Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




O comentário da semana

por Pedro Correia, em 14.09.09

 

"Trabalho numa livraria que não vende manuais escolares, mas garanto que o preço dos manuais escolares é uma roubalheira. O preço dos livros, de um modo geral, é uma roubalheira. Só os autores não ganham com a roubalheira. Só não concordo com uma coisa. Não percebo a que se refere quando fala no que as editoras e as livrarias impingem. As editoras editam livros (a maioria é lixo), as livrarias expõem livros (a maioria é lixo), as pessoas compram o que querem (lixo, na maioria). Sendo assim, tal como a Leonor não percebe como as famílias sobrevivem ao que as livrarias e as editoras impingem, eu não percebo como os consumidores se deixam arrastar pelo que lhes é impingido. Dou-lhe um exemplo: na livraria onde trabalho não se vendem manuais escolares, mas vendem-se imensos livros de apoio escolar. Estou convencido de 99% daqueles livros não acrescenta nem deixa de acrescentar o que quer que seja ao que os alunos realmente precisam. Lembre-se: precisou de livros de apoio escolar quando andava na escola? Será que esses livros oferecem algo que escapa aos manuais? Se sim, por que não são os manuais mais completos? A educação transformou-se num negócio de miiiiiiiiiiiiiiilhõooooooesssss. E eu não percebo como é que alguém se deixa impingir pelo negócio."

 

Do nosso leitor Henrique Manuel Bento Fialho. A propósito deste texto da Leonor Barros.

Autoria e outros dados (tags, etc)


15 comentários

Imagem de perfil

De João Carvalho a 14.09.2009 às 03:21

Um registo interessante que já tive ocasião de comentar.
Sem imagem de perfil

De clara a 14.09.2009 às 06:26

Também acho. E, além disso, quem escolhe os manuais é a escola, cada escola. Vocês não são os fanáticos da autonomia total das escolas e das leis do mercado? Os pais estão representados no Conselho Escolar e no Conselho Pedagógico. Porque não discutem, nesses locais, a adopção pela escola de manuais acessíveis? E pode-se mesmo dar aulas sem nenhum manual em muitas disciplinas. (sou professora)
Imagem de perfil

De Pedro Oliveira a 14.09.2009 às 08:57

É um sentimento generalizado que os Pais têm.Em livros e material, só para um, já vai em 218 euros.
abr e boa semana.
Sem imagem de perfil

De CNS a 14.09.2009 às 09:50

A democratização do ensino no nosso país é sem dúvida um conceito enviesado.
Sem imagem de perfil

De PR a 14.09.2009 às 11:05

Mas como continua a ser possível que o Estado não imponha a criação e utilização de sebentas escolares em vez dos livros? Estas sebentas até poderiam ser coordenadas/editadas pelo próprio ministério da educação (afinal, são os profs que escrevem os livros actuais, não? Fazia-se a festa por meia duzia de euros.

Será o lobby das editoras assim tão poderoso?

---
www.manualdapoupanca.com
Imagem de perfil

De João Carvalho a 14.09.2009 às 11:16

Pode ter a certeza: o 'lobby' das editoras é «assim tão poderoso».
Sem imagem de perfil

De maloud a 14.09.2009 às 13:17

Não dê ideias ao Ministério. O Mário Nogueira nunca mais lhe perdoa e ele está para lavar e durar.
Sem imagem de perfil

De mdsol a 14.09.2009 às 14:45

Concordo com a Maloud. Olhe que lhe caem em cima a dizer que a liberdade de escolha está ameaçada e coisas do género.
Sem imagem de perfil

De Turmalina a 14.09.2009 às 12:41

Outro dia, lendo um post do Carlos (CR) sobre aluguel de livros soube o preço dos livros aí, parece mesmo uma discrepância. É claro que nem dá para estabelecer uma relação de preços entre o Euro e o Real. Aqui com certeza o custo de vida é bem menor. E mesmo assim acho inadmissível um livro custar em tono de 40 reais (aprox. 15 euros) . E alguns livros escolares chegam à 80 reais. O bom é que grandes lojas constantemente fazem promoções e é possível comprarmos um livro pela metade do preço. Já na educação, no sistema público, não tem como evitarmos o super faturamento.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 14.09.2009 às 13:58

Quer dizer: deixámos os vícios onde deixámos a língua...
Sem imagem de perfil

De mdsol a 14.09.2009 às 14:45

Comentário muito bem escolhido, Pedro Correia.
:))
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 14.09.2009 às 23:09

Obrigado, Maria. A ideia é manter esta rubrica todas as semanas. Mais um foco de interesse aqui no DELITO. E uma forma de serem homenageados os nossos excelentes leitores.
Sem imagem de perfil

De Pedro M. Correia a 14.09.2009 às 15:53

De facto as editoras são "assim tão poderosas"!

Posso assegurar-vos que há dois anos atrás, na preparação da abertura do ano escolar, e quando o Governo se preparava para congelar o preço dos manuais, a Porto Editora, aproveitando o seu desmesurado peso no mercado (uma vez que a Leya estava em processo de fusão e com muitos problemas para produzir atempadamente os seus livros) permitiu-se chantagear o Governo, ameaçando que caso os preços não fossem aumentados, os manuais escolares não estariam no mercado a tempo do inicio do ano escolar. E o Governo cedeu, permitindo à Porto Editora embolsar cerca de 5 milhões de lucro, já que se limitou a imprimir manuais iguais aos do ano anterior, visto não terem existido alterações na generalidade dos curriculos.

É a isto que se chama ética empresarial, não é?
Sem imagem de perfil

De PR a 14.09.2009 às 18:03

Bom Pedro, mas isso é apenas porque nenhum governo tem sido encabeçado por Homens (com "O" grande, como diria o outro).
Na minha universidade, há uns anos atrás, usávamos sebentas para quase todas as cadeiras e os estudantes apenas tinham que comprar livros quando o tema versado era demasiado especifico.

Acho que a minha sugestão anterior poderia ser implementada sem problemas organizacionais de maior envergadura. Claro que para as editoras que vivem dos manuais isso seria uma catástrofe mas se todos nos temos que adaptar, porque não eles próprios?

Quanto ao que se disse atrás, de que uma medida de tal género seria contra a liberdade de escolha, eu pergunto, que escolha têm os encarregados de educação agora? Não têm que comprar os manuais escolhidos pela escola?
Sem imagem de perfil

De Pedro M. Correia a 15.09.2009 às 14:23

PR, subscrevo, na generalidade as suas observações. Aliás, na minha opinião, parte desta questão prende-se com a imbecilização do ensino e o facilitismo.

Nos dias de hoje justifica-se mesmo a existência de um manual, um livro de apoio, um livro de exercicios e um cd/dvd? O manual serve basicamente para que o aluno não seja obrigado a ouvir, compreender, analisar e escrever o que o professor ensina na aula. É um escape. Os documentos de apoio e exercicios podem facilmente ser disponibilizados em formato multimédia, ou facilitados pela escola, de diversas formas.
Mas não, deus nos livre de obrigar as nossas crianças a qualquer tipo de esforço mental. Um dia destes começavam a pensar pela própria cabeça, e era um grande problema...

O facto é que as editoras (e um pequenissimo grupo de professores, que com elas colaboram) são o único beneficiário deste sistema.

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D