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O pior momento de Cavaco

por Pedro Correia, em 19.09.09

  

 

Aníbal Cavaco Silva vive o seu pior momento desde que chegou ao Palácio de Belém. O rocambolesco episódio das suspeitas sobre escutas, com o envolvimento directo do seu principal assessor como suposto intermediário oculto na génese de uma notícia de jornal, revela uma Presidência da República com falta de sentido de Estado - o que, lamentavelmente, contraria o essencial do percurso político de Cavaco e o contrato de transparência que firmou com os portugueses.

Se o supremo magistrado do País suspeita que está a ser alvo de escutas telefónicas por parte dos serviços de informações, tutelados pelo primeiro-ministro - uma suspeita gravíssima -, tem o estrito dever de informar os compatriotas desse facto em vez de permitir insinuações sobre o assunto nas colunas dos jornais. Ao Presidente, vértice supremo do Estado, não é lícito recorrer a expedientes de baixa política. Nem a atitudes menos frontais. Porque é a ele que cabe a fiscalização do regular funcionamento das instituições, como a Constituição da República determina.

Um Governo que espia a Presidência, as redacções dos órgãos de informação e adversários políticos é um Governo que se coloca à margem da legalidade democrática - e deve ser exonerado sem demora. Mas até por isso Cavaco não pode lançar a suspeita e adiar para as calendas o esclarecimento que se impõe afirmando o que hoje afirmou: "Depois das eleições, não deixarei de tentar obter mais informações sobre questões de segurança. Porque o Presidente da República deve preocupar-se com questões de segurança."

Depois das eleições? Só depois de 12 Outubro? Como é possível tratar este tema com tamanha ligeireza se - parece já confirmado - as preocupações de Cavaco remontam pelo menos a Maio de 2008? Porque tem esperado o Chefe do Estado para chamar o procurador-geral da República e mandatá-lo expressamente para esclarecer tudo até ao mais ínfimo pormenor?

As perplexidades amontoam-se. E não auguram nada de bom para o ciclo político que vai seguir-se.

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10 comentários

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De tricPro-Cavaco a 19.09.2009 às 02:14

A mim só me interessa que como Comandante Supremo das Forças Armadas tenha informado as mais altas entidades militares deste país, das suas suspeitas!

Um Governo que apresenta documentos falsos ao portugueses, que manda fechar Universidades para proteger o primeiro-ministro, que manda calar as vozes incomodas na comunicação social e que controla os principais orgãos de comunicação social portugueses, um Governo que ridiculariza o Presidente da Republica quando este defende os superiores interesses da Nação no caso dos Açores, um Governo que mente sobre a actual situação económica do país , um Governo que quer individar o país à força em nome da máfia do Betão e de interesses estrangeiros... isto, Pedro Correia, não é baixa politica, é politica de esgoto onde só as Ratazanas se sentem bem...

O jornal DN demonstrou muito bem como os Xuxas actuam, vale tudo para eles, para os outros definem as regras do jogo...






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De Francisco a 19.09.2009 às 05:42

O facto de ainda não ter exonerado o governo mostra bem o valor das suspeitas que foram levantadas. Cavaco só ainda não tomou qualquer acção para proteger o PSD de MFL. Está a permitir que o tudo o sistema democrático fique carregado de lodo em favor dos interesses sectários do PSD. É grave, muito grave mesmo.

Há uma boa hipótese de MFL ganhar as eleições.
Com Cavaco-MFL no poder, são eles que vão governar o País? São eles que vão marcar o calendário político? Vão ter condições para decidir em favor de todos os portugueses?
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De tric a 19.09.2009 às 12:33


"O facto de ainda não ter exonerado o governo mostra bem o valor das suspeitas que foram levantadas."

o que mostra é um grande sentido de Estado! mas alguem duvida do que aconteceria se tal viesse a acontecer ou mesmo que fizesse uma comunicação ao país ...e ainda, por cima, em plena crise economica!!... Chavez ao pé de Socrates é um aprendiz...

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De Francisco a 19.09.2009 às 14:13

Os grandes homens vêm-se nos momentos difíceis.
Talvez o momento de Cavaco tenha chegado há 17 meses.
17 meses.
Depois de 17 meses vai investigar para a semana.
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De tric a 19.09.2009 às 15:25

"Os grandes homens vêm-se nos momentos difíceis. "

não tenha duvidas, ao contrario dos pequenos homens que necessitam de ser testas de ferro de mafias, para se parecerem grandes homens...
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De Martins a 19.09.2009 às 07:49

É realmente o pior momento de Cavaco. E quer saber porque motivo não actuou? Porque não tem provas de nada. Isto mostra a baixeza de Cavaco Silva, a sua falta de sentido de estado, a sua impreparação para Presidente, que, espero, seja "removido" em 2010.
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De António P. a 19.09.2009 às 10:30

Bom dia Pedro,
A ligeireza não é nenhuma.
Cavaco sabe que a história é inventada por isso antes ou depois das eleições é irrelevante.
A não ser que o Presidente queira deitar logo a baixo o próximo governo do PS.
Como diz : falat sentido de Estado ao senhor.
Bom fim de semana
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De Daniela Major a 20.09.2009 às 13:24

Pedro eu concordo consigo até um certo ponto, mas a verdade é que Cavaco está entre a espada e a parede. Se ele fosse abordar e investigar este assunto agora, metade do país diria que ele está a tentar interferir com os resultados das eleições.
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De Pedro Correia a 20.09.2009 às 13:31

O problema, Daniela, é que o Presidente - por ser Presidente - fala sempre... mesmo quando não fala. Uma vez mais, foi isso que agora sucedeu. Ao dizer que falará depois das eleições, Cavaco Silva já está a falar. Pois isso significa, implicitamente, que existem motivos para que fale - e graves, por exigirem que só fale quando terminar a actual campanha, na qual não quer 'inteferir'. Mas já interfere ao assumir esta posição ambígua e equívoca.
De um Presidente da República não devemos esperar posições ambíguas e equívocas. Por isso entendo que Cavaco Silva deveria já há muito ter assumido uma posição pública, sabendo-se - como agora sabemos - que as suas suspeitas remontam pelo menos a Maio de 2008. Se são fundamentadas ou não - isso é outra questão.

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