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As músicas da campanha

por Sérgio de Almeida Correia, em 23.09.09

Depois de ouvir pela enésima vez o hino de campanha da CDU à porta do meu escritório, dei comigo a analisar as músicas da campanha eleitoral em curso. Penso que as músicas das campanhas, de cada vez que há eleições, também são um reflexo do espírito, da modernidade, da tradição ou do conservadorismo de um partido. Parecendo que não elas dizem muito mais do que aquilo que se possa imaginar e são representativas do espírito que enforma as suas lideranças. O caso da CDU é de todos o mais grave. Os anos passam e a sanfona ("A Carvalhesa", assim se chama a música) é sempre a mesma. Ali não há mudança, não há um som ou ritmo novo, não há um laivo de criatividade. Os seus apoiantes, surdos à repetição dos sons, estoicamente, ano após ano, lá se vão divertindo nos comícios, enquanto o líder Jerónimo vai bailando com as moçoilas que se atrelam. O CDS/PP, para além do seu hino com a voz da Dina, prefere usar na sua digressão pelo país bombos e pandeiretas, o que, aliás, está mais de acordo com o espírito feirante do seu líder. Não há "arruada" (este termo é horrível) com Portas que não meta bombos. Já o Bloco de Esquerda, num sinal daquilo que é a sua própria natureza, produto de uma certa elite urbana, culta, com poder de compra e que gosta de frequentar os bares de Lisboa e do Porto, enquanto aproveita para ver a bola, tomar um whisky entre duas fumaças e discutir política, cultiva mais os sons nacionais de intervenção. A Tourada de Fernando Tordo é um bom exemplo. Representa um certo tempo, uma certa maneira de estar, um certo saudosismo. É a imagem de uma juventude passada, literalmente, agora cinquentona, que ainda vive de ilusões, do ideal primaveril de Maio de 68 e da animação da queda do muro de Berlim. É a Tourada, mas também podia ser Cavalo à Solta, com o belíssimo poema de José Carlos Ary dos Santos. Já o PS, mais modernaço, depois de durante algum tempo ter apostado em Vangelis, passou a abrilhantar os seus comícios com o fantástico (aqui sou suspeito, sou admirador da banda) Viva la Vida, dos Coldplay. É um som que dá a nota de modernidade do partido, do seu europeísmo, e confere movimento, ritmo e profundidade ao espectáculo comicieiro. Daí, também, o ambiente festivo das chegadas de José Sócrates. A malta curte bué os Coldplay. Por seu turno, o PSD, à semelhança do que acontece com a sanfona da CDU, tem algumas dificuldades, não só em termos musicais, em acertar com o registo. A dificuldade em fugir ao hino ou às canções tradicionais do partido é notória e o resultado só podia ser este. Dir-se-ia que é demasiado mau para ser verdade. Pois é, cada um toca o que sabe, e como sabe. Não deixa de ser penoso, mas essa é também a imagem que o partido hoje transmite com a dr.ª Manuela Ferreira Leite. Às vezes é melhor pagar os direitos de autor e ter uma coisinha um pouco melhor. Não sei qual dos dois leva a palma, se a CDU se o PSD. Mas ainda assim, se fosse pela música, à falta dos Rolling Stones e se outras razões não houvesse, confesso que escolheria os Coldplay. Gostos não se discutem.

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4 comentários

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De José Manuel Faria a 23.09.2009 às 21:12

A malta do BE está sempre de whisky e a fumar charutos ou charros. É hora de mudar este estereotipo. O eleitor BE de Vizela na sua maioria é operário fabril ou desempregado revoltado por ter 43 anos de trabalho, e ainda não poder ser reformado!
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De toulixado a 23.09.2009 às 23:15

Cá pra mim tu gostas mas é da Sanfona. Não sabias o que escrever e amandaste-te aos hinos. Podia-te dar para pior...

Escreve outro chouriço.
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De Pedro Correia a 23.09.2009 às 23:56

Anda aqui um cavalo à solta.
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De mdsol a 24.09.2009 às 10:07

Mas que post mais interessante!

:)))

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