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Laranja podre

por André Couto, em 03.07.09

O Presidente da República aderiu à famosa Política de Verdade. Farto de mostrar algo que não era e de vender uma imagem de Presidente de todos, cedeu ao apelo de Manuela Ferreira Leite e premeia-nos finalmente com o seu esplendor e transparência.

Veio hoje a terreiro criticar Manuel Pinho, indignado. Certo e justo. Mas... onde estava quando José Eduardo Martins mandou Afonso Candal para "o caralho"? Onde estava quando o mesmo José Eduardo Martins chamou "palhaço" a Afonso Candal e lhe disse que resolveriam as coisas "lá fora"? Não se passou tudo isto no mesmo espaço?

Mais, onde estava quando o deputado à Assembleia Legislativa Regional do Partido da Nova Democracia José Manuel Coelho foi impedido de entrar na Câmara para onde os madeirenses o elegeram? Onde ficaram as suas críticas quando Alberto João Jardim apelidou os deputados regionais madeirenses de "bando de loucos"?

O feitiço desfez-se e a viçosa pêra revelou aquilo que é. Fica a imagem recolhida.

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26 comentários

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De Antifarsista a 03.07.2009 às 19:07

Você, Couto, é especialista em confundir o ser humano com o zé germano...
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De Antifarsista a 03.07.2009 às 20:27

Também pode ser. Até diz mais com o Manuel... Pinho!
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De Ana Vidal a 03.07.2009 às 22:22

E não é o Género Humano?
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De André Couto a 04.07.2009 às 01:11

Já estás a exigir muito do homem, raios...
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De Antifarsista a 04.07.2009 às 10:51

De si é que não se pode exigir seja o que for.
E se puxasse um bocadinho pela cabeça e desse em pensar fora da quadrícula desenhada pelo ortodoxia do Largo do Rato?
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De André Couto a 04.07.2009 às 11:28

O que eu gosto mesmo é de discutir posições ou ideias. O que eu acho mesmo triste é quando surge gente cm o Senhor que não debatem uma ideia, não fazem uma crítica à opinião escrita e apenas respondem com evasivas como o "ser humano e o germano" ou acusando de "ortodoxia".
E que tal debater e refutar, não?
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De João Carvalho a 04.07.2009 às 11:28

E se você puxasse menos pela língua e mais pelos miolos?
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De João Carvalho a 04.07.2009 às 11:29

Claro que é consigo, Antifarseiro.
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De joshua a 03.07.2009 às 19:32

Caro Couto, admite lá que esses inventário de violações à etiqueta parlamentar que não passa de uma grande bosta boiando. O acessório é um tédio. Portanto, não te agarres a essa precária bóia.

Suponhamos que Manuel Pinho tinha muito valor e não tinha sido somente aquele ministro que ministra apoios a uma meia-dúzia de empresas à mesa dos Orçamentos PS, que diz que a nossa economia é atractiva aos chineses porque também se baseia em salários baixos. Nunca o perderia com os chifres gestuais na bancada do Governo e nem isso seria de levar tão longe ao ponto de o demitirem. Primeiro a competência. Só muito depois as boas maneiras.

Do mesmo modo, José Eduardo Martins tem imenso valor como deputado, mesmo tendo atirado ao Afonsinho mimado do PS um desopilante «Vai pró caralho!»

Cavaco, infelizmente para o edifício chinês do teu argumentário cadente, não tem aqui qualquer cabimento. Eu até acho, tal como tu, que não deveria ter-se pronunciado também ele a deplorar a sinalética ganadeira do ex-ministro.
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De Cristina Ferreira de Almeida a 03.07.2009 às 20:29

Concordo com tudo menos com a frase final. Como poderia o PR fingir que nada tinha acontecido quando, ainda por cima, foi obrigado a aprovar uma remodelação a poucos meses das eleições? Não estou a ver...
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De Jorge Assunção a 03.07.2009 às 21:43

E eu concordo contigo, Cristina.
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De André Couto a 04.07.2009 às 01:14

Cristina e Jorge, por uma questão de coerência diria algo do género de que não tem por hábito pronunciar-se sobre estas questões. Caso não o quisesse fazer, pelo menos não fosse tão cáustico nas críticas.

De qualquer forma tive oportunidade de ouvir na TSF quando vinha a caminho de casa as declarações e os elogios muito pouco discretos que fez esta noite a Manuela Ferreira Leite. Não lhe ficam bem e não me lembro de nenhum PR a agir desta forma. Isto não é ser presidente de todos os portugueses.
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De PALAVROSSAVRVS REX a 04.07.2009 às 11:32

Caríssima Cristina, preferiria que Cavaco tivesse sido mais subtil. De acordo. Tentei demonstrar o quando a etiqueta e as boas maneiras hipocritamente se antepõem a muitos mais sinais e bem mais graves de desrespeito pelos cidadãos e pelas instituições que os representam: de Lopes da Mota passando por Dias Loureiro e acabando infelizmente em imensos episódios, factos e esquemas ainda subterrâneos de duvidosa índole com os dinheiros públicos a caracterizar este XVII Governo Constitucional, como por exemplo a Fundação para a Comunicação ou Fundação Sacana-Azul. Subterfúgios esconsos e esquemas manhosos são coisas infinitamente mais desrespeitosas e graves que a famigerada e mundialmente 'investida' de Pinho.
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 21:56

André: mal seria se o PR não viesse a público criticar, nos exactos termos em que o fez, um acto como este, que envergonha o Governo e envergonha o País (vide o destaque que tem merecido nos media internacionais, como já referi aqui). Este acto, recordo-te, mereceu a crítica unânime dos grupos parlamentares, mereceu a reprovação imediata do PM (que exonerou Pinho) e uma severa reprimenda do presidente da AR. Não faria qualquer sentido que o PR ficasse de fora deste coro de indignação, perfeitamente natural. Ou achas que Cavaco Silva devia ter permanecido em silêncio, sendo conivente com esta degradação das instituições?
Estou à vontade porque, como sabes, critiquei duramente o PR por se ter mantido em silêncio no Verão passado durante a 'golpada' inconstitucional do PSD-M na Assembleia Regional da Madeira. Não podemos é criticá-lo quando se cala e criticá-lo também quando fala.
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De André Couto a 04.07.2009 às 01:20

Pedro, por certo que te terá escapado mas se reparares eu não critico em ponto algum o facto de Cavaco Silva ter criticado Manuel Pinho. Eu próprio o critiquei. Interrogo-me antes sobre o facto de ter ficado calado nas outras situações. Apenas repito até à exaustão a interrogação "Onde estava...?".

O PR se se quiser arrogar o estatuto de presidente de todos os portugueses tem de usar a mesma medida para todos. Leves discrepâncias acontecem, o que não acontece é uma diferença de tratamento desta dimensão, isso é facciosismo e não obra do acaso.
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De Leonor Barros a 03.07.2009 às 22:09

Não gosto do Cavaco mas acho que ele fez muito bem, André. O que se passou não tem desculpa.
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De André Couto a 04.07.2009 às 01:23

Leonor e Ana, talvez tenha sido um problema de expressão meu mas não critico em ponto algum o facto de ele ter criticado Manuel Pinho. Critico o facto de não ter criticado, ou sequer falado sobre os outros e a sua dualidade de critérios que é, a meu ver, gritante. É que em relação aos outros casos ele nem se pronunciou quando o País todo não falava de mais nada!!!
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De Leonor Barros a 04.07.2009 às 09:54

Mas o que está mal, André e julgo que concordas, não é ele ter falado agora é não ter falado antes. Tenho poucas expectativas em relação a Cavaco. Detesto aquele estilo "Não me comprometa " e ele ser incapaz de dar opiniões de forma espontânea. Uma vez perguntaram-lhe qual o escritor preferido, ele disse que não respondia para não ofender ou outros que não o seu eleito. Acho que com os vinhos fez a mesma coisa, tudo bem que são assuntos de somenos comparativamente a este caso, mas tem a ver com ele. E detesto.
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De André Couto a 04.07.2009 às 11:33

Concordo inteiramente com isso, Leonor. O que está mal é ele não ter falado das outras vezes. Desta vez seria quase impossível não comentar uma vez que teria de dar posse a Teixeira dos Santos o que tornava quase absurdo o seu silêncio.
Defendo que das outras vezes deveria ter reagido com a mesma veemência ou até com mais porque foram, a meu ver, mais graves. Não o tendo feito desta vez ou reagia de forma suave, ao seu estilo, não se comprometendo ou então utilizava a mesma absurda bitola do passado.
Assim é que não...
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De Ana Vidal a 03.07.2009 às 22:30

Também acho que Cavaco fez muito bem em intervir, André. O assunto não era para menos e ele nem poderia ignorá-lo mesmo que o quisesse, como diz a Cristina.
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De André Couto a 04.07.2009 às 01:25

Ana, dirijo-me a ti no texto anterior de comentário da Leonor.
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De Ana Vidal a 05.07.2009 às 01:26

Só agora te leio e concordo contigo sobre o inexplicável mutismo de Cavaco nos casos anteriores que referes. É o estilo dele, que eu também não aprecio muito. Parece que afinal de contas estamos todos mais ou menos de acordo.
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De RMG a 04.07.2009 às 00:37

André, esta conversa do "onde estava" é capaz de ser perigosa porque não saímos daqui. Não é bem como o outro, onde estava no 25 de Abril, mas onde estava o André quando o anterior presidente dissolveu o parlamento com uma maioria estável? ou, onde estava o André, quando outro ex-presidente apelou directamente ao voto no filho, em pleno dia de eleições?

Tal como escrevi ontem, era mais prático limitar-se a condenar o acto pelo acto em si ou, pelo contrário, fazer uma condenação como o Causa Nossa: "no pasa nada". Aposto que se o Pinho, em vez de corninhos, tivesse feito um aviãozinho, a Ana Gomes se indignava.
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De André Couto a 04.07.2009 às 01:34

RMG, não sou hipócrita e orgulho-me muito da minha coerência e livre pensamento. Digo isto porque critiquei Manuel Pinho e jamais ficaria calado ou reagiria género "no pasa nada". Quanto ao Causa Nossa não se deve ignorar que Vital Moreira está de férias e que nada escrevem desde dia 24 de Junho. Mas isso cada um analisa com a parcialidade que quer.

Voltando à vaca fria, não vou discutir agora a fundo a questão da dissolução do Parlamento. Maioria estável é esta que quase não conheceu remodelações ou demissões, Santana Lopes trocava um Ministro por dia à sombra de uma maioria que nem era sua, mas lá está, cada um analisa isso com a parcialidade que quer. Eu critico Sampaio mas por não o ter feito mais cedo.
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De José Barros a 04.07.2009 às 01:58

1) Há aspectos que não têm sido suficientemente comentados e que me parecem infinitamente mais relevantes que o gesto em si mesmo considerado. Desde logo, Pinho, consciente ou inconscientemente, faltou à verdade quando disse que era responsável pelo facto de as Pirites terem hoje mais de 200 trabalhadores. É que não têm 200, apenas 132 e só 28 deles contratados depois do negócio promovido pelo ministro. Por outro lado, esta é a segunda vez que há contradições num curto espaço de tempo entre as declarações de um ministro e do primeiro-ministro. Pouco tempo antes de ser anunciada a demissão de Pinho este diz aos jornalistas que tem plenas condições para se manter no cargo. Fá-lo de forma categórica. Ora isto lança dúvidas mais uma vez sobre a capacidade do primeiro-ministro de dizer a verdade ao parlamento.

2) Quanto ao Presidente, penso que não se devia ter pronunciado, porque não lhe cabe fazer coro com o resto da classe política, quando a sua palavra não acrescenta nada aos acontecimentos. O ministro estava demitido, o assunto tinha sido resolvido a contento, pelo que o Presidente fez mal em dizer as banalidades que disse. E deu o flanco ao PS que tem razão em dizer que o Presidente devia ter criticado outros casos conhecidos. Dito isto, o PS está a experimentar um cheirinho - que é só isso - do que foi a presidência de Sampaio durante os governos Durão / Santana. Não se queixem quando se regozijaram com uma dissolução da assembleia que teve lugar num contexto em que a estabilidade governativa estava plenamente assegurada e nem sequer havia revolta popular (como já houve com este governo, vide manifestações dos professores).

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