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Mais de cinco horas

por Teresa Ribeiro, em 06.07.09

Aconteceu-me este fim-de-semana aterrar numa urgência de hospital. Foi no sábado, às 20h, em plena hora de jantar, um dos períodos em que, por norma, aflui menos gente a estes serviços. À chegada confirmei as minhas expectativas. Estavam realmente poucas pessoas na sala de espera. A meio de um fim-de-semana de Julho não era de esperar outra coisa. No entanto tive que esperar duas horas até que chamassem a pessoa que eu acompanhava. Depois foi preciso aguentar firme até à 1.30 da madrugada pelo diagnóstico. Foram mais de cinco horas de espera numa noite morta de Verão.

Enquanto secava passou-me pela cabeça o óbvio: como é que vai ser quando chegar o Outono e com o cair da folha começarem a cair nas urgências milhares e milhares de utentes com gripe e com medo da gripe, já para não falar dos excêntricos que em plena pandemia vão desaguar nos hospitais com enfartes, apendicites e outras maleitas, completamente em contraciclo. Não dá para imaginar. Nem creio que os profissionais directamente implicados queiram fazê-lo. Por muitas medidas que se tomem, não será possível resolver de um momento para o outro a falta crónica de médicos, a falta de camas e a falta de condições que estão na origem de tantos casos de contaminação em ambiente hospitalar.

Se eu fosse à Ana Jorge acendia também umas velinhas ao santo da sua devoção, porque ou me engano muito, ou sem intervenção divina, o SNS não se vai aguentar nas canetas.

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8 comentários

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De Ana Vidal a 06.07.2009 às 15:53

Ah, pois. Nem quero pensar no que será quando o tempo começar a arrefecer...
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De Teresa Ribeiro a 06.07.2009 às 23:13

Não quero ser catastrofista, Ana, mas temo o pior.
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De João Carvalho a 06.07.2009 às 15:53

Não há razões para alarme, Teresa. Ministra 'dixit'.
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De Sara a 06.07.2009 às 17:03

Claro que não há razões para alarme. Creio que a senhora ministra e restante classe política recorrerá ao serviço privado... Sabem lá eles o que uma pessoa DOENTE passa num centro de saúde ou num hospital... Digno de 4º mundo... Inadmissível!
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De Teresa Ribeiro a 06.07.2009 às 23:16

São tão optimistas todos eles! É a imagem de marca deste governo.
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De Pedro Correia a 06.07.2009 às 22:16

Uma das 'reformas' que mais tarda em Portugal é a alteração curricular que permita mais entradas nos cursos de medicina, abolindo os absursos numerus clausus actuais. Este governo teve quatro e anos e meio para alterar a situação - quatro anos e meio desperdiçados também neste domínio. Continuamos assim com um défice enorme de médicos (e também de enfermeiros). Nada que perturbe a nossa classe política: quando lhes dói alguma coisa, correm à saúde privada. Alguma esquerda nunca é 'social' em ca(u)sa própria.
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De Teresa Ribeiro a 06.07.2009 às 23:21

É, de facto, incompreensível continuar a restringir o acesso a Medicina. Uma das consequências, como a Chloé nota aqui em baixo, é verdadeiras vocações ficarem de fora enquanto a profissão se vai atestando de mercenários. Mas isso já é matéria para outro post.
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De Chloé a 06.07.2009 às 22:28

Lamento por si. E está cada vez pior!
Também voto "nessa" da reforma do regime de entrada em Medicina. São precisas boas aptidões cognitivas, concordo inteiramente. Mas isso está longíssimo de bastar.
Façam testes psicotécnicos complementares, ou o que seja.
Mas o perfil humano e o tipo de objectivos da maioria dos alunos que entram actualmente é perfeitamente deplorável.
Vamos pagá-las (e sofrer na pele a arregimentação de mercenários neste ofício).

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