Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Muito bem

por Jorge Assunção, em 01.07.09

Acho muito bem que o dirigente político socialista - Henrique Granadeiro - tenha recordado um  dos negócios que Ferreira Leite fez enquanto ministra das finanças para combater o défice. Alguns foram verdadeiramente maus, como o negócio com o Citigroup ou a venda da rede fixa à PT (não tão mau quanto o i sugere, uma vez que compara valor contabilístico com valor real de um activo, não tarda e ainda vão noticiar que quando o Lehman Brothers faliu o valor contabilístico do grupo era positivo). Acho também muito bem que o partido no governo tenha navegado a onda com conferência de imprensa à mistura, uma conferência onde, embora ainda nada tenha visto a referir o assunto, o porta voz do PS terá certamente aproveitado para comentar a notícia de sábado do Expresso, não vá o PS deixar a ideia que pouco lhe importa que o primeiro-ministro falte à verdade em plena Assembleia da República.

Mas o reavivar das receitas extraordinárias de Ferreira Leite é benéfico porque, a bem da verdade, julgo que fará por recordar o que esteve na origem das mesmas: um pequeno problema de défice excessivo que o governo socialista de António Guterres, onde Sócrates era figura de cartaz, nos deixou. Problema menor que em nove anos, seis dos quais com os socialistas no poder, ainda está por resolver. Pode ser também, mas acho que já estou a pedir demais, que alguns façam por comparar as receitas extraordinárias que todos sabemos que foram utilizadas por Ferreira Leite para combater o défice, com as receitas extraordinárias que alguns fazem por esquecer que foram utilizadas por este governo para o mesmo efeito.

Autoria e outros dados (tags, etc)


27 comentários

Sem imagem de perfil

De M.Coelho a 01.07.2009 às 13:08

Quando os pressupostos estão errados o que dizer do resto ?
Henrique Granadeiro é militante do PSD e dos graúdos.
Talvez não seja da seita LEITE, talvez não seja hipócrita, mas é do PSD.
Para quê fazer mais considerações .
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 01.07.2009 às 13:18

Que Henrique Granadeiro agiu como dirigente político socialista não é um pressuposto, é uma constatação. Mas eu percebo que não tenha muito a dizer em relação aos restantes pontos que levanto.
Sem imagem de perfil

De M.Coelho a 01.07.2009 às 13:27

Quando o post começa com uma mentira, o resto não é de maior importância.
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 01.07.2009 às 13:48

Está a referir-se ao Sócrates? A partir do momento que mentiu, o resto não é de maior importância.
Sem imagem de perfil

De M.Coelho a 01.07.2009 às 13:51

Vou-lhe responder aquilo que já é conhecido no "Delito de opinião" :
Eu não respondo a brincalhões com palavras.
Estou aqui a discutir abertamente não a brincar aos discursos.
Até sempre...
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 01.07.2009 às 14:04

Está para discutir abertamente, mas no que toca ao post em causa fica-se pela primeira linha, onde supostamente menti. Fiquei esclarecido...
Sem imagem de perfil

De M.Coelho a 01.07.2009 às 14:22

VOLTO A REPETIR QUE :
SE A PRIMEIRA LINHA É UMA MENTIRA NÃO LEIO O RESTO.
QUEM MENTE MENTE.
NÃO ME MERECE MAIS LEITURAS.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.07.2009 às 14:24

Não precisa de escrever aqui em caixa alta. Combinado? Nenhum de nós é surdo...
Sem imagem de perfil

De M.Coelho a 01.07.2009 às 15:11

Ainda bem que não é surdo dos olhos !
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.07.2009 às 16:04

Finalmente, uma pontinha de humor.
Sem imagem de perfil

De M.Coelho a 01.07.2009 às 17:57

Vá lá, João,
hoje estou bem disposto...
Sem imagem de perfil

De Chloé a 01.07.2009 às 18:00

M. Coelho, posso fazer um comentário pessoal? É para tomar como tal e não como outra coisa qualquer (sublinho).
Você já percebeu, como eu, que no DO a matriz ideológica é plural. - Porque é que comenta aquilo com que liminarmente não concorda (até porque nem passa da 1ª linha)? - E sobretudo porque é que o faz dessa maneira truculenta? Eu tb não gosto nada de consensos sensaborões, o que aprecio mesmo é uma boa divergência, mas para isso talvez seja uma boa ideia não andar logo aos murros na mesa.
Faça como eu : - comente apenas aqueles que não o tiram do sério. Ou então divirja, mas sem armar arruaça nem transpirar empáfia .
Quase todo o DO dá uma boa lição nessa matéria.
Parece haver espaço para tudo.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.07.2009 às 19:58

Muito bem observado, Chloé.
Imagem de perfil

De Ana Vidal a 01.07.2009 às 21:17

Gostei de lê-la, Chloé.
A divergência é saudável e cultiva-se por aqui, mas com argumentos e sem arruaças nem gritos.
Imagem de perfil

De Teresa Ribeiro a 01.07.2009 às 23:20

Como eu gostei deste seu comentário. Obrigada. Ter comentadores como a Chloé é um privilégio :)
Sem imagem de perfil

De Carlos Dias Ferreira a 01.07.2009 às 15:06

Jorge:

Estou inteiramente de acordo consigo e aqui não está em causa se HG é do PSD ou do PS, a verdade é aquela que é dificil de admitir por estes srs que nos desgovernam e que criaram o "buracão" nas contas públicas entre 1995/2002 e se foi com receitas extraordinárias ou não pelo memos houve alguém que as tentou pôr na ordem
É giro ver um dos participantes do afundanço nessa época agora PM vir a público responsabilizar outros quando a verdade é a oposta mas claro estamos habituados à propaganda e de tanto MENTIR até já acredita que soa a verdade.
Com tantas evidências não entendo como ainda há defensores desta politica propangadistica do sr. Sócrates e dos seus seguidores iluminados mas calculo que deve ser por outros motivos que para o caso não interessam, mas quero vê-los após 27 de Setembro se o PS perder como reagirão.
Abraço amizade Jorge ah e já agora dizer ao M. Coelho que aqui no DO felizmente vemos bem não é necessário usar LETRAS MAIUSCULAS.
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 01.07.2009 às 19:16

Carlos:

Também acho giro. E é particularmente engraçado quando Sócrates vem com a conversa de que Ferreira Leite e Paulo Portas são o rosto das políticas do passado, até parece que ele não fez parte do governo de Guterres e, para piorar um pouco, foi elemento fundamental na proposta de trazer o Euro2004 para Portugal. Projecto máximo do que foi o despesismo socialista durante o período em questão.

Um abraço.
Imagem de perfil

De João Carvalho a 01.07.2009 às 19:59

Disseste tudo. É bom que as memórias não sejam excessivamente curtas, para sermos equilibrados.
Sem imagem de perfil

De Chloé a 01.07.2009 às 17:34

Jorge Assunção: perfeito.
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 01.07.2009 às 19:16

Obrigado, Chloé.
Imagem de perfil

De João Pedro a 01.07.2009 às 18:05

O buraco não apareceu entre 1995 e 2002: o que Cavaco deixou já era considerável, e até 98 Sousa Franco afadigou-se a tapá-lo para que Portugal cumprisse os critérios de convergência para aderir ao Euro. Depois voltou a crescer, estava em 4,1% quando Guterres saiu e em 6,6% quando Sócrates chegou. Por isso, culpados há vários.
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 01.07.2009 às 19:35

Caro João Pedro,

Duas correcções:
1. a primeira para constatar que o défice de 2001 foi 4,4% e não 4,1%. Foi 1,4% acima da meta estabelecida pelo PEC e antecedeu uma crise que, por via dos estabilizadores automáticos, veio ainda acentuar mais o problema das contas públicas portuguesas de então. Incrível foi como Ferreira Leite, mesmo considerando que usou receitas extraordinárias, conseguiu manter o nosso défice nos anos seguintes abaixo dos 3%.

2. Não tenho conhecimento de nenhum défice de 6,6%. O que sei é que o governo socialista de José Sócrates tomou posse em Março de 2005. No último ano completo de gestão social democrata, 2004, o défice oficial e aprovado pelos organismos europeus foi de 2,9%.

Quanto à comparação que tenta estabelecer entre os buracos de Cavaco e de Guterres não faz sentido, exactamente porque Cavaco nunca esteve sujeito à limitação de não ter moeda própria. É, aliás, curioso como é que Guterres conseguiu tapar buracos ao mesmo tempo que fazia disparar o número de funcionários públicos. O problema dos governos de Guterres é que não estiveram à altura da responsabilidade que a adesão ao Euro significava. Nomeadamente a obrigatoriedade de ter cuidado com a política orçamental, porque a política monetária passou a estar fora do controlo nacional.
Imagem de perfil

De João Pedro a 02.07.2009 às 01:27

O défice de 6,6% foi o apresentado em Maio de 2005 (não me esqueço, no dia a seguir ao Benfica ter ganho o campeonato), e não pode ser apenas imputado a Sócrates, que só lá estava há dois meses. Quanto aos governos de Guterres, houve realmente esse esforço de contenção no primeiro mandato, que não prevaleceu depois, daí a saída de Sousa Franco. Pina Moura veio ocupar as pastas das Finanças e da Economia em simultâneo, e o desastre começou aí.
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 02.07.2009 às 02:18

"O défice de 6,6% foi o apresentado em Maio de 2005"

Foi um exercício hipotético, nunca existiu qualquer défice de 6,6%. O que foi solicitado a Constâncio e à equipa do Banco de Portugal foi prever, tanto quanto possível, um valor do défice para o final de 2005 assumindo que uma determinada prática orçamental seria seguida durante esse ano e que não seriam usadas receitas extraordinárias. Foi um pedido feito pelo PS para justificar o aumento dos impostos ao contrário do que tinha prometido em campanha eleitoral. O défice de 2005 acabou por ficar nos 6%, situação permitida porque entretanto a UE facilitou as regras do PEC. Contudo, não é errado considerar que o défice de 2005 com o PSD no governo não deixaria de ser elevado, o défice de 2004 sem receitas extraordinárias já havia sido de 5,2%. Mas se há muito de discutível nos números do défice, existe uma que não tem discussão: as contas públicas portuguesas derraparam pela primeira vez em 2001.

"não me esqueço, no dia a seguir ao Benfica ter ganho o campeonato"

Desse dia só recordo ter chegado a casa com o sol a nascer, acabado de chegar do Estádio da Luz. :)

"houve realmente esse esforço de contenção no primeiro mandato, que não prevaleceu depois, daí a saída de Sousa Franco"

Houve um esforço para cumprir os critérios de adesão ao Euro, é certo. Mas ainda foi durante o primeiro governo de Guterres que o país perdeu-se um pouco na loucura dos juros baixos garantidos pela moeda única. Basta pensar na Expo 98 e na loucura que se vivia em Portugal. Estávamos imparáveis, o futuro era radioso. Um esforço sério de controlo das contas públicas na altura implicava ter posto água na fervura nesse contentamento nacional.

"Pina Moura veio ocupar as pastas das Finanças e da Economia em simultâneo, e o desastre começou aí."

Como já referi, o desastre é anterior a Pina Moura, embora tenha sido esse a suportar os primeiros sinais do problema (também por isso ficou pouco tempo com a pasta). O governo de então imaginou uma economia a crescer a bom ritmo eternamente, o que implicou descuido com o aumento de algumas rubricas da despesa. Quando fruto do menor crescimento económico não previsto, as receitas começaram a diminuir, não havia forma de controlar no imediato a despesa.

De certa forma, uma previsão optimista foi suficiente para garantir-nos uma década perdida no que toca ao crescimento económico.
Imagem de perfil

De Pedro Correia a 01.07.2009 às 18:40

Jorge: acentuas, com óbvia ironia, que HG agiu como dirigente socialista. A ironia é tanto maior quanto é um facto que ele é do PSD. Não falo de cor: foi ele próprio que me disse, mais do que uma vez. Tem cartão de militante. 'Do tempo do PPD', como ele gosta de dizer.
Imagem de perfil

De Jorge Assunção a 01.07.2009 às 19:48

Pedro: acho que a ironia, apesar de óbvia, escapou ao M.Coelho. E não posso deixar de apreciar a posição de HG, deixou mais claro como o cargo que ocupa é essencialmente político.
Imagem de perfil

De Daniel João Santos a 01.07.2009 às 21:35

Também acho muito bem que se lebre quem começou a festa...

Foi o país que sempre viveu contente com este bloco central de ideias.

Comentar post





Links

Blogue da Semana

  •  
  • Afinidades

  •  
  • Lá fora cá dentro

  •  
  • Mais ligações

  •  
  • Informações úteis


    Arquivo

    1. 2016
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2015
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2014
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2013
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D
    53. 2012
    54. J
    55. F
    56. M
    57. A
    58. M
    59. J
    60. J
    61. A
    62. S
    63. O
    64. N
    65. D
    66. 2011
    67. J
    68. F
    69. M
    70. A
    71. M
    72. J
    73. J
    74. A
    75. S
    76. O
    77. N
    78. D
    79. 2010
    80. J
    81. F
    82. M
    83. A
    84. M
    85. J
    86. J
    87. A
    88. S
    89. O
    90. N
    91. D
    92. 2009
    93. J
    94. F
    95. M
    96. A
    97. M
    98. J
    99. J
    100. A
    101. S
    102. O
    103. N
    104. D