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Irão, não estou bem a par!

por Pedro Correia, em 30.06.09

 

Queixa-se Vítor Dias dos "silêncios, distracções e atrasos" da blogosfera portuguesa sobre o "intolerável golpe de Estado nas Honduras". Uma crítica certeira, vinda de quem se assume como excepção à regra: O Tempo das Cerejas já aludiu aqui e aqui ao que se passa nas Honduras. Por mim, só gostaria que Vítor Dias levasse a sua coerência um pouco mais longe, pronunciando-se sobre a intolerável fraude eleitoral no Irão, a intolerável repressão dos oposicionistas no Irão, o intolerável esmagamento dos direitos mais elementares no Irão, o intolerável recorde mundial de jornalistas presos no Irão e a intolerável matança de pessoas que foram assassinadas no Irão só porque exigiam liberdade. Gostava, mas até agora não consegui satisfazer este desejo: no seu blogue, Vítor Dias ainda não se pronunciou sobre tão irrelevante questão. Talvez porque a fraudulenta 'eleição' presidencial iraniana só ocorreu a 12 de Junho e ainda não haja suficiente matéria de análise. Talvez porque o Avante! já escreveu tudo quanto havia a escrever sobre este assunto. Talvez porque Tegucigalpa fique mais perto de Lisboa do que Teerão. Talvez até porque já não seja tempo de cerejas, sei lá. Mas vou continuando à espera. Sentado.

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23 comentários

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De João Carvalho a 30.06.2009 às 20:23

Pois é. Vítor Dias esquece que também aqui o «intolerável golpe de Estado nas Honduras» já foi referido, com as reservas que o afastamento forçado do presidente Manuel Zelayo suscita. Eleito democraticamente, tornou-se um opositor da Constituição do seu próprio país, que não lhe permite ficar eternamente agarrado ao poder.

Zelayo preparava-se (prepara-se?) para ficar no poleiro, impondo uma alteração constitucional. Como Chávez, grande inspirador destas coisas, o homem que protagoniza uma má vizinhança pestilenta.

Ó Vítor Dias, o Chávez também foi eleito democraticamente. O Hitler também. E mais alguns que a gente conhece. Deve ser por isso que temos dúvidas. Será que o povo das Honduras não tem o direito de afastar o presidente e de exigir que a democracia prossiga? Não será que golpe de Estado era o que Manuel Zelayo estava a tramar no palácio presidencial?

Ficam-nos ainda as dúvidas. Valem-nos as certezas d'"O Tempo das Cerejas". Só é pena que sejam certezas tão estreitas, Vítor Dias. Vistas com um só olho. Ou vesgas.
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De Daniel a 30.06.2009 às 21:48

João Carvalho, és um bocado ignorante no que se refere a este tema.

A alteração permite-o ficar eternamente no poder? Ore pesquise e verá que a alteração é para o presidente ficar 2 mandatos (que por acaso é o que acontece cá em Portugal!!).

Além disso, as alterações não se aplicariam ao actual presidente em funções!

Outra coisa,Vítor Dias criticou e bem o silêncio do blogosfera. Mas atenção, caro articulista, ele não se referiu a todos os bloggers! Referiu-se àquele que fizeram um estrondíssimo alarde à questão do Irão e mantiveram-se silenciosos na questão das Honduras.

Não sou advogado de defesa de ninguém, mas não me parece que Vítor Dias fosse exigir a alguém que se pronunciasse sobre um tema específico. Isso é impossível. Os blogs não têm linhas editoriais a cumprir.

Estranhou foi o facto de haver dois pesos e duas medidas!

Abraço
Daniel
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De tric a 30.06.2009 às 22:38

"A alteração permite-o ficar eternamente no poder? Ore pesquise e verá que a alteração é para o presidente ficar 2 mandatos (que por acaso é o que acontece cá em Portugal!!).

Além disso, as alterações não se aplicariam ao actual presidente em funções! "

Em qualquer país DEMOCRATICO, se Supremo Tribunal, diz que um determinado acto é Inconstitucional e se o Presidente da Republica não acatar tal decisão e querer levar por diante tal acto, estará a violar CLARAMENTE a Constuição que jurou CUMPRIR e deverá ser deposto imediatamente, a fim de ser reposta a LEGALIDADE DEMOCRATICA ! DEMOCRACIA HONDURENHA FUNCIONA!!!
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De João Cardoso a 01.07.2009 às 12:43

Qual Supremo Tribunal? Deve estar a referir o Tribunal Eleitoral, que é nomeado pelo Congresso, o que não é a mesma coisa.
O seu conceito de legalidade democrática passa pelo rapto do Presidente eleito? É que no meu vocabulário legalidade implica um julgamento, já agora feito pelo poder judicial, sendo este independente dos outros poderes.
Desconfio que não falamos a mesma língua.
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De tric a 01.07.2009 às 14:05

ai não falamos, a mesma lingua, não!! não tou nada a falar do tribunal eleitoral , estou a falar do equivalente ao Tribunal Constitucional!

o Presidente violou a Constituição, demite o chefe das forças armadas, por este se recusar ir contra a Constituição, o Tribunal Constitucional vem a publico dizer que o Xavista não pode demitir o chefe de Estado, pois este, apenas agiu de acordo com o que tinha jurado, DEFENDER A CONSTITUIÇÃO !! o Xavista prepara-se para realizar um GOLPE DE ESTADO Encapuçado, ao nomear um novo chefe das forças armadas! depois o que aconteceu, foi a REPOSIÇÂO da Ordem Democratica Constitucional!
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De João Cardoso a 01.07.2009 às 18:40

Vá ler a constituição hondurenha e depois conversamos. Quem não faz os trabalhos de casa vem agora com o xavista " (quando se trata de um político de centro-direita que oscilou para o centro-esquerda), e outras imaginações. Não é por lhe chamar Tribunal Constitucional que a realidade muda.
E já agora adivinhe quem aprovou a actual constituição hondurenha, quando e em que condições...
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De Pedro Correia a 01.07.2009 às 18:53

Interessante, o seu blogue, João Cardoso. Já na nossa barra lateral.
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De João Carvalho a 30.06.2009 às 22:53

Ó jovem, claro que não és advogado de ninguém, porque antes disso é importante saberes ler e não andares a escrever tolices como esta: «Vítor Dias criticou e bem o silêncio do blogosfera. Mas (...) não se referiu a todos os bloggers».

Agora lê lá o Vítor Dias: «tirando a inesquecível Palmira Silva do "jugular", ali certinha a divulgar sem um pio e amorosamente os comunicados e argumentos dos golpistas, o que mais sobra na blogosfera são silêncios, distracções e atrasos em relação ao golpe de Estado nas Honduras, incluindo daqueles que a toda a hora exigem a outros que acompanhem os seus temas e efemérides».

Quanto aos mandatos presidenciais que Manuel Zelayo quer, ó camarada, até ver ainda sou eu que dou conta da minha própria leitura dos acontecimentos. Entendidos!
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De Daniel a 01.07.2009 às 18:21

Meu caro "jovem"

No meu entender, considero os bloggers parte da blogosfera... Mas isso são questões semânticas e não me parece que devamos ir por aí. Acho-te um tipo com uma inteligência fora do normal e estou certo que terás percebido o que queria dizer!

Estás à vontade para fazer a tua leitura dos acontecimentos, e eu à vontade para as criticar a partir do momento em que decides dizer as tuas... hmm tolices aqui no blogue.

Já agora, qual o porquê de me teres chamado camarada? Espero que não esteja a insinuação que qualquer pessoa que concorde com Vítor Dias seja comunista.

Um abraço "jovem"
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De João Carvalho a 30.06.2009 às 22:55

Ah! Antes que me esqueça, ó não-advogado: não gostei muito do tom da tua escrita. É bom que comeces a temperar essa fogosidade, que assim não vais longe. Fica o aviso.
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De João Cardoso a 01.07.2009 às 12:43

"Será que o povo das Honduras não tem o direito de afastar o presidente e de exigir que a democracia prossiga? "
Ora aí está uma boa dúvida. É bom ter dúvidas. Eu até duvido do carácter democrático de regime hondurenho, depois de ter lido um pouco sobre o seu regime eleitoral, aqui: http://tinyurl.com/n9w8sa
Agora quando se decreta o recolher obrigatório somado ao encerramento da comunicação social afecta "aos outros", quando se sequestra um presidente eleito e se perseguem todos os seus apoiantes, isto num país onde os deputados gerem parte do orçamento do estado sem qualquer controlo, ficam-me poucas dúvidas sobre o que se passa: um golpe de estado, a tentativa de perpetuar um regime que por padrões democráticos será no mínimo pouco canónico.

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De João Carvalho a 01.07.2009 às 12:49

Dúvidas pertinentes.
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De Daniel João Santos a 30.06.2009 às 20:37

As noticias são podadas por alguns, na blogosfera é aos montes, da forma que melhor lhes interessa.
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De João Carvalho a 01.07.2009 às 00:18

Faz parte de livre escolha de cada um, Daniel.
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De Joana Lopes a 01.07.2009 às 09:35

Pedro,
O VDias tem a sua agenda, sempre a mesma e que nem é dele - só certezas, portanto. Podia pelo menos não espernear achando que todos são obrigados a falar sobre o que ele quer, quando ele quer.
E, a propósito de certezas: a América Latina e o caso das Honduras são suficientemente complicados para não serem visto com os nossos olhos «justiceiros» de tudo ou nada - julgo eu...
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De Pedro Correia a 01.07.2009 às 11:02

De acordo, Joana. Vítor Dias terá a agenda que tiver, cada um de nós é livre de a ter (ou não). Escusado é aparecer com pseudo-superioridade moral, dando um ralhete à generalidade da blogosfera por causa de um pecado (a omissão de comentários ao caso Honduras) por ele próprio cometido (a omissão de comentários ao caso Irão). Certezas a mais num caso, silêncio a mais noutro. E ralhetes aos outros blogues, ainda por cima. Já dei para estas 'superioridades morais'...
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De Luís Lavoura a 01.07.2009 às 09:40

"a intolerável fraude eleitoral no Irão"

O Pedro continua a referir-se à alegada fraude como um facto incontestável, quando já aqui confessou que apenas presume, na base de que o regime iraniano é ditatorial, que ela tenha existido.

O Pedro tem todo o direito, naturalmente, de presumir que houve no Irão uma fraude. Não tem é o direito de apresentar essas suas presunções como factos comprovados.

Do facto de o regime iraniano ser ditatorial não decorre, necessariamente, que todas as eleições por ele promovidas sejam fraudulentas.
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De João Carvalho a 01.07.2009 às 10:02

Um regime ditatorial é sempre baseado na fraude, Luís. A normalidade está nos antípodas das mãos-de-ferro em cima de quem vota. Votar sem liberdade ou eleger com medo é sempre uma anormalidade. Por isso, um processo eleitoral nessas condições é sempre fraudulento, mesmo que não tivesse havido fraude.

Mas meta na sua cabeça que houve fraude mesmo, porque o poder no Irão ainda não provou o contrário. E, como o Pedro já aqui muito bem lhe disse antes, o ónus da prova está do lado do poder, numa ditadura.
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De Luís Lavoura a 01.07.2009 às 10:09

Não, um regime ditatorial não é sempre baseado na fraude. Há e houve na história muitos regimes ditatoriais que gozaram de genuíno apoio popular.

Dizer que "um processo eleitoral é sempre fraudulento mesmo que não tenha havido fraude" é uma forma pouco subtil de atirar areia para os olhos de quem lê. Eu tenho o direito de perceber a que é que o Pedro se refere quando diz que umas determinadas eleições foram fraudulentas: se ele se refere às suas presunções, se ele se refere ao dogma de que as eleições só podem ter sido fraudulentas mesmo que não tenha havido fraude, ou se ele se refere a fraudes concretas e comproivadas.
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De João Carvalho a 01.07.2009 às 11:25

Já percebi. Convém não se correr o risco de sermos injustos com a ditadura, não é?
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De Pedro Correia a 01.07.2009 às 11:07

Esse seu raciocínio, mutatis mutandis, servia para avalizar as 'eleições' no tempo de Salazar. Nomeadamente a 'eleição' ganha (segundo o regime) em 1958 por Américo Thomaz contra Humberto Delgado. E como 'provar' as fraudes se só o regime tinha acesso a toda a documentação oficial, começando pelos cadernos eleitorais? Vale exactamente o mesmo para o caso do Irão. Com a diferença para o Irão, concedo, que o próprio regime de Teerão reconheceu desta vez ter havido irregularidades em mais de 300 assembleias de voto. Mas nem entro nestas minúcias. Respondo-lhe como lhe respondi noutra caixa de comentários: em regime ditatorial, inverte-se o ónus da prova. Todas as eleições são fraudulentas até prova em contrário. Pensar o contrário é avalizar a ditadura.
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De ariel a 01.07.2009 às 11:22

"Todas as eleições são fraudulentas até prova em contrário. Pensar o contrário é avalizar a ditadura"

Nem mais Pedro. Em regime ditatorial as oposições não são livres de se organizarem nem de se manifestarem como se comprova pela repressão a que todos assistimos. Logo mesmo que tecnicamente não haja "fraude", existe fraude moral, ética e política.
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De Pedro Correia a 01.07.2009 às 18:52

É exactamente como diz, caríssima.

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