Segunda-feira, 6 de Julho de 2009
por André Couto | 06.07.09

Leonor Coutinho deu ontem nota da sua indignação, indignação que partilho. É inconcebível que seja em plena segunda semana de Julho, a dois meses das eleições, que se definam as regras para um ciclo eleitoral que há anos estava delimitado no tempo.

Um dos problemas que temos na política interna é a incapacidade de atrair bons valores e boa gente, esses amiúde apostam no privado onde não conhecem tanta exposição e são remunerados a um nível superior. Esta medida agora aprovada reforça essa incapacidade. A política no Partido Socialista deixa de ser algo previsível e aquilo que era verdade ontem passou a ser hoje mentira, o que é especialmente grave tendo em conta que se trata de opções de destino de vida e de carreira feitas por muita gente.

Não está em questão o mérito da decisão. Como já afirmei, concordo plenamente com a não permissão de duplas candidaturas. O Partido Socialista possui bons quadros, de sobra para enfrentar este ciclo e subsequente governação com sucesso. Para além disso é justificável, numa óptica de rejuvenescimento do Partido, a aposta em novos valores e credibilidade junto do eleitorado.

Situações que são iguais (Ana Gomes, Elisa Ferreira, Leonor Coutinho, Sónia Sanfona, por exemplo) estão a ser tratadas de forma desigual, sendo os critérios díspares e imprevisíveis. Se a alteração é feita posteriormente, no mínimo que se peça também a Ana Gomes e Elisa Ferreira que optem desde já pelo Parlamento Europeu ou pelos respectivos municípios.

Não é assim que se define um bom rumo interno e também não será em cima do joelho que se conquista a confiança dos portugueses.




18 comentários:
De João Carvalho a 6 de Julho de 2009 às 11:54
Como escrevi em 'post' abaixo, os socialistas ficaram de tacha arreganhada: «uns a sorrir, outros a rosnar». Engraçado, este PS.


De André Couto a 6 de Julho de 2009 às 12:18
Vejo isso de forma mais profunda, o que é natural. Discordo a toda a linha, há atitude que não têm tido sentido nenhum.


De João Carvalho a 6 de Julho de 2009 às 12:25
Não vou procurar fundo, mas entendo que Sócrates tinha mais vantagens se desviasse a oposição para outros temas até deixar cair a discussão em torno dos candidatos duplos. Esta decisão é um ponto falhado da estratégia que lhe convinha.


De Ana Vidal a 6 de Julho de 2009 às 13:04
Aplaudo a isenção, André. E concordo em absoluto com a conclusão que tiras: não é assim, com esta alteração permanente de critérios "conforme o que dá jeito", que o PS reconquista a já desgastadíssima confiança de quem lhe deu o voto antes. E muito menos novos eleitores.


De Ana Vidal a 6 de Julho de 2009 às 13:10
O que não significa, devo acrescentar, que concorde com o princípio das candidaturas duplas, que considero profundamente desonesto e um mau princípio.


De André Couto a 6 de Julho de 2009 às 15:41
Exacto. Não é o mérito da decisão que está em questão mas sim o tempo. Ainda poderia aceitar se Ana Gomes e Elisa Ferreira tivessem de optar, daria coerência e abrangência à decisão que seria justificada pelos tempos difíceis que o PS vive. Seria uma decisão fora de tempo, censurável mas ao menos cortava a direito com base num erro assumido.
Assim dá ar de filhos e enteados, não compreendo.


De Amêijoa Fresca a 6 de Julho de 2009 às 13:09
I Parte

O sol tentam tapar
com uma peneira,
é uma forma de destapar
a tremenda bandalheira.

Por puro oportunismo,
apanágio dos socialistas,
tamanho é o cinismo
nestas decisões moralistas.

Esta falta de autenticidade
na política socialista,
alimenta a mendicidade
desta gente calculista.

II Parte

Os erros capitais
de uma legislatura falhada,
são tantos e fatais,
ficando a nação esfrangalhada.

As crenças adolescentes
e a propaganda encomendada,
originaram caos efervescentes
numa política trucidada.

A exacerbada autoridade
criou uma zanga colectiva,
aliada à falta de verdade
de uma política subjectiva.


De RMG a 6 de Julho de 2009 às 13:23
Já sabemos que o Sócrates tem andado a enganar os portugueses. Agora, ficamos a saber que também engana os portugueses "camaradas" de partido.
O irónico da coisa, é que com toda a polémica à volta das duplas candidaturas, para Coimbra ainda nem meio candidato arranjaram.
Isto tudo, estando no poder. Se perdem as legislativas e Lisboa, então o melhor é fugir.


De André Couto a 6 de Julho de 2009 às 15:47
Meios candidatos temos em todo o lado. Em Leiria por exemplo há uma: Isabel Damasceno, o Valentim Loureiro lá do burgo. A Manela quer, a estrutura local não. Divergências internas?

Por outro lado temos o Rangel. Criticar Elisa Ferreira e Ana Gomes é bonito, ser coerente e dizer que vai cumprir o mandato para que foi eleito, pondo de fora um regresso para formar Governo é que não. Conheço essas coerencias.

Não atire pedras que os telhados de vidro são mais que muitos. Deixe-se ficar em silêncio para que a porcaria que suja o copo não venha toda ao de cima.


De João Sousa a 6 de Julho de 2009 às 17:36
Já várias vezes tenho visto o Rangel trazido à conversa. Na minha opinião, está-se a falar de situações diferentes. Tanto quanto eu sei, pertencer a um governo não implica uma candidatura, implica um convite. Paulo Rangel não se candidatou a mais nada que ao Parlamento Europeu. Limitou-se a dizer que, se for convidado para o Governo, pondera sair de Bruxelas.


De André Couto a 7 de Julho de 2009 às 01:32
Caro João Sousa, isso é o mesmo que dizer que uma moeda de euro francesa não é igual à portuguesa.

Paulo Rangel não se candidata a nada para além das Europeias, apenas diz que se a Dra. ganhar volta para formar Governo com ela, deixando de cumprir voluntariamente o mandato para o qual foi eleito, em função de um lugar melhor. Seja então coerente e opte já por um ou por outro.

O que é lixado na política é que a coerência é uma coisa muito fácil de apregoar mas muito difícil de cumprir. Quando toca aos bolsos e às influências é o cabo dos trabalhos para lhe atender.


De M.Coelho a 6 de Julho de 2009 às 13:27
E o António Costa ?
E o Paulo Pedroso ?
E o Fonseca Ferreira ?
Não será uma discussão tipo corporativista ?


De André Couto a 6 de Julho de 2009 às 15:43
A diferença é que qualquer um desses três concorre a Câmaras onde é perfeitamente possível ganhar.


De M.Coelho a 6 de Julho de 2009 às 16:06
É por isso mesmo que a discussão é do tipo corporativo.
Alguns não querem correr o risco de concorrer e perder um de dois lugares eventualmente disponíveis.
O exemplo da Leonor Coutinho é paradigmático. Ela sabe que não tem qualquer chance em Cascais. Se soubesse antes que não se podia candidatar a outro lugar acha que aceitaria a candidatura à Câmara ?
De certo modo, isto até é bom para educar quem considera a existência de lugares cativos na política.


De André Couto a 7 de Julho de 2009 às 01:27
Está muito enganado a esse respeito. A Leonor Coutinho já tinha posto o seu lugar de Deputada à disposição, tal como o Paulo Pedroso. A esses dois faço-lhes a defesa da honra pois são exemplos raros de seriedade na política em Portugal.
Amanhã escreverei sobre isso.


De M.Coelho a 7 de Julho de 2009 às 08:16
André,
não ponho em causa a seriedade mas sim as motivações.


De Pedro Correia a 6 de Julho de 2009 às 22:02
Subscrevo e aplaudo o teu texto.


De André Couto a 7 de Julho de 2009 às 01:25
Obrigado, Pedro. Amanhã continua.


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