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Manuela Ferreira Leite e a regionalização

por Paulo Gorjão, em 12.09.09

Escrevia aqui a propósito da linguagem simples de Manuela Ferreira Leite -- inquestionavelmente uma das suas virtudes -- quando poucos momentos depois lia as declarações de José Pedro Aguiar Branco sobre a realização de um referendo à regionalização. Voltando ao início, estou de acordo com Filipe Nunes Vicente que Ferreira Leite tem uma linguagem simples, mas discordo da sua bondade relativamente à franqueza.

Manuela Ferreira Leite poderá ter diversas qualidades, mas a franqueza não é seguramente a principal. O caso da regionalização é um bom exemplo. O programa eleitoral do PSD não se compromete com uma data para o referendo sobre a regionalização. Assume o compromisso de o realizar e nada mais. Na linha do programa, Aguiar Branco assume o "compromisso" de realizar o referendo, mas apenas no "momento certo". Em bom rigor, nem se percebe se o compromisso é válido para a próxima legislatura, ou se o "momento certo" poderá ser apenas daqui a quatro anos. Onde está a franqueza?

Mais do que franqueza, aquilo que vejo é ambiguidade, ou mesmo duplicidade.

É claro que nós percebemos, ou julgamos perceber, a razão. O tema não é pacífico no PSD e aquela formulação corresponde a um ponto de equilíbrio entre as diversas sensibilidades. Franqueza implicaria assumir, sem panos quentes, que o tema é controverso e que o compromisso de realizar um referendo sem marcar uma data é o ponto de equilíbrio possível. Isso, sim, seria uma posição franca. As pessoas poderiam discordar, mas perceberiam os motivos.

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8 comentários

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De Francisco a 12.09.2009 às 08:15

Votei a favor no último referendo sobre a regionalização.
Em 12 anos (ou mesmo em 4) o PSD já devia ter consolidado uma proposta concreta do que quer sobre a regionalização.

Acho que isso é treta para acalmar os liberais do partido. E para os liberais deixo o seguinte: MFL é uma centralista e corporativista que nunca defendeu um mercado concorrencial e aberto. É verdade que diz não querer um estado grande. Mas defender um estado de pequena dimensão não é equivalente a querer mais mercado. Com MFL «estado mais pequeno» e «mais mercado» não têm nada em comum. Veja-se a defesa que ela faz à Madeira, que é uma região do mais estatizada que há no país; o peso da administração regional na economia da Madeira é superior do que no resto do país.
MFL é apologista de grandes empresas, grandes corporações - PTs, Sonaes, Amorins, JMs, etc - e isso é simplesmente entregar o estado a um grupo restrito de privados com excessiva influência politica e económica e sem quaisquer controlo democrático ou de concorrência em mercado aberto - alguém sabe por quem é que o Citigroup começou a apertar com as dívidas; alguém sabe se todos os devedores foram sujeitos tratamento proporcional; onde a dívida implicava pedir a insolvência do devedor, alguém sabe a quem foi dado prazo extra; alguém sabe se alguma dívida foi perdoada - ninguém faz ideia! Não há qualquer informação se isso foi feito de forma justa e verificável. É esse tipo de redução do estado que não defendo, nem com o Sócrates, nem com MFL.
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De Bic Laranja a 12.09.2009 às 09:31

Em vez de prazos para fazer referendos o que faz falta é um prazo de validade dos referendos cujo resultado não foi o desejado.
Cumpts.
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De Pedro Correia a 12.09.2009 às 09:51

Tem razão, Bic Laranja. E esse prazo deveria estar inscrito na Constituição da República. Para não deixar dúvidas de qualquer espécie.
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De Paulo Gorjão a 12.09.2009 às 13:20

Pedro, percebo o ponto que suporta a tua posição, mas tenho dúvidas se seria desejável. Como de costume, é o bom senso que deve prevalecer a meu ver. Já sabemos que ele não abunda, é verdade. A tua proposta parte do pressuposto que ele não existe e tem um custo, i.e. a introdução de uma rigidez que, porventura, pode ser prejudicial. Eu também acho que uma proposta referendada não deve ser submetida, de novo, digamos, nos cinco anos seguintes. No mínimo.
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De Pedro Correia a 12.09.2009 às 13:31

No mínimo, Paulo. O equivalente a um mandato presidencial.
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De Anónimo a 12.09.2009 às 10:58

Eu também voto Sócrates.
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De João Carvalho a 12.09.2009 às 14:04

Eu também não.
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De FNV a 13.09.2009 às 02:07

"Nunca faças amor aos Sábados, ou não saberás o que fazer aos Domingos".
Abraço

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