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Eles

por Teresa Ribeiro, em 28.06.09

Sempre fizeram parte do meu imaginário. Eles eram os bandidos, os vendidos, uma espécie de agentes patogénicos que infectavam a nação e impediam o progresso do país. Eles também eram os que nos uniam nas rodas de café, nos táxis, nas barbearias, nos jantares de família e até no emprego. Claro que todos tínhamos por certo que a eles ninguém beliscaria e essa era a evidência que temperava a nossa mansa revolta - a revolta de quem se sabe impotente. Essa resignação alastrava, já se sabe, aos assuntos do foro pessoal, que só podiam correr mal. Daí a nossa tristeza colectiva, o fado e o fardo existencial, o medo de ser feliz.

Mas depois eles começaram a aparecer. A partir de certa altura as notícias, os nomes associados a casos de fraude e corrupção passaram a surgir nos jornais com uma regularidade inquietante. Apito Dourado, Operação FuracãoBNP, BPPBCP e caso Freeport têm rostos. A maioria, já se sabe, safar-se-á, incólume. Todavia é preocupante a nova apetência por este tipo de investigação. Acaso alguém se lembrou que sem eles provavelmente não conseguiríamos funcionar como o colectivo de fortes traços identitários que somos há séculos?  

Antes que esta perseguição ganhe dimensões de consequências imprevisíveis, acho que o melhor é fazerem o favor de ficar por aqui. A menos que um dia queiram ver a culpa, essa solteirona empedernida, a dar o nó e a partir daí deixar-nos sem assunto, sem argumentos que nos aliviem de culpas e responsabilidades e, o que é pior, com um destino nas mãos. Além de que em tempo de crise ninguém se preocupa com minudências.

 

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6 comentários

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De João Carvalho a 28.06.2009 às 14:43

Eles que venham! Quantos são? Quantos são? Eles que venham!
Já sei: não adianta...
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De Ana Vidal a 28.06.2009 às 17:27

São muitos, João. Cada vez são mais...
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De João Carvalho a 28.06.2009 às 17:41

É o que eu temia...
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De Cristina Ribeiro a 28.06.2009 às 18:38

A grande questão, Teresa, é que " eles " são como as cabeças da hidra: vão-se regenerando, e se acontecesse, porventura, pensarmos que o ar estava limpo já...
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De Pedro Correia a 28.06.2009 às 20:44

Só é pena que a justiça portuguesa apenas dê prova de vida em anos eleitorais. O que fazer para isto mudar? Ter eleições todos os anos?
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De mike a 28.06.2009 às 20:55

Eles, Teresa, eles são os mordomos do universo todo,
senhores à força, mandadores sem lei, enchem as tulhas, bebem vinho novo, dançam a ronda No pinhal do rei. Eles comem tudo, eles comem tudo, eles comem tudo e não deixam nada.
Olhe, lembrei-me da música de Zeca Afonso, ao ler este seu post, Teresa.

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