Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Toto-debates

por Carlos Barbosa de Oliveira, em 06.09.09

Tantas foram as vezes que MFL disse que concordava com Louçã, que ao fim de 10 minutos de debate comecei a pensar que no final se iria inscrever no BE.
Louçã deve ter tido a mesma sensação, por isso lançou-lhe uma casca de banana com a Taxa Social Única. Argumentou o líder bloquista que o programa do PSD previa a redução da TSU, o que significa a redução dos fundos da segurança social. MFL  negou e disse que a diferença entre essa redução e a TSU actual seria suportada pelo Orçamento de Estado. Conclusão: serão os contribuintes a pagar essa diferença. Não disse é a que rubrica do orçamento irá buscar esse dinheiro. Significará isso um agravamento dos impostos sobre o trabalho? Louçã não pediu esclarecimentos e foi pena, porque esta é uma matéria de grande importância.
Em matéria de saúde, MFL defende a entrega a privados, enquanto o Estado não for capaz de dar resposta ao sistema. Louçã defende os hospitais públicos e explicou bem as suas razões. Quem já teve necessidade de recorrer aos hospitais públicos e privados conhece bem a diferença e reconhecerá que o tratamento nos hospitais públicos é mais eficiente.
Em matéria de privatizações, as posições dos candidatos são antagónicas. Já se sabia. Lamentavelmente não foi aprofundada a questão da privatização dos serviços públicos essenciais. MFL - tal como já tem feito Sócrates - não se manifestou contra, o que é preocupante. Privatizar os serviços essenciais, como a água, entregando-os a monopólios, significará a breve prazo um encargo insustentável para as finanças dos portugueses. Os portugueses estão a pagar a água abaixo do custo real, pelo que a privatização implicará um acentuado agravamento de custos. Que até já deveria ter ocorrido, mas os governos não têm tido coragem de o assumir.
Na privatização da saúde, MFL contraria o que defendia há um ano. Diz que nunca falou de privatização da saúde, mas não é verdade. Poderá não ter defendido a privatização da segurança social é certo, mas a verdade é que essa medida está contemplada no programa do PSD. E não lhe ficou nada bem utilizar como argumento, para rebater  Louçã, a expressão que ficou célebre no guterrismo: “É a vida!”
MFL aprendeu com PP a sacralizar as “piquenas” e médias empresas e a desvalorizar o papel das grandes empresas na economia e no emprego. Quando MFL foi ministra das finanças, ficou bem visível o apoio dado às “piquenas” empresas. Vale a pena lembrar quantas faliram, na sequência do PEC criado por MFL.
Por várias vezes MFL negou que algumas medidas do programa do PSD, criticadas por Louçã, estivessem no seu programa. Curioso que nem MFL tenha lido o programa do partido que dirige.
Quando a moderadora introduziu o tema das questões fracturantes, com uma introdução que a classifica (mal), ficamos a saber que MFL já não considera o casamento entre homossexuais um tabu, mas continua a defender que deve ser para procriar. Um pequeno passo para Humanidade, mas um grande passo na evolução de MFL.
Termino como comecei. A líder do PSD jogou bastante à defesa, evitando o confronto de posições que lhe seria desfavorável. Salvou-se do KO, mas não evitou a derrota aos pontos.

Autoria e outros dados (tags, etc)


4 comentários

Imagem de perfil

De ariel a 07.09.2009 às 00:15

Salvou-se do KO Carlos porque a Louçã, deliberadamente, não lhe interessa esmagar a avozinha.
Sem imagem de perfil

De João André a 07.09.2009 às 09:22

«a Louçã, deliberadamente, não lhe interessa esmagar a avozinha»

concordo com este ponto de vista.
Sem imagem de perfil

De GJ a 07.09.2009 às 00:56

No meio daquele palavreado todo, também ouvi a "piquena" diferença do PSD no jogo à defesa. E fiquei logo em sentido de alerta.
Sem imagem de perfil

De Luís Lavoura a 07.09.2009 às 10:33

"Os portugueses estão a pagar a água abaixo do custo real, pelo que a privatização implicará um acentuado agravamento de custos."

Fico sem perceber o que defende o Carlos. Que continuemos a pagar abaixo do preço de custo? Que passemos a pagar pelo preço de custo, desde que não paguemos a privados e sim ao Estado ou a Câmaras?

EU para mim é óbvio que a água deve ser paga ao preço de custo, e que é irrelevante saber se é paga ao Estado ou a privados, desde que seja paga ao preço de custo.

Comentar post



O nosso livro


Apoie este livro.



Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2014
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2013
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2012
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2011
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2010
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D
    105. 2009
    106. J
    107. F
    108. M
    109. A
    110. M
    111. J
    112. J
    113. A
    114. S
    115. O
    116. N
    117. D