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A vaia (cont.)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 07.07.09

A actuação de José Sócrates enquanto Primeiro-Ministro fica marcada, nestes últimos quatro anos, por um desconhecimento ou alheamento do institucionalismo que o cargo comporta, curiosamente um dos principais defeitos atribuídos a Pedro Santana Lopes.

 
Não se espera que um Primeiro-Ministro minta frontalmente acerca de assuntos da governação, e José Sócrates por várias vezes mentiu, como posteriormente se veio a verificar (veja-se o relatório que não era afinal da OCDE ou o negócio com a PT, manifestamente do seu conhecimento).
 
Não se espera que um Primeiro-Ministro trate outros órgãos de soberania como espaço sujeito aos seus desmandos, e por várias vezes José Sócrates demonstrou não saber para que serviam tais órgãos (vejam-se as andanças de Rui Pereira do Tribunal Constitucional para o Governo ou a forma como José Sócrates sistematicamente desrespeitou a oposição no parlamento).
 
Não se espera que um Primeiro-Ministro encare toda a crítica política como uma crítica pessoal, feita contra a sua pessoa, e por várias vezes José Sócrates manifestou encarar a crítica política como uma frente de difamação da sua pessoa (veja-se a forma como José Sócrates se dedicou a atacar a TVI).
 
Não se espera que um Primeiro-Ministro tenha do funcionamento do Estado uma visão maniqueísta e enredada em interesses, a tal ponto que, ele próprio, coloca em causa o respeito estadual pelos básicos princípios do Estado de Direito (veja-se a forma como, pela boca de José Sócrates, o país acordou para o facto de a investigação criminal em Portugal estar a mando de campanhas negras).
 
Não se espera que um Primeiro-Ministro olhe para a oposição como gente que não sabe o que diz, apenas porque legítima (e por vezes fundadamente) dela discorda, e por várias vezes José Sócrates (ou Augusto Santos Silva a seu mando) destratou os líderes da oposição, especialmente Manuela Ferreira Leite, e respondeu à oposição com acusações fora das motivações políticas.
 
Estes episódios, entre tantos outros, demonstram uma falta de entendimento, pela parte de José Sócrates, do sentido institucional do cargo, de tal forma que toda sua actuação governativa está centrada no cidadão José Sócrates e não no Primeiro-Ministro de Portugal (uma vista de olhos ao recente Portal do Governo dá bem conta da coisa). E se a distinção parece de somenos, e não é, a verdade é que a mesma comporta consequências políticas, que procurarei identificar no próximo post e que, no meu ponto de vista, precipitaram o declínio eleitoral do PS.

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5 comentários

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De João Moreira Pinto a 07.07.2009 às 16:55

Parabéns ela a análise. Acutilante! Aguardo a (cont.).
Abraço,
JMP
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De Cristal a 07.07.2009 às 22:54

Também felicito o autor e fico aguardando a continuação.
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De Pedro Correia a 08.07.2009 às 00:04

Então já somos três.
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De Adolfo Mesquita Nunes a 08.07.2009 às 11:44

Obrigado!
A vaia segue dentro de momentos:)

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