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Canções do século XXI (141)

por Pedro Correia, em 19.08.17

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A ler

por Diogo Noivo, em 18.08.17

 

Vamos ganando, de Jorge Galindo, na Jot Down.

 

 

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Como é possível não gostar do "General Lee"?

por Alexandre Guerra, em 18.08.17

Quantas horas passadas frente à televisão a ver os primos Duke a fazer as suas travessuras em Hazzard County ao volante do "General Lee". A questão é que na América de hoje, muito provavelmente, esta série não passaria no crivo dos puritanos de serviço.

 

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Não acertam uma

por Pedro Correia, em 18.08.17

 

17 de Agosto:

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, José Luis Carneiro, disse hoje à Lusa que não há portugueses entre as vítimas do atentado de Barcelona

 

18 de Agosto:

Portuguesa de 74 anos entre os mortos em Barcelona, havendo outra desaparecida, informa o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas

 

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Música recente (123)

por José António Abreu, em 18.08.17

Dale Crover, álbum The Fickle Finger of Fate.

O baterista dos Melvins apresenta um conjunto de 20 temas - muitos dos quais apenas esboços sonoros com menos de 60 segundos - em que a faceta heavy se deixa contagiar por uma sensibilidade pop - e também por pura extravagância. Honestamente, tão depressa parece genial como absurdo. Mas - ei - ainda estamos na silly season, não é verdade?

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Frases de 2017 (33)

por Pedro Correia, em 18.08.17

«O Governo fez a maior reforma que a floresta conheceu desde os tempos de D. Dinis.»

Capoulas Santos, ministro da Agricultura, em entrevista à Lusa

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Convidado: JOSÉ CATARINO

por Pedro Correia, em 18.08.17

 

O velho Défice, o neto Empréstimo e o burro Pibe

  

Com a despensa vazia, o Velho Défice resolveu ir aos Mercados. Albardou o Pibe, levou consigo o neto Empréstimo para aprender a comerciar. Contentes todos como a madrugada que se abria em luz, cantorias e promessas, por razões diferentes embora: Grandes negócios vamos fazer, e o Velho esfregava as mãos de contente. E o Neto Empréstimo, mais interessado no passeio, caras novas, a antecipar barracas de feira repletas de brinquedos, carrosséis e carrinhos de choque, finge interesse nos negócios: Como nos receberão nos Mercados?

Não vês tu este dia radioso, que nos augura negócio vantajoso?

Antes nada dissesse: logo o céu enegrece, vem o vento agreste, esfria o ar matinal, desaba forte temporal. Mau prenúncio.

E uma turista para outra, vinda dessas alemanhas, a pedalar rijo na bicicleta para perder as banhas: Coisa estranha esta é! O malandro do Velho folgado a cavalo, o pobre Moço a pé!

Acabrunhado, diz o Velho para o petiz apeado: Troquemos, monta tu o Pibe a cavalo antes que alguma alemoa nos pregue um estalo.

Comenta um loiro, finlandês talvez: Coisa nunca antes vista, a cavalo o rapaz, a pé o pobre velho já incapaz.

Montemos então os dois o Pibe, a ver se essas agências não ralham mais, diz o Velho Défice. Que dirão de nós nos Mercados?, demanda ao Empréstimo, sobrolho carregado.

Que fazeis, desalmados? Ah, não aparecer a Protecção dos Animais! Não vedes que assim o pobre Pibe esmagais?

Apeemo-nos, vamos à pata, que o Pibe siga seu caminho aliviado, até lhe solto a arreata.

Logo, logo, coro de protestos indignados: Coisa jamais vista, Défice e Empréstimo apeados para o Pibe se sentir aliviado!

E o Velho, sempre atento às vozes do Mundo: Levemos então nós o Pibe às costas.

Gargalhadas trocistas de uns deputados socialistas: O Velho Défice agora é avarento e carrega às costas o Jumento! E as moças do Bloco, para lhes não ficar atrás: Uma criança ajoujada sob o peso da montada! Para que quereis tal asno, a que Pibe chamais, se nele não montais, antes às costas o carregais como se fôsseis vós os animais?

E o Velho Défice, sem outras ideias, pergunta-me, como se a sábio se dirigisse: Diz-me tu, ó Zé, que muito estudaste, Que farei com esta montada, Pibe chamada, como contentarei as agências e calarei as vozes do Mundo, que faça o que fizer, me criticam a cada segundo?

E eu opino também: Devias saber, ó Velho, que quem quer ganhar eleições põe-nos o burro sobre o costado. Depois, é bem sabido, é sempre o povo o sacrificado.

 

 

José Catarino

(blogue JOSÉ CATARINO)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.08.17

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 O Pranto de Lúcifer, de Rosa Lobato de Faria

Romance

(reedição BIS, 2017)

"Este livro segue a grafia anterior ao Novo Acordo Ortográfico de 1990"

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O drama

por Sérgio de Almeida Correia, em 18.08.17

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 (Aqui)

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O primeiro atentado

por Diogo Noivo, em 18.08.17

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Era mais um dia normal de serviço no restaurante. Mas em poucos segundos tudo mudou: um engenho explosivo colocado junto ao balcão foi detonado matando 18 pessoas e destruindo uma parte importante do restaurante "El Descanso", situado no quilómetro 14 da estrada Madrid-Barcelona. Foi no dia 12 de Abril de 1985. Cerca de 16 anos antes dos atentados de 11 de Setembro, nos Estados Unidos da América, Espanha sofria o seu primeiro ataque jihadista. Esta acção terrorista foi reivindicada por uma organização intitulada Jihad Islâmica, embora os detalhes da operação - autores materiais e morais, propósito, perfil da organização, etc - ainda hoje estejam por esclarecer.
O atentado de ontem em Barcelona é mais um episódio repugnante e condenável de uma longa e tortuosa história. Em Espanha, a Catalunha é a região com maior incidência de actividade jihadista desde há bastantes anos. De resto, como refere Ignacio Cembrero no livro La España de Alá, 50 das 98 mesquitas e oratórios salafistas sinalizados pelo Ministério do Interior estão na Catalunha. Por lá passaram organizações terroristas de diferentes países, da Argélia ao Paquistão. O problema é grave, mas não é novo. Em suma, e enquanto a poeira não assenta, importa evitar análises apocalípticas e especialistas de ocasião.

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 18.08.17

 

La tarde en que vimos el suelo de Las Ramblas. De Juan Soto Ivars, no El Confidencial.

Las tres duras lecciones que deja el atentado de Las Ramblas. De Jason Burke, no El Diario.es

Llorar no es suficiente. De Rosa Díez, no El Español.

 

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Pensamento da semana

por Joana Nave, em 18.08.17

Na antecipação do que há-de vir, na angústia da memória que nos precede, esquecemo-nos frequentemente de viver. O presente é a única certeza que temos e também o único momento que podemos controlar. Aceitemos esta dádiva de vida plena!

Este pensamento acompanha o DELITO durante toda a semana

 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 18.08.17

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Dafne Fernández

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Canções do século XXI (140)

por Pedro Correia, em 18.08.17

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Já li o livro e vi o filme (195)

por Pedro Correia, em 17.08.17

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   O DESPREZO (1954)

Autor: Alberto Moravia

Realizador: Jean-Luc Godard (1963)

Brigitte Bardot filmada por Godard naquele que é talvez o mais deslumbrante filme da fugaz carreira dela. Rodada na ilha de Capri, com Michel Piccoli, Jack Palance e Fritz Lang no elenco, a película supera o romance homónimo de Moravia, em grande parte pelos cenários deslumbrantes e pela sua fotografia inesquecível.

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Dois meses sempre a arder

por Pedro Correia, em 17.08.17

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1

A tragédia de Pedrógão Grande, que enlutou o País e foi notícia em todo o mundo, ocorreu há exactamente dois meses. Desde então nada melhorou: Portugal tem continuado a arder imparavelmente, perante contínuas demonstrações de impotência das autoridades nacionais e municipais.

Desde o início do ano, já arderam mais de 165 mil hectares de terreno florestal e agrícola em consequência dos 10.146 incêndios oficialmente registados entre Janeiro e Agosto. Uma área equivalente à do concelho de Lisboa multiplicada por 16 e muito superior, em menos de oito meses, aos 115 mil hectares consumidos pelas chamas em 2016. Vivemos uma autêntica catástrofe ambiental. A Quercus alerta: "Incêndios estão a ter impacto na qualidade do ar e da água."

 

2

Algumas notícias das últimas 48 horas: 80% a 90% do concelho de Mação ardeu; Fogo no Fundão é o mais preocupante; Incêndio em Vila de Rei está "novamente descontrolado"; Colégio de São Fiel consumido pelo fogo em Louriçal do Campo; Fogo na Serra da Estrela destrói importante zona ambiental; Fogos preocupam em Santarém, Castelo Branco, Vila Real e Coimbra.

No sábado passado, um triste e lamentável recorde foi batido: o do maior registo de fogos ocorridos em Portugal num período de 24 horas - um total de 268 "ocorrências", segundo o eufemismo agora em voga.

Felizmente não há a lamentar mais mortos, além das 65 vítimas de Pedrógão. Mas só numa semana, entre 8 e 14 de Agosto, registaram-se 74 feridos. Entretanto os bombeiros queixam-se da  falta de apoio para alimentar os voluntários que combatem as chamas. Um cenário digno do terceiro mundo no País da Web Summit, das start-ups e da invasão turística.

 

3

Enquanto vemos grande parte do território nacional ainda mais desertificado pela acção dos fogos que destruíram dezenas de vidas humanas e têm devastado flora e fauna a um ritmo alucinante, os responsáveis políticos continuam a revelar uma confrangedora inaptidão para enfrentar esta calamidade. Isto ficou bem patente numa das mais recentes aparições públicas da ministra da Administração Interna, apontando "falhas de disponibilidade e de desempenho" a entidades sob a sua tutela directa - desde logo a secretaria-geral do seu próprio ministério.

Chegamos ao ponto de presumir que as consequências poderiam ter sido ainda mais trágicas, segundo o cenário de gritantes incompetências tornado público pela ministra: "descoordenação no posto de comando da Autoridade Nacional da Protecção Civil (ANPC)"; contínuas falhas de comunicações do Sistema Integrado das Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP), que custa 40 milhões de euros anuais aos contribuintes; "falta de articulação entre a secretaria-geral da Administração Interna, PSP, ANPC e GNR no que diz respeito à detecção dos problemas".

Tratando-se de entidades sob a sua tutela, é caso para perguntar por que motivo Constança de Sousa tarda tanto a retirar consequências políticas desta cascata de fracassos, renunciando às funções que tão mal tem desempenhado.

 

4

Passados dois meses de virtual paralisia política, continuamos sem um pacto nacional, interpartidário, para o combate a este flagelo - que devia contar com o alto patrocínio do Presidente da República.

O Parlamento aprovou um mero paliativo alcunhado de "reforma" e foi de férias, deixando o País a arder e o ministro da Agricultura, sem a menor noção do ridículo, a vangloriar-se de coisa nenhuma, comparando-se ao Rei D. Dinis com um despudor que envergonha decerto até alguns dos seus colegas do Executivo. Lá para Outubro, após umas retemperadoras férias e a campanha autárquica, se lhes apetecer, os senhores deputados voltarão a pensar no assunto.

Tarde e a más horas, alguém se lembrará enfim de reactivar as acções de vigilância florestal, estendendo ao conjunto do território nacional as experiências já concretizadas com êxito, em tempo útil, na Serra de Sintra e no Parque Nacional da Peneda-Gerês.

A palavra-chave é mesmo esta: vigilância. Qualquer estratégia nacional de combate a este flagelo implica a  reposição da carreira de guardas florestais que durante décadas acautelaram com sucesso a progressão de fogos nas matas.

Tendo 90% destes incêndios  "origem humana", como garante um ex-comandante operacional nacional de operações de socorro da proteção civil, e detectando-se "mão criminosa" em boa parte destes incêndios, segundo assegura o secretário de Estado da Administração Interna, a primeira etapa terá de passar sempre pela reactivação dos postos e das brigadas de vigilância florestal. É esta, sem surpresa, a posição do presidente da Liga dos Bombeiros, lembrando que nestes dois meses houve mil fogos que começaram de noite.

O resto é demagogia política que já não ilude ninguém.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 17.08.17

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 Caixa Negra, de Diogo Cavaleiro

Investigação

(edição Oficina do Livro, 2017)

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Um caso exemplar

por Sérgio de Almeida Correia, em 17.08.17

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Certamente que todos se recordam de alguns "apagões" ocorridos há alguns anos em Portugal e que a nossa querida EDP veio justificar com a insana actividade das cegonhas. O caso passou, como passaram muitos outros, sem consequências de maior. Alguns bem mais recentes. Por isso mesmo, antes que se perca a oportunidade, gostaria de aqui vos dar a conhecer o que aconteceu esta semana em Taiwan e que de tão bizarro não posso deixar de vos referir.

Por razões na altura ainda desconhecidas, na passada terça-feira, 15 de Agosto, Taiwan enfrentou um apagão, por estes lados designado por blackout, que afectou quase sete milhões de habitações, edifícios de escritórios e estabelecimentos comerciais, mergulhando a ilha Formosa no caos e na escuridão. Seis geradores da maior central de gás natural, a Data Power Station, em Taoyuan, colapsaram provocando uma quebra de 4 gigawatts. Eu que nada percebo de electricidade presumo que seja muito pelo destaque que a notícia mereceu na imprensa local e internacional.

Na cidade de Taipé, os semáforos deixaram de funcionar, bem como noutras áreas da região metropolitana, e houve vários departamentos públicos que também sofreram as consequências. Em resultado disso, os bombeiros receberam centenas de chamadas telefónicas, apesar do episódio não ter afectado os aeroportos, as ligações ferroviárias de alta velocidade, nem as autoestradas. Mais tarde, ficou a saber-se que tudo se ficou a dever a erros de operação, erros técnicos e humanos, portanto, no abastecimento de gás natural à central por parte da CPC Corporation, uma espécie de Galp lá da terra. O problema ficaria resolvido quatro horas depois com o restabelecimento do fornecimento de energia e o regresso à normalidade.  

Mas ficou mesmo? Então não é que logo no dia seguinte, imagine-se, o conselho de administração da Taiwan Power Corporation, uma empresa pública (também as há em estados capitalistas e de economia de mercado), deu uma conferência de imprensa para pedir desculpas pelo sucedido?

Também a Presidente de Taiwan e o primeiro-ministro Lin Chuan vieram penintenciar-se pelo que aconteceu, e fizeram-no já depois de, ainda mais incrível, o ministro da Economia, Lee Chih Kung, que como todos devem calcular deve ser o tipo que anda pelas centrais das empresas de energia que o seu ministério tutela a controlar os fornecimentos e a supervisionar o serviço dos técnicos, a carregar nos botões quando aqueles não o fazem, apresentou a demissão. A demissão. O tipo não fez a coisa por menos.

Por inacreditável que aí por terras lusas possa parecer, a Presidente de Taiwan ainda teve o desplante de dizer à opinião pública do seu país que o incidente pura e simplesmente não devia ter acontecido, e que a quebra do fornecimento de energia não é apenas um problema que afecta a vida das pessoas, mas matéria de segurança nacional. 

Como os leitores calculam, é óbvio que nada disto se aplica ao que se passa em Portugal, onde, com excepção do caso de Entre-os-Rios e das regulares "chicotadas psicológicas" nas equipas de futebol, nada de relevante acontece. Seja no país, nos ministérios, nos partidos políticos, nos tribunais, nas autarquias locais, no sistema bancário, nas empresas públicas ou nas entidades com participação do Estado.

Em Portugal só temos ninharias. Haver bancos e empresas de referência que vão à falência, milhares de depositantes que ficam pendurados, governantes e parlamentares que mentem descaradamente para se protegerem e protegerem a sua pandilha, outros que vivem da caridade dos amigos e da que fazem aos amigos, alguns que lá sobrevivem facilitando e agilizando negócios, dando o dito por não dito, ora recebendo umas míseras ajudas de deslocação ou uns robalos, alguns desconhecendo os impostos que têm de pagar, dirigentes de bancos públicos que querem manter o estatuto que tinham nos bancos privados, um morto aqui, um morto ali, uns arbustos que ardem, umas granadas que desaparecem, uma árvore que cai, privatizações que passado pouco tempo se percebe que deviam dar prisão, enfim, nada disso justifica atitudes tão exageradas como as que tiveram lugar em Taiwan.

Também, com o Verão em grande, o mar tão azul e as autárquicas a caminho quem é que quer saber destas trapalhadas que acontecem numa democracia do outro lado do mundo? 

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 17.08.17

 

AO Meu Quintal.

 

 

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Canções do século XXI (139)

por Pedro Correia, em 17.08.17

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Quarenta anos sem Elvis Presley

por Pedro Correia, em 16.08.17

Elvis Aaron Presley morreu faz hoje 40 anos. Mas a sua música permanece bem viva. É dia para escutá-la, uma vez mais.

Aqui ficam três das canções dele de que mais gosto.

 

 

De Arthur Crudup (1946). Gravada por Elvis em 1954

 

 

 

De Carl Perkins (1955). Gravada por Elvis em 1956

 

 

 

De Howard Barnes e Don Robertson (1953). Gravada por Elvis em 1970

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A missão do jornalismo

por Pedro Correia, em 16.08.17

Há dias, na primeira página de um jornal, li o seguinte título: "Dona da MEO convida mais de 50 trabalhadores a rescindir contratos".

Adoro estes doces eufemismos dos tempos modernos. Eufemismos como o dos recentes "furtos" de Tancos, pondo de lado a rude palavra "roubo", que ainda há pouco ouvíamos proferir a torto e a direito a propósito das mais diversas situações. Ou até a despropósito.

A MEO quer despedir mais de 50 trabalhadores. Tão simples como isto. E tão incómodo, compreendo. Nada que um jornal deva ocultar. Porque a missão do jornalismo é relatar a verdade, não silenciar ou camuflar factos incómodos.

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Convidado: FRANCISCO JOSÉ VIEGAS

por Pedro Correia, em 16.08.17

 

O tempo sem pessimistas

  

As empregadas da perfumaria, a senhora do expositor de Tupperware, a loja das canetas que tem de vender tabaco para sobreviver, a simpatia do criado do restaurante que garante não ter tempo para ver televisão, os miúdos que vão drogar-se ao fundo do parque de estacionamento, a rapariga que entrou a chorar na carruagem do metro. Há famílias desfeitas por tão pouco. Devia existir aconselhamento psicológico nestas ocasiões, enquanto não vem o regresso de férias. Devia haver acompanhamento, uns psis que contassem anedotas no intervalo das tragédias, ou que compreendessem os fenómenos da época: os eclipses, a mancha de neblina em redor da lua, os livros antigos e as selectas literárias, as mulheres que tatuam os ombros, as ementas muito calóricas, os amigos que evitam divorciar-se e procuram casas nos subúrbios. Coisas para tempos da crise futura: bússolas que indicam o caminho que sai dos dois lados da vida e não empata o trânsito à porta dos centros comerciais nem nas estradas secundárias.

 

O que os aflige é o tempo que falta. O poder ilude facilmente, é uma espécie de droga, de volúpia e luxúria amável de onde não podem ser expulsos (fizemos tanto pela pátria, por que é que não podemos ir ver futebol entre os poderosos?). Uma vitamina para a pobre existência de quem quer mudar o mundo a cada minuto, logo de manhã, a qualquer hora. O problema são os bárbaros, os outros, os que não compreendem o esforço nem a gramática (uma espécie de ginástica que saltita entre as grandes frases e as ninharias que se lhes ouve ao telefone), os que duvidam ou não estão para isso. Eles estão sempre para isso, são modernos e sabem manobrar. Há também os que legislam sobre o mundo a toda a hora (trata-se de mudar o mundo a cada minuto, por decreto se possível), apreciam quem expulsa os piolhos e as marcas de ginja no balcão de zinco e proíbe as velhinhas de fazerem croquetes sem emitir facturas. É um módico de civilização, é isso que é necessário. Fazer tudo em nome dela, da civilização – que há-de ser apressada por medidas estruturantes e estruturais, leis sobre o sexo, barrigas de aluguer, coisas sustentáveis, tudo é sustentável e cidadão — e o tamanho da maçã reineta.

 

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É uma das piores raças: os enochatos. O vinho e a sua temperatura, o copo ideal, a colheita, a cortiça, ah bebi um assim em Valladollid quando ia a caminho de Bilbau (ia visitar o Guggenheim), os jantares de degustação, o Can Fabes (ah, mas eles odeiam Santi Santimaría, tão plebeu) e Ferran Adrià (ah, a tortilla com espuma de batata em vez de batata, que descoberta do caralho, uma espécie de Nestum de batata mas sem açúcar, o pior inimigo da humanidade, o veneno que alimenta todos os outros venenos), aroma de aroma de amora, taninos fortes, um vinho único com explosões de carqueja e final de boca de abacaxi, uma gota extenuante, este para a entrada, aquele para primi piatti, o outro para secondi, por aí fora, palatos que debicam sem avançar pelo corpo fora. Há um restaurante onde oferecem um «menu do bem» (juro) que termina com bulgur e bagas gogi.

 

Grandiloquentes, à esquerda e à direita, é a pior raça, detectável ao primeiro parágrafo – um mestrado. Ouvi-os durante uma vida inteira. Nos jornais, nas redacções, nas escadas, nossos amáveis senadores que falharam na pátria mas continuam a dar conselhos. Padres de um religião plebeia, Torquemadas, sábios, coleccionadores. Hoje nada os separa senão a defesa do que resta, das tropas que ocupam a república e que hão de manter relações com gente dos negócios — fazem-no com naturalidade. Sem dificuldade aparente. Sem remorso. Mas sobretudo sem humor. Os pais têm o retrato pendurado na sede de um banco ou num corredor da faculdade; os tios foram íntimos de um ministro que depois trataram de trair com ligeireza; o avô foi comandante de uma companhia de Dragões durante a República e casou com uma prima cujo dote eram terrenos que ainda hoje rendem bastante. Fazem selfies, amam o povo na sua generosidade, prometem tanto.

 

Um dos meus melhores amigos teve os seus tempos de Enver Hoxha, de Mao, de revolução cultural — e de arrependimento. Felizmente, manteve o humor. Soma, àquela nostalgia adolescente, o peso de um sinal da história; relembra as palavras essenciais: operariado, greve, mulheres, riso, humor. Encontramo-nos para falar de América Latina, das cervejas mexicanas, dos ditadores falhados, dos loucos que destroem Caracas ou dos que resistem em Lima ou em Montevideu. Apaixonamo-nos pelos lugares, temos saudades de outro calor, temos saudades dos amigos. Votamos de maneira diferente, ele não tem remorso, não tem dificuldade, mas tem vida e humor. Tem mundo para lá dos ocupantes da República. Comovo-me. Ficamos dependurados de uma livraria enquanto as pessoas passam, à entrada da noite. O mundo podia ter sido de outra maneira; podia ter sido pior, também. Em tempos jantámos altas horas – eu terminava um romance que não acabava, e aproveitava-lhe as histórias, falávamos de Casablanca. «Como será ter uma casa em Casablanca?» Enver Hoxha, Mao, operariado, greve; o mundo mudou, mas o riso permanece. Os outros também, conheci-os com a mesma determinação e usando outro hemisfério do cérebro. Hoje, os seus amigos estão muito fascinados com as barrigas de aluguer e têm um dicionário de expressões sexistas e misóginas que não usam nem diante do pelotão de fuzilamento. Chegámos ao mesmo ponto vindos de sítios diferentes. Contamos as mesmas anedotas de judeus. Chegámos a um ponto em que vemos a república devorada pelas tropas ocupantes, por funcionários de cozinha. Ambos sabemos que a Albânia nunca existiu; eu já lhe tinha dito.

 

 

Francisco José Viegas

(blogue A ORIGEM DAS ESPÉCIES)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 16.08.17

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 A Orgia do Poder, de Pippo Russo

Tradução de António Costa

Biografia não autorizada do empresário Jorge Mendes

(edição Planeta, 2017)

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Não há milagres

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.08.17

O trabalho que a edição de hoje do Público nos dá a conhecer, da autoria da jornalista Cristina Ferreira, é capaz de causar náuseas a muita gente, e não é aconselhável a pessoas sensíveis. Mas pior do que confirmar tudo aquilo de que já se suspeitava é saber que até agora, em Portugal, continua tudo em águas de bacalhau.

Um país que se deixou governar em termos tais que permitiram que acontecesse tudo o que nessa reportagem se descreve não pode queixar-se de nada. Muito menos de "qualquer um" se querer aí instalar. Estão já todos instalados, e bem instalados, há décadas, aguardando serenamente que chegue a hora das abluções. Está feito e é irreversível.

Gestão danosa? Há quem chame outros nomes menos consensuais.

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Leitura recomendada

por Pedro Correia, em 16.08.17

 

Não precisamos de um pseudo D. Dinis. De Rui Ramos, no Observador.

 

 

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 16.08.17

 

Ao Eternas Saudades do Futuro.

 

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Canções do século XXI (138)

por Pedro Correia, em 16.08.17

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Boa escolha!

por Luís Menezes Leitão, em 15.08.17

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Se há coisa que me espanta na política portuguesa, é a facilidade com que os nossos políticos deixam de se dar ao respeito e alinham nas coisas mais inacreditáveis apenas para ganhar um punhado de votos. Esta candidatura de Ágata à Câmara Municipal de Castanheira de Pêra é a demonstração eloquente de tudo o que não deve ser feito na política, como o jornal i bem demonstrou nesta excelente entrevista. A candidata informa à saciedade que nada percebe desta (ou se calhar de qualquer outra) autarquia e que nem sequer se identifica com a lista apoiada pelo CDS que a convidou para número 2, uma vez que confessa que aceitaria um convite de qualquer outra lista. Parece haver aqui um manifesto erro, quer de quem a convidou, quer da própria ao aceitar o convite. Era melhor ter respondido como Groucho Marx, que sempre declarou que nunca aceitaria fazer parte de um clube que tivesse o descaramento de o aceitar como sócio. Se qualquer cantora pode ser autarca, está demonstrado o estado a que chegaram as nossas autarquias. E a culpa é seguramente de quem trata desta forma as candidaturas autárquicas.

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Música recente (122)

por José António Abreu, em 15.08.17

Joywave, álbum Content.

Ao segundo álbum, os nova-iorquinos continuam a fazer pop/rock à base de sintetizadores, mas reforçam a componente ambiental, mantendo quase sempre uma contenção admirável. E depois há a ironia do vídeo abaixo.

 

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Lido

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.08.17

"O delírio é tal que basta ler duas linhas do que expelem esses ditos “comentadores” para perceber que, na maior parte das vezes, nem se deram ao trabalho de ler o que se propõem “comentar”. Para esta turba maledicente é suficiente olhar para o nome que assina a crónica (ou de quem assina um outro comentário) para dar largas à imaginação e mergulhar numa orgia de enxovalhos, capaz de enervar o escritor mais bonançoso. A crónica mais inócua sobre o tema mais inofensivo é capaz de desencadear a mais indignada das reacções destes verdadeiros cruzados da violência verbal, de modo que, o que começou como uma tentativa de promover o debate, a troca de ideias, a argumentação em torno do conhecimento nas suas diferentes formas entre quem opina e quem lê e crítica, rapidamente se transformou num antro de degradantes ataques pessoais. A tentativa mais bem-intencionada de promover discussões construtivas entre os diferentes interlocutores cai rapidamente para o chamado whataboutery, termo que só há pouco conheci, mas que define na perfeição o exercício a que muitos se dedicam: se eu escrevo um artigo sobre “árvores de fruto”, porque é que não falo de “ervas aromáticas”?, tenho alguma coisa contra as ervas aromáticas?, vê-se logo que sou xenófoba (ah, pensavam que a palavra não se aplicava, não era, vão lá ler comentários…)!"

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Até não restar nada para queimar

por Pedro Correia, em 15.08.17

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O País arde. Literalmente. Nunca ardeu tanto como agora. Mais de um terço da mancha florestal europeia queimada ao longo deste ano em toda a União Europeia pertence a este pequeno país com reiterados sonhos de grandeza: 140 mil hectares de zona verde tornaram-se área interdita, carbonizada, danificada, inutilizada. O equivalente a cento e quarenta mil campos de futebol.

Num único dia, sábado passado, houve 268 incêndios - novo e triste e lamentável máximo nacional.

Em muitos destes casos - talvez mesmo na maioria - onde havia árvores nada mais haverá doravante do que mato rasteiro e daninho, futura matéria combustível. Em qualquer dos casos, muitas das populações afectadas - talvez mesmo a maioria - não viverão tempo suficiente para ver crescer árvores outra vez à dimensão de outrora. Numa espécie de prenúncio da morte ainda em vida.

 

Vejo este país a arder. Hoje em Vila de Rei ou Tomar como ontem em Pedrógão. Hoje em Oliveira do Hospital como ontem em Alijó. Hoje em Sabrosa como ontem em Mértola. Hoje em Ferreira do Zêzere e Cantanhede como ontem em Mação ou Abrantes.

As chamas não devastam apenas a paisagem física: destroçam também a paisagem humana e social. Porque as parcelas do País que ardem são as do Portugal desfavorecido, envelhecido, esquecido. Um país que há-de emergir das cinzas ainda mais distante do risonho e soalheiro país litoral, que ocupa sempre a fatia mais volumosa das telediários e das publirreportagens invasoras em grau crescente dos espaços noticiosos, algumas das quais a recomendar-nos hotéis de luxo e restaurantes polvilhados de estrelas Michelin a preços obscenos.

 

Vejo a minha Gardunha a arder, vejo as chamas invadindo essa jóia irrepetível que é a aldeia de Castelo Novo, na vertente sul da serra - e sinto o que sentem tantos outros portugueses perante a destruição de paisagens familiares que lhes são tão queridas.

A fúria, a mágoa, a frustração, a impotência perante o crime e os palradores de sofá em Lisboa que nos intervalos das tricas políticas ainda ousam apontar o dedo acusador aos poucos que persistiam em morar nas zonas agora devoradas pelas chamas, acusando-os de plantar o que não deviam.

Ali quase não havia eucaliptos: havia muitos castanheiros, muitos carvalhos, muitos pomares - com destaque para os cerejais em que se ancorava boa parte da frágil economia local. Tudo isto já pertence ao passado.

 

Empreguei sem reservas nem remorsos a palavra crime porque é disso mesmo que se trata perante fogos iniciados em simultâneo, quase sempre de noite ou de madrugada, em fragas e penedias de difícil acesso. 

É uma palavra de que os políticos fogem, preferindo outras - sem asperezas, sem rugosidades, naquele discurso redondo que tanto cultivam e nada tem a ver com a linguagem comum. Falam nas mudanças climáticas, nos "efeitos do aquecimento global" e nas "décadas de desordenamento das nossas florestas", como se só em Portugal houvesse temperaturas altas e florestas desordenadas.

Refugiam-se no abstracto para iludir responsabilidades concretas.

Nem uma só vez oiço qualquer deles aludir à palavra que parece queimar também. A palavra crime.

 

Enquanto não houver uma mobilização nacional contra os fogos criminosos, enquanto os políticos continuarem a contornar a questão, enquanto não houver a noção inequívoca de que os responsáveis por esta  catástrofe ambiental e humana não podem permanecer impunes, o País continuará a arder.

Até não restar nada para queimar.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 15.08.17

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 Esta Noite Sonhei com Brueghel, de Fernanda Botelho

Romance

(reedição Abysmo, 2017)

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Um herói caído em desgraça

por Diogo Noivo, em 15.08.17

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Em Espanha, Alberto Casillas foi um herói para os manifestantes anti-tudo. No dia 25 de Setembro de 2012, jovens "indignados", pertencentes a movimentos anti-sistema, anti-globalização e a uma lista infindável de associações ditas cívicas, promoveram a iniciativa Rodea el Congreso ("Cerca o Parlamento", um mote que, como é bom de ver, jorra civismo por todo o lado). Houve excessos por parte dos manifestantes e a polícia espanhola não é famosa por ser meiga. Aqueles que não foram detidos procuraram refúgio. Os que entraram no bar El Prado, em Madrid, tiveram a protecção de Alberto Casillas Asenjo, um empregado de mesa que se meteu entre os manifestantes e o corpo de intervenção. Alberto disse à polícia não querer violar a lei, mas foi irredutível na defesa dos manifestantes que se encontravam dentro do bar, afirmando que não autorizaria um "massacre". As imagens do acto de bravura de Alberto tornaram-se virais. Os colectivos anti-tudo saudaram o herói e desdobraram-se em agradecimentos laudatórios nas redes sociais.

 

Passaram uns anos e Alberto Casillas voltou às notícias: em 2014, interrompeu um acto público, em Madrid, onde Pablo Iglesias, caudillo do Podemos, era o convidado principal. Iglesias, que assessorou o regime chavista e que dele conseguiu financiamento para criar o Podemos, entretinha-se a criticar a "casta", os políticos "de siempre". Alberto levantou a voz e perguntou ao líder do Podemos se não tinha vergonha de ter assessorado o regime venezuelano. "Mi esposa no puede comprar papel ni comida", disse Alberto, que tem a mulher e a filha a viverem na Venezuela. Alberto foi expulso da conferência. Ao regressar ao trabalho no bar El Prado, Alberto encontrou ameaças e insultos e, uns tempos depois, o desemprego.

Este ano, num outro acto público onde representantes do partido Izquierda Unida se deleitavam a branquear a manipulação eleitoral e o autoritarismo do regime de Nicolás Maduro, Alberto volta à carga para dizer que o rei vai nu. "Están matando a jóvenes!", gritou, incomodando a fina flor da extrema-esquerda espanhola. Acabou na rua.

 

A avaliar pelo que fez no passado e pelo que fez agora, Alberto deve ser um tipo decente. Parece ter o coração no sítio certo. No entanto, acabou proscrito por aqueles que o elevaram ao Olimpo. O crime de Alberto foi o de não entender que para a extrema-esquerda a violência policial num Estado de Direito é hedionda, mas quando perpetrada por um regime autoritário afim é uma defesa legítima da soberania nacional. Agora não o aplaudem.

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Política positiva

por Sérgio de Almeida Correia, em 15.08.17

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"posso não perceber muito (ou nada) de política mas, sou uma mulher do povo e sei muito bem das necessidades de quem me rodeia ....por isso aceitei este convite apenas pensando em ajudar algumas famílias trazendo lhes conforto, esperança e algumas alegrias."

 

Ora, aqui está alguém que garante uma política positiva ao nível das autarquias e seriedade q.b. nas decisões que vierem a ser tomadas em Castanheira de Pêra.

Naturalmente que concorrendo a um cargo de vice-presidente, tendo já ardido quase tudo, não é necessário perceber muito (ou nada) de política.

Sim, estou de acordo, convém confessá-lo desde logo. Não é necessário perceber nada de política. Nem de nada. Aliás, não se percebe por que raio há-de um candidato a autarca, que pode vir ser chamado a substituir o presidente de uma câmara, ter necessidade de conhecer o regime jurídico das autarquias locais, saber qual a diferença entre órgãos deliberativos e executivos, distinguir atribuições de competências, ter uma ideia, ainda vaga que seja, do que são poderes delegados ou do que é uma delegação de competências, perceber para que serve o regime financeiro das autarquias locais ou ter uma noção do que sejam os princípios da legalidade e da estabilidade orçamental ou uma tutela inspectiva. 

Compreendo que Assunção Cristas tenha ficado sensibilizada depois de Ágata lhe ter perguntado "se ele também te mentia". E se havia promessas que ele não tivesse cumprido. Escusado seria, pois, perguntar, obviamente, se "essas lágrimas que choras, são iguais às que eu chorei", "se o odeias, se o adoras".

Pois não há nada como uma conversa de mulher para mulher. Depois, Assunção, não haverá mais nada a fazer se os eleitores vos fizerem o mesmo que eles vos fizeram. "Não se pode viver num clima de traição, nesta mentira cortante".

 

Última hora: "Para mim, a política é zero, não existe. Pode vir a fazer parte do meu dia-a-dia porque eu preciso de entender como funciona – depois de lá estar, é diferente. Até agora, não vivo da política."

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Canções do século XXI (137)

por Pedro Correia, em 15.08.17

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O desfecho não podia ser outro

por Pedro Correia, em 14.08.17

Em política, as vitórias e as derrotas decidem-se nas urnas, não na secretaria. E muito menos com o jogo viciado à partida, como aqui assinalei.

É por isso com satisfação, embora sem surpresa, que acabo de saber que a lista encabeçada por Isaltino Morais vai mesmo a votos no concelho de Oeiras. E que o juiz responsável pela infelicíssima decisão inicial foi afastado do processo. Se quer fazer política, equivocou-se no palco: os tribunais são os lugares menos recomendáveis para concretizar tal desígnio.

Com satisfação porque a oportunidade de formular juízos políticos sobre Isaltino e os restantes candidatos, em competição limpa, foi devolvida aos eleitores, únicos soberanos em democracia.

Sem surpresa porque o desfecho não poderia ter sido outro.

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Leituras

por Pedro Correia, em 14.08.17

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«Foi sempre este o destino da energia em tempos de segurança: ser canalizada para a arte e para o erotismo, e depois vêm o langor e a decadência.»

H. G. WellsA Máquina do Tempo (1895), p. 208

Ed. Antígona, Lisboa, 2016. Tradução de Tânia Ganho

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A abundância e monocultura da informação

por João André, em 14.08.17

Quando surgiu a internet (ou, pelo menos, quando a World Wide Web se popularizou e expandiu), não faltou quem argumentasse que um novo iluminismo surgiria, sustentado pelo acesso livre à informação que o novo meio proporcionava. Pessoalmente não tinha opinião e estava na altura mais interessado nas possibilidades de trocas de ficheiros que se me abriam. No entanto sempre me pareceu que tais ideias eram excessivamente optimistas. Não o pensava porque tivesse uma visão do que iria (ou sequer poderia) suceder, mas porque sempre me pareceu que um meio não determina nada. É o uso que a população faz do mesmo que decide o futuro.

 

O que temos hoje é uma riqueza de informação inigualável na história humana. Não só inigualável mas inclusivamente inimaginável apenas há 20-30 anos. Há 100 anos este futuro não seria tanto de sonho mas de pesadelo para quem tinha acesso, mesmo que limitado, à informação. Mesmo os arautos desse e-iluminismo não sonhariam com a expansão que vimos, não imaginariam a existência de Google, Facebook, Twitter, YouTube ou tantos outros.

 

Só que tal acesso ao conhecimento vem com um problema: perante tanta informação, como escolher aquilo que se deseja aprender ou, uma vez feita essa escolha, como decidir qual a informação mais fiável. Em parte este dilema de escolha reflecte aquele o que o consumidor ocidental moderno enfrenta cada vez que entra num supermercado: há tanta escolha de produtos que se torna impossível saber qual a escolha certa. E isto apenas num espaço limitado onde a decisão e a justeza da escolha reflectem apenas e só preferência pessoais.

 

Na internet, quando procurando informação, a escolha torna-se mais complicada, uma vez que em múltiplos casos existe uma escolha correcta (no que á sua exactidão ou conclusões diz respeito), a qual não depende das nossas preferências ou convicções pessoais, por muito que delas estejamos... convictos.

 

Há actualmente dois tipos de situações que sofrem com isto: acontecimentos políticos e factos científicos. Um exemplo claro do primeiro é o fenómeno trump e clivagem esquerda/direita que se vê cada vez mais na sociedade (a dos EUA, como canário na mina de carvão, serve de aviso). A população, na presença de enormes quantidades de informação, vê-se na situação de ter de escolher qual aquela que usa. Nesta decisão cada vez mais vemos que a exactidão da mesma pouca importância tem. Nos EUA os partidários da direita preferem crer num tweet de Trump mais que nas reportagens de jornais e televisões com décadas de reputação de honestidade; enquanto que há muitos na esquerda que ignoram a realidade para crer que Bernie Sanders não só teria trucidado Trump como o fará novamente (ou Elizabeth Warren por ele) se receber a oportunidade.

 

Outros exemplos são as narrativas alternativas que vemos na Polónia, Hungria, Venezuela, Brasil, Portugal, Inglaterra, etc, etc, etc... dependendo de qual o meio de comunicação que seja usado. Para quem queira informação de qualidade, o dilema chega ao ponto de deixar de se acreditar no próprio meio preferido perante o bombardeamento de informação alternativa e contraditória.  Se eu ler o Washington Post estou de facto a ler notícias solidamente construídas e analisadas ou a ver propaganda anti-Trump e anti-GOP? De certa forma, mesmo estando eu contra os argumentos da direita estridente que domina parte dos media americanos, torna-se um caso em que deixo de saber se as minhas referências não começarão a optar pelas mesmas tácticas para combater os opositores. Não é uma mentira repetidas vezes o suficiente para se tornar verdade, mas nesta guerra basta provocar dúvida.

 

O mesmo vemos no segundo caso: factos científicos. Aqui o problema é a liberdade de opinião. A liberdade de opinião não é um direito, ao contrário do que se costuma afirmar. A liberdade de opinião, seja ela qual for e esteja ou não bem ou mal sustentada em factos, é absoluto facto para todos nós. Ninguém é privado da sua opinião, por muito repressiva que uma sociedade seja. Aquilo de que podemos ser privados é da liberdade de expressar essa opinião ou de a criar de forma livre. Há formas repressivas de reduzir o acesso à informação não desejada, mas há também a forma não repressiva: o bombardeamento da informação falsa. E não há campo onde isso seja mais visível que o da ciência.

 

Os cientistas, por treino, são pesosas altamente cépticas, não só do que os rodeia como dos próprios resultados. É quase impossível encontrar um cientista a afirmar que uma determinada teoria está correcta a 100%. Há sempre espaço para a dúvida, para casos especiais, para excepções causadas por variáveis não conhecidas. É por isso que a ciência avança: porque há sempre alguém que tem dúvida que a explicação existente seja suficiente.

 

No entanto a sociedade não funciona assim. A sociedade acredita na democratização da informação, no poder do contaditório. Isso faz com que se dê peso a mais às dúvidas, quais brechas no edifício teórico, e se dê mais tempo a quem expressa as suas ideias de forma categórica e convincente. É por isso que movimentos como o anti-vacinas ou anti-estatinas conseguem enorme destaque. Porque os seus proponentes pegam em pequenas excepções, em dúvidas ou faltas de convicção dos cientistas, bem como na ignorância científica da população e preconceitos da mesma, para fazer avançar as suas agendas motivadas exclusivamente pelo interesse pessoal.

 

O caso mais claro que existe deste problema do acesso à informação boa e má na internet é o da execrável Jenny McCarthy, que afirmou ter obtido o seu grau académico na "universidade do Google", demonstrando perfeitamente como é possível encontrar informação em favor das convicções pessoais, por mais que estejam demonstradas como erradas. O mesmo se poderia referir à mania da comida orgânica, anti-glúten, veganismo radical, anti isto e anti aquilo.

 

No fundo, e voltando ao meu ponto inicial, o problema torna-se o acesso à informação. Esta está democratizada e não hierarquizada em função da sua veracidade ou verificabilidade. A isto acresce a noção, errada, que toda a gente tem direito à sua opinião (confundido opiniões e factos) sem que tenha que a defender ou sustentar de alguma forma. A internet permite que todas as opiniões sejam tratadas da mesma forma, independentemente do seu valor. E, sendo um repositório de todas as opiniões do mundo, resulta que cada vez menos as teremos.

 

De certa forma, após o quase deserto de informação do passado, temos um jardim do Éden da informação a dar lugar a monoculturas da informação. E isto não é bom.

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Convidado: CARLOS FARIA

por Pedro Correia, em 14.08.17

 

Por uma comunicação social local viável e isenta: o caso açoriano

 

Quem lê a imprensa açoriana verifica que as notícias que envolvem o executivo regional possuem quase invariavelmente como fonte o “GaCS”, o acrónimo de “Gabinete de Apoio à Comunicação Social”, a agência noticiosa do Governo dos Açores.

Em princípio nada há de mal num gabinete do género, todavia, ao lermos a mesma notícia em diferentes órgãos de comunicação social logo se descobre que o GaCS não é apenas a fonte da notícia, é também o autor do texto, pois este, por norma, nem varia entre jornais. A partir daqui, o que se deveria ler como uma informação isenta mais não é que o discurso oficial do Governo sobre as matérias em questão. Escusado será dizer que, mesmo na eventualidade de ser redigido por um jornalista, não é a mesma coisa o tratamento noticioso que resulta de uma redacção de jornal face ao que sai directamente dos assessores de imprensa dos gabinetes políticos e distribuído pelo serviço do executivo que tem a função de garantir a divulgação da estratégia comunicacional do Governo. Mas é isto que é replicado ipsis verbis por grande parte dos meios de comunicação social por quase toda uma região sob a alçada desse mesmo Governo.

Num instante, um Serviço Público de apoio à comunicação social transforma-se num Departamento de Propaganda do Governo e pago com os impostos dos destinatários.

 

Pode-se dizer que, por si só, este GaCS não compromete a isenção da comunicação social, pois as notícias por ele veiculadas não são obrigatoriamente publicadas pelos jornais regionais e muito menos se impõe que o sejam na íntegra.

Em teoria é assim, mas quando se teve a experiência das dificuldades por que passam estes órgãos locais situados em ilhas com escassas dezenas de milhares de habitantes facilmente se sente como se pode coagir a liberdade de imprensa com meios legais.

Financeiramente a generalidade destes jornais são deficitários, não só pela escassez de vendas face um reduzido público-alvo, que reduz receitas de publicidade que os suportem, mas também pela impossibilidade de alargar o universo de leitores, pois a descontinuidade geográfica levanta uma barreira psicológica que impede à imprensa escrita uma identidade arquipelágica para além da ilha-sede. Não conheço nenhum jornal sem o “rótulo da ilha” onde está a sua redacção e direcção.

 

Cidade_da_Horta,_vista_parcial_do_cimo_do_Miradour

 

Esta realidade socioeconómica leva a que muitos dos jornais insulares apenas sobrevivam à sombra dos subsídios do mesmo Governo que lhes fornece grande parte das notícias mais impactantes para o seu público, o que é assegurado através de uma estratégia dita transparente de contratos-programa de apoio à comunicação social.

Apesar do atrás referido, isto leva à agudização da dependência e da subserviência dos jornais ao poder político, não assumida na prática, mas fácil de constatar. Os receios de atrasos nos apoios são uma arma que pesa, e muito, sobre veleidades de se investigar e informar de forma diferente ao do conteúdo do comunicado distribuído pelo GaCS. Lembro-me muito bem do sufoco financeiro que foi pertencer à direcção de uma cooperativa detentora de um semanário e da sensação que as justificações dos atrasos de cumprimento dos acordos de financiamento tinham como função dobrar pretensas liberdades de imprensa. Nestes casos, a psicologia do medo pesa muito na decisão.

 

Nunca vi coarctada a presença em jornais de artigos de opinião de pessoas dos mais variados quadrantes políticos e sociais, mas estes têm sempre um rótulo de enviesamento individual e por isso sem a força da notícia isenta, mas na prática muitas destas são produzidas nos gabinetes do poder e só uma certa maturidade permite apreender esta realidade.

Ultimamente tenho assistido a representantes do poder a criticar em artigos de opinião editoriais de jornais locais que tinham uma análise crítica a situações convenientemente explicadas pela informação oficial, outro sinal que soa a ameaça de quem subsidia o mensageiro.

Na internet têm surgido toda a espécie de sites que pretendem ser noticiosos, num espaço caótico sem controlo e livre de qualquer regra ética, mas será esta a alternativa que resta?

 

Está assim em causa a sobrevivência da livre comunicação social nos meios mais remotos, neste artigo o exemplo insular, mas é sempre algo que deveria preocupar e merecer atenção de quem tem a obrigação de zelar para que a liberdade de imprensa como suporte do Estado de Direito e da Democracia seja igual em todo o território nacional.

Em Trás-os-Montes e Corvo sabem-se as intervenções do poder nas ruas e bairros de Lisboa e Porto, mas aos lisboetas e portuenses pouco lhes é noticiado sobre o que se passa no resto do País que para muitos é paisagem, excepto catástrofes que lá ocorram, e para quem resiste a viver nos territórios longínquos é a imprensa local que cobre esta lacuna, mas até nesta é obrigação do Estado assegurar que sobreviva livre e isenta do poder político.

 

 

Carlos Faria

(blogue MENTE LIVRE)

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 14.08.17

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 A Planície em Chamas, de Juan Rulfo

Tradução de Ana Santos

Contos

(reedição Cavalo de Ferro, 2.ª ed, 2017)

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Os pios dos ogres

por João André, em 14.08.17

Nos tempos de Chávez a Venezuela entrou num período de experiências de esquerda que foram resvalando em aceleração sempre constante para o autoritarismo. Chávez ia conseguindo manter uma semelhança de democracia à custa do seu carisma que lhe davam apoio de boa parte da população e o mantinham no poder, mesmo perante o desastre para onde ia fazendo o país avançar. Com Maduro a opção da "revolução bolivariana" passou a ser o despotismo directo que só por sorte (eu sei, eu sei...) ainda não deu em guerra civil.

 

Perante o que vamos vendo a Venezuela vai ficando cada vez mais isolada e provavelmente só Cuba ainda ia dando apoio ao regime (sinceramente não sigo o suficiente a situação). Era uma questão de tempo até Maduro cair de podre por pressão externa e interna (pelo menos asism o esperava). Depois veio Trump dizer que não excluía a opção militar para intervir na Venezuela.

 

Ainda não termos visto muitas reacções às declarações é simbólico de como os outros países da região vêem a actual situação venezuelana e da enorme falta de credibilidade que Trump conseguiu "construir" em 6 meses. No entanto, se voltar à carga, Trump poderá conseguir unir de tal forma a região em torno de Maduro que este julgará que Chávez lhe apareceu outra vez na forma de um passarinho a piar tweet tweet. Nem é de excluir que, se Maduro começar a executar pessoas e disser que são traficantes, Trump acabe por dar uma volta de 180 graus e arranje um novo best friend forever.

 

E, de permeio, os venezuelanos vão sofrendo de ogre a ogre.

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Canções do século XXI (136)

por Pedro Correia, em 14.08.17

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Pensar faz bem! (1)

por Helena Sacadura Cabral, em 13.08.17

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Uma obrigação cívica

por Alexandre Guerra, em 13.08.17

Estranho país este, onde metade está a banhos e a outra metade se auto-destrói. Dizem que a culpa é do calor e do vento, mas, de acordo com os dados divulgados há dias pelo Sistema Europeu de Informação de Incêndios Florestais (EFFIS) da Comissão Europeia, desde 1 de Janeiro até 5 de Agosto, arderam quase 140 mil hectares em Portugal, ou seja, mais de um terço de toda a área ardida nos países da União Europeia nesse mesmo período. É a falência do Estado na protecção do seu território perante uma "ameaça" que nos destrói. O Inferno veio passar o Verão a Portugal e, confortavelmente, vai-se passeando por montes, serras, vales e aldeias. Para trás, fica a terra queimada e, em lágrimas, os despojados dos bens de toda uma vida. É certo que estamos em período estival, pouco convidativo a grande reflexões, mas tudo isto é demasiado triste para não deixarmos de pensar no país que vamos deixar aos nossos filhos e netos. É uma obrigação cívica.

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Fotografias tiradas por aí (370)

por José António Abreu, em 13.08.17

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Monte Pilatos, Suíça, 2010. (Para contrabalançar o calor.)

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Filosofia de parede

por Pedro Correia, em 13.08.17

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São Pedro do Sul, Abril de 2017

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Blogue da semana

por Sérgio de Almeida Correia, em 13.08.17

Em Portugal é Verão. É tempo para alguns poderem usufruir de uns dias de férias. Os mais afortunados talvez possam fazer uma viagem, forjar novos projectos e retemperar forças para a próxima estação, abrindo novos horizontes. No entanto, há quem possa levar anos a viajar, correndo mundo, atravessando oceanos, assumindo riscos e cumprindo sonhos. Tenho admiração e respeito por quem consegue fazê-lo, largando tudo para realizar o sonho. Por isso mesmo, a minha escolha para esta semana, fugindo da manhosa política interna, dos incêndios, das guerras da paróquia e das deprimentes questões económicas, vai para o Entretanto a bordo. Desde 2015 que a Catarina, o Jorge e a miudagem nos dão a conhecer as suas aventuras, através do seu blogue e do facebook. Aproveitemos então para a durante a próxima semana viajarmos com eles, atravessando o Pacífico, correndo os mares do Sul, visitando um blogue que só por si é uma viagem e uma lição de vida.

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A fantochada da Venezuela.

por Luís Menezes Leitão, em 13.08.17

Acho que não houve ninguém que tenha descrito melhor o golpismo numa república sul-americana do que Hergé, com a sua inesquecível figura do General Tapioca. Mas a Venezuela chegou a um estado tal, com aquela assembleia constituinte, que já nem Hergé a conseguiria descrever num dos seus álbuns. Na verdade a tal "assembleia constituinte" deveria elaborar uma nova constituição, mas faz tudo menos isso, estando antes preocupada em legitimar a todo o custo a ditadura de Maduro. É assim que primeiro destitui a procuradora-geral do país e agora pretende alterar o calendário eleitoral das eleições regionais, antecipando-o em relação a uma data já marcada e com a qual os partidos já contavam. Mas o curioso é que o faz por unanimidade (!). Ou seja, naqueles 545 pseudo-deputados dessa pseudo-assembleia constituinte não se encontra uma única alminha que discorde das propostas que lá são apresentadas. Chamar-lhe assembleia de fantoches seria mais adequado. E, sinceramente, quando é que esta fantochada na Venezuela irá terminar?

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 13.08.17

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 Os Herdeiros da Terra, de Ildefonso Falcones

Tradução de Paulo Ramos e Gonçalo Neves

Romance

(edição Suma de Letras, 2017)

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