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É de uma boa história que eu gosto

por Marta Spínola, em 25.02.18

Já de há uns anos - as minhas memórias dos vinte anos já têm vinte anos, é um facto em que tenho reparado no último ano - para cá, quando os filmes nomeados começam a chegar, tento ver a maioria. Por hábito, não por ser muito entendida, mais por gostar de estar a par e desde pequena ver os Oscars, ainda que com um enstusiasmo decrescente de ano para ano. 

Ainda gosto que em cerimónias como Oscars e Globos, possamos ver actrizes e actores como nunca os vemos. Mas claro, com a idade também vem a noção de que nada é inocente ou muito espontâneo e a magia perde-se de entrega para entrega. Ainda assim, não é este ano que desisto. 

Uma coisa de que me tenho apercebido com os anos, é de que não tenho a pretensão de perceber qual é o melhor filme. A melhor realização, a maior produção é necessariamente a melhor? Cada vez tenho menos interesse em perceber o que julgo ser subjectivo tantas vezes. Todos os anos há satisfeitos e atónitos com as escolhas, todos os anos há forum sobre a credibilidade da Academia. 

A mim, que gosto de ir ao cinema nesta ou outra época, basta uma boa história. O story telling é o que me interessa mesmo no meio de tudo. Vale para cinema ou literatura, mas é saber de uma história bem contada que me leva às salas. Vi ontem "Eu, Tonya" e apesar de ser muito baseado no documentário "The price of gold" da ESPN, que aconselho vivamente, é um bom filme, uma história bem contada. Há umas semanas vi "Todo o Dinheiro do Mundo", e há um mês ou dois, vi também Borg vs McEnroe que são História Contemporânea pura. Ambos falam vidas de pessoas do nosso mundo, de acontecimentos contemporâneos. Gostei de juntar nomes e eventos perdidos na minha memória, coisas vagas da infância, que através do cinema posso reconstituir.

É decididamente do que mais gosto no cinema, um bom relato, fictício ou não. Que me entretenha e leve a outros mundos e vidas. 

Sobre comportamentos em salas de cinema podemos falar num próximo post. 

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 25.02.18

«Um belo dia, uma senhora natural de Vera Cruz interpelou-me em Belém e perguntou: "Moça, a Senhora fala português?" Ficou um tanto baralhada com a minha resposta: "Se me deixarem, falo sim." Mas como entendeu em boa língua lusa as direcções que pretendia, ficou satisfeita e agradeceu, não deixando porém de referir que quase todos os lisboetas falam "como se estivessem com a boca cheia e não se entende..."

Precisamos seguramente de lições de dicção, de preferência sem consoantes mudas.»

 

Da nossa leitora Maria Dulce Fernandes. A propósito deste texto do Luís Menezes Leitão.

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Filosofia de parede

por Pedro Correia, em 25.02.18

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Lisboa, Rua Aprígio Mafra

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 25.02.18

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  Gente Séria, de Hugo Mezena

Romance

(edição Planeta, 2018)

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Blogue da semana

por Sérgio de Almeida Correia, em 25.02.18

O blogue nasceu a partir da revista e do site que foi criado tendo por missão desvendar os tesouros literários de todo o mundo. Lá há lugar para tudo, da poesia à não-ficção, incluindo entrevistas com escritores e tradutores e pequenos ensaios, como este de Manel Mula Ferrer sobre o catalão. Agora já tem uma folha mensal, um podcast, organizam eventos e dão-nos a conhecer traduções de todo o lado. Até ao momento foram 84 as línguas envolvidas.

Por ser um projecto diferente, que não recebe os subsídios de outros, dependendo dos leitores e blogonautas para sobreviver, pareceu-me que devia merecer a vossa atenção e o devido destaque. O blogue da Asymptote é a minha escolha para esta semana. 

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Pensamento da Semana

por José Navarro de Andrade, em 25.02.18

Melhorar é diferente, se não contrário, de incrementar.

Melhorar será acrescentar qualidade para que mais pessoas atinjam e ultrapassem a fasquia.

Incrementar é baixar a fasquia para que mais pessoas passem por ela.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (331)

por Pedro Correia, em 25.02.18

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Leituras

por Pedro Correia, em 24.02.18

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«Nada é mais libidinoso que o olhar que um homem casado com uma mulher feia lança, disfarçadamente, sobre uma mulher bonita; e nenhum olhar é mais homicida do que aquele que a mulher feia casada lança sobre o alvo dos olhares do marido.»

Miguel Sousa Tavares, Equador, p. 443

Ed. Oficina do Livro, Lisboa, 2003

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"Ser imparcial não é humano"

por Pedro Correia, em 24.02.18

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 Claire Foy como Isabel II em The Crown

 

Terminei ontem de ver a primeira temporada de The Crown [A Coroa] - razão bastante, suficiente e mais que justificada para ter aderido à plataforma Netflix, produtora e distribuidora em exclusivo desta série britânica, que me dizem ter sido a mais dispendiosa da história da televisão.

Valeu a pena o investimento. Sem a menor concessão ao figurino do entretenimento industrial, The Crown é um tratado sobre as emoções humanas submetidas à razão política no singular quadro constitucional do Reino Unido. A figura central - de estrutura piscológica muito mais densa do que as frívolas "revistas do coração" permitiriam alguma vez entrever - é Isabel II, já com o mais extenso reinado de que há registo histórico. Ascendeu ao trono por morte inesperada do pai, em Fevereiro de 1952: tinha só 25 anos e súbditos em todas as parcelas do planeta - resquício moderno do antigo império inglês, que no início do século XX era ainda o mais poderoso à escala mundial.

 

Nascida numa nação impregnada de moralidade vitoriana que permaneceu como baluarte de resistência simultânea às hordas nazis e ao dominó das "revoluções socialistas" que varreram o século, Isabel II tornou-se num paradoxo vivo, seduzindo artistas tão diversos como Andy Warhol ou Lucian Freud, fotógrafos como Cecil Beaton ou Annie Leibovitz, guionistas, realizadores, músicos e uma plêiade de ensaistas políticos.

Percebe-se o fascínio por esta figura distante mas familiar, sem reprodução possível noutros ordenamentos constitucionais, funcionando como um elo permanente entre as raízes da monarquia milenar que corporiza e a sociedade multiforme em que crescem os seus bisnetos, mantendo uma imbatível popularidade no país que se foi agitando ao ritmo dos Beatles, dos Smiths e dos Sex Pistols.

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The Crown (2016) mostra-nos esta Rainha ainda jovem e de passo incerto, nascida para desfrutar uma tranquila existência entre cães e cavalos na aristocracia rural inglesa, e que acabou conduzida pelos caprichos da História à solidão do "mais horroroso palácio britânico", o de Buckingham, transportando o peso simbólico da Coroa legada pelo seus ancestrais desde o normando Guilherme, o Conquistador, no século XI.

Permanecer nesta ambígua coexistência entre tradição e modernidade foi desde o início o seu lema. E também o seu maior dilema, que ela soube solucionar de forma irrepreensível no complexo convívio com treze chefes de Governo - nove conservadores e quatro trabalhistas, onze homens e duas mulheres, de Winston Churchill a Theresa May.

 

O quarto episódio traz-nos um extraordinário diálogo entre a jovem monarca e a sua avó paterna, que sobrevivera não apenas ao marido, Jorge V, mas ao filho segundo, que jamais sonhara ser Rei.

A tímida Isabel II (notável desempenho da belíssima actriz Claire Foy), num raro momento propício a confidências, sente-se compreeensivelmente abalada pelo recente falecimento do pai, Jorge VI, e ainda assombrada pela abdicação do tio, Eduardo VIII, que em 1936 provocara um abalo sísmico na monarquia ao optar por uma paixão mundana em desfavor do trono. E mostra-se perplexa pela sua insólita posição institucional: cabe-lhe simbolicamente decidir sobre tudo sem afinal se pronunciar sobre coisa alguma.

 

«Não me parece certo, um Chefe do Estado não decidir sobre nada.»

«É o mais certo», diz-lhe a Rainha Maria, sua avó.

«É? Mas não fazer nada é não trabalhar...»

«Não fazer nada é o trabalho mais difícil de todos. E consome toda a tua energia. Ser imparcial não é natural, não é humano.»

 

Este diálogo ajuda-nos a compreender como The Crown é muito mais do que uma simples série televisiva: é uma exemplar coreografia do realismo político, aqui elevado a um patamar artístico. Como senha de identidade não apenas de uma soberana ou de um regime, mas também de um povo que conseguiu enfrentar adversidades inomináveis e soube perdurar para além de todas as contingências históricas.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 24.02.18

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  Quinzinzinzili, de Régis Messac

Tradução de Inês Dias

Romance

(edição Antígona, 2017)

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Canções do século XXI (330)

por Pedro Correia, em 24.02.18

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Carlos Silva e Sousa

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.02.18

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 (créditos: Sul Informação)

Esta tarde, no final de mais uma viagem, entrei no terminal do aeroporto e desactivei o modo de voo. Liguei o telemóvel e a notícia caiu de chofre. Fulminante como um raio vindo sabe-se lá de onde. Desta vez não houve tempo para nada. Nem um abraço. Apenas distância.

Conheci-o por intermédio de um casal de amigos comuns que haviam sido seus contemporâneos em Coimbra, na Faculdade de Direito. Há muito que me falavam dele, mas nunca se proporcionara. E quando nos conhecemos foi pelas razões mais estúpidas.

Eu era arguido. Um fulano que exercia (ou exerce) funções no MP, usando o seu soslaio olhar, formalmente correctíssimo, deduzira contra mim uma acusação. Devido ao modo, note-se, como o mandato fora exercido num processo findo. Por puro acinte, o que quem gere a corporação na altura não conseguiu vislumbrar. Não sei se ainda será assim, mas naquele tempo aconteceu.

Daquela vez calhara-me a mim. Acusado de difamação, se bem me recordo. Na contestação, como se impunha, mais a mais estando em causa um fulano que fora acusado de desde a década de Oitenta — altura em que teria aí uns cinco anos de idade — ter participado na constituição de uma associação criminosa, eu fora duro para com a instituição a que ele pertencia, verberara o simulacro de investigação que havia sido conduzido pelas polícias e, como não podia deixar de ser, fora contundente durante o julgamento para com quem patrocinara aquele espectáculo. Quando esse julgamento chegou ao fim, e o meu constituinte foi absolvido das magnas acusações que sobre si impendiam, sobrou para mim.

Houve quem tomando as dores de terceiros se tivesse queixado, para assim se desencadear o processo contra mim, o advogado. E eu lá tive que me ir defender, entrar em despesas, incómodos e chatices, pois claro.

De imediato recebi o apoio do então Bastonário da Ordem dos Advogados, José Miguel Júdice, logo depois seguido pelo do seu sucessor. E no meu julgamento lá estiveram arroladas como testemunhas, entre outras, um magistrado do MP, entretanto jubilado, aquele que foi o juiz-presidente do tribunal colectivo no tal julgamento do sujeito que fora o meu constituinte — que foi lá para dizer que sim, que era verdade, que eu tinha sido advogado naquele processo, que o meu constituinte fora absolvido e que o vertido nas peças processuais, onde descobriram a pretensa ofensa depois do processo concluído, até fora depois confirmado no acórdão final —, mais o presidente do Conselho Distrital de Faro da Ordem dos Advogados, o meu estimado António Cabrita, e mais uns quantos, entre companheiros de profissão, colegas de curso e amigos.

No dia das alegações finais o senhor procurador que me acusara resolveu não aparecer. Envergonhou-se. Quem veio em representação do MP foi um magistrado mais jovem, novo na comarca, que não acompanhara o processo nem o julgamento, mas que tendo lido o processo e sabendo da prova que havia sido produzida teve a hombridade de pedir logo a minha absolvição. Fui, evidentemente, absolvido. E na sentença lá estava, preto no branco, a afirmação de que fizera, é certo, uma defesa veemente, dentro dos limites, respeitando escrupulosamente as regras deontológicas, actuando como qualquer “bom advogado” se comportaria se colocado perante a mesma situação. Isto é, perante a falsidade, o agravo, em suma, fazendo um uso adequado da toga e dos instrumentos jurídicos, pugnando pela justiça, com arrojo, com dignidade, com frontalidade.

Naturalmente que fiquei satisfeito com o que se apurou. E com dúvidas não fiquei de que, apesar das despesas e dos incómodos por que passei, essa decisão honrou a magistratura portuguesa, reconhecendo o profissionalismo e a seriedade do mandato exercido.

O meu advogado nesse processo, logo a seguir à instrução e por impedimento do primeiro mandatário e nosso comum amigo que o indicara, acabou por ser o Carlos Silva e Sousa, que embora acompanhado pelo Paulo Freitas fez todo o julgamento e as alegações finais. Podia perfeitamente ter recusado o patrocínio. E tinha todas as razões para isso. Era um homem muito ocupado, com uma vida profissional intensíssima, desdobrando-se entre o trabalho no escritório, no partido e na autarquia, sem esquecer os assuntos ligados ao(s) consulado(s). Além de que na altura não me conhecia de lado nenhum e o processo era uma estopada. Nem no dia da leitura da sentença me deixou pagar-lhe o almoço.

Graças a esse episódio por que passei — triste no início, feliz na conclusão — ficámos amigos. Depois disso fiz vários julgamentos em Albufeira. O Carlos tinha aí o seu escritório, do outro lado do Tribunal e da Câmara Municipal. Na altura, creio, já era também o Presidente da Assembleia Municipal. Não obstante, estive com ele muitas vezes. Arranjou sempre tempo para tomar um café comigo, para dois dedos de conversa, para discutir a actualidade política, muito embora soubesse que eu na altura era activo numa agremiação concorrente. Comentava, ria-se, piscava o olho, puxava de um cigarro. E sorria, o Carlos sorria muito, serenamente (entre homens de bem não é a política nem o futebol que os separa porque o carácter é mais forte, é o carácter que os motiva e cria laços).

Foi assim com o Carlos Silva e Sousa. Falou-me dos seus vinhos, das propriedades para os lados de Tavira e da Fuzeta, do processo de regeneração das vinhas, do seu amor à terra e ao que esta produzia, do seu gosto em andar de botas aos fins-de-semana, campo fora, sem preocupações, sentindo os cheiros que chegavam avermelhados na imensidão do azul e da serra. O Carlos Silva e Sousa produziu alguns magníficos néctares. Um dia encontrei-o num pequeno expositor da Feira de São Brás, promovendo os vinhos que ele próprio produzia. Lá estivemos à conversa. Perguntava-me pelos amigos comuns que não via há anos. Comprei-lhe umas caixas de vinho, que o filho me ajudou a transportar até ao carro. Ficámos de combinar uma almoçarada, na quinta dele, com mais alguns. Acabou por nunca se proporcionar.

Ainda nos encontrámos nalgumas outras ocasiões. Tomávamos um café, às vezes, quando eu ia a Albufeira, subia a escada, do outro lado da rua, e passava pelo escritório dele. Ocupado como era raramente estava. E eu também não podia ficar à espera. Falávamos à distância. O abraço ficava adiado. Até hoje. Quando me chegou a notícia do seu falecimento.

O Carlos Silva e Sousa era um tipo de uma correcção extrema, com um humor corrosivo, de sorriso sempre aberto, de uma disponibilidade total para o trabalho, aliando a argúcia e a inteligência do advogado com o equilíbrio e o bom senso dos bons juízes, talvez fruto da herança paterna. Hoje perdemos todos. O Algarve perdeu um cidadão exemplar. E eu fiquei a dever um abraço ao Carlos Silva e Sousa. Um abraço fraterno. De gratidão. A um homem de bem. Um grande abraço.

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Lost in translation.

por Luís Menezes Leitão, em 23.02.18

A escritora argentina María Gainza escreveu um livro que se chama "El Nervio Óptico". Em português chama-se antes "O Nervo Ótico". Quer dizer que, na tradução portuguesa, o título deixou de se referir ao segundo par (II) dos doze pares de nervos cranianos, referente à visão, para se passar a referir antes ao oitavo par (VIII), referente à audição. Aí está como na tradução — ou na (des)ortografia acordista — se consegue deixar o leitor completamente perdido, até sobre a anatomia humana.

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Os trolls que eu conhecia...

por Alexandre Guerra, em 23.02.18

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Os únicos trolls que conhecia, até há umas semanas, eram aqueles que fazem parte do folclore escandinavo, figuras que de encantador têm pouco e que vivem afastadas dos humanos, no meio da escuridão das montanhas. São feios, rudes, pouco simpáticos, talvez um pouco estúpidos e cínicos e, dizem, transformam-se em pedras sempre que expostos à luz solar. Quando há muitos anos visitei a Noruega, gostei de ouvir os mitos e lendas associados aos trolls, uma tradição que as pessoas mantinham viva (e provavelmente mantêm), fosse através da actividade turística e comercial ou de rituais, como o de se fazerem pequenos montes de pedras ao longo das estradas, simbolizando as tão queridas criaturas. Estes eram os trolls que conhecia, tendo, inclusive, trazido comigo um debaixo do braço (na foto) até ao bom clima de Portugal.

 

Os anos passaram, o mundo foi mudando e os trolls lá continuaram descansados, na longínqua e misteriosa Escandinávia. Até que, com as eleições presidenciais norte-americanas, se descobriu que o Kremlin tinha mobilizado um exército de “trolls”, com o objectivo de influenciar aquele acto eleitoral, através da manipulação da opinião pública, com a propagação de informação falsa via Facebook e Twitter.  Mas estes trolls não se dedicaram apenas a divulgar publicidade enganosa ou “fake news”, utilizaram também as redes socias (recorrendo aos bots, software usado na internet para simular acções humanas com determinado padrão), para criarem e influenciarem movimentos sociais e políticos que servissem os interesses de Moscovo.

 

Quem não andasse atento à agenda mediática de Washington, ainda iria julgar que Moscovo tinha contratado os trolls à Noruega, mas não, estes trolls de que agora tanto se fala, e que os principais responsáveis da comunidade de “intelligence” dos Estados Unidos já admitiram ser uma ameaça real e perigosa, são bem humanos. Provavelmente, serão feios e estúpidos como os outros, mas, seguramente, serão mais cínicos e maléficos. O troll da internet é um indivíduo que, de forma anónima ou através de diferentes identidades falsas, motivado por crenças exacerbadas ou apenas por dinheiro, utiliza as redes socias e outras plataformas digitais para propagar ideias disruptivas, divisionárias e provocatórias, orientadas para fomentar discussões ou comportamentos emocionais.

 

Daquilo que se vai sabendo, muitos destes trolls estarão a operar na penumbra a partir de Moscovo, com a cobertura do Kremlin, numa actividade que parece continuar em alta. Ainda há duas semanas, os principais responsáveis das agências de "intelligence" norte-americanas, perante o comité do Senado para estes assuntos, disseram de forma clara que as operações levadas a cabo pelos trolls contra os Estados Unidos vao continuar durante este ano e, muito provavelmente, terão as eleições intercalares de Novembro como um dos principais alvos da sua acção. Aquilo que, basicamente, os chefes dos "espiões" americanos disseram foi que é quase impossível ir atrás destes operacionais e capturá-los, já que podem estar a laborar em qualquer parte do globo, sendo, por isso, mais realista assumir que os ataques irão continuar. Cabe, pois, aos EUA tomarem todas as medidas de ciber-segurança para combater estes trolls que, ao contrário das típicas figuras escandinavas, facilmente se confundem no meio da multidão e não se transformam em pedras à luz do sol. 

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Um pedido

por Diogo Noivo, em 23.02.18

Parece que no período em que foi bastonária Elina Fraga montou uns cambalachos na Ordem dos Advogados, práticas que, entre outras coisas, sugerem nepotismo e gestão ‘criativa’. Isabel Meireles, nomeada por Rui Rio para a Comissão Política Nacional do PSD e, portanto, colega de Elina Fraga, esteve na reunião da Ordem que votou por unanimidade uma auditoria ao consulado da anterior bastonária, um levantamento que destapou as tais práticas pouco edificantes de gestão. Entretanto, Rui Rio marca uma reunião da Comissão Política Nacional e não convoca o líder da bancada em funções que, meio atontado, toma conhecimento da reunião pela imprensa. E por falar em líder da bancada, Fernando Negrão candidatou-se à liderança dos parlamentares do PSD e obteve o pior resultado de sempre em eleições do género, havendo até deputados que estavam na lista dele (pelo menos dois) que decidiram não apoiar o candidato no boletim de voto. Abertas as urnas saiu de lá o faroeste: acusações de falta de legitimidade, insultos, birras, arengas e um rol de enfados épicos. Antes de tudo isto acontecer, o lugar-tenente de Rui Rio, Salvador Malheiro, terá andado a transportar militantes em carrinhas, pastoreando-os até ao momento em que votavam em Rio – militantes que, certamente para combater o frio, vivem aos 17 na mesma casa.

Não faço a mais pequena ideia do que se passa no PSD. Não sou nem nunca fui militante e, por isso, não conheço os meandros do partido. Mas gostava de perceber o que está em curso. Assim, solicito humildemente aos profissionais do comentário que andaram meses a fio a dizer que Pedro Passos Coelho era a raiz de todos os males do partido e que, consequentemente, a sua saída resolveria todos os problemas, que venham por favor a terreiro – sem rir – explicar o que está a acontecer. Grato pela atenção.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 23.02.18

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  Solaris, de Stanislaw Lem

Nota prévia de Alberto Manguel

Tradução de Teresa Fernandes Swiatkiewicz

Ficção científica

(edição Antígona, 2018)

 

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Belles toujours

por Pedro Correia, em 23.02.18

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Megan Montaner

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Canções do século XXI (329)

por Pedro Correia, em 23.02.18

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DELITO: o livro está a chegar

por Pedro Correia, em 22.02.18

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Já é oficial, posso portanto escrever aqui a boa notícia: a antologia de textos do DELITO DE OPINIÃO vai tornar-se realidade no mês que vem. Isto porque conseguimos reunir um mínimo de 160 apoiantes desta edição que já reservaram e pagaram os seus exemplares. Prova de confiança redobrada num projecto editorial que agradará seguramente aos leitores. Tanto aos que nos acompanham desde o início, há quase dez anos, como àqueles que só mais recentemente passaram a seguir este blogue, como às pessoas que virão em sentido contrário, chegando ao blogue depois de lido o livro.

Na próxima semana darei mais novidades. Para já fica o registo de termos ultrapassado o próprio número inicial de adesões que estava programado ainda antes de concluído o prazo estabelecido, que era o fim de Fevereiro.

A todos quantos, na blogosfera e nas redes sociais, têm ajudado a promover e divulgar este livro, deixo um caloroso e grato abraço de reconhecimento.

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Tenho dois cães. Não vão a restaurantes.

por Patrícia Reis, em 22.02.18

Gosto muito de animais, sempre gostei. Já tive gatos, agora tenho cães. Em tempos que vão, tive uma égua. Esforço-me muito por não impor os meus animais a terceiros. Não vou de elevador com eles à rua, vou de escadas. Se alguém vai jantar lá a casa, pois faço por não os ter em casa, vão ali passar umas horas com alguém que os trate bem. Apanho dejectos na rua e não os solto nunca. Esforço-me para os educar e nunca, nunca mesmo, vou dizer a uma criança (ou adulto) com medo de cães: não sejas parvo, ele não morde. Respeito o medo dos outros.

Não vou levar os meus bichos para os restaurantes, da mesmo forma que não os levo para a praia, para o bar, para a piscina, para os jardins cheios de crianças. Não gosto menos dos meus bichos por causa disto. É uma forma de estar. Sei que muitas pessoas considerarão que a nova lei é uma boa coisa. Ficará ao critério de cada um, já se sabe, e também dos donos de restaurantes.

Há, contudo, um aspecto crucial que creio não ser de somenos: os animais sofrem em espaços nos quais não se podem movimentar e sofrem mais ainda com cheiro de comidas que lhes estão interditas. Este é, como dito de início, o meu entendimento e ajo de acordo com esta ideia. Da mesma forma que, pese o amor que lhes tenho, reconheço-lhes a origem, logo não os visto, não lhes meto ganchos ou roupinhas e lenços à Xutos & Pontapés. São animais. São bons animais e excelente companhia, mas não são comparáveis com seres humanos. É que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa.

Dirão que há animais que são tão importantes – ou mais – que muitos familiares. De acordo. Mas há mínimos olímpicos de higiene que me afligem nas idas aos restaurantes e afins. A minha cadela larga mais pelo quando se deita do que aquele que a cabeleireira atira para o chão sempre que me corta o cabelo. Os cães largam pelo. É um facto. Então, caso encontre um restaurante que o permita, com tanta fiscalização e afins, vou levar o meu animal e conspurcar o sítio? Ou vamos pensar que os donos de restaurantes têm de estar preparados para tal? E, já agora, para necessidades fisiológicas inesperadas?

Enfim, sei que para muitas pessoas esta questão é sensível e, decerto, alguém se encarregará de me colocar na ordem. Eu sou teimosa e vou manter os meus cães em lugares onde possam ser felizes e farei por ser o mais civilizada possível, apanhando dejectos da rua com um saco para o efeito, afastando os cães de crianças e idosos, de sítios que possam ser perigosos (cuidado com os vidrões, por perto estão inexplicavelmente vidros mínimos que se enfiam nas patas) e nunca os deixando andar a vaguear livremente. Não sei o que pode acontecer, creio que tudo pode acontecer e é para isso que existem trelas e, por outro lado, espaços específicos para cães correrem.

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Rio: a primeira valsa em Lisboa

por Pedro Correia, em 22.02.18

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Anteontem, no segundo acto formal da sua nova existência política como presidente do PSD (o primeiro, na véspera, fora uma audiência protocolar com Marcelo Rebelo de Sousa em Belém), Rui Rio reuniu-se durante duas horas e meia com o primeiro-ministro, na residência oficial de São Bento.

A própria duração do encontro equivale, por si só, a uma declaração política sem necessidade de palavras. Em benefício da imagem pachorrenta e "dialogante" de António Costa.

 

No final deste prolongado rendez vous na fortaleza governativa, Rio pronunciou-se mais como uma espécie de conselheiro informal do primeiro-ministro do que como líder de uma força política da oposição: "Estivemos os dois a tratar mais do que possa consubstanciar políticas positivas e não estivemos a carregar naquilo que nos divide", apressou-se a tranquilizar os jornalistas, não fosse alguém acusá-lo de falta de patriotismo.

"Os partidos devem fazer um esforço por procurar aquilo que os possa unir em torno do interesse nacional. Normalmente a cultura é diferente: andam a carregar nas tintas, naquilo em que divergem. Eu quero introduzir uma cultura um bocadinho diferente", acrescentou, dissipando as últimas dúvidas que pudessem subsistir quanto à cordialidade dominante.

 

Apoio ao Executivo nas grandes linhas estratégicas da governação: eis, portanto, a "cultura um bocadinho diferente" que o ex-presidente da Câmara do Porto promete trazer ao maior partido da oposição.

Já ontem, na SIC Notícias, o ministro do Planeamento retribuía a vénia, com manifesto agrado, ao novo líder do partido laranja: "Há uma grande diferença em relação à anterior liderança [do PSD] nesta afirmação da disponibilidade para discutir as matérias essenciais e estratégicas para o futuro que não encontrámos anteriormente." Isto após Rio ter mostrado abertura para consensos sobre a reprogramação dos fundos comunitários.

Promete ser o primeiro "pacto de regime" da nova vaga. E andará longe de ser o único.

 

A política portuguesa, por estes dias, vai girando ao ritmo de uma valsa ornada de salamaleques, com dois grandes partidos "genuinamente sociais-democratas" a ocuparem um imenso centro sem fissuras e ainda um partido "social-democrata de esquerda", que é aquilo em que o BE na prática se transformou, cada vez mais disponível para entrar na dança, acolitado por suaves epígonos como o PAN e o Livre. Todos na linha do "socialismo reformista", isento de glúten. Com alguns adoçantes mas sem corantes nem conservantes.
Receio que, pelo rodopiar da carruagem, o PCP e o CDS acabem ilegalizados por fuga à norma. A menos que se socialdemocratizem também: arranja-se sempre lugar para mais um nestas voltinhas de carrossel.

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Assim se vê a força do PC

por jpt, em 22.02.18

 

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Um abaixo-assinado tornado petição fez o malfadado Acordo  Ortográfico de 1990 regressar à Assembleia da República. Só o PCP a ele se opôs. Os outros partidos? Renovando, cada um com o seu trinado, o apoio a esta "coisa".

Após a democracia a mentalidade colonial (uma visão do mundo, e uma concepção de Portugal nesse mundo) continuou resistente no país. Muito vigorosa, particularmente na direita profunda e no republicanismo do PS, que a este foi âmago - tudo muito consistente com a história colonialista da I República e do advento do Estado Novo. Foi esta via, trôpega, inculta (ainda que adornada de títulos), aliada à velha guarda da oposição democrática brasileira, esta até ridícula nas suas retóricas de então, que deu azo ao A090, um patético acto de colonialismo fossilizado.

Pelos vistos, 44 anos depois do "Democratizar, Descolonizar, Desenvolver" o único partido que se conseguiu elevar a uma descolonização foi o PCP. Ficam os outros patetas agarrados ao sonho homográfico como alimento da "comunhão de interesses e sentimentos", a abjecta e inútil retórica desta gente. E ficam os respectivos "intelectuais orgânicos" (vá, venham-me lá tecer loas aos "de Argel" e aos ex-adeptos das FP-25) a focinhar no disparate.

Nem que seja por um dia ...Avante Camaradas.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 22.02.18

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  Angola, Me Diz Ainda, de José Luís Mendonça

Poesia

(edição Guerra & Paz, 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 22.02.18

 

Ao Xaile de Seda.

 

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Canções do século XXI (328)

por Pedro Correia, em 22.02.18

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Ilustração de Andrea Ucini/NYT 

 

Quem diria que seria Donald Trump a propor uma mudança legislativa restritiva em matéria de armas... É certo que a ordem executiva que o Presidente assinou, e que obriga o Departamento de Justiça a rever a lei, é bastante limitada e incide apenas na proibição da venda de acessórios ("bump-stocks) que permitem modificar armas semi-automáticas em automáticas, mas, mesmo assim, já é qualquer coisa. É também certo que Trump, num laivo de bom senso político ou bem aconselhado, percebeu rapidamente que precisava de aliviar a pressão. Antes, já tinha também anunciado que estava disponível para apoiar legislação que aperte o controlo ao "background" de possíveis compradores de armas. Estas medidas são claramente insuficientes e, na verdade, até têm o apoio da National Rifle Association (NRA), o que se compreende, já que, através destas cedências, aquela organização vai gerindo a agenda das armas nos EUA, mantendo intacto o enquadramento legal que verdadeiramente interessa e que permite ter no mercado todo o tipo de armas.

 

Aliás, poucos acreditam que a vontade reformadora de Trump vá ao ponto de se poder vir a discutir a proibição da venda de armas de assalto. No entanto, isso não significa que a Casa Branca, nesta altura, não alimente junto da opinião pública a percepção de que Trump poderá estar comprometido com novas medidas restritivas. E neste sentido, as declarações da sua porta-voz, Sarah Huckabee Sanders, são muito interessantes, porque quando questionada pelos jornalistas sobre a possibilidade da proibição da venda de armas de assalto, responde que a Casa Branca "não fecha a porta em nenhuma frente". Isto é o mesmo que dizer que Trump admite rever a lei para proibir a venda daquele tipo de armas, o que é uma posição arrojada, para um Presidente republicano que se assumiu um "true friend and champion in the White House" da NRA.  A questão é que mesmo sabendo-se que dificilmente será concretizada algum tipo de iniciativa, a "intenção" presidencial já foi lançada para a opinião pública.

 

Se olharmos com clareza para as últimas décadas, constatamos que em matéria de controlo de armas os presidentes americanos têm sido impotentes ou passivos, ficando sempre amarrados aos seus interesses e ao "gun lobby". Nem Barack Obama conseguiu mexer substancialmente no sistema vigente. Os massacres sucedem-se, mas a acção política tem-se ficado pelos lamentos. Pelo menos, até agora. Trump, por pouco que seja, está a fazer algo de concreto e, como foi acima referido, tem tido a preocupação de passar a ideia da "intenção" de fazer ainda mais. E esta "intenção" não deve ser desvalorizada, tendo em conta as pressões, os lobbies e os financiamentos eleitorais que se fazem sentir e jogam na arena das armas. Trump parece estar a ir um pouco mais além do que, por exemplo, Barack Obama terá ido em matéria de controlo de armas.

 

O que terá então acontecido para que Trump, um republicano "amigo" das armas, esteja a ter uma posiçao aparentemente mais interventiva do que Obama, claramente identificado com um outro tipo de sociedade? A resposta, na minha opinião, tem a ver com um fenómeno que está a acontecer desta vez e que não se verificou em tragédias anteriores semelhantes: a resposta e a mobilização dos jovens estudantes. Para quem tem acompanhado os meios de comunicação social norte-americanos nos últimos dias, percebe que há uma dinâmica crescente, que tem potencial para se transformar numa questão política e social, sobretudo a partir do momento em que os jovens estudantes decidiram fazer uma "marcha" sobre Washington. A Casa Branca percebeu o que tinha pela frente, porque desta vez não se trata apenas de uma campanha dos media das elites de Washington contra a administração. A causa dos jovens estudantes tem um aliado muito mais poderoso: os seus pais. Se, por um lado, a irreverência e temeridade da juventude dá a dinâmica ao movimento, os pais dão a consistência e a dimensão. Trump percebeu isso ao ponto de alguém ter "passado" ao Washington Post a informação de que o Presidente tinha ficado muito sensibilizado quando viu as reportagens dos jovens estudantes e que se terá virado para os seus convidados, que estavam com ele na residência de férias de Mar-a-Largo na Flórida, e lhes terá perguntado o que mais poderia fazer pelo controlo de armas. Provavelmente, Trump saberia melhor do que ninguém naquela sala o que poderia fazer, mas a questão é que da forma como a história é contada e transmitida (como se de uma grande cacha do Post tratasse), as pessoas ficam com a percepção de que o Presidente, na sua intimidade, se importa genuinamento com o assunto. E isso em comunicação política é o que, por vezes, mais conta.

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Já li o livro e vi o filme (222)

por Pedro Correia, em 21.02.18

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     EMMANUELLE (1959)

Autora: Emmanuelle Arsan

Realizador: Just Jaeckin (1974)

Poucos géneros cinematográficos envelheceram tão mal como o soft porno, que na década de 70 seduziu multidões. O filme é uma curiosa relíquia desse tempo em que se mitificava a liberdade sexual como prelúdio ou complemento da revolução social. Superior, ainda assim, ao livro - pedante e pretensioso, nos limites do ridículo.

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Sermão ministerial a jornalistas

por Pedro Correia, em 21.02.18

A política externa deve dar pouco que fazer ao titular da pasta dos Negócios Estrangeiros. Só assim se explica que Augusto Santos Silva tenha assinado um longuíssimo artigo com 17 mil caracteres na Folha de S. Paulo onde, entre alusões ao populismo e às novas plataformas da comunicação, se permite dar sermões, distribuir ralhetes e apregoar deontologia profissional aos profissionais da comunicação social.

Chega ao ponto de assinalar "a culpa do descumprimento ostensivo da deontologia profissional, que tem sido particularmente evidente e grave no jornalismo, onde todos os dias se repetem infracções descaradas a regras básicas de ética e deontologia, como a separação entre factos e opiniões, o respeito pela intimidade e a vida privada, a obrigação do contraditório ou o dever de prova".

Daqui resultam duas interrogações. Primeira: quem terá investido Santos Silva nesta autoridade de doutrinador e "controleiro" dos jornalistas? Segunda: será por falta de pachorra para ler prosa tão copiosa que ainda não tomei conhecimento de qualquer resposta dos supostos endoutrinados?

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 21.02.18

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  Mensagem, de Fernando Pessoa

Poesia

(reedição Guerra & Paz, 2018)

"A presente edição não segue a grafia do novo acordo ortográfico"

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 21.02.18

 

Ao Correio do Porto.

 

 

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Canções do século XXI (327)

por Pedro Correia, em 21.02.18

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Faz falta ter generais com sorte

por Pedro Correia, em 20.02.18

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 Foto: Miguel Manso/Público

 

Napoleão costumava dar preferência, no seu estado-maior, aos generais com sorte. Tenho-me lembrado disto desde o fim de semana a propósito da pouco afortunada escolha pessoal assumida por Rui Rio para uma das vice-presidências do PSD: Elina Fraga, a recordista das vaias do recente congresso social-democrata.

 

O novo presidente do partido laranja, preocupado em insuflar "um banho de ética" na política portuguesa, terá andado mal informado. Se não andasse, saberia decerto que enquanto bastonária da Ordem dos Advogados a sua vice-presidente encabeçou os protestos contra a reforma judiciária do Executivo de Passos Coelho - que, convém recordar, era uma das medidas incluídas no memorando de entendimento negociado e assinado em 2011 por José Sócrates com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional em troca do pacote financeiro de emergência.

Não lhe bastando isso, Elina Fraga avançou na altura com queixas-crime contra todos os ministros do XIX Governo Constitucional - incluindo o próprio Passos, agora tão elogiado por Rio - por considerar que o mapa judiciário não servia os interesses dos cidadãos. Não será das mais populares cartas de recomendação da novíssima dirigente laranja para se impor perante os militantes do partido.

 

Acontece que Elina Fraga, a advogada tão lesta a mandar investigar terceiros, está ela própria a ser investigada pelo Ministério Público, na sequência de uma auditoria pedida pelo bastonário que lhe sucedeu. Em causa estão suspeitas sobre contas e procedimentos na gestão da Ordem entre 2013 e 2017. Em causa, por exemplo, está o pagamento de honorários a sociedades de advogados por determinados serviços jurídicos.

Que tudo isto tenha sido tornado público, por extraordinária coincidência, no dia seguinte ao do encerramento do congresso do PSD reconduz-me afinal a Napoleão Bonaparte e à sua necessidade de ter em torno de si generais com sorte. Sem ela, nenhuma batalha consegue ser vencida.

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O gozo de criar problemas

por Diogo Noivo, em 20.02.18

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O Governo das Baleares apresentou um projecto de decreto que exige o conhecimento da língua catalã aos profissionais de saúde daquela comunidade autónoma. Dito de outra forma, para exercer a profissão de enfermeiro ou de médico nas Baleares passará a ser obrigatório o domínio do catalão. Daqui resulta que a competência e currículo dos profissionais de saúde se subordinará aos seus conhecimentos linguísticos – o melhor cardiologista do mundo não terá lugar nas Baleares caso não fale catalão. A ideia não é inovadora, pois nos sistemas de ensino catalão e basco sucede algo em tudo semelhante.

Úrsula Mascaró, empresária e conhecida desenhadora de sapatos, criou um movimento contra o decreto do Govern Balear sob o mote “Os idiomas não salvam vidas”. Isto é, limita-se a dizer o óbvio: o rei vai nu. Se no espaço europeu nos esforçámos por conseguir a livre circulação de pessoas e bens, no âmbito intra-estatal os diferentes nacionalismos estão apostados em políticas culturais que vão em sentido contrário e que prejudicam os cidadãos - em nome dos quais os nacionalismos dizem actuar. O surpreendente é que há quem defenda isto.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 20.02.18

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  A Honra Perdida do Trabalho, de Robert Kurz

Prefácio de Bruno Lamas

Tradução de Lumir Nahodil

Ensaio

(edição Antígona, 2018)

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Ligação directa

por Pedro Correia, em 20.02.18

 

Ao Entre Parêntesis.

 

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Canções do século XXI (326)

por Pedro Correia, em 20.02.18

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Cá Por Casa

por Francisca Prieto, em 19.02.18

Adolescente Prieto, ó mãe, tenho uma coisa para pedir. Então diz lá. É que lá na escola, como estamos na quaresma, não fazem pão com chouriço à sexta. Ai sim? Pois, em vez de pão com chouriço, fazem pão com Nutella. E é tão bom, mas tão bom, mãe. É um granda pão, assim cheio de Nutella. Queria pedir-lhe se na próxima sexta feira posso levar dinheiro para comprar seis pães, mãe. Assim, todos os dias levava um para comer na escola.
E eu ah e tal, que Cristão e tal.

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A sorte protege os que a gente sabe

por João Villalobos, em 19.02.18

Se todas estas pessoas que se chegaram à frente quisessem mesmo contribuir para o PSD, não se anunciariam como "soldados do Rui Rio" e sim como sargentos ou furriéis. Esses é dão o corpo (e a mente) ao manifesto. Já eu, que visitei e comi em várias messes, não daria um passo em frente por menos do que Alferes. São opções.

 

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 19.02.18

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  Uma Semana nos Rios Concord e Merrimack, de Henry David Thoreau

Tradução de Luís Leitão

Viagens

(edição Antígona, 2018)

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O comentário da semana

por Pedro Correia, em 19.02.18

 

«A questão económica é fundamental na equação. Porque o ambiente é bem comum, mas se todos assumimos as perdas ambientais das catástrofes, no que às florestas (e campos agrícolas) toca, só os proprietários arcam com os custos de conservação e manutenção.

Restringindo à floresta uma matéria que é extensível à agricultura e aos recursos hídricos, a economia ambiental está 200 anos atrasada na Terra e 20 anos em Portugal. Urge discutir esta matéria. Porque a madeira é apenas UM bem produzido mas é O bem transaccionado, com a biomassa a começar a ser valorizada na fileira da celulose e como combustível noutras fileiras.

 

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A responsabilidade pela manutenção da biodiversidade e da estrutura do solo, pela produção de oxigénio e pela preservação da paisagem e do microclima passa pelas florestas. Os tais "bens comuns". O indivíduo não tem que pagar o oxigénio que respira - mas talvez deva pagar a sua renovação quando adquire um objecto, um processo que o afecta (já nos tiram dinheiro para isso em alguns). Não ao Estado, mas ao produtor que garante essa renovação, essa manutenção - incluindo o próprio Estado. Mas o mercado de carbono ainda se resume a Estados ricos comprarem quotas a Estados pobres para que as suas indústrias continuem a poluir acima dos limites acordados.

Assim como a paisagem. Passeamos livremente por campos e florestas - umas tratadas, outras abandonadas a si mesmas ou ao que as queira devorar. Não pedimos licença tal como não pagamos o privilégio. Mas choramos o fogo, crucificamos quem não trata, não ordena, não protege, num jogo do empurra entre o Estado e os produtores.

E ainda se queixa a sociedade ingrata pelos (parcos) subsídios atribuídos ao sector - que não necessariamente ao produtor. Sem esses, e graças à ausência de política ambiental, teríamos provavelmente os mesmos fogos, mas teríamos muito provavelmente mais área ardida e certamente menos gente a conseguir extrair rendimento da floresta.

Não precisamos de subsídios para ter floresta. Não precisamos de investimento crescente no combate aos incêndios, investimento que nunca é suficiente e que não é claro por onde circula.
Precisamos "apenas" de valorizar a floresta enquadrando-a numa política ambiental desmaterializada.»

 

Da nossa leitora Sarin. A propósito deste texto da Sofia Gonçalves.

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Congressos tensos e congressos inexistentes

por João Pedro Pimenta, em 19.02.18

Fouçando de novo em seara alheia, não posso deixar de considerar simplesmente miserável esta "espera" que algumas figuras do aparelho laranja fizeram a Rui Rio no congresso do PSD, com a palma a ser ganha por Luís Montenegro e o seu discurso transbordante de rancor. Ganhou as eleições há menos de um mês e desde então não cessaram de se atirar a ele. Desde o Observador e os 758 artigos sobre o "caciquismo" de Salvador Malheiro (acho que o jornal online esgotou a palavra; louvável devia ser a actuação de Miguel Relvas), incluindo colunistas, como João Marques de Almeida, que depois de algumas crónicas laudatórias confessou fazer parte da equipa de Santana Lopes, até às conspirações de deputados em funções e às exigências desse grandíssimo vulto que é Miguel Pinto Luz (que na sua página de facebook intitula-se "figura pública").

 

O único caso que conheço com vagas semelhanças é o de Ribeiro e Castro à frente do CDS, e mesmo assim ficou aquém. A atitude mais decente seria deixar Rio trabalhar e depois se veria. Até lá, o PSD não passa de um saco de gatos, em que quem estica mais as garras são os derrotados que se acham com direito natural a mandar mesmo contra a opinião das urnas. 

 

Não posso deixar de reparar na diferença abissal entre a cobertura dos grandes e dos pequenos partidos e que ficou à vista nestes dias. O PSD teve direito a um fim de semana inteiro de directos, alteração da programação da TV, debates dirigidos para o próprio recinto, etc. Compreende-se. É o normal e todos queriam saber quais as propostas e as caras que o novo líder da oposição tinha para mostrar. Mas na semana passada houve o congresso do MPT (Partido da Terra, para os mais distraídos), que já tem 25 anos, que tem representação no Parlamento Europeu e que mudava de liderança, e não houve uma notícia nos principais jornais, nem uma reportagem da televisão, por minúscula que fosse, como acontecia antigamente, nem nada de nada. Quem soubesse do evento e o googlasse encontraria uma notícia da TSF e outra do DN da Madeira, e de resto, silêncio sepulcral. Não são só os meios e os militantes que distinguem o sucesso dos partidos: a cobertura jornalística tem também imenso peso. E quando há grupos que são não apenas ignorados mas condenados à inexistência, o discurso de "são sempre os mesmos partidos" tem aí muito por onde questionar.

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Canções do século XXI (325)

por Pedro Correia, em 19.02.18

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Fotografias tiradas por aí (397)

por José António Abreu, em 18.02.18

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Coimbra, 2017.

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Congresso do PSD: quatro notas

por Pedro Correia, em 18.02.18

1. Rui Rio reafirmou a sua convicção de que o PSD é um partido com "matriz social-democrata", ainda que a social-democracia esteja em recuo acelerado um pouco por toda a Europa. Louvo-lhe a coragem política.

 

2. Mal iniciou funções na presidência do PSD, o novo líder já tem adversário interno assumido: Luís Montenegro chegou-se à frente e marcou o território. Vamos ouvir falar com muita insistência nele nos próximos dois anos. Não por ter feito marcação a Rio, mas por ter condicionado a margem de manobra de potenciais rivais. Que serão muitos, num futuro próximo.

 

3. Elina Fraga, sucessora de António Marinho e Pinto como bastonária da Ordem dos Advogados, regista uma progressão meteórica: ascende a uma das vice-presidências do PSD quando quase ninguém sabia que ela era sequer militante do partido. Eis um exemplo de "abertura à sociedade civil". Pena que os militantes, ignorando tal facto, lhe tenham tributado uma sonora vaia quando foi chamada ao palco.

 

4. O grande animador deste congresso foi Pedro Santana Lopes, sempre mais aplaudido do que o novo presidente. Há tradições que não mudam.

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Um privilégio inaceitável

por Pedro Correia, em 18.02.18

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Deter um juiz em Portugal é mais difícil do que no resto da Europa.

Nada que surpreenda. Mas seguramente algo que devia envergonhar-nos enquanto cultores do princípio da igualdade dos cidadãos perante a lei - uma das traves-mestras do nosso ordenamento jurídico-constitucional.

Retomo o que escrevi aqui há menos de um mês, quando dois desembargadores foram constituídos arguidos no âmbito da Operação Lex: considero profundamente errado que um juiz  não possa ser detido preventivamente excepto em casos de flagrante delito, ao abrigo de uma anacrónica norma do Estatuto dos Magistrados Judiciais.

Rui Rio anda à procura de propostas inovadoras que possam mobilizar os cidadãos e confrontar o Governo socialista com as suas responsabilidades legislativas. Esta bem poderá ser uma delas: pôr fim imediato a tão chocante privilégio que nos deixa de passo trocado com os restantes países europeus.

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Blogue da semana

por Rui Rocha, em 18.02.18

Uma praia de lucidez e serenidade em tempos revoltos, mesmo quando o espaço é ocupado pelo cantinho do hooligan. A Origem das Espécies do Francisco José Viegas é o nosso blogue da semana.

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Sugestão: um livro por dia

por Pedro Correia, em 18.02.18

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  Apagar Estocolmo, de Jens Lapidus

Tradução de Carmo Vasconcelos Romão

Romance policial

(edição Suma de Letras, 2018)

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Pensamento da semana

por João André, em 18.02.18

Um mundo completamente ligado electronicamente permite-nos partilhar a nossa vida. Mostramos viagens, sorrisos, festas, roupas, carros, concertos, sucessos profissionais. Fazemos likes aos outros na esperança que façam o mesmo a nós e invejamos. Invejamos o sucesso, o dinheiro, os parceiros, os amigos, a disponibilidade, os corpos, os brinquedos, a família. Invejamos a vida.

 

A vida toda? Não. Apenas metade dela. A outra, a que não vemos e que nos ajuda a crescer para podermos, saibamos aprender e tenhamos sorte, ter aquela que mostramos aos outros. Pena então que a vida que mostramos não seja aquela que melhor serviria os outros. Que tragédia tão electrónica. Que tragédia tão humana.

 

Este pensamento acompanhou o DELITO durante toda a semana

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Canções do século XXI (324)

por Pedro Correia, em 18.02.18

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Leituras

por Pedro Correia, em 17.02.18

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«Mostra-me uma emoção descontrolada e eu mostrar-te-ei uma derrota certa.»

Warren Adler, A Guerra das Rosas (1981), p. 135

Ed. Círculo de Leitores, 1991. Tradução de Maria Adelaide Namorado Freire

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