
As (excelentes) intervenções de Obama em África suscitaram um óptimo texto de Nuno Gouveia, do qual salientaria a seguinte passagem: "Obama pediu aos africanos que parem de se queixar do seu passado colonialista, e da exploração que sofreram pelos europeus. A génese dos problemas africanos está sim, na corrupção e nas suas elites. E Barack Obama foi mais longe, dizendo que a ajuda ocidental deve ser acompanhada pela garantia de boa governação e de boas práticas democráticas. [...] ao contrário daqueles que culpam o Ocidente e o capitalismo, o presidente americano urge os governos africanos a abraçaram um modelo de desenvolvimento económico e social responsável, assente nas instituições democráticas."
Obama está perfeitamente ciente de que a sua Presidência assume importantes contornos simbólicos e que esse facto, mais do que simples curiosidade, pode ser utilizado para operar alterações concretas nas políticas públicas. Naturalmente que não se "decreta" por exemplo o fim do racismo nos EUA, nem o fim da corrupção em África, mas quando um Presidente negro se refere a estes dois temas, as suas palavras têm uma amplitude e um significado reforçados. E ao insistir que, quer os afro-americanos, quer os povos africanos, têm de abandonar a referência sistemática à "exploração do passado", e assumir a sua responsabilidade e lutar pelo seu próprio destino, Obama envia claramente a mensagem certa.
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