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Ter razão cedo de mais

por Pedro Correia, em 28.08.09

 Em 29 de Setembro de 1938, virava-se em Munique uma das mais vergonhosas páginas da diplomacia ocidental. Neville Chamberlain, então primeiro-ministro britânico, vendeu a Checoslováquia e a honra do seu país na capital da Baviera, capitulando aos pés de Hitler sem que o tirano nazi tivesse sequer necessidade de disparar um tiro. Tudo em nome “da paz honrosa no nosso tempo”, como proclamou no regresso a Londres, entre os aplausos da populaça.

A 'paz' dos pacifistas é muitas vezes apenas o caminho mais curto para a guerra: eis a principal lição dos compromissos de Munique, em que Chamberlain e o primeiro-ministro francês Édouard Daladier se vergaram à vontade de Hitler e do seu aliado Mussolini para 'preservarem' a paz. Os tambores de guerra já rufavam – eles foram os últimos a perceber.
Discursando na Câmara dos Comuns a 5 de Outubro de 1938, Winston Churchill – então o mais impopular dos políticos britânicos – advertiu Chamberlain para o enorme fiasco de Munique: “Teremos a desonra e teremos a guerra.”
Foi apupado pelos seus pares. Mas era o único a ter razão, como meses depois todos perceberam. Vai fazer agora 70 anos.

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16 comentários

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De Carlos Pimentel a 28.08.2009 às 00:48

E foi mesmo.

Felizmente, pouco depois, Leo Amery, do meu ponto de vista um homem a sério, citando um dos seus antepassados, interpelou Chamberlain e invectivou-o:

«Go, in the name of God, go!»

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De António Manuel Venda a 28.08.2009 às 01:03

Li por estes dias um pequeno livro sobre os tempos seguintes, quando a cobiça de Hitler era sobre a Polónia. Chamberlain e Daladier continuavam na mesma. No fim do livro, já com a Polónia invadida, começam as referências a Churchill. «1939, Contagem Decrescente para a Guerra», de Richard Overy (Livros d'Hoje); livro fascinante.
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De Pedro Oliveira a 28.08.2009 às 09:30

Agardecido pela sugestão.vou comprar.
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De Pedro Correia a 28.08.2009 às 10:11

Bem interessante, esse livro, António. Também acabo de o ler. Para a semana escreverei sobre ele aqui.
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De mdsol a 28.08.2009 às 09:57

É um aborrecimento ter razão cedo demais. À escala de cada um: "sofre-se" no momento em que ninguém nos entende e ainda passamos por estorvo que desmancha o prazer das soluções tipo "tá-se mesmo a ver, p'ra quê complicar". Sofre-se a seguir, no confronto com os problemas criados pela má solução e que sentidos como evitáveis, se tornam mais irritantes. Sofre-se passado algum tempo quando inevitavelmente se volta a discutir o assunto e acabam por decidir algo semelhante ao nosso entendimento inicial. Só que, obviamente, a situação já não é o que era e tudo parece sopa mal requentada...

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De Pedro Correia a 28.08.2009 às 10:13

Políticos que costumam ter razão antes do tempo acabam por ter um percurso mais acidentado. Foi precisamente esse o caso de Churchill, Maria do Sol. Hoje é considerado um dos gigantes da política europeia e mundial. Mas houve um tempo, aliás longo, em que era o politico mais detestado em Londres.
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De José António Abreu a 28.08.2009 às 10:35

Para além de ter razão antes do tempo (e a razão raramente é atribuída a estas pessoas, mesmo quando já se provou que a tinham) Churchill apresentava pelo menos mais um grande defeito: era tudo menos politicamente correcto. No sistema político actual nunca seria mais que um excêntrico, uma voz incómoda que a liderança do seu partido tentaria manter calada. O que diz muito sobre os partidos actuais mas também sobre os eleitores.
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De Pedro Correia a 29.08.2009 às 00:28

Tem razão. Acrescento que, mesmo naquela época, só foi projectado para o primeiro plano devido à guerra. Foi um homem excepcional num momento excepcional. Não era um político para tempos sem história.
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De Amêijoa Fresca a 28.08.2009 às 11:00

A capacidade de visão
além das evidências,
deu-lhe toda a razão
contra as imprudências.

Primeiro detestado
pela sua dissensão,
depois ficou atestado
pela sua conspecção.
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De Daniela Major a 28.08.2009 às 13:36

Isso do WC ter razão acontecia mais vezes do que era suposto... ;)
Era curiosa a relação do Churchill com o Chamberlain...quando este morre, Churchill faz um discurso algo comovente, mas por outro lado não perdia uma oportunidade para gozar com ele. Lembro-me de uma história em que Churchill vai a Jerusalém e o guia diz: "Foi aqui que nasceu o Princípe da Paz", e Churchill diz: "Mas eu pensava que Neville tinha nascido em Birmingham". :D
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De mdsol a 28.08.2009 às 15:34

Não é por nada, mas há abreviaturas e abreviaturas.
:))
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De Daniela Major a 28.08.2009 às 15:47

ahaha tem toda a razão...mas só agora é que de conta. Isto não se querer repetir a mesma palavra dá nestes desastres...=D
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De Pedro Correia a 29.08.2009 às 00:29

De facto, Daniela, há abreviaturas e abreviaturas... Essa história que relatas revela bem o espírito de Churchill: sabia ser mordaz sem nunca perder a classe.
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De mdsol a 28.08.2009 às 15:35

"Um apaziaguador é aquele que alimenta um corcodilo na esperança de só ser devorado em último lugar."
Winston Churchill

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De João Carvalho a 28.08.2009 às 19:47

Essa fez-me lembrar Mário Soares, quando ele confunde a Al-Qaida com a Lacoste.
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De mdsol a 28.08.2009 às 20:50

Essa é muito elaborada. Axokintendi.
:))))

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