de 1975, era o chefe da mais poderosa força armada em Portugal. Por sinal o mesmo Otelo que em Abril de 2011, tendo o frenesim extremista já só como recordação, declarou alto e bom som: “Se soubesse como o País ia ficar, não fazia a revolução.”

 

Eram tempos irrepetíveis.

Tempos em que a Intersindical – com o Partido Comunista no Governo – espalhava a palavra de ordem “Não à greve pela greve”.

Tempos em que o futuro secretário-geral do PCP, Carlos Carvalhas, então secretário de Estado do Trabalho, considerava “verdadeiramente revolucionário” que os portugueses trabalhassem no feriado do 10 de Junho.

Tempos em que o primeiro-ministro pró-comunista Vasco Gonçalves anunciava a intenção de mandar “uma quantidade de gente para um campo de trabalho”.

 

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Não tenho a menor dúvida: este livro será a partir de agora um precioso auxiliar para quem escreve nos jornais, para quem fala nas televisões e nas rádios. Jornalistas, comentadores e decisores políticos, por exemplo, passarão a tê-lo à cabeceira ou na secretária de trabalho.

Andamos bem carecidos de obras como esta, que nos estimulem e revigorem a memória nestes dias da “pós-verdade”, onde milhares de pseudo-sábios garantem não existir qualquer diferença entre facto e treta.

43 Anos e 6 Meses de Má Política é neste aspecto – e muito bem – um livro que rema contra a corrente. Porque se ancora no facto e despreza a treta. Uma triagem que só se tornou possível graças ao olhar atento de um jornalista experiente, habituado a separar as águas, destacando aquilo que realmente se disse ou se escreveu sem dar guarida a mitos, por mais plausíveis que parecessem.

Um exemplo: a célebre frase “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas”, atribuída há décadas a Cavaco Silva, afinal é de autor anónimo. Não há registo de que alguma vez Cavaco a tenha proferido.

 

Mas muitas outras aqui desfilam, devidamente comprovadas. Lembrarei algumas, que acabaram por integrar-se na linguagem comum, muito para lá do contexto em que nasceram. "Olhe que não, olhe que não", disse Álvaro Cunhal em 1975. "É só fumaça, o povo é sereno", bradou no mesmo ano Pinheiro de Azevedo, autor de outra frase que tem sido muito citada nas últimas semanas e que talvez por uma questão de decoro não vem incluída nesta antologia.

Esta obra não esquece a “luz ao fundo do túnel” invocada por Mário Soares em 1978 quando solicitou ao FMI o primeiro auxílio de emergência financeira da democracia portuguesa. Nem a necessidade de "apertar o cinto", mencionada também por Soares, em 1984, quando o País estava novamente sob assistência externa. Nem o desbragado optimismo do ministro Braga de Macedo, ministro das Finanças de Cavaco, quando em 1992 anunciou que "Portugal é um oásis".  Ou a platónica garantia dada em inglês pelo recém-empossado primeiro-ministro António Guterres em 1995: "No jobs for the boys." E o que dizer do optimismo socrático do ministro Manuel Pinho ao proclamar urbi et orbi em Outubro de 2006: "A crise acabou"?

 

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Uma segunda edição permitirá certamente colmatar algumas lacunas – poucas – que registei numa leitura atenta.

"Soares é fixe",  que serviu de lema central à vitoriosa campanha presidencial de 1986.

"Esse é um assunto tabu", frase de Cavaco proferida em Outubro de 1994, deixando em aberto o seu futuro como líder do PSD e chefe do Governo. O tabu só seria desfeito só na Primavera seguinte.

Ou a deliciosa rendição de Manuela Ferreira Leite ao diktat de Bruxelas e Berlim: “Quem manda é quem paga.” Isto em Novembro de 2010, quando liderava o PSD e ainda não subscrevia abaixo-assinados para a renegociação da nossa dívida externa, de braço dado com Francisco Louçã.

 

O autor merece parabéns pela quantidade e qualidade do trabalho produzido. Muito mais do que um copioso registo de frases, estamos perante um precioso documento que nos ajuda a perceber melhor quem ao longo de vários ciclos políticos honrou a palavra dada e quem andou a vender gato por lebre.

 

E por falar em previsões, aqui destaco três, igualmente incluídas nestes 43 Anos e 6 Meses de Má Política:

"Vou liderar o PSD nos próximos dez anos", declarou Durão Barroso em Agosto de 1999. Como sabemos, não aguentou sequer metade desse tempo: em Junho de 2002 despediu-se apressadamente da pátria, rumando à presidência da Comissão Europeia sem olhar para trás.

"A minha maior ambição política é não ter ambição nenhuma", assegurou em Outubro de 2003 o actual Presidente da República. Caso para questionarmos onde estaria neste momento o Chefe do Estado se alimentasse alguma ambição…

"Portugal não necessita de nenhuma assistência financeira", afiançou em Janeiro de 2011 o primeiro-ministro José Sócrates. Três meses antes de fazer um apelo quase desesperado às instituições financeiras internacionais para salvarem as nossas contas públicas.

 

Vistas à distância, já quase extinto o calor da polémica, frases como estas ganham um importante carácter documental: deixam de mobilizar o jornalista, passam a interpelar o historiador.

Desde logo porque de previsões falhadas também reza a história. Aqui estão elas, plasmadas neste livro que não nos deixa mentir.

 

Texto que, com pequenas alterações, li ontem na sessão de apresentação do livro, em Lisboa.

 

............................................................... 
 
43 Anos e 6 Meses de Má Política, de Luís Naves (Contraponto, 2017). 355 páginas.
Classificação: ****

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Resistência activa ao aborto ortográfico (125)

por Pedro Correia, em 16.03.17

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«Tenho muito orgulho em escrever, quando preencho o IRS, actor, com c.» 

Jorge Corrula, na revista Caras (25 de Fevereiro)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.03.17

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 Sonho de uma Noite de Verão, de William Shakespeare

Tradução, introdução e notas de Cândida Zamith

Teatro

(reedição Relógio d' Água, 2017)

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RH Music Box (410)

por Rui Herbon, em 16.03.17

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Autor: Sun Ra

 

Álbum: Out There A Minute (1989)

 

Em escuta: Lights Of A Satellite

 

 

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Já li o livro e vi o filme (176)

por Pedro Correia, em 15.03.17

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A PRAGA DOS GAFANHOTOS (1939)

Autor: Nathanael West

Realizador: John Schlesinger (1975)

Esta sátira à Hollywood dos anos 30 deu fama póstuma ao escritor, falecido em 1940. Se a novela é datada e pueril, o filme - O Dia dos Gafanhotos - também não lhe presta homenagem, apesar do bom desempenho de Donald Sutherland.

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Ano de autárquicas (5)

por Pedro Correia, em 15.03.17

 

"Educação: Costa trava reforma curricular por causa de autárquicas"

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.03.17

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 A Viúva do Enforcado, de Camilo Castelo Branco

Novela

(reedição Sistema Solar, 2015)

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A Primavera está à porta

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.03.17

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As declarações de Assunção Cristas e o silêncio do PSD deixam muito pouco espaço para outras interpretações. O Conselho de Ministros do anterior Governo nunca discutiu as questões da banca, nem sequer às quintas-feiras. Discutir a banca para quê? Artistas, marialvas e fadistas tinham mais que fazer. Enquanto os portugueses sofriam cortes nos vencimentos, viam os impostos subir, apertavam o cinto e emigravam, havia quem pusesse o dinheiro em bom recato com os vistos do companheiro Núncio. E os ministros reuniam-se para tomar chá, combinar privatizações, almoçaradas e jantares e alegremente trocarem tachos e panelas. Os Conselhos de Ministros do Governo de Passos Coelho, ficámos agora todos a saber pela voz de uma das protagonistas, eram uma espécie de reuniões da tupperware.

Despachado o Melo para Bruxelas, em Lisboa ficaram coelhinhos, melros e andorinhas.

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'Política de A a Z'

por Pedro Correia, em 15.03.17

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 Manuel Monteiro e Pedro Duarte com os autores do livro na sessão de apresentação do Porto (9 de Março)

 

Manuel Monteiro, ex-presidente do CDS:

«Este é um livro extraordinário, tanto na perspectiva da informação como da formação. É um trabalho muito relevante, que ajuda a fomentar o gosto pela política. Gostar de política é sinal de uma sociedade culta.»

 

Pedro Duarte, ex-líder da JSD e ex-director da campanha presidencial de Marcelo Rebelo de Sousa:

«É um livro extraordinariamente actual e uma ferramenta útil e relevante para quem queira informar-se e formar-se sobre política. Uma obra densa mas de leitura muito acessível.»

 

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RH Music Box (409)

por Rui Herbon, em 15.03.17

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Autor: Mulatu Astatke

 

Álbum: Mulatu Of Ethiopia (1972)

 

Em escuta: Munayé

 

 

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Se eu votasse nas eleições holandesas

por João André, em 14.03.17

Vivo na Holanda, directa (registado como tal) ou indirectamente (registado noutro país mas tendo o domicílio familiar no país) desde Dezembro de 2003. Isto dá-me a possibilidade de conhecer o país um pouco mais que a generalidade dos portugueses e compreender aceitavelmente a sociedade do país. Não me arvoro em especialista. Há coisas nos holandeses que nunca entenderei. Há particularidades de que desgosto profundamente e, confesso, só não estou fora do país porque circunstâncias familiares têm conspirado para que isso não suceda.

 

Isto não quer dizer que a Holanda seja um país mau. Pelo contrário. É ordeiro, com baixos índices de criminalidade, ruas limpas, pessoas essencialmente educadas, muito pouca pobreza, bons sistemas sociais, etc. Se uma pessoa aceita os preceitos sociais (e o clima), o país é excelente para viver e será mesmo dos melhores possíveis. Só acontece que não se coaduna com a minha personalidade.

 

É por isso que nunca pedi a nacionalidade holandesa, apesar de ser capaz de preencher todos os requisitos para tal. Por isso e porque para o fazer teria que perder a nacionalidade portuguesa, algo que não contemplo em favor da holandesa. Se tivesse a nacionalidade, teria amanhã a possibilidade de votar nas eleições holandesas.

 

 

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Ano de autárquicas (4)

por Pedro Correia, em 14.03.17

 

Câmaras exigem 500 milhões para reparar estradas

 

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Música recente (78)

por José António Abreu, em 14.03.17

The Shins, álbum Heartworms.

Após o seu trabalho com Danger Mouse nos Broken Bells e a saída dos restantes elementos fundadores da banda, James Mercer tem vindo a alargar o espectro da sonoridade dos The Shins. Este álbum volta a incluir canções naquela linha pop/rock de bandas como os 10.000 Maniacs, mas também visita áreas como o psicadelismo e a new wave. E ainda há a nostalgia do tema abaixo.

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Brexit à bruta

por Diogo Noivo, em 14.03.17

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O Parlamento Britânico autorizou ontem o Governo a accionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, a norma que contempla a saída de um Estado-Membro da União Europeia. Theresa May fica então com o caminho livre para avançar de imediato para o processo de desvinculação da União Europeia, muito embora a imprensa britânica afirme que a Chefe do Executivo esperará pelo final do mês para dar esse passo. Associada a esta proposta estava uma garantia de direitos aos cidadãos europeus a residir no Reino Unido. Votada a proposta, esta garantia de direitos foi chumbada graças a Conservadores e Trabalhistas - os Liberais foram os únicos a opor-se a este hard stance
São duas as razões que explicam a recusa de uma garantia de direitos. Por um lado, em ambos os lados do Parlamento há quem tema que oferecer esta garantia crie um efeito-chamada, isto é, que de repente entre no Reino Unido uma vaga de cidadãos europeus em busca de residência antes da oficialização do Brexit. Por outro lado, o Reino Unido quer usar este assunto como bargaining chip: antes de oferecer garantias a cidadãos oriundos dos Estados-Membros da União, Londres quer ver que garantias serão oferecidas aos cidadãos britânicos a residir em solo comunitário. Em suma, os direitos dos cidadãos ficam em carteira como moeda de troca para as conversas sobre a operacionalização do Brexit.
Porém, e como quase sempre sucede, existe ainda a matemática de mercearia, típica da política partidária. Theresa May, Chefe do Governo e membro do Partido Conservador, não quer ser ultrapassada pela direita dentro do seu partido. Como escreveu John McTernan no Telegraph em Julho do ano passado, é o mundo ao contrário. Enquanto políticos profundamente conservadores como Andrea Leadsom não hesitam em oferecer garantias aos europeus a residir no Reino Unido (estão de tal forma à direita que oferecer estas garantias não constitui um capitis diminutio político junto do eleitorado Conservador), Theresa May, supostamente mais ao centro, opta pela abordagem dura. 
Entretanto, o Governo Britânico continua sem uma estratégia para o Brexit que aparente um mínimo de consistência (pelo menos em público), a libra sofre uma desvalorização acentuada, e os estrangeiros residentes no Reino Unido vão de incerteza em incerteza até uma muito provável angina de peito final. Do lado da União a abordagem não é mais meiga, sob pena de abrir um precedente que incentive outros a abandonar o projecto comunitário. Se a tendência de extremar posições se mantém chegará o momento em que será impossível recuar sem perder a face.

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Resistência activa ao aborto ortográfico (124)

por Pedro Correia, em 14.03.17

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«Detesto que chamem geringonça a esta maioria. Geringonça é o acordo ortográfico, não é o Governo de esquerda!»

Alfredo Barroso, no Expresso da Meia-Noite da SIC Notícias (10 de Março)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.03.17

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 A Sibila, de Agustina Bessa-Luís

Romance

(reedição Guimarães, com texto definitivo, 2016)

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'Política de A a Z'

por Pedro Correia, em 14.03.17

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«Fizemos aqui serviço público. E agora, ainda a tempo de fazer algumas sugestões de leitura. De Pedro Correia e Rodrigo Gonçalves, Política de A a Z - um guia para compreender o sistema político português, da editora Contraponto.»

José Gomes Ferreira, no programa Negócios da Semana

(SIC Notícias, 8 de Março)

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RH Music Box (408)

por Rui Herbon, em 14.03.17

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Autor: Medeiros / Lucas

 

Álbum: Terra Do Corpo (2016)

 

Em escuta: Corpo Vazio [com Selma Uamusse]

 

 

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Nem Soares nem Ronaldo

por Pedro Correia, em 13.03.17

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 Aeroporto do Montijo, futuro complemento da Portela

 

Não sei por que motivo os aeroportos hão-de ser baptizados. Os dois melhores aeroportos que conheço, o de Singapura e o de Amesterdão, são conhecidos pelos seus nomes de origem, Changi e Schiphol respectivamente. O que nada lhes diminui o prestígio, antes pelo contrário. Nem deixam de ser concorridíssimos e prestigiadíssimos por causa disso.

Dar nomes de pessoas a aeroportos colide, além disso, com o princípio da igualdade. Porquê não fazer o mesmo a estações ferroviárias ou fluviais? Porque não chamar Diogo Cão ao Cais da Rocha de Conde de Óbidos ou Fontes Pereira de Melo à gare de Santa Apolónia?

 

Sempre achei de tremendo mau gosto pôr o nome de Francisco Sá Carneiro ao aeroporto de Pedras Rubras – sabendo-se, como sabemos, que o ex-primeiro-ministro morreu a bordo de um avião precisamente quando se dirigia àquele destino.

Considero inqualificável que o aeroporto do Funchal passe a chamar-se Cristiano Ronaldo, alguém que nunca se distinguiu por proezas no domínio da aviação civil ou militar nem consta sequer que tenha brevet. Bem basta ter já, aos 32 anos, uma estátua erguida no Funchal que rivaliza com a do descobridor João Gonçalves Zarco.

E acho lamentável que o Presidente da República se tenha apressado a sugerir o nome de Mário Soares para designar o aeroporto do Montijo na hipótese de ser adaptado a voos civis como apoio ao da Portela, agora denominado Humberto Delgado.

 

Se os decisores políticos pusessem travão à demagogia e pensassem duas vezes antes de falar verificariam que existem duas enormes lacunas nesta matéria. Se a ideia é atribuir nomes de personalidades ilustres aos nossos aeroportos, ninguém tão prioritário do que os mais célebres aviadores portugueses de todos os tempos, protagonistas em 1922 da travessia aérea do Atlântico Sul.

Sim, refiro-me a Gago Coutinho (1869-1959) e Sacadura Cabral (1881-1924). Já serviram para designar ruas e avenidas, e até escolas, mas se quisermos continuar a atribuir nome de gente aos nossos aeroportos há que prestar-lhes esta homenagem. Eles merecem-na, muito antes de qualquer político passado ou presente – de D. Afonso Henriques a Marcelo Rebelo de Sousa.

Quanto aos futebolistas, por mais campeões que sejam, reservem-nos para os estádios: é lá que mostram o que sabem, é lá que merecem ter nomes e estátuas.

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Palavras para recordar (20)

por Pedro Correia, em 13.03.17

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JORGE SAMPAIO

Diário de Lisboa, 25 de Março de 1981

«Seria uma grande vitória terminar com o ambiente de 'macartismo', com o ambiente totalitário que se tem vindo a desenvolver neste partido [PS].»

 

Frase extraída do livro 43 Anos e 6 Meses de Má Política (Contraponto, 2017), organizado por Luís Naves

 

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Blogue da semana

por Teresa Ribeiro, em 13.03.17

No "Redondo Vocábulo", Luiz Robalo escreve com elegância, portanto podemos dizer que com curvas. Mas é também assertivo quando opina. Nesse sentido nada do que diz é redondo neste seu Redondo Vocábulo. É a minha escolha para blogue da semana.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.03.17

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 Hotel, os Bastidores, de Inês Brasão

Investigação sociológica

(edição Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2017)

"A autora desta publicação não adoptou o novo Acordo Ortográfico"

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RH Music Box (407)

por Rui Herbon, em 13.03.17

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Autor: Temptations

 

Álbum: Cloud 9 (1969)

 

Em escuta: I Heard It Through The Grapevine

 

 

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Fotografias tiradas por aí (346)

por José António Abreu, em 12.03.17

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Coimbra, 2017.

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O mundo às avessas

por Pedro Correia, em 12.03.17

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Pacheco Pereira (militante do PSD)

«Pedro Passos Coelho faz uma história retrospectiva em relação a Ricardo Salgado e esquece-se que ele participou ou esteve presente em reuniões do Conselho de Ministros no início da [passada] legislatura. Já ninguém se lembra. Já ninguém se lembra!»

«Veio nos jornais e nunca ninguém desmentiu. Veio nos jornais...»

«Então ao Conselho de Estado não foi o Mario Draghi?»

 

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Jorge Coelho (militante do PS)

«Como você imagina, isso [Salgado no Conselho de Ministros] é uma coisa que nunca aconteceu.»

«Então vai alguém que não é ministro ou membro do Governo a uma reunião do Conselho de Ministros?!»

 

Na Quadratura do Círculo (SIC Notícias), 9 de Março

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.03.17

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Quando o Sol Dançou - Fátima e Portugal, de Jeffrey S. Bennett

Religião

(edição Guerra & Paz, 2017)

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RH Music Box (406)

por Rui Herbon, em 12.03.17

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Autor: Mbongwana Star

 

Álbum: From Kinshasa (2015)

 

Em escuta: Malukayi [com Konono Nº 1]

 

 

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Pensamento da semana

por Rui Rocha, em 11.03.17

Temos de ajudar o Presidente Marcelo a não acabar com a dignidade durante o mandato.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Convite aos autores, comentadores e leitores

por Luís Naves, em 11.03.17

CONVITE_43 Anos e 6 Meses d e Má Política_Lu

 

Aos autores, comentadores e leitores do Delito de Opinião: Estarei na próxima quarta-feira, dia 15, a partir das 18 e 30, na livraria Bertrand Picoas, em Lisboa, para a sessão de apresentação do livro que organizei, 43 anos e 6 Meses de Má Política, edição da Contraponto. Trata-se de uma recolha de mais de 1500 frases do período entre 1973 e 2016; no fundo, estas frases são pequenos vislumbres da política recente do país, com momentos divertidos e outros que fazem pensar. A apresentação estará a cargo de Pedro Correia.

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Buracos

por Rui Rocha, em 11.03.17

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As canções da minha vida (7)

por Pedro Correia, em 11.03.17

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THE SOUND OF SILENCE

1964

 

Para os melómanos, 19 de Setembro de 1981 tornou-se uma data com lugar garantido na história. Nessa noite, meio milhão de pessoas acorreu ao Central Park, em Nova Iorque, para assistir à reunião de duas figuras cimeiras da música folk-rock norte-americana, ícones da década de 60 enfim reunidos após anos de uma zanga que parecia insuperável: Paul Simon e Art Garfunkel.

O enorme sucesso do espectáculo – retransmitido por canais de televisão em vários continentes, incluindo a RTP – prolongou-se no disco Concert in Central Park e apresentou a uma nova camada de adolescentes, então a despontar para a música, este duo que naquela década dera ao mundo diversos temas tornados hinos de uma geração: Mrs. Robinson, Homeward Bound, Scarborough Fair, Late in the Evening, The Boxer, Old Friends, America, Bridge Over Troubled Water.

 

Acompanhei o concerto enquanto telespectador. E logo me rendi ao fascínio das canções entoadas por aqueles dois antigos colegas do ensino secundário com jeito para a música que começaram por formar um duo chamado Tom & Jerry. E em 1957 tiveram até um fugaz êxito discográfico, intitulado Hey Schoolgirl.

Simon e Garfunkel, ambos hoje com 75 anos, fizeram apenas seis álbuns com temas originais, entre 1964 e 1970. Mas foi quanto bastou para marcarem a música popular norte-americana e inscreverem os nomes na galeria dos imortais. Paul Simon é, na justa opinião do parceiro, “um dos maiores escritores de canções de todos os tempos”. Enquanto Art Garfunkel se destacou sempre pela sua magnífica voz.

 

A sexta cantiga que Simon escreveu chamava-se originalmente The Sounds of Silence e foi gravada em Nova Iorque, a 10 de Março de 1964 - três meses após o assassínio do presidente John Kennedy, com a América ainda mergulhada num pesado luto. Reza a lenda que Simon gostava de compor na banheira, de luzes apagadas, com a casa de banho a funcionar como câmara de eco. Ali lhe terão surgido os dois primeiros versos: «Hello darkness, my old friend, / I've come to talk with you again.»

Mal imaginava que em menos de dois anos, graças ao decisivo impulso dos programas radiofónicos, aquele tema andaria nas bocas de milhões de jovens. Mas isto só aconteceu à segunda tentativa, quando já se chamava The Sound of Silence. Com o som no singular.

A primeira - ainda com o título original e acompanhada apenas por duas guitarras acústicas - foi um fracasso, ao ser inserida no álbum de estreia do duo, Wednesday Morning, 3 AM. Lançado em Outubro de 1964, o disco só vendeu duas mil cópias e o single dele extraído também não atraiu ninguém.

No ano seguinte, tudo mudou. Melhorou o título e melhorou o acompanhamento, quando o produtor discográfico Tom Wilson - à revelia de Simon e Garfunkel, entretanto regressados à universidade - convocou para o estúdio os músicos que tinham acompanhado Bob Dylan na gravação de Like a Rolling Stone, introduzindo bateria e guitarras eléctricas no novo registo sonoro do tema, com três minutos e cinco segundos de duração, misturando-o com a prévia gravação das vozes.

 

The Sound of Silence despedia-se do acústico original. 

O público aplaudiu: o single relançado em Setembro de 1965 disparou nas vendas. Em Janeiro de 1966 ascendeu enfim ao top norte-americano, disputando-o ao longo desse mês numa renhida luta com We Can Work It Out, dos Beatles.

Dois anos depois, a canção registava nova vaga de sucesso ao figurar em destaque na banda sonora do filme The Graduate [A Primeira Noite], galardoado com o Globo de Ouro para melhor filme de 1968 e com o Óscar para melhor realização (atribuído ao cineasta Mike Nichols). O álbum, que abre e encerra com The Sound of Silence, liderou a lista das vendas discográficas nos EUA entre 6 de Abril e 25 de Maio de 1968, e novamente de 15 a 28 de Junho.

 

Ainda hoje custa a crer que um jovem com 21 anos criasse um tema com a qualidade musical e a complexidade poética desta bela trova, tão actual hoje como há meio século - magoado grito de revolta contra um mundo cada vez mais povoado de gente incapaz de comunicar.

«And in the naked light I saw / Ten thousand people, maybe more / People talking without speaking / People hearing without listening / People writing songs that voices never share / And no one dared / Disturb the sound of silence.»

 

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Procurar razão

por Diogo Noivo, em 11.03.17

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Com apenas 16 anos de idade Gabriel Vidal “Baby” tornou-se o centro de todas as atenções em Espanha: foi o primeiro a ser condenado pela justiça daquele país na sequência da investigação aos atentados terroristas de 11 de Março de 2004, em Madrid.
Apodado “El Gitanillo” pelos órgãos de comunicação social, Gabriel pertencia à “trama asturiana”, um pequeno grupo de delinquentes de Avilês que se dedicavam ao tráfico de estupefacientes e a delitos comuns. Rufias de bairro que por ganância, por laxismo e por força de um habitual encolher de ombros acabaram por fornecer a jihadistas os explosivos que mataram 191 pessoas e feriram cerca de 1000 na capital espanhola. “Baby” foi quem transportou os explosivos das Astúrias até Madrid e os entregou à célula terrorista que cometeu o atentado.
Em Nos vemos en esta vida o en la otra, Manuel Jabois, jornalista e colunista no diário El País, usa a história de “Baby” como estribo para descrever os factos, os personagens e as ligações que culminaram no acto terrorista mais devastador ocorrido na Europa Ocidental. A partir de várias conversas com o jovem asturiano, as primeiras que “Baby” teve com um jornalista, Jabois mapeia o contexto difuso de uma rede composta por redes, destrinçando com clareza as fronteiras entre a pequena criminalidade e o terrorismo; ao mesmo tempo, expõe o papel crucial que a oportunidade, o acaso e a indiferença de gente que nada tem que ver com o terrorismo desempenharam neste atentado. Aqui como noutros casos, o fanatismo religioso é manifestamente curto para explicar a confluência de acontecimentos e de diferentes percursos de vida que acabam por desaguar em massacre.
O livro é um trabalho notável de reportagem, muitíssimo bem documentado e escrito, que faz as perguntas certas, mas que não se angustia quando as respostas são demasiado triviais ou mesmo estúpidas. Todos os ângulos da história, todos os intervenientes (o livro refere mais de 50), todos os momentos que antecederam o atentado são trabalhados com minúcia e talento para tentar explicar o que parece destituído de razão.
Hoje assinalam-se os 13 anos do atentado em Madrid. No ano passado, escrevi aqui no DELITO que "[h]abituada à chaga terrorista, Espanha combateu a barbárie sendo irredutível na defesa da normalidade democrática." Nos vemos en esta vida o en la otra é mais uma expressão dessa normalidade. Manuel Jabois investiga e escreve sem assumir as dores de ninguém, sem tomar partidos, mas sem esquecer que existem vítimas. O livro é um esforço intenso, mas sereno de compreensão de um marco nefasto na história contemporânea de Espanha. Foi uma das leituras mais interessantes e impressivas que fiz em 2016. Se há dia para o recomendar, e merece sê-lo, hoje é sem dúvida esse dia.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.03.17

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Singularidades, de A. M. Pires Cabral

Contos

(edição Cotovia, 2017)

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RH Music Box (405)

por Rui Herbon, em 11.03.17

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Autor: Kevin Morby

 

Álbum: Singing Saw (2016)

 

Em escuta: Singing Saw

 

 

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Ler

por Pedro Correia, em 10.03.17

O misterioso caso do desaparecimento de Portugal. Do Alexandre Borges, no 31 da Armada.

Nova Portugalidade Summit. Do José Pimentel Teixeira, no Courelas.

O livro. De Francisco Seixas da Costa, no Duas ou Três Coisas.

Em desuso. De Maria do Rosário Pedreira, no Horas Extraordinárias.

Fraquezas. De Rui Ângelo Araújo, n' Os Canhões de Navarone.

O melhor conselho que alguma vez vos poderei dar. Da Vanita, na Caixa dos Segredos.

Zip Zita. De Marina Tadeu, no Boquinhado.

Da nudez. Da Cristina Nobre Soares, no Em Linha Recta.

O Pianista. Do Henrique Fialho, na Antologia do Esquecimento.

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Façam apps, não automóveis

por José António Abreu, em 10.03.17

2014: Facebook compra WhatsApp por 19 mil milhões de dólares.

2016: Microsoft compra LinkedIn por 26,2 mil milhões de dólares.

2016: Nissan compra 34% da Mitsubishi Motors por 2,2 mil milhões de dólares.

2017: Grupo PSA (Peugeot, Citroën, DS) compra a totalidade do braço europeu da GM (Opel e Vauxhall) por 2,3 mil milhões de dólares.

 

Note-se a diferença de valores. Num mundo de relações online, de expectativas e impaciências desmesuradas, de taxas de juro negativas, de dinheiro nascido da concessão de crédito, talvez seja natural que os bens tangíveis percam importância e que a riqueza (a global como a dos famigerados ricos-que-continuam-a-enriquecer) seja cada vez mais virtual - e volátil. A própria inflação transferiu-se dos bens transaccionáveis para as bolsas e, dentro destas, em especial para as empresas que poucos ou nenhuns bens físicos produzem. Compare-se a evolução dos principais índices bolsistas com a evolução da economia dos respectivos países e o resultado só pode suscitar preocupação. Que percentagem da riqueza mundial se perderia hoje com um - bastante provável, de resto - crash bolsista? Quanto dinheiro desapareceria com a assumpção da incapacidade de pagamento de tantas dívidas gigantescas, públicas como privadas?

Mas este mundo também tornou a riqueza mais acessível às pessoas com as ideias certas e a coragem de as levar por diante. No fim de contas, fazer uma app custa muito menos do que projectar, construir e comercializar um automóvel. Talvez este facto explique em parte a insatisfação (a raiva, mesmo) que grassa nos países ocidentais (e utilizo o termo de forma abrangente, não geográfica). Por muitos defeitos e distorções que existam, por muitas ameaças que se perspectivem, nunca ao longo da história das sociedades organizadas (e hierarquizadas) as oportunidades perdidas o foram por motivos tão auto-atribuíveis.

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Música recente (77)

por José António Abreu, em 10.03.17

Laura Marling, álbum Semper Femina.

O título vem da Eneida: varium et mutabile semper femina (qualquer coisa como as mulheres são inconstantes e caprichosas). Marling vira o sentido da frase do avesso e transforma a presumível inconstância feminina em capacidade de adaptação. Não sei o que Virgílio pensaria, mas estou convencido de que Mozart e Lorenzo Da Ponte (cuja ópera Così fan Tutte parte de uma premissa similar à exposta na Eneida) achariam piada. Bem como a este vídeo.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 10.03.17

Resultado de imagem para O Norte e Outros Contos

 

O Norte e Outros Contos, de Evgueni Zamiatine

Tradução de Nina Guerra e Filipe Guerra

(edição Antígona, 2017)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 10.03.17

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Brie Larson

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RH Music Box (404)

por Rui Herbon, em 10.03.17

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Autor: Ken Nordine

 

Álbum: A Transparent Mask (2001)

 

Em escuta: A Thousand Bingbangs

 

 

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Já li o livro e vi o filme (175)

por Pedro Correia, em 09.03.17

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MUTINY!: THE REAL STORY OF THE H.M.S. BOUNTY (1831)

Autor: John Barrow

Realizador: Frank Lloyd (1935)

O primeiro livro que relatou ao mundo uma visão distanciada da célebre revolta de marinheiros ocorrida em 1789 no Pacífico Sul originou várias obras de ficção literária e diversos filmes, o melhor dos quais foi este, que recebeu o Óscar.

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Com a noite

por António Manuel Venda, em 09.03.17

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Estava a cair. Era o que sentia. De repente, como se o chão estivesse muito longe e não a suportar-lhe os pés. Como na verdade estava. Sim, sentia o chão muito longe, a quilómetros e quilómetros. E ele caía, para lá, para onde tinha os pés bem firmes. Quanto tempo demoraria a ir esborrachar-se precisamente no sítio onde estava? Não conseguia perceber. Achava até que não havia tempo para perceber fosse o que fosse. Caía tão depressa!... Era de noite. Tão, tão de noite!... Parecia-lhe. Só isso. Quase um palpite. Como se estivesse em condições de dar palpites… Quando seria o terrível embate com o chão que pisava? Daí a dois segundos? Não. Dois segundos desapareciam-lhe sem mais nem menos da vida. Resolveu pôr a coisa em dez minutos. Pensou um pouco… Dez minutos era um tempo razoável. Isso demorava a passar. Dez minutos a cair sem bater onde tinha os pés. Decidiu ficar com esses dez minutos. E foi-se habituando. Caía, mas tinha algum poder de decisão. Arriscou brincar um pouco. Duas horas… Qualquer entidade que estivesse a mandar naquela queda poderia não gostar da brincadeira. Ou poderia não ligar. Ter outras quedas com que se preocupar. De gente mais importante. A noite ainda ia curta. Nela cabia bem um período de duas horas. Até de mais horas. Bem mais. Umas cinco ou seis. Passou para sete. Depois veria. Quando chegasse o dia. Divertiu-se com a rima. Quase que conseguiu suspender um pouco a queda. Talvez até conseguisse. Se arranjasse forças. Ali na noite a caminho do chão onde estava com os pés bem firmes. Duas rochas. Os seus pés feitos duas rochas. Como se ele próprio os tivesse plantado. Duas árvores, então. Ficava melhor do que rochas. A noite era assim. Dava para jogar com as palavras. Mesmo em queda. Aquilo tinha alguma piada. Mesmo que no fim ficasse todo esborrachado. Um cão que passasse nem lhe aproveitaria os bocados. Nem uma gineta. Se calhar nem um bando de corvos. Nunca tinha visto corvos por ali. Só cães. E uma vez uma gineta. Linda, com uma cauda esplendorosa. Fuças meio esquisitas, mas a beleza da cauda compensava. Parecia o cabelo de um jogador do Paços de Ferreira, só que de outra cor e meio ao contrário. Àquela hora da noite, enquanto caía, lembrava-se dos animais que poderiam comer os seus restos e do cabelo estranho de um jogador do Paços de Ferreira. De um jogador não: de um futebolista. Convinha identificar a modalidade. Futebol, a sua preferida. Futebol de onze. Campeonato profissional. Tinha sido tão mau o último jogo. Um a um em casa, contra uma equipa um tudo nada melhor do que a do Paços de Ferreira. E ele estava lá. Como diria um amigo de todas as horas, até das más: ele estava lá no seu lugar de sofredor. A maneira como via o jogo era tão mais inteligente do que a maneira como o treinador parecia ver. Quanto ao presidente, não se pronunciava. Era deixá-lo andar às voltas e mais nada. As coisas haveriam de melhorar. Não podia ser tudo uma cambada (vá lá, um grupinho) de estúpidos e só ele ver o que havia para fazer. Na sua equipa. Muito superior, claro, à do Paços de Ferreira. De repente pareceu-lhe cair mais depressa. Talvez o peso da desilusão do empate. Ou a incapacidade do treinador. Ou na volta do presidente. Bom, em relação a este não queria pronunciar-se. Retirou a frase com «na volta». Podia retirar. Ele próprio, só ele é que decidia. Em determinados assuntos. Decidiu nesse momento não cair. Continuava a noite. Um frio de rachar. Pensou um pouco… Mudou «de rachar» para «do caraças». Um frio do caraças o daquela noite. Fez força nos pés, puxou-os do chão. Primeiro o direito. Depois o esquerdo. Sentia que começava a andar. O chão ali a pouco mais de um metro e oitenta dos seus olhos. Podia até, se quisesse, apressar o passo. Sentiu um odor estranho no ar. Odor? Não. Um aroma. Achou melhor mudar para aroma. Um inexplicável aroma que decidiu classificar como de felicidade. Tinha a noite escura por companhia. Por companheira, aliás. Decidiu, com ela, pôr-se mesmo a caminho.

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Frases de 2017 (8)

por Pedro Correia, em 09.03.17

«Bardamerda para todos aqueles que não são do Sporting!»

Bruno de Carvalho, 5 de Março

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O odor dos animais ferozes

por José António Abreu, em 09.03.17

O que se passou ontem no Parlamento revela muito sobre a incapacidade deste PS debater os assuntos. Quando questionado, ataca, procurando desviar as atenções. Não aceita críticas, venham elas de organismos independentes como o Conselho da Finanças Públicas, venham de deputados cujo mandato inclui precisamente o escrutínio da acção governativa. Nem nos piores momentos da estadia da Troika em Portugal, com a oposição nas ruas, Passos Coelho reagiu como Costa o tem feito.

Mas já vimos este filme. As passagens de Sócrates pela Assembleia seguiam o mesmo guião. E, na verdade, não surpreende que ele continue a ser aplicado: Costa, Galamba, César, Ferro, Nuno Santos foram apoiantes entusiásticos de Sócrates e, como ele, parecem outorgar-se o direito de ocupar um plano acima daquele onde se movimentam todos os outros - e de todas as regras. Enrobustecido pelas necessidades da gerinçonça mas, na verdade, intrínseco, o jacobinismo deste PS é gritante. Adicionem-se-lhe factores como a fragilidade das contas públicas, o «optimismo» comprado com medidas demagógicas, a complacência da União Europeia, e depressa o odor a 2009 se torna indisfarçável.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 09.03.17

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Experiência Antárctica, de José Xavier

Relatos de um cientista polar português

(edição Gradiva, 2016)

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RH Music Box (403)

por Rui Herbon, em 09.03.17

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Autor: Tamba Trio

 

Álbum: Avanço (1963)

 

Em escuta: Só Danço Samba

 

 

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Dia Internacional da Mulher

por Rui Rocha, em 08.03.17

Vamos lá ver. Não teremos verdadeira igualdade se o objectivo for que as mulheres assumam as mais diversas funções por serem competentes. Na verdade, só poderemos falar realmente de uma situação justa quando as mulheres incompetentes ascenderem a cargos em igualdade de circunstâncias com os homens incompetentes. É uma matéria em que fizemos significativo progresso mas temos de reconhecer que há ainda um longo caminho a percorrer.

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