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Toto-debates

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 07.09.09

O debate entre Jerónimo de Sousa e Paulo Portas foi, até ao momento, o mais esclarecedor. Dois partidos cujas políticas se demarcam claramente do Centrão, com propostas diferentes para resolver os problemas da saúde e da agricultura, por exemplo, mas com políticas claramente alternativas às que têm sido protagonizadas pelo Bloco Central de interesses.
Não tenhamos, porém, grandes ilusões. Na área da saúde, como na justiça, não teremos políticas muito diferentes enquanto não tivermos médicos mais disponíveis (eu sei que os há, mas infelizmente são uma minoria) e agentes da justiça menos enquistados em dogmas e com menos apetência mediática. É positiva a proposta de PP de contratualização do Estado com as Misericórdias, mas Jerónimo referiu, bem, a sua insuficiência e salientou a gula do sector privado para “ficar com o lombo” e deixar os restos ao sector público. Traduzindo por miúdos, o que Jerónimo quis salientar foi a apetência do sector privado para aquilo que dá dinheiro: nomeadamente, intervenções cirúrgicas.
O escândalo da política agrícola e de pesca foi salientado pelos dois candidatos, que distribuíram culpas pelo PS e PSD. Paulo Portas acusou, com razão, o ministro da agricultura de desprezar os agricultores e ter perdido 240 milhões de euros de fundos comunitários. Jerónimo de Sousa concordou, mas pôs o dedo na ferida: e aqueles fundos comunitários destinados à agricultura que foram transformados em jipes e casas com piscina?
Na área económica, ambos apostam no apoio às PME, mas JS referiu também a necessidade de apoiar o sector cooperativo, injustamente abandonado pelos sucessivos governos.
No debate ficou bem claro que a fatalidade de sermos governados por  PS ou PSD, naquela espécie de sociedade em comandita onde, à vez, um está no poder e o outro domina o sector económico, pode ser combatida com os votos dos portugueses.
Jerónimo esteve neste debate mais solto do que nos anteriores e PP substituiu o ar rezingão utilizado com Sócrates por um sorriso que muitas vezes pareceu irónico e condescendente para o adversário. Não sei se conseguiu, mas pretendeu transmitir a sensação de que nunca teve responsabilidades governativas, sendo as mais recentes no governo do fugitivo Barroso/ Santana Lopes.
Como referi no início, foi o melhor de todos os debates e  ficou bem patente que Clara de Sousa é, entre as três moderadoras, a única com estaleca para a função.
PP venceu o debate, mas foi uma vitória mais assente na sua capacidade oratória do que na força das suas ideias.

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7 comentários

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De Pedro Correia a 07.09.2009 às 23:29

De acordo com a tua análise, Carlos. Até sobre a Clara de Sousa, que também me parece até ao momento - de longe - a melhor moderadora.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 08.09.2009 às 00:11

Os debates precisavam de ter moderadores equilibrados e equidistantes. Infelizmente, apenas a SIC conseguiu esse objectivo. Ainda bem que o debate Sócrates/MFL será na SIC.
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De Ana Paula Fitas a 07.09.2009 às 23:56

Caro Carlos Barbosa de Oliveira,
Vou fazer link. Obrigado. Abraço.
Ana Paula Fitas
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 08.09.2009 às 00:12

Eu é que agradeço a sua simpatia, Ana Paula
Abraço
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De João Carvalho a 08.09.2009 às 01:01

Inteiramente de acordo, Carlos.
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De Sérgio de Almeida Correia a 08.09.2009 às 10:01

De acordo quanto ao esclarecimento do debate, Carlos.
Clara de Sousa esteve bem, mas os entrevistados também ajudaram.
Mas quanto ao fado, penso que seja mais um problema de sistema político do que de votos. Semi-presidencialismo, semi-parlamentarismo, semi-qualquer coisa que conduz sempre a uma semi-governabilidade que faz de nós um semi-país.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 08.09.2009 às 14:40

E andamos todos semi-confusos e semi-preocupados mas, no dia 28 de setembro, seja qual for o resultado, cada um vai à sua vidinha e marimba-se. Daqui a dosi anos volta tudo ao mesmo. a tristeza deste país é a indiferença. o espírito acomodatício de um povo que fala muito, mas não age.

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