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Canções do século XXI (47)

por Pedro Correia, em 17.05.17

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Um país futebolizado

por Pedro Correia, em 16.05.17

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Vivemos por estes dias mergulhados na futebolização do País. As pantalhas dedicam horas sem fim à conversa de taberna sobre bola transposta para os estúdios televisivos. Os partidos manipulam militantes, tratando-os como membros de claques de futebol. Os debates políticos estão cheios de metáforas associadas ao chamado desporto-rei. E a linguagem mediática imita o pior dos jargões ouvidos nos estádios, anunciando divergências ao som de clarins de guerra.

Há dois aspectos a ter em conta neste fenómeno: um é o factor de identidade tribal potenciado pelos clubes desportivos. Em regra este é um factor positivo: o ser humano necessita de mecanismos de afinidade grupal e quando faltam outros, mais tradicionais, o desporto - ou, no caso português, apenas o futebol - potencia-o como forma de preencher algum vazio deixado pelos restantes (família, igrejas, sindicatos, partidos, academias, etc.)

Outro - muito diferente e claramente negativo - é o da diabolização do antagonista. Este é um fenómeno com ramificações muito diferentes, e algumas bem recentes, influenciadas pela linguagem dicotómica das redes sociais, que tendem a ver tudo a preto e branco, numa réplica do imaginário infantil (cowboys & índios; polícias & ladrões, etc) transfigurado para a idade adulta.

 

O eco que os meios de informação tradicionais fazem do que se publica na Rede, amplificando tudo de forma acrítica e seguidista, vai produzindo cada vez mais estragos.

A crise financeira dos media conduziu nos últimos anos a drásticas alterações de âmbito editorial. A deontologia jornalística manda auscultar todas as partes com interesses atendíveis numa determinada história, obrigando também o jornalista a não eleger uma "verdade" sem pelo menos registar a soma das "verdades" em disputa. Acontece que a urgência de conseguir leitores e audiências tem levado muitos jornais e televisões a "queimar etapas" e a elevar o tom do relato noticioso, desvirtuando-o.

Os adversários tornaram-se inimigos, os desafios transformaram-se em batalhas, os saudáveis confrontos derivaram para devastadoras guerras.

 

Somar a febre do futebol à necessidade imperiosa de estancar quebras de tiragens dos jornais e fugas dos telespectadores para canais temáticos alternativos dá nisto: visões extremadas onde a emoção substitui o raciocínio, toda a moderação é considerada imprestável e o "vencedor" proclamado dos debates é invariavelmente o que berra mais que os outros.

Eis-nos mergulhados num caldo de cultura que nada augura de bom.

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Música recente (96)

por José António Abreu, em 16.05.17

Sylvan Esso, álbum What Now.

Os Sylvan Esso foram uma das melhores descobertas que fiz em 2014. Ao segundo álbum, Amelia Meath e Nick Sanborn mantêm a peculiaridade dos ritmos e reforçam a dose de ironia - como se pode constatar nos temas destes dois vídeos: a protagonista de Die Young vê o amor estragar-lhe os planos de morrer jovem, talvez num incêndio ou despenhando-se por uma ravina, e de levar as pessoas a chorar: "Que tragédia, tão cedo"; Radio, por seu turno, é uma crítica feroz ao mundo das pop stars que debitam temas radio-friendly com três minutos e meio de duração, embrulhada em exactamente três minutos e trinta e dois segundos de pop gloriosa.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.05.17

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  O Mito da Europa, de Nuno Júdice

Poesia

(Edição D. Quixote, 2017)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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Leituras

por Pedro Correia, em 16.05.17

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«As vasilhas vazias são as que mais eco fazem e os cobardes palram mais que os homens de verdadeira coragem.»

Roger Lancelyn GreenAs Aventuras de Robin dos Bosques (1956), p. 167

Ed. Dom Quixote, Lisboa, 1995. Tradução de Sara David Lopes. Colecção Biblioteca Juvenil Dom Quixote, n.º 8

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Canções do século XXI (46)

por Pedro Correia, em 16.05.17

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A hipocrisia

por Pedro Correia, em 15.05.17

 

Como sempre em Portugal, saltamos do oito para o oitenta - da indiferença total à lotação esgotada vai um curto passo. Canais de televisão que não mexeram um dedo para acompanhar o percurso da canção vencedora do Festival da Eurovisão em todo o processo que culminou com a final de Kiev, na noite de sábado, passaram a dedicar dezenas de minutos ao tema em sucessivos telediários mal soou a trombeta do triunfo.

Cidadãos que há muito se estavam nas tintas para eurofestivais soltam agora gritos de euforia, proclamando a “vitória de Portugal”, como se o destino da pátria estivesse em jogo. Políticos que nada fizeram nem fazem para instituir a educação musical no ensino público correm a colar-se à equipa vencedora, com o oportunismo de sempre.

 

Lamento, mas não alinho nestes coros colectivos nem me deixo iludir perante tamanha hipocrisia. A vitória na Eurovisão não foi “de Portugal”: foi de pessoas concretas. São essas que merecem os nossos parabéns. A Luísa Sobral, com talento e sensibilidade para conceber a letra e a música que estão a seduzir milhões de pessoas em todos os continentes. O Salvador Sobral, que tão bem interpretou a canção. O Luís Figueiredo, pianista e compositor de excepção, autor dos arranjos musicais que tanto valorizaram Amar Pelos Dois.

Não deixa de ser espantoso que os mesmos canais de televisão – incluindo a própria RTP – que promovem programas de formação e revelação de supostos novos talentos na música ligeira onde quase só se canta em mau inglês com dialecto americano sublinhem por estes dias a importância de se cantar em português. Como se só agora tivessem descoberto a musicalidade do nosso idioma – um facto tão notório desde as Cantigas de Amigo medievais até às trovas contemporâneas de um João Gilberto e um Caetano Veloso. Passando pela fabulosa lírica de Camões, toda ela digna de ser cantada.

 

Para serem consequentes, esses responsáveis televisivos que agora se derramam nos ecrãs a tecer loas à canção vitoriosa deviam anunciar desde já novos programas caça-talentos virados em exclusivo para a música portuguesa. Sob pena de toda esta euforia se esgotar num curto prazo e continuarmos a promover o tal “fogo de artifício” cénico de que muito bem falava o Salvador Sobral: miúdas e catraios aos saltinhos num palco, esganiçando-se em trinados num idioma de importação do qual mal conseguem arranhar uns refrões tontos, plastificados na forma e vazios de conteúdo.

Poupem-nos ao menos à retórica patrioteira. Para esse peditório não dou.

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Convidado: LUÍS NOVAES TITO

por Pedro Correia, em 15.05.17

 

Arte urbana

 

Ao irrecusável convite de Pedro Correia, que reabre a porta do DELITO DE OPINIÃO aos seus camaradas dos blogs seis anos depois, respondo presente embora os anos tenham feito rarear a vontade de escrever na Barbearia onde já desunhei imaginação, a torto e a direito, para suavizar olheiras e escanhoar bochechas imberbes deitando, não poucas vezes, cal na água sempre que pretenderam deixar as paredes da loja no esquife.

 

Volto ao DELITO com uma reflexão sobre a última obra-graça de Bansksy.

Um homem de macaco, provavelmente um imigrado em Inglaterra - porque só esses andam de macaco e pendurados em escadas na terra de sua majestade - a desconstruir a estrela dos ilhéus deixando no seu lugar o vazio que se pressente ser o futuro do Continente cada vez mais deserto de autóctones.

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Não foi difícil chegar aqui. Na grande ilha nunca se guiou pela direita, nunca se trocou a libra esterlina pelo marco travestido de moeda única, nunca se contrariou a dinâmica americana em favor da solidariedade da União e, tirando a amizade pelas calientes águas mediterrâneas e atlânticas vizinhas do Al-Maghrib e pelo Oporto, nunca se levaram a sério as línguas românicas que, no dizer do Flying Dutchman dos tempos calvino-penitenciais em voga, só servem para gáudio dos prazeres da carne e da gula dos éteres.

Também não foi difícil lá chegar porque os continentais estrelados foram perdendo o gás e, em menos tempo do que qualquer outra constelação, murcharam em sabedoria e ideais e fizeram-se joguetes invertebrados dominados pelo medo, que dizem não ter, a burocratas e banqueiros que lhes extorquem o que resta da sua dignidade e condição histórica.

 

Volto ao homem de fato-macaco, alegadamente um migrante, neste espaço europeu que as gentes do norte do Douro poderiam designar por “morcão” e as do Sul do Seine por “Marcon” e onde os social-democratas abandonaram o social à sua sorte e os democratas-cristãos evoluíram para o ateísmo, para analisar mais fino a arte de Bansksy.

O operário, embora de balde à cintura, não usa o queirosiano pano encharcado em benzina (transportando Eça para o actual contexto europeu repleto de Abranhos), nem tão pouco repinta a estrela murcha com o azul do fundo. Prefere representar o proletário de marreta e escopro na mão a sacar nacos de tinta sem ferir o estuque de uma bandeira que tem por hino a nona de Ludwig, An die Freude, adaptada por Herbert para que todos os povos do Norte e do Sul o cantem afinados, dirigidos no ritmo pela batuta alemã.

 

E é isto, Pedro. Um barbeiro a fazer de crítico de arte, um analista a fazer de escritor.

Paz e saúde.

 

 

Luís Novaes Tito

(blogue A BARBEARIA DO SENHOR LUÍS)

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 15.05.17

Muito útil para leitores ávidos, a palavra japonesa "tsundoku" significa "acto de comprar um livro e deixá-lo por ler, tipicamente ao lado de uma pilha de outros livros que ainda não foram lidos".
Aposto que aqui pelo Delito passa uma série de gente com graves problemas de tsundoku. Felizmente, porque um bom leitor precisa de ter sempre à mão inúmeras possibilidades de avançar para a próxima leitura.

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o que o desemprego mata em nós

por Patrícia Reis, em 15.05.17
Se a vida te dá limões, faz limonada. Pode parecer uma banalidade, mas serviu para dizer a uma amiga que tinha de andar para a frente. Acrescentei que o açúcar é o amor que tem à sua volta. Porque tem amor na sua vida e tomou sempre decisões em prol da família.
 

A minha amiga não tem 20 anos, está quase nos 40. É uma mulher inteligente, com curso, pós-graduações e outras valências. Saiu de Lisboa com a filha às costas por saber que já não tem idade para encontrar trabalho na grande cidade. Levou algum tempo a perceber isto, e foi à força de múltiplas desilusões antecedidas por cartas, envios de curriculum, entrevistas várias.

A empresa onde esteve faliu, fechou portas, deu-lhe os papéis para o fundo de desemprego, mas a minha amiga teimou que continuaria à procura de trabalho. Finalmente, como diz, caiu na real.

Sair de Lisboa podia ser melhor, tinha algum dinheiro de lado, a vida é mais barata, quem sabe se a sorte não lhe sorria lá para os lados da serra? Não sorriu.

A minha amiga conseguiu esta semana um emprego (ao fim de uns anos a bater às portas, a inventar). Vai passar recibo todos os meses, é um trabalho precário, sem regalias. Ela está contente por ter conseguido um trabalho. Vai receber 530 euros, mais coisa, menos coisa.

Ela está triste com o estado das coisas e com a sua vida. Acha que talvez não mereça mais, que talvez não seja competente em nada apesar de ter um curriculum que indica o contrário.

O desemprego mata a auto estima. A minha amiga, como tantos outros, merecia mais e melhor. Está farta de beber limonada.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.05.17

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  Biografia Involuntária dos Amantes, de João Tordo

Romance

(Reedição Alfaguara, 2016)

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 15.05.17

«Salvador Sobral tem uma voz relaxada, afinada e extraordinariamente musical - e um estilo muito elegante e espontâneo. Além disso, a canção que ele apresenta é diferente do padrão actual. Não tem os tiques que fizeram dos musicais da Broadway uma chatice desde os anos 1970: tudo parece hino protestante. Amar Pelos Dois tem o refinamento da canção urbana pré-Jesus Christ Superstar. E resulta mais moderna do que as modernices ultrapop da maioria das outras concorrentes - e dos números de caloiros em programas tipo The Voice, The X Factor ou American Idol

Caetano Veloso, em entrevista ao Diário de Notícias

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Canções do século XXI (45)

por Pedro Correia, em 15.05.17

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Fotografias tiradas por aí (355)

por José António Abreu, em 14.05.17

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2009.

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Traços da portugalidade

por Rui Rocha, em 14.05.17

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GAMAR PELOS DOIS

por Rui Rocha, em 14.05.17

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Se um dia alguém perguntar por mim
Diz que vivi p’ra gamar
Antes de ti, só existi
Cansado e sem nada p’ra dar

 

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que voltes a querer
Eu sei que não se gama sozinho
Talvez devagarinho me possam voltar a prender

 

Meu bem, ouve as minhas preces
Peço que regresses, que voltes a querer
Eu sei que não se gama sozinho
Talvez devagarinho me possam voltar a prender

 

Se o teu coração não quiser ceder
Não sentir paixão, não quiser sofrer
Sem fazer planos do que virá depois
Meu Carlinhos, posso gamar pelos dois

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.05.17

 

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  O Mensageiro do Rei, de Francisco Moita Flores

Romance

(Edição Casa das Letras, 2017)

"Francisco Moita Flores escreve de acordo com a antiga ortografia"

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Não se esqueçam de ir descansar

por Sérgio de Almeida Correia, em 14.05.17

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(créditos: António Cotrim, EPA) 

Agora o melhor é irem descansar. Ainda falta a Taça de Portugal e vamos voltar a jogar com aquela equipa que esteve a perder por 3-0 e por 1-0 com os nossos rivais da Segunda Circular e acabou sempre por empatar. Convém ter isso em atenção.

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Portugal: destaque internacional

por Pedro Correia, em 14.05.17

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Visita do Papa Francisco a Fátima:

Destaques no El País, El Mundo, Estado de São Paulo, The Guardian, O Globo, La Stampa, ABC, La Reppublica, Folha de São Paulo.

 

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Vitória de Salvador Sobral no Festival da Eurovisão:

Destaques no El País, El Mundo, Le Figaro, The Guardian, Daily Telegraph, ABC, Le Monde, La Reppublica, Independent, New York Times.

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Canções do século XXI (44)

por Pedro Correia, em 14.05.17

 

Pela primeira vez desde a nossa participação inicial, em 1964, Portugal acaba de vencer o Festival da Eurovisão. Com esta belíssima canção, composta por Luísa Sobral e interpretada pelo seu irmão, Salvador: Amar Pelos Dois. Primeiro tema de fala não-inglesa a triunfar naquele festival na última década. É, portanto, uma vitória para o nosso idioma também - daí um redobrado motivo de orgulho.

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Blogue da semana

por Pedro Correia, em 13.05.17

Volta e meia, costumo mergulhar na leitura de Tipping My Fedora: é um dos melhores blogues que conheço. Tem tudo - mesmo tudo - sobre literatura policial e cinema negro.

É um prazer que esta semana faço questão de partilhar convosco.

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 13.05.17

«Talvez a culpa e os interditos tenham de fazer parte da nossa cultura, ou da humanidade. Há deuses que caem e que são substituídos, isto também em matéria de costumes.

Já posso comer peixe às sextas-feiras, não posso é comer gorduras saturadas. Já posso citar o nome de deus em vão, não posso é fazer piropos. Já posso acumular riquezas e fazer usura, tenho é de ser ecologicamente sustentável.

Há também, faz parte da natureza humana, uma tendência para aumentar o volume das contrariedades em relação ao resto. As sanções modernas são muito mais ligeiras do que foram as sanções aos pecados antigos, convém não esquecer.

Está a crescer uma mentalidade de estado sitiado que é na maioria das vezes absurda. Menosprezamos o que acontece de mal aos outros e tomamos grandes dores para nós. Não existe nenhum ataque digno desse nome ao Ocidente. Os países cristãos e ocidentais detêm a maioria das armas do planeta, e as mais poderosas, e servem-se delas amiúde. Imaginemos um afegão, por exemplo, que tem tido exércitos da Rússia e da Nato a invadir o país há mais de 30 anos. O que pensará ele quando lhe disserem que Londres está em guerra porque um desvairado resolveu atropelar três pessoas a esmo?

Pôr no mesmo pé invasões e bombardeamentos sistemáticos com actos de lunáticos isolados só se justifica se quisermos atenuar a nossa culpa provocada pelas invasões. Não digo que o terrorismo não é uma coisa grave que tem de ser combatida. É um crime organizado e tem de ser combatido. Provoca menos mortos que a violência doméstica ou o tráfico de drogas, mas é uma ameaça séria.»

 

Do nosso leitor Jo. A propósito deste texto do Rui Rocha.

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Pensamento da semana

por Teresa Ribeiro, em 13.05.17

O Facebook dá-nos uma experiência holística (cruza amigos do passado, amigos do presente e amigos desconhecidos, quem sabe do futuro) e mística, porque dá-nos palco, seguidores e um sentido para a vida. Não admira que se tenha tornado uma religião.

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.05.17

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  Fátima - A Profecia que Assusta o Vaticano, de João Céu e Silva

Investigação

(Edição Porto Editora, 2017)

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Pelos Caminhos de Fátima

por João Pedro Pimenta, em 13.05.17

Estive a ver a chegada do Papa a Fátima e a procissão das velas. Mesmo o mais empedernidos dos descrentes deve ter sentido uma pontinha de comoção ao ver toda aquela alegria e devoção. Não estou em Fátima, com pena minha, mas não estou especialmente treinado para fazer longos percursos em bicicleta em pouco tempo, como me propuseram, e combinações de última hora acabaram por não surtir efeito. Por isso, assisto às cerimónias pela televisão.

 
Todos os anos sucedem-se as peregrinações a pé até Fátima. A esmagadora maioria dos peregrinos segue pela estrada, com todos os perigos que isso acarreta. Mas não têm necessariamente de o fazer.
Têm caminhos alternativos, por troços secundários e mais seguros, tal como acontece como os que vão para Santiago.
Os Caminhos de Fátima são um projecto do Centro Nacional de Cultura e uma ideia original de Helena Vaz da Silva. Pretendem levar os peregrinos em segurança desde o ponto de partida, seja ele qual for, até ao santuário de Fátima. Para já não há muitos albergues e pontos de descansos. Mas há indicações, muitas, que mostram a quem por eles segue a direcção do seu destino. As setas azuis, em fundo branco ou não, indicam o rumo até à Cova da Iria.

 

 
Nas últimas semanas, e com a aproximação do Centenário de Fátima, várias equipas de voluntários, entre os quais o escritor destas linhas, entretiveram-se a desenhar ou redesenhar as setas do caminho. Boa parte do traçado é dividido com o Caminho de Santiago, aproveitado para fins idênticos, indo cada uma na direcção inversa do outro. Assim, as setas azuis "esbarram" nas amarelas.

 

 
Os Caminhos de Fátima dificilmente alcançarão a importância cultural dos de Santiago. Há que recordar que os trajectos até à cidade do Apóstolo vêm desde tempos imemoriais, têm mais de mil anos, e durante séculos foram as únicas vias terrestres a servir esse importantíssimo ponto de peregrinação. Os Caminhos de Fátima nasceram na época do GPS, da net, das autoestradas e do transporte individual, e portanto nunca alcançarão a mesma notoriedade, nem são para já um "clássico" das peregrinações a pé. Mas cumprem o seu propósito, dando aos peregrinos uma segurança que não têm na estrada. Além disso, permitem-lhes conhecer melhor o país, observar mais atentamente a paisagem e descobrir pormenores singulares. No troço que coube à minha equipa, por exemplo, e que começava em Conímbriga, (a mais importante estação arqueológica romana de Portugal), passei por uma aldeia chamada Fonte Coberta que nem consta dos mapas, mas que em tempos acolheu o grão-duque da Toscana Cosme III de Médicis na sua ida para Santiago e o Marechal Soult na sua debandada da 3ª Invasão, por caminhos de floresta onde se praticava motocross, por vales de rios secos e perto de castelos no alto de penhascos aparentemente inacessíveis.
 
Fátima é um ponto de chegada, de fé e de devoção, mas pode ser também um caminho de esforço e de resiliência sem ser um tormento, e sobretudo sem ser um perigo latente que obrigue a caminhar na margem da estrada. Talvez os Caminhos não sejam ainda muito usados nem sejam ainda vistos como a alternativa aos mais conhecidos. Por isso mesmo, este Centenário pode significar não uma oportunidade menos aproveitada mas sim a alavanca para percursos mais seguros e interessantes e que dê  a quem os use uma nova perspectiva do país, até aí escondida pelas "ruas da estrada"e pelo trânsito incessante.

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Canções do século XXI (43)

por Pedro Correia, em 13.05.17

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Ouch!

por Rui Rocha, em 12.05.17

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O Papa esquecido

por Pedro Correia, em 12.05.17

 

Pela minha vida já passaram cinco Papas. Vi três deles: Paulo VI em Roma, João Paulo II e Bento XVI em Lisboa. Não estive ainda com o Papa Francisco e João Paulo I teve um mandato tão breve - e hoje tão esquecido - que mal chegou a exercer o magistério como condutor da Igreja Católica. Ele que dizia preferir, acima de tudo, ser "catequista de paróquia".

Recordo a emoção generalizada - no mundo católico e não só - quando Albino Luciani foi apresentado urbi et orbi como sucessor do Trono de Pedro, a 26 de Agosto de 1978, adoptando um nome composto - e quebrando assim uma regra ancestral - em homenagem aos seus predecessores imediatos, João XXIII e Paulo VI. Recebeu logo o cognome de "Papa do Sorriso" pelos modos afáveis que revelou ao assomar à varanda da Basílica, no Vaticano.

Deixou um rasto efémero e meteórico na Igreja - mas uma memória indelével em quantos o viram sorrir naquele dia estival, contrastando com a gravidade solene do antecessor. É de João Paulo I que me lembro com frequência quando vejo ou escuto Francisco: sinto-os irmanados pelo mesmo espírito fraterno e caloroso. E nunca deixo de me emocionar com as últimas palavras do Papa Luciani - que visitara Fátima em 1977, como patriarca de Veneza - proferidas perante uma assembleia de católicos italianos a 27 de Setembro de 1978.

"O povo da fome interpela de maneira dramática o povo da opulência. A Igreja estremece perante este grito de angústia. (...) Ninguém tem a prerrogativa de usar em exclusivo um bem em seu benefício, além do necessário, quando existem pessoas que morrem por não ter nada."

Horas depois o sorriso apagou-se para a eternidade, envolto em silêncio e mistério: caía o pano nos austeros aposentos do Palácio Apostólico. O pontificado de João Paulo I durou só 33 dias.

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Paulo Mendes Pinto directo de Fátima

por Patrícia Reis, em 12.05.17

https://www.publico.pt/2017/05/12/culturaipsilon/noticia/o-circo-mediatico-em-fatima-1771948

 

O circo mediático, as televisões, os crentes.

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Música recente (95)

por José António Abreu, em 12.05.17

Thurston Moore, álbum Rock N Roll Consciousness.

Cinco temas, o mais curto com seis minutos (no vídeo, surge amputado), o mais longo com quase doze, dos quais sete e tal puramente instrumentais. Por vezes faz pensar nas barragens de som que os Sonic Youth (de que Moore fazia parte) emitiam nos concertos ao vivo, outras vezes remete para um registo mais zen (ou talvez hippie).

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Escola pública

por Rui Rocha, em 12.05.17

Devido à tolerância de ponto decretada pela visita do Papa, hoje as escolas públicas estão vazias. Não há auxiliares de acção educativa. Não há alunos nem professores nas salas de aula sem crucifixos.

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Convidada: ALICE ALFAZEMA

por Pedro Correia, em 12.05.17

 

Balancé

 

Faz este ano precisamente dezassete anos que a minha mãe morreu, era Maio, o Dia da Mãe calhou num domingo dia sete e ela foi na terça dia nove. Foi levada pelo sono da tarde, nem uma expressão de dor, apenas ficou o frio extremo que eu jamais pensei existir.

Os meus avós eram pescadores, o meu pai também, pessoas habituadas ao risco e conhecedoras da morte. A minha mãe tinha uma doença incapacitante que a podia devorar a qualquer momento, no entanto ela era uma animadora de espíritos, isso fascinava-me. Como podemos viver em consciência lado a lado com a Vida e a Morte? Afinal não é isso o que fazemos todos os dias sem o notarmos? Sabemos apenas que existimos.

A consciência da sua finitude e uma fé imensa davam-lhe uma energia e um amor incondicional àquilo a que vulgarmente se chama de Amor pela Vida. A sua vontade férrea naquilo que queria conhecer, as coisas que não ficaram por dizer. Os abraços que demos e as vezes que chorámos como forma de alívio. Não deixámos nada para amanhã, foi tudo feito num hoje único. Vivemos coisas simples, apreciámos coisas simples, coisas banais, como o barulho da chuva, a cor de uma joaninha, a surpresa de ver a erva a crescer. Rimos muito, rimos quando havia motivo para rir e rimos também quando nos apetecia chorar, quando nos apetecia desistir.

A morte faz balancé na vida. Para cima, para baixo, para cima, para baixo, mais rápido, mais devagar, parado, a começar, a acabar. O que fizemos juntas nesse balancé ficou em mim, às vezes vem de mansinho, em sonhos, em cheiros, em paladares. Não são coisas palpáveis, são coisas minhas.

 

 

Alice Alfazema

(blogue ALICE ALFAZEMA)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 12.05.17

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  O Sol Bailou ao Meio-Dia - A Criação de Fátima, de Luís Filipe Torgal

Prefácio de Fernando Rosas

Investigação

(Edição Tinta da China, 2017)

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 12.05.17

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Joana Gama

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Canções do século XXI (42)

por Pedro Correia, em 12.05.17

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196 visualizações por hora

por Pedro Correia, em 11.05.17

Nos últimos dois dias, terça e quarta-feira, recebemos aqui no DELITO DE OPINIÃO 5728 visitas e registámos 9432 visualizações. Números que correspondem a 119 visitas e 196 visualizações por hora.

Agradecemos aos leitores de sempre e aos leitores recentes. Com a promessa de que tudo faremos para continuar a merecer o vosso agrado.

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Les beaux esprits se rencontrent

por Luís Menezes Leitão, em 11.05.17

Sócrates acusa Ministério Público de "caça ao homem".

 

Lula diz-se alvo de uma "caçada jurídica".

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Estações

por Rui Rocha, em 11.05.17

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Reflexão do dia

por Pedro Correia, em 11.05.17

 

«Um debate por vezes muito intolerante, a propósito da tolerância de ponto que o Governo concedeu para amanhã, dia 12. Um debate que tem quase sempre ignorado o fácil desvirtuamento que se tem feito do conceito de tolerância de ponto. E que, de novo, vai buscar estafados argumentos sobre a traição à laicidade do Estado. Como se os crentes católicos não fossem, também eles, cidadãos de corpo inteiro, com direito a não ser menosprezados pelo Estado.

Aliás, para acabar com esta influência católica sobre o Estado (ou judaico-cristã, para alargar mais o âmbito), tenho uma proposta simples: acabar com o gozo de sábados e domingos enquanto dias de descanso. Afinal, essa pesada herança religiosa que foi a instituição de um dia de descanso semanal (o sábado judaico e o domingo cristão) ainda é, seguramente, uma ameaça à laicidade. Por arrastamento, poderia acabar-se com todos os feriados que cheirem a catolicismo: desde logo, os vários dias de férias à volta do Natal e do Ano Novo (feriado religioso, na sua origem), a "ponte" da Páscoa e todos os outros.»

António Marujo, no Diário de Notícias

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Lido e ouvido

por Pedro Correia, em 11.05.17

Esta semana, para não variar, tem sido farta em pérolas informativas.

Fiquei a saber, por exemplo, que “dezenas de voos ficaram em terra”, provavelmente devido à força da gravidade. E que o aeroporto de Lisboa tem “freeport”. E eu a pensar que “freeport” era em Alcochete, simpática povoação onde um certo primeiro-ministro queria à viva força inaugurar um aeroporto cheio de freeshops

Isto enquanto alguém especializado em politologia, analisando as presidenciais francesas, lembrava doutamente que “Sarkozy foi em 2012 o primeiro Presidente em funções a não conseguir garantir a reeleição”. Esquecendo que Valéry Giscard d’ Eistang era igualmente inquilino do Eliseu, em funções desde 1974, quando em 1981 foi derrotado nas urnas por François Mitterrand.

Vou continuar a coleccionar estes cromos. Daqui a uns meses terei uma bela caderneta.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 11.05.17

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 Os Dias Não Andam Satisfeitos, de Joaquim Pessoa

Poesia

(Edição Edições Esgotadas, 2017)

"Por opção do autor, a presente obra não segue o Novo Acordo Ortográfico"

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De Volta dos Livros

por Francisca Prieto, em 11.05.17

O apelido de William Faulkner é, na realidade, "Falkner". Parece que o tipógrafo que assumiu os comandos do seu primeiro livro se enganou, acrescentando um "u" e que o escritor preferiu viver com um novo nome do que maçar-se a corrigir o seu editor.
Ao contrário do que se pensa, afinal há autores que não são nada picuínhas.

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Só vinte?

por Sérgio de Almeida Correia, em 11.05.17

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(créditos: Expresso)

A mim admira-me que sejam só vinte, porque bom bom era serem aí umas sessenta, ou umas oitenta, sei lá, de Santarém até Setúbal, cobrindo toda a área metropolitana de Lisboa e arredores. Se possível com uma extensão ao Aeroporto "Internacional" de Beja, em regime de PPP, para se poder encaixar a malta amiga, e com o aval da CGD. E depois entregar a gestão disso a Sérgio Monteiro. Quer-me parecer que desta vez faltou um pouco mais de rasgo na proposta de Assunção Cristas. Ninguém é perfeito.

Como diria um amigo meu, "isto promete uma remontada épica". Obrigado, António.

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Na morte de B.B.

por Inês Pedrosa, em 11.05.17

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Baptista-Bastos foi um escritor bem bom. Escrita sensorial, a dele - com cheiro, cor, corpo, ritmo. Fulminante na ironia, felino na narração das contradições do tempo e das pessoas, dono um vocabulário preciso, imaginativo e riquíssimo. Quem quiser saber como era o Portugal urbano e pseudo-intelectual amansado pela ditadura tem de passar pelos seus romances. Pareceu-me sempre muito subestimado enquanto romancista, creio que por ser jornalista. Havia (e há ainda, mas não posso dizê-lo porque lá virão umas doutas almas dizer que sou parte interessada) na intelligentzia local um entendimento geral segundo o qual médicos ou professores dão bons romancistas: jornalistas, nunca: sapateiros a quererem ir além da chinela. Esse entendimento era (e é) acirrado pelos próprios camaradas jornalistas, que odeiam os camaradas que escrevem livros, pelo menos enquanto eles próprios não os escreverem também. Reli há meses O Secreto Adeus e Elegia para Um Caixão Vazio e confirmei: resistem ao tempo, à releitura. Lêem-se de um trago, fazem-nos sorrir, pensar. E amar melhor Lisboa, apesar de todas as suas mazelas, ou precisamente por causa delas. B.B. pintava a cidade com engenho e arte.   

"O adjectivo é a prosa a tomar partido", disse-me o BB, era eu uma miúda recém-chegada aos jornais. BB era gentil com a miudagem, e sem paternalismos. A união destas duas características, na época, era rara nos jornais. O Fernando Assis Pacheco e o Fernando Dacosta faziam questão de ser assim: poucos mais. À distância percebe-se como o ser e o escrever afinal se entrelaçam: os atentos, os sensíveis, os disponíveis, os ternos, os cáusticos, os autênticos, eram também os de melhor texto. "Não tenhas medo do adjectivo: o adjectivo é a prosa a tomar partido", repetia, então, o B.B. Respirei fundo, cheia de alegria: passava a vida a ouvir discursos contra os adjectivos proferidos por poderosos jornalistas que tinham chegado aos cabeçalhos da imprensa com um mini-vocabulário de Cartilha Maternal de João de Deus, em versão pornográfica.

B.B. tomava partido: essa era uma das coisas que eu apreciava nele, concordasse ou não (muitas vezes não) com os partidos que ele tomava. Nunca sofreu da famosa má-língua nacional, indústria caseira produzida em barracas clandestinas, mais rápida a estragar fígados do que a produção vinícola. Não praticava aquela cortesia tão portuguesa de esperar que uma pessoa vire costas para começar a falar mal dela. Pegava-se de caras. Amava e odiava sem hipocrisias. Sabia que nada estraga tanto a escrita como a hipocrisia e a videirice. 

B.B. continuará vivo enquanto for lido. Da minha vida não desaparecerá. 

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Canções do século XXI (41)

por Pedro Correia, em 11.05.17

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Hei-de perguntar à Lisete, amanhã...

por Helena Sacadura Cabral, em 10.05.17

A rotina era sempre a mesma. Saía de casa mal amanhado e ia para o jardim do Principe Real. Agora nem isso, aquilo estava transformado num pandemónio, nem o seu banco lhe deixaram, tão atafulhado aquilo estava. Nem sei porque é que para aqui venho pensava enquanto apertava a banda do casaco, que a manhã estava fria. Era a Lisete que o levava ali. A Lisete quando era viva, pois fora naquele banco de jardim que a conhecera. Ela tinha-lhe sorrido e foi esse sorriso que os havia de juntar. Tanto amor. E o José era a prova, não se lembrava de quando é que o vira, mas sabia que ele estava bem, porque senão alguém havia de lhe dizer que ele estava mal. 

A tosse, esta maldita tosse, que viera com o fim do tabaco, mas ao preço a que ele estava, como não deixar de fumar? Fora isso que o médico do Centro de Saude lhe tinha dito, que não havia dinheiro para vícios. 

Lá estava o banco cheio de embrulhos, paciência, ia-se sentar no da frente. A Lisete havia de gostar de saber que ele continuava a ir ao jardim dela. Mas este banco apanhava sol e ele queria mesmo era sombra. Sombra? Sombra que bastasse tinha ele lá no quartito onde vivia. Apesar disso, não se mexeu. 

Para quê mexer se daqui a bocado o sol vira sombra, era o que lhe diria a Lisete que já explicara isso ao filho. Será que o Zé também terá explicado o mesmo ao filho dele? Como é que o miúdo se chamava? Parece que era Bernardo, mas que nome mais esquisito. Mas ele não conhecia o garoto, por isso não tinha que o chamar. Se a Lisete fosse viva havia de saber chamá-lo, mas talvez esteja enganado. Hei-de perguntar à Lisete, amanhã...

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Quase que chorou

por Patrícia Reis, em 10.05.17

A minha avó ligou ao meu filho para saber coisas sobre o real e o atlético, não percebi nada da conversa. Depois ele mandou beijos, despediram-se e continuou a falar do Salvador Sobral e eu pensei: há meses e meses que temos o disco, tem de o ouvir. E ele disse: "Quando o vi hoje quase que chorei, é o novo Éder". Não preciso de sugerir que vá ouvir o disco, parece-me.

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Lai, lai, lai

por Teresa Ribeiro, em 10.05.17

 

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É sempre a mesma lamúria. E cada ano começa mais cedo. O secretário de Estado da Administração Interna já veio a público anunciar que a área do País ardida desde Janeiro é 12 vezes maior que em período homólogo do ano passado. Dito isto, anunciou investimento em mais meios de combate aos incêndios. Os tais que aumentam à medida que aumentam os fogos (não deveria acontecer o contrário?) 

Mas o que fica por explicar é porque há países que ardem e países que não ardem. Porquê, senhor secretário de Estado?!

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Já li o livro e vi o filme (184)

por Pedro Correia, em 10.05.17

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 A MÁQUINA DO TEMPO (1895)

Autor: H. G. Wells

Realizador: Simon Wells (2002)

Clássico dos clássicos na ficção científica, obra de culto entre os apaixonados do género, este romance já seduziu várias gerações de leitores. O filme, cheio de concessões aos ditames da correcção política, é fraco sucedâneo.

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Penso rápido (83)

por Pedro Correia, em 10.05.17

Jean-Luc Mélenchon, o representante da esquerda radical na recente campanha presidencial francesa, patinou em toda a linha. Num momento em que se exigem mais que nunca posições claras dos políticos, sem ambiguidade de qualquer espécie, o ex-socialista preferiu chutar para canto, evitando recomendar o voto na segunda volta desta corrida ao Palácio do Eliseu. Equiparando assim de algum modo Emmanuel Macron a Marine Le Pen. Uma ambivalência que lhe valeu muitas críticas e contrastou com o ocorrido em 2002, quando  assumiu a preferência pelo conservador Jacques Chirac na segunda volta das presidenciais, contra Jean-Marie Le Pen, pai de Marine.
Desta vez o ódio a Macron - um centrista moderado, bastante mais próximo da esquerda do que alguma vez Chirac foi - falou mais alto, levando o vacilante Mélenchon a imitar a atitude de Pilatos.
Lavou as mãos.
E os Pilatos, como é sabido, nunca ficam bem na história.

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