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A golpada

por Pedro Correia, em 03.09.09

BE, CDS, PSD e PCP contestam, sem ambiguidade, a golpada de hoje na TVI. Muito bem.

O Sindicato dos Jornalistas critica, sem rodeios, a "ingerência ilegítima" da administração da TVI numa área da estrita competência da Direcção de Informação. Muito bem.

A ERC anuncia a abertura imediata de um processo de averiguações. Muito bem.

O ministro Santos Silva considera "absolutamente incompreensível" a decisão do Grupo Prisa de afastar Manuela Moura Guedes dos ecrãs e pôr fim ao polémico Jornal Nacional. Muito bem.

A redacção da TVI repudia "quaisquer actos que ponham em causa a sua dignidade profissional e independência jornalística, bem como a liberdade de imprensa em geral", contestando a supressão do Jornal Nacional. Muito bem.

A administração da TVI, em comunicado, atreve-se a dizer que defende a "independência, o rigor e o profissionalismo" da estação. Muito mal. É preciso não ter um pingo de vergonha para vir agora com uma arenga destas.

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17 comentários

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De Rui Costa a 03.09.2009 às 21:57

Nem mais. O que mais me faz confusão neste caso é que, apesar de o jornal ter sido cancelado, o sensacionalismo continua (http://costarochosa.blogspot.com/2009/09/jornal-nacional-mais-sensacionalismo.html). Pior: esse sensacionalismo vem da classe politica. E isso é assustador.
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De José Magalhães a 03.09.2009 às 22:15

E eu, pensei assim

http://atributos-1.blogspot.com/2009/09/ja-era-de-se-esperar.html

Melhores cumprimentos

JM
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De João Carvalho a 03.09.2009 às 22:16

Finalmente, fica aqui tudo dito. Tudo dito até ao momento, porque está tudo por dizer e o que falta saber tem de ser dito para que se saiba.
Marcaste o ponto da agenda, compadre. De forma precisa. Venha agora o que interessa, que é a explicação, para que termine a especulação e se possa entender o que aconteceu.
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De Pedro Correia a 03.09.2009 às 23:25

A explicação, para mim, é óbvia: houve um excesso de zelo no momento errado. A decisão veio do Grupo Prisa, à revelia da Direcção de Informação da TVI. É uma decisão ilegal, pois a administração de uma empresa jornalística, à luz da lei portuguesa, não pode interferir no conteúdo editorial de um órgão de comunicação social. Pior que isso foi verificarmos como a estratégia editorial de um órgão de informação português - a TV com mais audiência - pode ser delineada em Madrid, como há pouco salientou o Miguel Sousa Tavares. Tudo preocupante.
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De Daniel João Santos a 03.09.2009 às 22:22

Exige-se saber a verdade sem nuvens de fumo.
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De Amêijoa Fresca a 03.09.2009 às 22:28

A liberdade decepada,
nesta época eleitoral,
é uma acção dopada
e totalmente imoral.

Há muito por destapar
e verdades escondidas,
há quem queira “lerpar”
em jogadas desmedidas.
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De Sara a 03.09.2009 às 23:10

Resta-me pois concordar com quase tudo, com especial incidência no último ponto. A excepção vai para aquele ponto em que se diz muito bem da ERC, que declara a intenção de fazer um inquérito, sim, mas só depois de já ter condenado um eventual culpado. Triste.
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De Pedro Correia a 03.09.2009 às 23:25

Triste mesmo.
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De MJP a 04.09.2009 às 00:05

Todos concordam, no entanto a TVI acaba com o seu produto de sucesso.

Todos dizem querer o JN de volta mas a administração da TVI prescinde de "vender" um produto que parece aue reune aceitação.

Estes administradores da Media Capital estão a arruinar a empresa. Alguém acredita?
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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 00:19

A ordem para extinguir o Jornal Nacional - que recebeu violentas críticas de José Sócrates, em Abril, no congresso do PS e em entrevista à RTP - veio de Juan Luis Cebrián, administrador da Prisa e há 30 anos o maior aliado do Partido Socialista espanhol na comunicação social. E eis como um espanhol interfere directamente numa decisão editorial do mais relevante canal de TV portuguesa, violando a lei portuguesa. Recordo: em Portugal, nos termos da lei, quem toma as decisões de carácter editorial é a Direcção de Informação, não a administração da empresa, seja ela qual for. E a decisão de retirar MMG do ecrã e de suprimir o JN é uma decisão editorial.
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De Clara França Martins a 04.09.2009 às 09:43

O Jonal Nacional não foi suspenso, vai para o ar como todos os dias. Quem foi suspensa foi a Moura Guedes. E isso qualquer adminitração de uma empresa pode fazer.
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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 09:56

O jornal de sexta-feira tinha características únicas, como bem sabe. Se acredita mesmo no que escreveu, considera certamente absurdo que se tenha demitido a Direcção de Informação da TVI em bloco e que os jornalistas da estação se tenham insurgido por unanimidade contra esse 'diktat' da administração. Mais: nessa hipótese também a posição do Sindicato dos Jornalistas se tornaria absurda e a do próprio ministro Santos Silva idem aspas.
Lamento contradizê-la mas, ao contrário do que diz, a decisão de manter ou tirar do ar uma pivô compete em exclusivo à Direcção de Informação, que foi claramente ultrapassada e desautorizada neste caso. Não é nem poderia ser um acto de gestão, da esfera do Conselho de Administração.
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De Carlos Barbosa de Oliveira a 04.09.2009 às 10:50

1- A Prisa cortou com o PSOE, como já deves saber...
2- É bom não misturar o "despedimento" de MMG com outras coisas. A TVI não desmantelou a equipa, a investigação sobre o Frreport pode seguir com a mesma equipa e com MMG
3- Se existe. REPITO: se existe uma peça com novos desenvolvimentos, a TVI tem obrigação de a divulgar. Se o não fizer , há razões para adensar as suspeitas de intervenção do governo nete imbróglio.
4- Se a TVI não transmitir a peça, MMG tem obrigação de divulgar o seu conteúdo. Espaço onde o possa fazernão lhe falta.
5- MMG ( nem nenhum jornalista) é dono de um espaço informativo.
6- Não sei se é jornalismo sério, utilizar um espaço para fins políticos. Era isso que MMG estava a fazer. Porque razão não avançou noutras investigações como o caso BPN, ou BCP? Aí haveria pluralismo informativo.
7- Acho INADMISSÍVEL a decisão da PRISA.Se é ilegal, não sei. Mas tenho a certeza que é ilegal despedir com recurso à chantagem, como no caso que referi ontem. É também ilegal despedir jornalistas grávidas e/ou em licença de parto. No entanto...
8- O fim do Jornal da sexta estava marcado desde o dia em que JEM saiu da TVI. Foi ele mesmo quem disse que era um projecto dele. Se Moniz saiu, é natural que se procedam a mudanças. Isso acontece em qualquer tipo de empresa e em qualquer parte do mundo.
9- Bernardo Bairrão quis manter MMG e isso ajuda a perceber muita coisa
10- Está a valorizar-se demasiadamente um caso, a partir de suposições. Admito perfeitamente que os blogs o façam. Não aceito é que alguma imprensa siga o mesmo rumo.
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De SD a 04.09.2009 às 04:34

Caro Pedro Correia,

O MMS tb contesta esse atentado inaceitável contra a liberdade de expressão.

Tem um comunicado no seu site, que já foi tb publicado nos jornais on-line.
Aqui por exemplo:
http://www.ionline.pt/conteudo/21294-mms-considera-que-suspensao-do-jornal-sexta-visou-proteger-o-poder

Cumps,
SD
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De Pedro Correia a 04.09.2009 às 09:34

Registo com agrado. Também considero que foi um inaceitável atentado à liberdade de expressão. Inaceitável desde logo por ter sido ilegal.
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De Sérgio de Almeida Correia a 04.09.2009 às 12:18

O capital tem muita força, Pedro.
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De Pedro Correia a 05.09.2009 às 01:44

O capital está cada vez mais prisioneiro do poder político, Sérgio. Em todo o lado - e Portugal não é excepção. O grupo Prisa, que já foi um potentíssimo império editorial, anda com a corda na garganta, sem liquidez: teve mais olhos que barriga e a morte recente do patriarca Jesús Polanco só agravou as coisas.
Até por isso não é possível vislumbrar 'lógica de mercado' no que acaba de ocorrer na TVI, que era (e ainda é, resta ver por quanto tempo) uma grande fonte de receitas para o grupo.

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