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Bem e depressa

por Sérgio de Almeida Correia, em 04.09.09

O artigo de Ferreira Fernandes no DN, cujo link aqui fica, resume bem, depressa e em poucos palavras, tudo o que pode ser dito sobre o afastamento de Manuela Moura Guedes. O caso não merece mais comentários. O Jornal de Sexta, acho que era assim que se chamava a "coisa", era um momento execrável de televisão, onde a informação se confundia com os trejeitos e a opinião da apresentadora. Não raras vezes os entrevistados ficaram apalermados com os seus comentários e eles próprios perderam, lamentavelmente, as estribeiras. Mas havia quem gostasse e insistisse no modelo. A começar por Manuela Moura Guedes. É evidente que uma decisão como a que agora foi tomada pelos patrões da Prisa, perfeitamente legítima, coloca muita coisa em causa. Querer fazer disso um acto de censura política por parte do Governo ou do PS não merece comentários. A Prisa zela pelos seus interesses, pela valorização dos investimentos dos seus accionistas e nada mais. Moura Guedes conseguiu a sua vitimização à custa dos seus próprios patrões na cruzada que trava contra Sócrates. Mas que a decisão é de uma imbecilidade atroz e levanta muitas questões sobre a inteligência de alguns gestores pagos a peso de ouro e o poder de algumas forças na comunicação social portuguesa, lá isso é verdade. Ao contrário de alguns que já se esqueceram do papel de Morais Sarmento e do afastamento de Marcelo Rebelo de Sousa, que então primaram pelo silêncio, o direito à informação não sai minimamente prejudicado. O que sai prejudicado é o direito à liberdade de expressão, o direito à opinião livre e independente, embora se possa sempre questionar até que ponto a independência é compatível com o espartilho das audiências e a submissão económica e financeira. Enfim, o problema já vem de mais atrás, de quando o canal foi concessionado à Igreja e acabou a passar filmes semi-pornográficos para conquistar audiências. Se Cavaco Silva tivesse imaginado no que a TVI ia dar estou certo de que nunca teria atribuído o canal à Igreja nas condições em que o fez, prejudicando por mero complexo, atavismo e preconceito o grupo representado por Daniel Proença de Carvalho. A TVI continua a pagar pela forma como o seu parto teve lugar. O que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. O povo lá sabe porquê.  

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11 comentários

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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 12:36

Dizes que a liberdade de informação não está em causa, Sérgio. Veremos. Basta aguardar pelas 20 horas de hoje para saber se a tal peça com revelações explosivas sobre o caso Freeport vai ou não para o ar. A liberdade de informação estará sempre em causa sempre que um Conselho de Admnistração se sobrepuser a uma Direcção de Informação na definição de conteúdos e formatos editoriais.
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De Luís Lavoura a 04.09.2009 às 12:49

É natural que os jornalistas defendam o seu naco de poder, que abocanharam durante o PREC e então foi vertido em lei. São uma corporação como qualquer outra.

Para mim, o Conselho de Administração sobrepõe-se, sempre que lhe apetecer, à Direção de Informação. Os jornalistas não podem estar em autogestão. Empresas privadas não são nem podem ser empresas propriedade dos seus trabalhadores.

O PREC acabou. É preciso acabar com as corporações que ele criou.
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De Pedro Correia a 05.09.2009 às 01:18

Lamento informá-lo, Luís Lavoura, mas isto não é uma questão de palpite: é uma questão legal. Quem define os conteúdos informativos são os directores de informação, não são os administradores. Em Espanha não sei como é, em Portugal sei que é assim.
O Conselho de Administração interfere directamente em duas ocasiões: quando nomeia e quando exonera a Direcção de Informação. E basta. Cada macaco em seu galho.
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De Sérgio de Almeida Correia a 04.09.2009 às 13:00

É, talvez tenhas razão. Vamos aguardar para ver, mas para já é o que penso sobre isso. Agora é fácil dizer que iriam para o ar revelações "bombásticas" sobre o Freeport. Faz parte da vitimização. O aproveitamento à custa de um disparate não engana. A ver vamos.
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De Sérgio de Almeida Correia a 04.09.2009 às 14:47

Este comentário ficou desinserido do local próprio. Ele dizia respeito ao comentário anterior do Pedro.
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De Luís Lavoura a 04.09.2009 às 12:49

Sugiro que leia a minha opinião sobre o assunto, no blogue em que escrevo.
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De Carlos Dias Ferreira a 04.09.2009 às 12:58

Sérgio:

Goste-se ou não (eu não aprecio) do estilo de MMG, a atitude tomada pela administração em Portugal (os espanhóis já o afirmaram), tem e deve ser condenada pois é um atentado à liberdade de expressão, como muito bem escreve o Pedro Correia.
Há muita coisa a explicar e isso devemos nós todos exigir que seja feito pois até lá as suspeitas irão sempre existir e não é vir garantir que nada tem a ver com a decisão (tomada de posição do PS e do PM) ou que o alinhamento dos "jornais nacionias" passa a ser idêntico toda a semana (antes não era porquê?) que chega para esclarecer, mercemos mais.
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De ana cristina leonardo a 04.09.2009 às 13:17

É evidente que uma decisão como a que agora foi tomada pelos patrões da Prisa, perfeitamente legítima, coloca muita coisa em causa. Querer fazer disso um acto de censura política por parte do Governo ou do PS não merece comentários. A Prisa zela pelos seus interesses, pela valorização dos investimentos dos seus accionistas e nada mais

Duas notas: há regras para garantir as mexidas dos patrões nas questões editorias (lá porque o grupo é privado não quer dizer que não deva respeitar a lei)
Mas mesmo aceitando o raciocínio não se percebe
como acabar com o telejornal mais visto do país serve para zelar pelos "interesses"

E esclareço já que nunca vi o telejornal da MMG porque não vejo televisão, nem a MMG a bater no Sócrates nem a RTP a elogiar o Sócrates
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 04.09.2009 às 13:31

Ia escrever sobre o texto de Ferreira Fernandes, mas ainda bem que o fizeste primeiro Sérgio. Estou plenamente de acordo com a tua interpretação dos factos. esgrimir os fantasmas da Censura. O anúncio da morte da liberdade de imprensa é manifestamente exagerado. Como escreve FF, aquilo da MMG é "jornalismo abaixo de cão".
Como foi abaixo de cão o anúncio da homossexualidade de `Sócrates em 2005. Essa liberdade de imprensa não quero.
Quando os jornalistas não sabem respeitar a sua profissão, alguma coisa vai mal.
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De ana cristina leonardo a 05.09.2009 às 02:33

o jornalismo abaixo de cão tem direito a existir por muito que os vossos espíritos democráticos não o percebam
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De Sérgio de Almeida Correia a 05.09.2009 às 17:02

Eu também estou de acordo: tem o direito de existir. Mas não deixa de ser abaixo de cão. E não responsabiliza o PS pelo servilismo de algumas pessoas que querem sempre ser mais papistas do que o Papa.

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