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Doces eufemismos socialistas

por Pedro Correia, em 03.07.09

 

Alguns blogues que apoiam fervorosamente o Governo referem-se com pinças e luvas à demissão de Manuel Pinho, esse bandarilheiro frustrado. Chega a ser tocante o cândido tratamento dado à questão, como se quase nada tivesse acontecido. Tiago Antunes, no impagável País Relativo, aborda o caso com a graciosidade de um primo ballerino: afinal tudo se deveu apenas a "uma intervenção menos feliz", quiçá mesmo "um gesto imponderado" do titular da pasta da Economia. Doces eufemismos socialistas: tivesse metado disto ocorrido num governo de outra cor e logo se sucederiam inflamadíssimos e indignadíssimos posts, dias a fio, clamando contra as monumentais trapalhadas do Executivo.

Curiosamente, há mesmo blogues aninhados nas hostes governamentais que optam por ignorar o tema, talvez com a secreta esperança de que assim tudo passe mais despercebido. Lamento desiludi-los: Pinho conseguiu ser notícia um pouco por toda a parte. Como bem se percebe aqui e aqui.

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31 comentários

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De Leonor Barros a 03.07.2009 às 13:16

"Bandarilheiro frustrado" é lindo :))))))))))))))))))
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 16:29

Ou bandarilheiro 'menos feliz', para usar a suavíssima e delicadíssima expressão d' 'O País Relativo'...
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De M.Coelho a 03.07.2009 às 13:21

Estou crente que o menino Rangel e a velha Leite vão agora pôr na ordem o sr . jão da Madeira.
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De Odete Pinto a 03.07.2009 às 16:24

Mas não esperamos isso há uns 30 anos?

Que ideia, uma pessoa, um governante regional, um conselheiro de Estado, de porte tão exemplar!!!
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De ICS a 03.07.2009 às 13:43

E aqui:
http://www.corriere.it/
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De hmbf a 03.07.2009 às 14:38

O mais triste disto tudo é haver pelo menos um pobre cidadão deste país que gostava de saber o que se passou no debate, repito, no debate, e não consegue. Parece que o debate pode ser reduzido ao insulto do ex-ministro. Tanta indignação útil deixa-me desconfiado. Noutras ocasiões não vi a mesma indignação. Mas do que eu queria mesmo saber era do debate? Ouvi dizer na Antena 1 que correu bem ao Governo. Foi um bom debate? O que se debateu? Qual o estado da nação? Alguém sabe? Alguém quer saber? A declaração tauromáquica do ex-ministro é mais importante? O resto não tem relevância jornalística?
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De Anónima a 03.07.2009 às 19:13

O debate foi transmitido integralmente e em directo por vários canais de televisão, sabia?
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 16:30

Pois. Um gozo por essa Europa fora.
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De Carlos Dias Ferreira a 03.07.2009 às 15:01

Pedro:

No Largo do Rato foi decretada a "operação esfregona" nada de escrever sobre o asunto tauromáquico de ontem na AR e se houver outros blogs a comentarem tal coisa é malhar neles e passar a responsabilidade da situação para os lados da S. Caetano à Lapa daí termos por aqui já dois exemplos claros da tal operação de limpeza.
Vou de férias hoje e volto a 27/07 até lá continua as tuas em grande.Abraço forte de amizade.
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 16:30

Nem com esfregonas resolvem o problema. Talvez só mesmo com benzina, como dizia o Eça.
Boas férias, Carlos.
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De André Pereira a 03.07.2009 às 16:29

Cá estou eu de novo. O gesto de Manuel Pinho foi uma homenagem a todo o Ribatejo. Lamentável, de facto. Mas também gosta de ler ou ouvir falar da falta de respeito para com Jaime Gama. Isso não interessa? Faltar ao respeito ao presidente da AR é facto menor? certo que os corninhos de Pinho abafam qualquer coisa, mas nunca é demais saber ver os factos.
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 16:40

Faz bem em aparecer. Como justamente diz, o gesto do ex-ministro Pinho foi lamentável. De tal maneira que forçou o PM a pô-lo imediatamente fora do Governo. Como bem diz também, é "certo que os corninhos de Pinho abafam qualquer coisa". Imagine só se fossem cornões...
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De José Gomes André a 03.07.2009 às 16:46

Por acaso ontem no Twitter tinha falado do reprovável silêncio "cúmplice" de vários blogs com o episódio Pinho, entre os quais o "Jugular", o "Corporações" e este inenarrável "País Relativo". Sobre este último, muitas vezes me pergunto o que por lá está a fazer o Tiago Barbosa Ribeiro, pessoa de clara inteligência que tinha um dos melhores blogs portugueses, o "Kontratempos"...
Um abraço, Pedro!
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 16:51

Pergunto-me o mesmo. O que terá passado pela cabeça do TBR, que fazia o excelente K, para ir parar àquele sítio inenarrável?
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De José Gomes André a 03.07.2009 às 16:57

Ir parar, ainda que não vá. Acontece a todos (quem não frequentou já um sítio onde esperava encontrar algo de diferente?). O que me espanta é a permanência e "identificação" com lugar tão mau...
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 17:00

Tudo é relativo. O País, por exemplo.
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De Ricardo S a 03.07.2009 às 17:14

Pedro, assino por baixo. Ou não comentam o assunto, ou tentam desculpar ao maximo o gesto. Mas, é justo dizê-lo, também se tem feito o mesmo do lado contrário da barricada. No 31 da Armada ou no Cachimbo (e noutros) o triste comportamento de Paulo Rangel tem sido "esquecido". Até aqui, a Ana Vidal foi a única a comentar o momento, enquanto que, onde se desvaloriza o gesto de Pinho, exploram ao maximo a birra de Rangel. São as eleições à porta, meu caro...
Abraço e bom fds.
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De Ana Vidal a 03.07.2009 às 18:50

Caro Ricardo, eu não escolho facções para as minhas críticas e procuro ser equidistante quando as faço. O comportamento de Rangel foi o de um menino birrento e fica-lhe mal (além de que desrespeitou Jaime Gama, o que é mais grave), mas ainda assim não se compara com o gesto de Pinho, absolutamente inqualificável e muito mais insultuoso, como aliás pode aferir-se pelas consequências que ambos tiveram.
Abraço
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De Ana Vidal a 03.07.2009 às 18:52

Mas dou-lhe razão: as diversas interpretações e "pesos" dos dois episódios significam isso mesmo que diz: eleições à porta.
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De Ricardo S a 03.07.2009 às 23:13

Ana, eu sei que nao escolhe facções, o que escrevi foi que no Delito a Ana até foi a unica a referir o duelo Rangel - Gama. Também acho que o gesto de Pinho é bem pior, apenas quis dizer que a atitude de Rangel, a de contestar e desrespeitar o Presidente da Assembleia sem razão (aquilo nao era uma interpelaçao), também merece uma critica, o que nao tem acontecido, sobretudo nos blogues afectos ao PSD, onde nem uma simples referencia foi feita. Dualidade de criterios...
Bom fds.
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De Ana Vidal a 03.07.2009 às 23:27

Eu percebi, Ricardo. Mas se há coisa de que o Delito de Opinião não pode ser acusado é de falta de pluralismo: aqui há de tudo um pouco, e ainda bem.
Bom fds para si também.
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De Ricardo S a 04.07.2009 às 00:20

E por isso é dos meus blogues de eleição e vos atribuo prémios...
Bom fds.
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De hmbf a 03.07.2009 às 21:10

Respondendo à pergunta da anónima: sabia. O facto de ter estado a trabalhar entre as 14h e as 24h impediu-me de assistir ao debate. Sabia que há pessoas que não podem seguir debates em directo na televisão porque estão a trabalhar? Sabia que essas pessoas esperam um pouco mais do jornalismo do que uma repetitiva, fastidiosa e monótona insistência no caricato e na anedota? Sabia que a um jornalismo desses não se pode dar outro nome senão o de número de palhaços num circo deprimente?
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De Anónima a 04.07.2009 às 10:55

Se estava tão interessado, podia ter gravado para ver depois e formar a SUA opinião...
Ou prefere o filtro do pobre "jornalismo" que se pratica em Portugal?
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De Inês Costa a 03.07.2009 às 21:21

O mundo sob diferentes perspectivas, caro autor. Ou, se preferir, Portugal visto da esquerda e da direita.
Por exemplo: ainda não o vi a si comentar os dois pesos e as duas medidas do caríssimo PR (embora outra pessoa, mais tarde, o tenha feito).

É legítimo, é natural, é praticado por todos (sem excepção, lamento); como tal, não entendo a necessidade de ter publicado um post em que o condene.
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De Pedro Correia a 03.07.2009 às 22:16

Lamento informá-la, mas já critiquei várias vezes o PR e diversos outros agentes políticos, aqui e noutros lados. Incomoda-a que critique o Governo ou dá licença que o faça também?
A propósito: achou bem a atitude do ex-ministro da Economia? E gostou da lamentável entrevista que M. Pinho deu ontem à noite, à SIC N, como se nada tivesse acontecido?
Cumprimentos.
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De Daniela Major a 04.07.2009 às 00:10

Este assunto fez-me pensar numa questão: Quando defendemos publicamente alguém é como se ficassemos presos a essa defesa não podendo nunca voltar atrás.

E depois há toda uma questão de enorme sectarismo. Não entendo, genuinamente não entendo, como é que alguém consegue tentar suavizar, desculpar ou relativizar uma coisa que não tem desculpa absolutamente nenhuma.

Aquele gesto foi dirigido a um deputado num local que, goste-se ou não, representa um dos orgãos mais importantes da Democracia e do Estado português. Pouco interessa se o A, B ,ou C fez não sei o quê há uma série de anos. Todas estas atitudes são condenáveis. Todas elas. Não interessa se é a do Ex-Ministro Pinho ou do Eduardo Martins ou de outro qualquer. Interessa apenas que são acções que temos que condenar e que estão acima de qualquer tipo de sectarismo ou partidos.
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De Pedro Correia a 04.07.2009 às 00:25

Daniela, a atitude do ministro Pinho é francamente condenável, tal como os destemperos verbais do deputado Martins. Acontece que não estão no mesmo plano: o Governo é politicamente dependente da Assembleia da República, segundo determina a Constituição. No plano institucional, depende da confiança que a maioria dos deputados depositarem nele. Isto reforça o dever de cada um dos seus membros de manterem uma atitude de respeitosa cortesia em relação à instituição parlamentar. O insulto do deputado do PSD ao seu colega do PS - que teria exigido aliás, de imediato, uma atitude de firme repreensão por parte do presidente da AR - é menos grave no plano institucional pois tudo se passa 'inter pares'. De resto, os insultos entre os deputados eram uma constante no final da Monarquia e durante a I República. E mesmo já após o 25 de Abril ficou memorável uma violenta troca de insultos no plenário entre os deputados Francisco Sousa Tavares (PSD) e Raul Rego (PS). Nada digno, refira-se. Muito condenável, acentue-se. Para que não subsistam dúvidas.

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