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Não gosto que me queiram enganar

por Sérgio de Almeida Correia, em 16.09.09

"Total employment in Germany is expected to continue to fall and the unemployment rate is expected to rise significantly and could reach double digits in 2010";

 
"Les Perspectives de l’emploi de l’OCDE indiquent que le taux de chômage en France augmentera probablement à nouveau en 2010, et pourrait s’approcher de 11% si la reprise tardait à venir. Le chômage a fortement augmenté en France, bien que cette hausse ait été moins prononcée que dans un certain nombre de pays de l’OCDE. Depuis la fin 2007, le taux de chômage a augmenté de près de 2 points de pourcentage, atteignant 9.8% en juillet 2009, et plus de 600 mille personnes sont venues gonfler les effectifs du chômage";
 
"Italy already had almost half of the unemployed without a job for at least 12 months, twice as much as in the whole OECD area. And many of them have access to only a limited safety net";
"The UK unemployment rate, which reached 7.8% in the second quarter of this year, is expected to continue to rise in the coming months and to remain at a high level through 2010":
"Canada’s unemployment rate was slow to take off, but is predicted to reach almost 10% by 2010";
"Ireland has been hit harder by the jobs crisis than most other OECD countries. The collapse of the housing price bubble, compounded by the global financial crisis and economic slowdown, quickly translated into sharp job losses and increases in unemployment. From December 2007 to July 2009, 166 000 individuals joined the ranks of the unemployed and the unemployment rate rose by 7.8 percentage points to reach 12.5%, the second-highest level in the OECD after Spain and the highest percentage increase in the unemployment rate witnessed during the current crisis";
"OECD Employment Outlook 2009 indicates that unemployment in Spain is likely to continue increasing in the months to come and could even approach 20% in 2010"

Isto está tudo nos relatórios da OCDE. Isto e muito mais. E os relatórios estão disponíveis aqui. Sejamos sérios.

Raramente acontece, mas quando me querem atirar com passagens escolhidas dos relatórios de entidades credíveis para descredibilizarem o trabalho que tem sido feito entre nós para combater a crise, fico como o Pinheiro de Azevedo, fico chateado. Irrita-me que me queriam enganar e acho incrível que depois daquilo que foi feito por Manuela Ferreira Leite como ministra das Finanças, que só não vendeu a Ponte 25 de Abril no e-Bay porque não pôde, e no actual contexto de crise europeia e mundial, ainda haja quem acredite que aquela alminha que ontem passou pelo Gato Fedorento seria capaz de fazer melhor no momento que atravessamos.

Os números do desemprego são infelizmente demasiado reais. E demasiado reais para serem utilizados como arma de arremesso político nesta altura eleitoral. 

Curiosamente, ninguém se deu ao trabalho de analisar as medidas propostas pelos peritos da OCDE e de compará-las com as que foram tomadas por Teixeira dos Santos para fazer face à crise. É verdade que deste não gosto, politicamente falando, mas não me resta outra coisa senão render-me à evidência e esperar que o próximo seja, pelo menos, capaz de ser tão sério e honesto com os portugueses quanto este foi.

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4 comentários

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De Jorge Assunção a 16.09.2009 às 21:17

Caro Sérgio,

desde que as comparações não sejam escolhidas a dedo. Com quem é que nos vamos comparar? Com a Espanha e a Irlanda? Os dois países com situação pior que a nossa no nível de desemprego? Quantos mais? De todos os países da OCDE, em quantos é que é esperado que a taxa de desemprego alcance os 11,7% em 2010? Já tive esse debate aqui no Delito, não o vou ter de novo, mas a verdade é que a nossa situação no desemprego é mais grave que a da maioria (coisa que historicamente há muito não acontecia, nem durante os governo PSD/CDS). E quando Sócrates referiu a taxa de 7,1% como a marca de uma governação falhada, ninguém o acusou de usar o desemprego como arma de arremesso político.

Contudo, gostava de realçar, e escolho esta porque não consigo encontrar o quadro com a taxa de desemprego para todos os países, esta citação: "By 2010, the unemployment rate could approach 10% in the OECD area". Pode aproximar-se dos 10%, em Portugal estimam um valor de 11,7%. Essa é a única comparação que importa. E atreveria-me a dizer: é a marca de uma governação falhada. ;)

Saudações bloguistas.
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De José Barros a 16.09.2009 às 22:15

O desemprego já tinha aumento de 2005 para 2007, ou seja, antes da crise. De 6,8 para 7,4. Isto depois de, em outdoors espalhados pelo país, Sócrates ter prometido recuperar 150.000 ("recuperar", isto é, trazer de volta o emprego perdido na anterior legislatura).

Não só não recuperou, como, antes da crise, já tinha aumentado o seu número numas dezenas largas de milhares. A crise tem costas largas, mas, no caso, o argumento não colhe.

Quanto ao Teixeira dos Santos, antes da crise (2007, portanto), vejamos alguns factos:

- aumento da dívida pública de 64 para 95% do PIB;

- crescimento económico anémico (o máximo atingido foi 1,9 em 2007 e à custa do consumo privado)

- aumento da despesa pública constante ao longo dos anos até 2007;

- aumento da carga fiscal (de 34 para 38%).

Por outras palavras, não resolveu nada. Só agravou a crise interna em que vivemos há demasiados anos.
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De José Barros a 16.09.2009 às 22:17

Em Dezembro de 2007, segundo a OCDE, Portugal tinha 440 mil desempregados e uma taxa de desemprego de 7,9%.

Oops, enganei-me, afinal era pior do que eu pensava.

Em finais de 2007, antes da crise, os números do desemprego já tinham aumentado mais de 1% em relação a 2005. De 6,8% para 7,9%.
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De assis a 17.09.2009 às 09:59

força reis, continue a citar a ocde . quanto é que o desemprego subiu entre 2002 e 2005, com a malta da manela que agora quer voltar. vá lá cite!

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