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A vaia (cont.)

por Adolfo Mesquita Nunes, em 03.07.09

Em Março deste ano, muito longe ainda das eleições europeias e do resultado que o PS nelas obteve, o Primeiro-Ministro foi espontaneamente vaiado num evento público. Nesse momento, convenci-me que o país tinha interiorizado (e até descoberto) o quanto já estava farto deste Governo e do estilo de governação de José Sócrates.

 

As sondagens, então sempre favoráveis ao Governo, não pareciam dar-me razão, mas convenci-me, nesse momento, e pela espontaneidade da coisa, que o Governo e o PS tinham iniciado uma marcha degressiva, da qual se não livrariam se não mudassem logo de rumo.

 

Aquela vaia marcou a insustentabilidade do rumo do Governo e permitiu compreender que os eleitores, talvez com surpresa, tinham já decidido que a aparente invencibilidade do PS estava na cabeça da opinião publicada e sondada. 

 

E escrevi, tentando convencer quem considerou a vaia um fait divers, que "se o PS e os socialistas acham que a vaia é coisa nenhuma e que tudo não passa, mais uma vez, de gente a mando de interesses obscuros, muito bem. Cada um sabe de si".

 

A verdade é que o PS e o Governo não mudara de estilo, mantendo o rumo que então, na minha opinião, mais contribuía para o desgaste governativo: a ausência de sentido institucional.  

 

Escrevi então que a vaia marcava "seguramente -- e já não é pouco -- o momento a partir do qual José Sócrates se viu forçado a mudar de estratégia. Veremos se muda, intensificando o controlo que exerce sobre o Governo e o espaço público ou se muda, começando a tratar o sistema político com o institucionalismo que lhe tem faltado".

 

Tentarei desenvolver um pouco mais esta ideia da falta de institucionalismo do Governo e de José Sócrates, que aparentemente parece coisa muito técnica e pouco percebida pelo eleitor comum mas que, do meu ponto de vista, e como tentarei demonstrar, condenou o Governo a esta agonia.

 

E porquê retomar este assunto agora? Porque estou convencido, o que para mim é muito mas para muitos será nada, que aquilo que José Sócrates deveria ter percebido com a vaia, apenas percebeu com os resultados eleitorais, e que se os resultados das europeias tivessem sido outros, o Ministro Manuel Pinho ainda estava no Governo.   

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2 comentários

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De Leonor Barros a 03.07.2009 às 12:24

Não é preciso ser-se génio para perceber que tantas vaias e manifestações não podiam ser apenas orquestradas pelos sindicatos e o Partido Comunista, como os socialistas quiseram fazer crer aos incautos. O resultado das eleições e agora este triste episódio são consequências da inflexibilidade de José Sócrates. Se tivesse tido mais respeito pelo eleitorado, feito algumas revisões ministeriais não se teria chegado a este descalabro. A minha grande satisfação é que, com o decorrer do tempo, Sócrates e os seu ministros vão-se revelando, sem mais ajudas.
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 16:35

Penso o mesmo. Aliás a falta de sentido institucional do PM ficou patente durante o debate parlamentar de ontem, ainda antes do episódio Pinho, com os insultos que uma vez mais JS dedicou à oposição, como referi no DO. 'Mentira', 'Aldrabice' e termos que tais deviam ser banidos do debate parlamentar. São do mesmo caldo de cultura que gera os 'corninhos' de Pinho.

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