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Crónica da Galiza - II

por Ana Vidal, em 11.09.09

As ruas da Galiza inteira estão em obras, como se tivesse havido uma catástrofe da natureza e tudo tivesse de voltar a ser reconstruído. Demorei a perceber o porquê de tanta e tão simultânea actividade, até reparar num cartaz que se repetia, afinal, por todos os cenários onde reinavam a picareta, os capacetes amarelos e as retroescavadoras. Sob a sigla PlanE, a explicação simples: Plan Español para el Estímulo de la Economia y el Empleo (Fondo de inversión local para el empleo). Ou seja: numa medida que me parece eficaz e inteligente, o governo de Zapatero atribuíu uma verba aos poderes locais - a cumprir num prazo de seis meses - para ser aplicada em melhoramentos locais e destinada a combater o desemprego por todo o país: pavimentos, saneamento básico, recuperação de fachadas, etc. O evidente incómodo temporário do trânsito alterado, do pó, do barulho ensurdecedor e de todas as dificuldades que resultam de uma cidade em estado de sítio pelos enormes roços abertos em muitas vias principais, será mais tarde recompensado pelos melhoramentos estruturais, a bem dos seus habitantes. Por outro lado, são criados postos de trabalho localmente (a prazo, é certo, mas é melhor do que nada), e não na concentração geográfica de uma ou duas grandes obras nacionais. Há ideias que vale a pena copiar.

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20 comentários

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De Pedro Correia a 11.09.2009 às 07:23

Essa ideia, atendendo aos nossos maus hábitos, seria quase impensável fora de um período eleitoral.
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 12:43

Também acho que sim, Pedro, e tenho pena. Por cá, só se valorizam as obras faraónicas, ou pelo menos as que dão bastante nas vistas. Ninguém arrisca fazer obras de fundo que, por muito necessárias que sejam, causam incómodo e podem custar preciosos votos.
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De Teresa Ribeiro a 11.09.2009 às 09:47

Intervenção do Estado? Cruzes credo! (estou a ser irónica, Ana. Concordo com a tua observação)
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 15:44

Intervenção do Estado, sim, em época de aperto financeiro e desemprego galopante. (eu percebi a ironia, Teresa)
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De Sérgio de Almeida Correia a 11.09.2009 às 11:07

Pois vale, Ana, mas acontece que o entendimento que neste momento até parece possível em Espanha, com Zapatero disposto a acertar agulhas com Rajoy parece impensável em Portugal. Aí, Rajoy não quer descidas de impostos. Por cá o oportunismo "eleiçoeiro" não quer outra coisa, independentemente da maior ou menor justeza de algumas medidas de estímulo. O artigo de Paul Krugman que hoje o I publica explica por que razão os défices podem salvar a economia e evitar maiores catástrofes.
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 15:53

Não li o artigo ainda, Sérgio, mas concordo em geral com a tese. E tenho pena de que os entendimentos político-partidários nunca sejam a bem dos eleitores, mas das conveniências de cada partido e dos possíveis resultados eleitorais. Enfim, a velha história.
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De João Carvalho a 11.09.2009 às 11:16

Esse é o tipo de medidas que devia orientar a nossa política. Mas estamos a anos-luz de Espanha, embora não pareça.
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 15:54

Sobretudo do espírito deles nestes momentos, João. E isso é muito importante.
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De João Sousa a 11.09.2009 às 11:36

Já vi isto ser defendido por várias pessoas. Não foi Belmiro de Azevedo, por exemplo, que sugeriu algo deste género?
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 15:56

Acho que sim, João, mas os empresários costumam ser diabolizados por terem sempre qualquer coisa "na manga"...
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De Francesco a 11.09.2009 às 11:52

O que irão desventrar depois dos seis meses?
Faltam medidas de fundo.
Eu tinha um sonho: era viver numa cidade com todas as condições e nível de vida. Foi conseguido, mas agora, falta o mais importante: o equilíbrio que a terra me dava.
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De João Carvalho a 11.09.2009 às 12:15

Faltam medidas de fundo, não é? Pois que façam como na Galiza: comecem a cavar e não parem até terminar a crise. Tenho a certeza de que, com a crise nacional que temos, hão-de cavar bem fundo.
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 15:57

Nem mais. Sem medidas de fundo, o fundo do túnel nunca mais se vê.
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De Chloé a 11.09.2009 às 12:30

Belmiro de Azevedo não sei.
Mas quem tem defendido esta opção inúmeras vezes e há muito tempo (ouvi-o desenvolver a ideia numa conferência a que assisti o ano passado) é Campos e Cunha.
Por isso é que, embora certa elite galega alimente uma nostalgia muito activa pela ideia da integração em Portugal (sempre me fez espécie essa espécie de saudade do futuro puramente romântica :-) a sua sorte grande foi mesmo permanecer sob soberania espanhola..
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 15:59

Concordo que é romântico e irrealista, Chloé, mas eu também sou uma romântica e a ideia cai-me bem, o que quer? Mas claro que tem razão, e eles sabem disso muito bem...
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De Chloé a 11.09.2009 às 13:58

Esta do espécie-espécie deve ser do tal stress traumático pós-férias :-)
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De Ana Vidal a 11.09.2009 às 17:00

O melhor é arranjar uma espécie de psicanalista, segundo os novos gurus urbanos...
:-)
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De Chloé a 11.09.2009 às 21:57

hehe, vade retro:) Basta-me um nespresso duplo 2 vezes ao dia... resisti a comprar a maquineta mas estou fã :)

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