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Não gostam de MMG? Eu também não

por Ana Margarida Craveiro, em 04.09.09

Mas isto é que importa:


Je défendrai mes opinions jusqu'à ma mort, mais je donnerai ma vie pour que vous puissiez défendre les vôtres.

 

Voltaire

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17 comentários

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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 00:43

Justamente. Como disse há pouco Mário Bettencourt Resendes na SIC Notícias, "Portugal é um país menos plural sem o Jornal da MMG."
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De João Carvalho a 04.09.2009 às 01:12

Também ouvi e achei que é isso mesmo.
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De Ana Vidal a 04.09.2009 às 00:53

Pois é, isso é o que importa.
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De Sara a 04.09.2009 às 01:08

Eu sei que devia concordar, mas neste caso específico não consigo... Se calhar ainda é a euforia da notícia de que não precisarei vê-la a maltratar o jornalismo tão cedo...
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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 09:20

Não gostarmos deste ou daquele estilo não é motivo para justificar semelhante atentado à liberdade de imprensa mandando calar o telediário mais crítico (e com mais audiência) em plena campanha eleitoral, ainda por cima com uma ilegalidade de base. Direi aqui todas as vezes que for necessário: um administrador de uma empresa, à face da lei portuguesa, não pode interferir nos conteúdos de um órgão de informação, que são da esfera exclusiva da Direcção de Informação. Não sei se é assim em Espanha, pelo menos é assim em Portugal.
Capice, Sara?
Para um jornalista esta não é uma questão de gosto ou de 'mais ou menos'. É uma questão grave, de fundo. Pelo menos tão grave como a que ocorreu em Outubro de 2004, quando outro administrador da TVI mandou tirar do ar os comentários incómodos de Marcelo Rebelo de Sousa: nessa altura MRS foi recebido em audiência em Belém e foi ouvido pela Assembleia da República. Gritou-se: 'Vem aí a censura'. E bem. Exactamente como aconteceu agora: vem aí a censura. Ou melhor: já está aí. Com sotaque madrileno.

Desculpa o desabafo. Mas não consigo ficar indiferente a estas questões. Um beijinho
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De João Carvalho a 04.09.2009 às 11:39

O pluralismo de opiniões tem resposta na pluralidade das escolhas, Sara. Quem não gosta escolhe alternativa. Mas, para isso, é preciso que as alternativas existam. Caso contrário, resta a pobreza: ou regressamos ao monopólio, ou têm de ser todos afinados pelo mesmo diapasão.
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De Luís Reis Figueira a 04.09.2009 às 05:26

Na verdade, eu também não gosto do estilo da MMG, o que não pode ser argumento para se eliminar desta forma indecente, alguém que nos é incómodo. E o ponto é exactamente aquele que foca com a citação de Voltaire. Silenciar alguém desta forma, (ainda por cima neste momento) é a pior maneira de o fazer, e quem quer que tenha tomado essa decisão, prestou um péssimo serviço ao suspeito do costume - o governo - se é que a ideia não era exactamente essa, o que também não é de excluir.
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De João Carvalho a 04.09.2009 às 12:07

Realmente, de exclusão em exclusão... no final ninguém fica no mesmo lugar.
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De Virgínia a 04.09.2009 às 09:05

O Jornal Nacional de sexta-feira da TVI era um sério adversário do contra-informação da RTP1. Era cómico q.b.
O cancelamento do programa da MMG está a ser usado, politicamente, de maneira indecente. Há tantos programas que acabam e outros que começam... porquê tanto alarido?
O que aconteceria se MMG tivesse dito que ia apresentar uma peça com documentos e imagens exclusivas do que foi encontrado num compartimento secreto cuja entrada era junto de uma sanita?
O caso Freeport, que não mexeu com dinheiros dos contribuintes, não me choca nem ao de leve.
Há casos como o BPN, BPP e etc. que já nos sorveram impostos que tanto nos custaram e custam a pagar e esses são muito graves.
Quanto à solidariedade dos colegas para com MMG, é muito bonito, mas os maridos/mulheres dessas/es colegas não receberam ultimamente indemnizações milionárias.
Peço desculpa por me ter alongado.
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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 09:29

A Virgínia não gostava do programa de MMG, o PM também não. Ainda assim, fica um facto: era o telediário mais visto em Portugal. Outro facto: a TVI é um dos activos que dão mais lucro ao Grupo Prisa - é líder nas receitas publicitárias de televisão em Portugal. Nenhuma lógica empresarial justificava o silenciamento do programa que mais incomodava o PM em plena campanha eleitoral.
O caso Freeport não lhe diz nada "por não have dinheiros públicos"? Curioso argumento: muito parecido com o que Manuela FL acaba de usar para justificar a inclusão de António Preto nas listas do PSD: o dinheiro em causa era só de doações para o partido e ele não tinha funções públicas. Dava para encher uma grande mala, mas não faz mal, não interessa a ninguém, "não é dinheiro dos contribuintes", assobiemos para o lado. De um lado, iliba-se Preto, do outro iliba-se o Grupo Prisa.
O que aconteceu na TVI não é uma questão de gosto ou de somenos: foi um caso grave de censura que deve ser denunciado por todos os jornalistas profissionais (é um imperativo do nosso código deontológico). E também deve ser denunciado por todos os cidadãos que prezam as liberdades. Tal como sucedeu em Outubro de 2004, quando Marcelo RS foi silenciado na mesmíssima TVI, embora por outra administração. A diferença é que nessa altura quem governava era o PSD, agora é o PS. Só essa.
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De Virgínia a 04.09.2009 às 10:53

Pedro, até acho que estamos de acordo.
MMG era mais vista porque quase todos gostam de 'estórias' de faca e alguidar. Se o Grupo Prisa perde com a publicidade, é problema dele. É um tiro no pé.
Preto é igual a Isaltino, ambos se 'abotoaram' de dinheiros que eram para uma campanha eleitoral dos partidos; como tal esse dinheiro que sobrou deveria ter ficado à ordem dos partidos para financiar a campanha seguinte. Não foi dinheiro 'oferecido' a uma pessoa, mas a um partido.
No caso do Freeport, se houve pagamento de luvas por 'um jeito', foi um negócio entre particulares e, como se dizia na Africa do Sul "são brancos, que se entendam". Quem de nós nunca pediu ou fez um favor e deu ou recebeu um presente? Tudo na sua dimensão; quem atira a primeira pedra?
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De João Carvalho a 04.09.2009 às 11:50

Ainda não é possível concordar, Virgínia.
1. Sobre o caso TVI, o Pedro já disse tudo.
2. Preto e Isaltino não podem confundir-se excepto na moral (ou na falta dela): Preto aceitou ou foi correio de suspeitosas importâncias particulares e Isaltino "abotoou-se" com dinheiro dos contribuintes que recebeu do Estado.
3. O Freeport nasceu em zona protegida (que é património do Estado, logo, de todos), eventualmente desclassificada para fazer um jeito em troco de "luvas".
Não podemos, pois, confundir tudo e deixar andar. Pela minha parte, não tenho qualquer pejo em ser o primeiro a apontar o dedo a tudo o que for sujeira. Mais ainda se isso afectar toda a gente a favor de alguns.
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De Luís Lavoura a 04.09.2009 às 10:02

Mas a Manuela tem todo o direito a defender as suas opiniões - não tem é o direito de defendê-las utilizando como veículo uma estação de televisão que não lhe pertence!

Será que a Ana Margarida não percebe? A TVI pertence a Juan Luis Cebrián, portanto, esse senhor é quem manda nela, ponto final parágrafo.

Se a Manuela quer ter um Jornal Nacional para difundir os seus pontos de vista, que crie a sua própria estação de televisão. É livre de o fazer. Pode até gravar o seu próprio Jornal Nacional e difundi-lo através do YouTube.
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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 10:13

Caro Luís Lavoura,
Esse argumento não é novo. Já o escutei em Outubro de 2004 da parte de muitos adeptos do Governo de Santana Lopes quando Paes do Amaral decidiu retirar do ar, também na TVI, os incómodos comentários de Marcelo Rebelo de Sousa. Nessa altura, como agora, estava em causa um grave atentado à liberdade de expressão - que então chegou inclusive a justificar uma deslocação de MRS ao Palácio de Belém e outra à AR, onde foi ouvido pelos deputados. A TVI não era então 'do' Paes do Amaral como agora não é 'do Cebrián: é concessionária de um bem público, mediante concurso e sujeita a um prazo limitado, eventualmente prorrogável. Amaral já foi administrador, agora é Cebrián, seguir-se-á (em breve, como veremos) um outro qualquer. A TVI pode ter um patrão espanhol, ucraniano, americano ou mongol, mas tem de cumprir as leis vigentes em Portugal. A lei de imprensa e a lei da televisão especificam que os actos da esfera da Direcção de Informação não podem ser exercidos pelos membros do Conselho de Administração. Foi o que aconteceu: a Administração ultrapassou claramente a sua esfera de competência, incorrendo numa ilegalidade. Por isso a ERC anunciou a abertura imediata de um processo de averiguações. Mas o que importa é isto: tratou-se de um atentado à liberdade de informação e de expressão, tal como aconteceu em Outubro de 2004 com Marcelo Rebelo de Sousa, digam o que disserem os adeptos do Governo de Santana Lopes.
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De Luís Lavoura a 04.09.2009 às 11:11

Ana Margarida,

eu discordo de si (e da lei portuguesa) em diversos pontos.

1) Não tenho nada a ver com o Marcelo Rebelo de Sousa. Em minha opinião, nem no caso nem no outro há nem houve qualquer atentado às liberdades de informação e de expressão.

2) A lei portuguesa está errada, na medida em que concede aos jornalistas, como se se tratara de uma empresa em autogestão, o direito de influenciar a orientação da empresa. Por isso, a haver ilegalidade nesse ponto, estou-me nas tintas, porque quem está errada é a lei.

3) Por outro lado, na medida emq ue se trata de uma concessão de um bem público (as ondas hertzianas), há de facto uma violação grave dos termos da concessão, na medida em que o Jornal Nacional da Manuela não era um programa informativo era sim um one-woman show, e violava todas as regras deontológicas da profissão. A isso a lei portuguesa não pode fechar os olhos, na medida em que se trata de uma violação das regras da concessão.

Ou seja, estou-me nas tintas para a lei da imprensa, na medida em que essa lei viola as regras que devem imperar dentro de uma propriedade privada, que é a estação de televisão. Por outro lado, não me estou nas tintas para as regras da concessão, na medida em que elas dizem respeito ao uso de um bem público. O dono da TVI tem todo o direito de mandar nela, desde que cumpra os critérios da concessão, que obrigam a ter espaços informativos. E o dono da TVI claramente não viola esse critério, na medida em que o Jornal Nacional vai continuar a existir, só que vai passar a ter outros apresentadores, e vai passar a transmitir notícias em vez de ter uma boca-de-broche a emitir opiniões como se de notícias se tratara.
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De João Carvalho a 04.09.2009 às 11:55

Deixe de teimar por teimar, que lhe fica mal. Acha que a lei portuguesa está errada? Faça o que aconselha aos outros: vá para o YouTube fazer campanha pela sua alteração.
Até lá, a lei é lei. Faça-se à estrada ignorando o código e verá o que lhe acontece. Porquê? Porque o código é lei.
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De Pedro Correia a 05.09.2009 às 01:28

O seu ponto é este: está-se nas tintas para a lei, não quer saber, a lei devia ser diferente do que é e não sei que mais, está-se nas tintas para a liberdade de expressão e mais não sei o quê. Grau zero de argumentação: escusava de desdobrar em tantos pontos. Um chegava. Ficamos conversados.

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