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Na senda do eufemismo

por Leonor Barros, em 11.09.09

Há alturas em que me apetece citar Vital Moreira. Quando fui à papelaria comprar um manual escolar e me pediram vinte e quatro euros e setenta cêntimos pelo dito, mais cinco euros pelo livro de exercícios e outro tanto por outro livro e ainda uns seis euros pelo manual interactivo, perfazendo a elegante quantia de trinta e sete euros e uns pozinhos apeteceu-me citar o Vital Moreira e aplicar-lhes o substantivo da discórdia: roubalheira. Não sei como as famílias sobrevivem ao tsunami de manuais escolares nesta altura do ano e como conseguem fugir às livrarias e editoras a impingir todo o tipo de complementos aos manuais. E se isto não é uma roubalheira não sei o que é. Procurarei entretanto um eufemismo. Enquanto isso fico-me pelo substantivo maldito.

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29 comentários

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De Pedro Correia a 11.09.2009 às 23:05

Esta já é por tradição, uma época de pesadelo para as famílias com filhos em idade escolar. E uma época de sonho para as editoras.
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De Leonor Barros a 11.09.2009 às 23:26

Tendo em conta o que se ganha não faço ideia de como é que se conseguem comprar todos os manuais exigidos, Pedro.
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De Pedro Correia a 11.09.2009 às 23:33

A crédito, Leonor. A crédito. É um mês de pesadelo para centenas de milhares de portugueses.
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 11:16

Não deve haver outra alternativa. Mas é lamentável que se tenha de recorrer ao crédito para comprar manuais escolares, Pedro.
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De João Carvalho a 11.09.2009 às 23:09

Roubalheira. Sem eufemismos.
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De Leonor Barros a 11.09.2009 às 23:26

Pois, João.
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De mdsol a 11.09.2009 às 23:11

Leonor é um campo onde tem forçosamente de haver quem ponha as editoras em ordem. Por elas, quanto mais lucro melhor.
:)))
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De Leonor Barros a 11.09.2009 às 23:30

Devia haver, claro, Maria do Sol, mas não me parece. É assustador o preço dos manuais e a tentativa de se vender tudo.
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De Daniel João Santos a 11.09.2009 às 23:12

Mais dois anos e também eu estou bem arranjado.
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De Leonor Barros a 11.09.2009 às 23:32

É melhor preparar-se, Daniel.
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De Pedro Correia a 11.09.2009 às 23:34

Vai pondo desde já uma dinheirama de parte, Daniel.
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De hmbf a 11.09.2009 às 23:42

Trabalho numa livraria que não vende manuais escolares, mas garanto-lhe que o preço dos manuais escolares é uma roubalheira. O preço dos livros, de um modo geral, é uma roubalheira. Só os autores não ganham com a roubalheira. Só não concordo com uma coisa. Não percebo a que se refere quando fala no que as editoras e as livrarias impingem. As editoras editam livros (a maioria é lixo), as livrarias expõem livros (a maioria é lixo), as pessoas compram o que querem (lixo, na maioria). Sendo assim, tal como a Leonor não percebe como as famílias sobrevivem ao que as livrarias e as editoras impingem, eu não percebo como os consumidores se deixam arrastar pelo que lhes é impingido. Dou-lhe um exemplo: na livraria onde trabalho não se vendem manuais escolares, mas vendem-se imensos livros de apoio escolar. Estou convencido de 99% daqueles livros não acrescenta nem deixa de acrescentar o que quer que seja ao que os alunos realmente precisam. Lembre-se: precisou de livros de apoio escolar quando andava na escola? Será que esses livros oferecem algo que escapa aos manuais? Se sim, por que não são os manuais mais completos? A educação transformou-se num negócio de miiiiiiiiiiiiiiilhõooooooesssss. E eu não percebo como é que alguém se deixa impingir pelo negócio.
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De João Carvalho a 12.09.2009 às 07:55

Tem razão, HMBF, mas as pessoas embarcam tal como (embora o exemplo não seja o mais feliz) embarcam no crédito bancário fácil a juros que constituem outra roubalheira. Todo o 'package' está pensado para ser impingido.
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 11:29

Inteiramente de acordo. Em relação às editoras, a questão é que tentam vender todo o tipo de complementos que não são solicitados pelos professores, alguns pelo menos, incluo-me neste caso, e as livrarias (acredito que nem todas) porque usam exactamente a mesma estratégia. Quando comprei este manual, comprei os apoios todos porque na livraria me apresentaram um pack completo, dizendo-me que vinha tudo junto. Tendo em conta que sou professora e que vou fazer uso ao longo do ano deste manual aceitei. Quando cheguei a casa e comecei a separar tudo dei conta de um aviso onde, em letras pequenas, se dizia que podia ser vendido separadamente. Não fui reclamar pela razão citada, mas acredito que tenham usado esta estratégia com todos os alunos que foram lá comprar o livro, até porque conheço muito bem a livraria/papelaria em questão.
Quanto ao resto, a maioria dos manuais não têm rigor algum e contêm erros. Nem deviam ver a luz do dia sequer. E quanto aos auxiliares concordo que uma parte enorme é apenas para que as editoras ganhem dinheiro.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 12.09.2009 às 00:04

Os manuais escolares são o euromilhões das editoras. Deves saber bem melhor do que eu, Leonor, o que se passava há uns anos nas escolas, coma s editoras a tentar convencer os Conselhos Directivos que o livro delas era melhor do que o da concorrência. Nesse aspecto, a actual ministra esteve bem e pôs um bocado de ordem na bagunça generalizada. Digo eu...
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 11:32

Ainda não dei conta que a Ministra tivesse feito algo contra isto, Carlos. Não tenho a menor esperança no que respeita a este Ministério. Deve ter tomado três ou quatro medidas de jeito, o resto foi um desatre completo. Espero para ver a tal comissão certificadora dos manuais, se fosse competente poria cobro a tudo isto.
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De Ana Vidal a 12.09.2009 às 00:56

Não te canses, Leonor. É roubalheira mesmo.
(pelo menos dessa já me livrei, felizmente)
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 11:33

De facto, nem vale a pena, Ana.
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De Maria a 12.09.2009 às 02:33

O ano passado tomei uma decisão em relação aos livros escolares do meu filho mais novo à data no 12º ano. Da da lista fornecida só comprei os manuais e, nem todos, dois deles tirei fotocópias e não cheguei a adquirir os cadernos de apoio - já seria o 2º ano que os professoras não utilizavam como orientação de estudo - iam fornecendo, ao longo do ano, uma data de "fichas", fotocópias de outros cadernos, sim, porque eu não as identificava como sendo dos mesmos e nisto poupei à volta de 100 euros , mas também se acumulou-se uma série de papel que, também, não vi grande utilidade e ando nisso há uns anos este será o último, mas do 1º para este a coisa realmente veio a piorar. Quanto à Universidade também faria alguns reparos, a minha filha estudou comunicação social no ISCSP , acabou há anos , espero não estar a comentar nenhum professor de lá (estou a brincar) alguns livros era aconselhados pelos próprios autores e não eram nada em conta e não imprescindíveis , isto tem outros contornos que agora não interessam nada.
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 11:39

E fez muitíssimo bem, Maria, porque - e falo de mim- é isso que se pretende e não o resto. Também uso outro tipo de materiais mas são sempre diversificados e nunca do livro de exercícios. A menos que seja expresso pelo professor e que este o use não vale mesmo a pena.
Em relação às fotocópias, embora à partida seja contra, aprendi a tornar-me menos implacável ao longo dos anos. É que não há orçamento que aguente e ponho-me muitas vezes do outro lado.
Esse caso que conta da universidade da sua filha não é único infelizmente mas é vergonhoso.
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De Maria a 12.09.2009 às 13:49

Leonor eu também só contra as "cópias" , gosto de proteger os autores, tenho um em casa e que não tivesse, é um princípio meu, neste caso dos dois livros que falei, só o fiz porque a editora não os enviou a tempo e horas , por qualquer lapso e depois esgotou-se.
A minha filha acabou o curso há 2 anos tinha dito "há anos":))
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 15:59

Compreendo muito bem. Apesar da minha renitência já emprestei o meu manual para fotocopiar a duas alunas que tinham muitas dificuldades económicas e não me arrependo nada.
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De patti a 12.09.2009 às 13:40

9º Ano: 250€ em manuais escolares e ainda falta o resto!

E o que faço eu aos manuais do ano anterior e do outro e do outro e do outro; alguns totalmente novos? Ninguém os quer, nem dados, nem comprados com desconto, nem nada!
Ora, se somos um país pobre, porque não o ministério da educação arranjar alternativas para dar uso aos manuais dos anos anteriores? Campanhas de venda promocional, reciclagem, oferta, etc.
Não se entende.
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De João Carvalho a 12.09.2009 às 14:08

Nos EUA (suponho que se mantém), os livros e manuais escolares são feitos com papel do mais fraco, tipo papel de jornal. No fim, é natural que vá tudo para o lixo a reciclar. Mas ficaram baratos ao Estado e são de borla para quem os compra.
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 16:02

Houve por aí uma campanha de recolha de manuais mas tal como o preço dos ditos era muito duvidosa, Patti. Podia por exemplo fazer-se um banco de manuais usado unicamente para empréstimo. Talvez as bibliotecas das escolas pudessem ajudar aqui.
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De Daniela Major a 12.09.2009 às 14:05

Pois cara Leonor. Eu dei 40 euros pelo meu manual de História. 40 euros. Oito contos. Por um manual de História que tenho falta se não o levar.
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De Leonor Barros a 12.09.2009 às 16:03

A falta é uma outra questão, Daniela, com a qual não discordo. Tem de haver regras e o manual é regra geral imprescíndivel para as aulas. O preço é que é um abuso. Bom ano lectivo:-)

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