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Duas notas sobre a argumentação de Sócrates

por Jorge Assunção, em 13.09.09

1. José Sócrates não percebe a mudança de opinião de Manuela Ferreira Leite relativamente ao TGV entre 2003 e 2009. Eu explico:

 

 

2. José Sócrates acusou Ferreira Leite de oportunismo político pela posição desfavorável do PSD sobre as auto-estradas SCUT e a inexistência de qualquer proposta nesse sentido no programa minúsculo do PSD. Concordo com Sócrates, mas convém recordar que no seu programa de 2005, o PS dizia que as SCUT "deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as condições que justificaram a sua implementação, em nome da coesão nacional e territorial", mas em 2006 introduziu portagens em três auto-estradas SCUT do litoral norte. Oportunismo político? Claro, José Sócrates sabe do que fala.

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9 comentários

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De Tiago Órfão a 13.09.2009 às 04:54

O PS anunciou de facto a intenção de introduzir portagens na A29, A28 e A41 em 2006, mas tal nunca chegou a acontecer.

Entretanto a intenção de ter portagens na A41 já desapareceu e o Mário Lino disse claramente que se mantém o interesse em colocar portagens na A28, A29 e A17 para a próxima legislatura ainda ontem, logo não há assim tanto oportunismo quanto isso, na minha opinião.
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De Jorge Assunção a 13.09.2009 às 05:57

Confesso que não sabia que ainda não estavam em funcionamento. Mas fui pesquisar, porque não só lembrava-me perfeitamente do anúncio, como recordava-me das garantias sucessivas do governo de que as mesmas eram coisa certa e entrariam em funcionamento. Pelos vistos, foram anunciadas em 2006. Em 2007, o governo garantiu que até ao final desse ano estariam em funcionamento. Depois, existiram problemas legais e técnicos (não previstos pelo governo, e isto é importante para o que está em apreciação: o governo não adiou porque quis, adiou porque a isso foi obrigado) que fizeram com que o processo sofresse um atraso, mas o governo garantiu que em 2008 as portagens estariam efectivamente a funcionar. No final de 2008, o secretário de Estado responsável (Paulo Campos, quem mais) garantiu que a decisão de introduzir as portagens estava tomada, os novos contratos já estavam negociados com as concessionárias e os aspectos técnicos resolvidos (mas, presumo eu, o final de 2008/início de 2009 já não era timing adequado à introdução de algo que iria provocar contestação, nessa fase, já o governo havia abdicado de governar). E agora, diz-me o Tiago, que o governo mantém o interesse em colocar as portagens, mas só depois das eleições. Que conveniente: só depois das eleições. Mais conveniente ainda é que no programa eleitoral actual do PS, sobre as SCUT, continuem única e exclusivamente a afirmar o mesmo que em 2005: "Quanto às SCUT, deverão permanecer como vias sem portagem enquanto se mantiverem as duas condições que justificaram, em nome da coesão nacional e territorial, a sua implementação". Oportunismo político? Nada.
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De João Carvalho a 13.09.2009 às 06:48

O secretário de Estado Paulo Campos? Já estou a perceber. Ele deve ter dito assim ao Conselho:
- O Paulo Campos pede para o deixarem telefonar à sua grande amiga Joana Amaral Dias. Ela há-de aceitar a gestão do destino a dar às SCUT se for o Campos a pedir-lhe.

Foi o Campos a correr pedir-lhe, mas ela talvez não seja uma grande amiga e não aceitou. Vai daí, a coisa cristalizou.

Paulo Campos voltou então ao Conselho e informou:
- Foi o Campos a correr pedir-lhe, mas ela talvez não seja uma grande amiga e não aceitou. Vai daí, a coisa cristalizou.

Portanto, fica para a próxima.
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De Jorge Assunção a 13.09.2009 às 17:58

Eheheh. Deve ter sido isso.
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De Pedro Correia a 13.09.2009 às 09:07

Ora aí está o que Manuela Ferreira Leite lhe devia ter dito no debate de ontem. Mas nem uma palavra sobre isso. Por dificuldade de expressão? Por falta de preparação para este debate? Fica a dúvida. JPP há-de explicar aos simples mortais na próxima Quadratura Eleitoral, tempo de antena de António Costa.
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De Jorge Assunção a 13.09.2009 às 16:43

No que toca às SCUT não há tradutor que a salve: foi vergonhosa a volta de 180ª que deu relativamente à posição anterior do PSD. Não admira por isso que tenha ficado sem grande coisa para dizer.

Mas no caso do TGV esta foi clara. E quem precisaria de um tradutor seria José Sócrates, porque no tema fez uma comparação de equivalência entre a recessão em 2003 e a recessão em 2009, o que só por si mostra o nível argumentativo paupérrimo de alguém que foi durante os últimos cinco anos primeiro-ministro deste país. Então, não é esta a maior crise dos últimos cem anos? Afinal, pode ser comparada ao que se passou em 2003? Muito esclarecido fiquei. O primeiro-ministro demonstra não conhecer, não perceber, ou, a hipótese mais provável, fingir não conhecer e perceber, o actual problema de endividamento que afecta o país.
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De Carlos Santos a 13.09.2009 às 22:59

Jorge,

Quanto ao gráfico da dívida externa, se quiseres passar lá no estaminé (pode ser no meu) tens uma explicação que se me permites ficaria bem a acompanhar essa evolução. E a descrição de uma estratégia de combates ao problema. Porque o PSD eu sei que não tem uma (não vão fechar fronteiras e voltar à substituição de importações, suponho), por isso em economia aberta, eu só vejo um caminho que é lá descrito. Agora, na óptica de um liberal, como legitimamente te assumes, mais do que o diagnóstico eu gostava de saber o que pensas:
a) da razão desse acréscimo de endividamento, que lá clarifico porque MFL convenientemente omitiu;
b) da solução que proporias ao problema.

Abraço,
Carlos Santos
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De Jorge Assunção a 14.09.2009 às 17:40

Carlos,

como alguém uma vez afirmou: "O debate que me parece sério é apenas entre endividamento e crise." Quando alguém aceita que tal debate é sério, e a frase é tua, já está a aceitar o argumento de Ferreira Leite como muito válido. Podes achar que o endividamento do país no actual momento não é o mais preocupante e temos coisas mais importantes com que nos preocupar, mas não ignoras, e só por má fé é que os considerarias demagógicos, os argumentos de quem está preocupado com o endividamento português (e, repara, o debate sobre o que fez com que nos endividássemos é muito importante, mas independentemente da causa, endividados estamos, e é a partir dessa realidade que temos de actuar).

Quanto à aposta em energias renováveis, estas até podem ter um efeito benéfico no longo prazo, mas introduzi-las numa discussão sobre a resolução da situação actual não me parece correcto. O sector das energias renováveis vai prosperando em Portugal, mas é preciso afirmar porquê: é subsidiado. Os subsídios têm um custo. E se do ponto de vista estrutural, a pensar no médio/longo prazo, essa aposta pode vir a dar resultado, no actual momento só nos dificulta ainda mais a vida, porque estamos a desviar recursos de actividades eficientes para actividade não eficientes.

Por fim, eu sei o que não é solução para o problema que enfrentamos: aumentar o endividamento público, ainda por cima num projecto de rentabilidade altamente duvidoso como o TGV. O Estado, em vez de andar preocupado em ser o motor da economia, devia era andar preocupado com os factores onde constitui um entrave à competitividade das empresas. E aí não faltam exemplos: legislação laboral e fiscal; justiça; sistema educativo; administração pública.

PS: já agora, gostava que me esclarecesses quais são as agências de rating mais reputadas que a Standard & Poor's, que não só alertou para o problema da dívida portuguesa como baixou o nosso rating. E, recentemente, a Fitch Ratings, presumo que também não é reputada, reviu em baixa para "negativa" a sua estimativa de evolução da notação da dívida do Estado português, devido ao impacto da crise nas contas públicas.
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De Amêijoa Fresca a 13.09.2009 às 17:06

Sobre o "porreirismo, pá" socialista...

Nesta época do porreirismo
e de falaciosas aparências,
há quem faça malabarismo
com ignóbeis incoerências.

O elevado endividamento
por demais evidente,
é a matéria do cimento
de políticas decadentes.

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