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The Beatles: unidos já só no título

por João Carvalho, em 10.09.09

A 22 de Novembro de 1968, era lançado em Inglaterra um álbum musical que se sabia de antemão destinado ao êxito. Com o nome genérico The Beatles, também conhecido por The White Album (pela capa branca com o título destacado em relevo), era duplo (coisa pouco comum e único no percurso dos Beatles), pelo que muita gente achou que aquele não era exactamente o n.º 9 da carreira do famoso quarteto, mas sim o 9 e 10. Entender-se-á melhor se dissermos que, em 1970, quando a banda se separou, deixou para trás 12 álbuns que somavam, portanto, 13 LP's – um número aziago que estava em vias de se confirmar.

Mais adiante, iriam aparecer ainda Yellow Submarine, Abbey Road e Let It Be. Em 1968, ainda ninguém adivinhava as desavenças que já se faziam sentir entre os quatro, mas não tardou que o ano seguinte revelasse conflitos de relacionamento que se agravavam e que saltaram rapidamente das revistas habituais para a imprensa generalista. Afinal, o fim da banda estava apenas a cerca de ano e meio.

O certo é que The Beatles foi o primeiro disco lançado depois da morte do manager Brian Epstein, que tinha grande influência no grupo. Os quatro acabavam de passar uma temporada na Índia dedicada a "meditação transcendental", na Primavera de 1968, onde nasceram várias composições, mas que deu para o torto. Nem todos respeitaram as regras do guru que os orientava. Ringo fartou-se daquela apatia e desistiu, seguido por Paul pouco tempo depois.

Quando John e George regressaram a Inglaterra, também antes do tempo, Ringo chegou a separar-se da banda por um período curto e Paul teve de conciliar a bateria com a viola-baixo numa parte dos temas que estavam a preparar para o álbum. Nos estúdios da Apple, gravaram separadamente muitas vezes e os problemas agudizaram-se quando John levou até lá a nova namorada, Yoko Ono, que nunca mais os deixou sós, ao contrário do que sempre tinha acontecido.

Ainda assim, o álbum lá foi sendo gravado, de 30 de Maio a 14 de Outubro. Esteve para se chamar A Doll's House, mas ficou sem título por já haver um nome semelhante no meio musical. A sua apresentação foi precedida pelo lançamento da composição Hey Jude, em single, gravada durante a preparação do álbum.

A ideia de unidade sugerida pelo "não-nome" The Beatles de pouco serviu, mas o duplo álbum (o primeiro lançado pela Apple Records e o único em que os quatro não aparecem na capa) saltou logo para o topo da tabela de vendas no Reino Unido: n.º 1 durante sete semanas e nos top ten 24 semanas.

Nos EUA, entrou em 11.º lugar, subiu para 2.º e foi 1.º na terceira semana, onde ficou nove semanas (foi 19 vezes disco de platina e o décimo mais vendido de todos os tempos). Já em 1997, a Music of Millennium também o considerou o décimo melhor disco de sempre e, em 2000, a revista Rolling Stone igualmente o colocou em décimo lugar.

Das 30 composições, algumas das quais gravadas em single a seguir, Ob-La-Di, Ob-La-Da foi a que mais rapidamente se popularizou, mas nenhuma sofisticação se descobre nela, que é apenas alegre (além de ter provocado sérias discussões, pela trabalheira que deu em dezenas de gravações até ficar pronta).

Porém, creio que merece especial destaque uma das mais conseguidas canções dolentes de sempre (a par de The Long And Winding Road, posteriormente) dos Beatles: While My Guitar Gently Weeps, composta por George Harrison e que inclui um solo de viola de Eric Clapton, convidado para o efeito.

The White Album tem ainda a seu favor o facto de ser o mais eclético de todos. Quem não descobrir nele uma só canção que o prenda, definitivamente não aprecia os Beatles. O que não é pecado, mas é estranho.

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20 comentários

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De Pedro Correia a 10.09.2009 às 14:54

Este é um (duplo) álbum estranho, pela suas assimetrias. Foi um álbum de produção quase impossível, que levou o George Martin à beira da ruptura com os quatro de Liverpool. As atribulações na gravação (que coincidiram com períodos complicadíssimos nas vidas privadas dos Beatles, incluindo o início do consumo de heroína por Lennon) reflectem-se - a meu ver demasiado - no resultado. Mas tens toda a razão, nesta excelente digressão que fazes: cada um de nós tem as suas canções favoritas, entre tantas, e tão diversas. Confesso que tenho duas: 'I'm So Tired' e 'Bungalow Bill'.
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De João Carvalho a 10.09.2009 às 15:16

'Bungalow Bill' também é das minhas.
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De ariel a 10.09.2009 às 15:03

" O que não é pecado, mas é estranho ". Estranhíssimo :-)))! A primeira vez que fui contemplada com uma serenata, foi precisamente com Hey Jude . Alô alô malta da praia das Chocas!!!
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De ariel a 10.09.2009 às 15:16

Norte de Moçambique :)))
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De Pedro Correia a 10.09.2009 às 15:37

'Hey Jude' é óptima para serenatas. Já a toquei várias vezes.
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De mdsol a 10.09.2009 às 21:07

Grande praia Ariel. Uma serenata nesta praia,... Balhamedeus.
:))))
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De ariel a 10.09.2009 às 22:26

São as melhores praias do mundo Maria do Sol, acredite.:)))
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De mdsol a 11.09.2009 às 09:36

Acredito Ariel. Quando fui a Moçambique não passei do Bilene...
:))
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De ariel a 11.09.2009 às 16:06

Ahhhh, atão já tem um cheirinho daquilo que é bom!!!
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De mdsol a 11.09.2009 às 19:21

Sim, mas só um cheirinho.Que me soube a pouco. Em Março acho que vou voltar. Quem sabe tenho oportunidade de chegar mais longe?

:)))
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De mdsol a 10.09.2009 às 16:19

O que eu aqui aprendo. Eu que nunca fui uma "beatlómana", embora goste da música, ando entusiasmadíssima com este curso sobre (the) Beatles que o estimado DO está a proporcionar aos seus leitores.

:))))))))))))
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De João Carvalho a 10.09.2009 às 16:48

Bom proveito, porque vale a pena.
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De mdsol a 10.09.2009 às 21:08

Direi mais: vale a pena.
O estímulo é tal que até coloquei lá uma "faixa".

:)))))
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De João Carvalho a 10.09.2009 às 22:33

Obrigado, Maria do Sol. Foi um belo gesto, a propósito de um belo tema.
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De mdsol a 11.09.2009 às 09:40

Sabe o que aconteceu? Deixei "isto" ligado toda a noite "aqui". Deve dar uma conta no sitemeter! eheeh. De dia acontec-me muitas vezes, mas de noite foi a primeira vez...ehehe
:)))
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De João Carvalho a 11.09.2009 às 11:32

Deixe lá. Ainda a noite era uma criança e o DO já tinha entrado no top-ten em visitas. Bem bom.
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De Maria a 10.09.2009 às 17:21

Eu esperava este post " do João para agradecer e dizer o que não fiz ontem no post "4 rapazes de Liverpool" do Pedro Correia, ao qual também agradeço - nunca será demais, para mim, ouvir falar, ler sobre os Beatles - pelos "quatro" e por cada um .

A propósito dessa canção de George Harrison - Wy my guitar gently Weeps ” e de Eric Clapton ter gravado o solo de guitarra, na altura,com a sua Gibson - Les Paul" no registo do “Álbum Branco”, sim, porque inicialmente foi uma “balada acústica” - com a guitarra acústica de George e o órgão de Paul. George e Eric eram bons amigos e mesmo assim, conta-se que, não foi fácil George convencer Eric Clapton a gravar pelo receio que este tinha da opinião dos outros Beatles - o que também consta é que a presença de Clapton no estúdio aliviou a tensão existente entre eles na altura. George tinha alguma dificuldade em colocar as suas canções nos discos, desta vez John e Paul cederam;))
Quando George Harrisson deixa a banda em Jan/69 por um período, não muito longo, John chega a pensar em substituí-lo por Clapton isto não chega a acontecer, Mais tarde, em 1969 poderíamos assistir a John Lennon and Eric Clapton live at Toronto Peace Festival"
http://www.youtube.com/watch?v=G_fUJT911_A
No álbum de 1969, no disco Abbey Road, George lançou duas composições próprias: "Something" e "Here Comes the Sun" - para muitos as suas duas mais populares canções.
Tenho um carinho muito especial pela pessoa e pelo trabalho de George Harrisson, embora "Something" e outras dele sejam canções belíssimas eu gosto muito desta.

“(…)
I look at the world and I notice it's turning
While my guitar gently weeps
With every mistake we must surely be learning
Still my guitar gently weeps
I don't know how you were diverted
You were perverted too
I don't know how you were inverted
No one alerted you.

I look at you all see the love there that's sleeping
While my guitar gently weeps
Look at you all...
Still my guitar gently weeps. (…)”
George Harrisson in "The Beatles"
e de muitas outras, especialmente aquelas com nome de
mulher - são tantas...;))
inf.daqui:www.songfacts.com
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De João Carvalho a 10.09.2009 às 18:29

Tudo certíssimo. Clapton incluído.

Partilhamos "While My Guitar Gently Weeps". Também "Something" é realmente 'something'. E semprei gostei muito de "Here Comes The Sun".

Entre os quatro, George foi o grande autor de baladas e canções dolentes.

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